sábado, 30 de março de 2019

Neomanuelino ou o revivalismo português do século XIX


A arquitetura do reinado de D. Manuel I voltou a estar na moda quase quatrocentos anos depois. Portugal atravessava uma grave crise financeira, precisava de se afirmar enquanto império. E o Manuelino, além de ser um estilo inteiramente português, lembrava à Europa que esta era a pátria das gloriosas descobertas marítimas.
No século XIX a cultura resistia ao progresso que a revolução industrial imprimia por toda a Europa. A nostalgia estava em voga e o movimento do romantismo fazia ressuscitar estilos de épocas passadas, de preferência os que sublinhassem a originalidade arquitetónica de cada país.

Foi neste período que o manuelino das construções quinhentistas passou a ser considerado um estilo, com elementos comuns definidos por Francisco Adolfo Varnhagen na obra “Notícia Histórica e Descritiva do Mosteiro de Belém”, de 1842. Embora muitos críticos e historiadores de arte não identificassem traços manuelinos no que mantinham ser uma ramificação do gótico final português, a expressão foi adotada, tendo muitos intelectuais como Alexandre Herculano e Almeida Garrett a defendê-la.

Quando os revivalismos românticos chegaram a Portugal, o país precisava de encontrar o seu papel no tabuleiro político europeu para se afirmar enquanto nação soberana e autónoma. A bancarrota ameaçava ser o epílogo do século mais conturbado da história portuguesa. Como subsistir a 100 anos de lutas, invasões, conflitos diplomáticos, a uma produtividade baixa e a um sentimento de inferioridade crescente? O que distinguia o pequeno reino da periferia geográfica da Europa?

A resposta estava no passado das épicas viagens marítimas, um período glorioso a nível político, económico e cultural que a linguagem arquitetónica do Venturoso rei da pimenta, com a sua decoração exuberante, excessiva e exótica, fazia reviver. Este novo manuelino oitocentista que entrava na estética dos edifícios públicos e privados, restaurava valores nacionalistas na fase perigosa do Ultimato inglês  e reafirmava a imagem de Portugal no exterior.

Uma peça fascinante da arquitetura revivalista portuguesa é o Palácio-Hotel do Buçaco, obra iniciada em 1888, com projeto do arquiteto italiano Luigi Manini, forte  impulsionador do estilo e cenógrafo brilhante do Teatro S. Carlos. Neste cenário grandioso, montado no centro do país para receber sobretudo turistas estrangeiros, a historiadora de arte Raquel Henriques da Silva define e contextualiza a “moda do manuelino”.

Românico tardio na Igreja do Mosteiro de S. Salvador


Em estilo Românico ergue-se em Paço de Sousa o templo medieval que pertenceu aos monges beneditinos. A Igreja de três naves construída no século XIII, tem a robustez característica desta arquitetura mas apresenta já elementos góticos. A começar na escala.
A arquitetura religiosa românica foi uma tradição que em Portugal se manifestou tarde e, por isso, prolongada até ao século XIV. Enquanto a Europa há muito despertara para a monumentalidade das catedrais góticas, as construções no norte e centro do país, continuavam, na sua maioria, a ser pequenas, robustas, austeras e sombrias.

Mosteiros e igrejas não eram tão só locais de recolhimento, eram peças fundamentais na organização e defesa do território conquistado aos mouros, para formar povoados agrícolas ou repovoar terras abandonadas. As ordens religiosas foram, aliás, as grandes responsáveis pela difusão desta arte que, desde o século X, influenciava o ocidente.

Os novos templos tinham uma estrutura de base românica, mas a sua escala e riqueza decorativa dependiam das técnicas e materiais locais, das dádivas e dos patronos. Enquanto nos centros urbanos as encomendas ambicionavam seguir o exemplo dos grandes monumentos estrangeiros, com arquitetos e artífices famosos contratados; no mundo rural as construções caracterizavam-se pela simplicidade e proximidade ao imaginário popular, dando origem ao chamado românico português ou «nacionalizado».

No património medieval conta-se esta Igreja do Mosteiro de S. Salvador, mandada construir pela Ordem Beneditina num tempo em que o românico começava a ceder à linguagem artística que irradiava de França desde o século XII. O portal gótico de cinco arquivoltas, a rosácea de anéis encadeados apoiada em cachorrada esculpida, a questão da escala e a rudeza da pedra, são pormenores aqui explicados por Carla Varela Fernandes, Historiadora de Arte e Investigadora da Fundação para a Ciência e Tecnologia.

Arquitetura romântica no Palácio de Monserrate


A cúpula avermelhada do Palácio de Monserrate sobressai no luxuriante manto verde da serra. Extraordinário exemplar da arquitetura romântica, este exótico palácio é uma mistura de estilos. Aqui falamos deste monumento, um dos mais icónicos do concelho de Sintra.
Sobre as ruínas de um antigo palácio, dois ingleses imaginaram e construíram uma das mais belas peças do romantismo em Portugal. Francis Cook, o novo proprietário, comerciante abastado de grande «sensibilidade cultural», e James Knowles, arquiteto de imaginação exuberante, deram forma ao edifício que sintetiza na perfeição a essência do movimento que nasceu na Europa, no século XVIII, o Palácio de Monserrate.

Para a arquitetura, a corrente dos românticos queria emoções em vez de geometria, arte genuína sem os artifícios das regras académicas. Procuravam-se experiências novas e intensas para substituir o neoclassicismo, um estilo que fosse capaz de surpreender a cada olhar. Por isso inspiraram-se no passado, recuperaram estéticas esquecidas, como o gótico e o renascentista barroco, juntaram-lhes o gosto pelos exotismos de outras culturas e o pitoresco dos regionalismos, e criaram o cenário eclético que caracteriza o romantismo.

Estes revivalismos fortaleceram sentimentos nacionalistas: cada país procurava a sua linguagem própria e recriava o que de melhor tinha feito no passado. Os ingleses reinventaram as linhas arquitetónicas da Idade Média num novo gótico que acabaria por influenciar os países à volta. Por cá, seguindo esta lógica, as atenções penderam sobretudo para o neomanuelino, revivente da época de ouro da história portuguesa.

Em Monserrate, estilos tão diferentes como o gótico medieval, o árabe, o mourisco e o renascentista misturam-se tranquilamente e de forma surpreendente. Magnífico exemplar do romantismo, o Palácio integra «a paisagem natural de Sintra», classificada desde 1995 como património mundial da UNESCO. Vamos conhecê-lo melhor nas palavras de Maria João Baptista Neto, professora de História de Arte da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Apocalipse do Lorvão, manuscrito iluminado medieval


Do "scriptorium" do Mosteiro do Lorvão saiu em 1189 este manuscrito, talvez a primeira obra-prima da arte portuguesa. Mais de oitocentos anos depois, o "Apocalipse do Lorvão" foi considerado pela UNESCO um dos mais belos documentos da civilização medieval ocidental. Uma valiosa raridade que marca a arte românica e a história da iluminura em Portugal. 

Fundado num lugar ermo, o Mosteiro do Lorvão  era, no século XII, famoso pela sua biblioteca e pela produção de obras minuciosamente executadas na sua oficina ou scriptorium. Mas de tudo o que até aí fora realizado pela pequena comunidade de monges copistas, três manuscritos destacavam-se pela beleza das iluminuras e pela força da mensagem religiosa: “O Comentário de Santo Agostinho aos Peixes”, “O Livro das Aves” e este “Apocalipse do Lorvão”, texto bíblico atribuído a João Evangelista e que em 2015 foi inscrito no registo de Memória do Mundo pela UNESCO.

Se a leitura em gótico primitivo é inacessível ao comum dos mortais, as fantásticas imagens que decoram as páginas em pergaminho têm em si a simbologia e a força para nos prenderem à mensagem do último livro do Novo Testamento. Figuras humanas, animais e outros elementos decorativos, geométricos e abstratos, misturam-se em cenas narrativas que clarificam o que ali vem escrito. Como foi já dito, o valor deste códice “está principalmente nas suas bárbaras iluminuras, onde se encontram muitos espécimes autênticos de trajos, alfaias, arquitetura do século XII, raros em Portugal”.

Depositado no arquivo nacional da Torre do Tombo por iniciativa do historiador Alexandre Herculano, o “Apocalipse do Lorvão” marca, com as suas pinturas, a arte românica portuguesa. Algumas dessas raras ilustrações são mostradas e explicadas neste vídeo por Maria Adelaide Miranda, a especialista portuguesa em iluminura.

A vida nos mosteiros e a produção de manuscritos medievais


Na solidão dos mosteiros procuravam os monges ficar mais perto de Deus. Mas estas casas religiosas acabaram por ter uma ação civilizadora no ocidente. Entre o trabalho espiritual e manual, as comunidades monacais tiveram um papel valioso no repovoamento, na transmissão da fé e de um legado cultural e artístico, como a produção de manuscritos. Vejamos o que se passava no Mosteiro do Lorvão. 
Desde o nascer ao pôr do sol, a vida interna dos mosteiros era ritmada pelo relógio das horas canónicas. Depois de louvar a Deus com cânticos e orações, os monges dedicavam-se a tarefas mais terrenas. O trabalho no campo e nas variadas oficinas era igualmente rigoroso, com regras e cargos definidos e distribuídos por todos.

Na comunidade do Lorvão, anterior à fundação do reino de Portugal, um grupo especializado na arte da iluminura produziu manuscritos de rara beleza que ao mosteiro trouxeram enorme prestígio cultural, como é exemplar o texto bíblico do Apocalipse, cujas ilustrações são consideradas os primeiros vestígios da pintura românica em Portugal.

Estas pinturas, que podiam ocupar uma página inteira ou cingir-se às letras iniciais de capítulos ou parágrafos, revelavam não só perícia técnica como uma extraordinária criatividade traduzida nas figuras e temas representados. Os textos eram copiados em tinta preta, para as ilustrações e outros ornamentos usava-se uma mistura de pigmentos, feita também no escritório.

No entanto a produção dos manuscritos necessitava de todo um trabalho prévio que acabava por envolver os poucos religiosos que residiam neste mosteiro fundado no século IX: era preciso cuidar dos rebanhos, tratar a pele dos animais, cortar o pergaminho, ajustá-lo ao tamanho do livro, coser e pautar as páginas. E, por fim, viria a encadernação do valioso objeto.

Não tivesse sido o labor intenso destes e de outros monges escribas e copistas, muitas obras antigas teriam ficado para sempre perdidas no tempo. Livros religiosos e profanos eram copiados, comentados e iluminados cuidadosamente nos “scriptorium” medievais, muitos deles encomendados e destinados a uma elite erudita, outros guardados na biblioteca do mosteiro.

Porque todo este trabalho era encarado como um serviço a Deus, vital para “reproduzir a palavra divina” e perpetuar os valores da Igreja, estes monges mantinham-se discretamente sob anonimato. São estas histórias que nos conta aqui Maria Adelaide Miranda, especialista portuguesa em iluminura.

Barroco Joanino no altar da Igreja de S. Domingos


Fundada no século XIII, esta imponente Igreja da cidade de Lisboa foi palco de casamentos reais, de conspirações e de terríveis tragédias humanas. Aqui teve início o massacre dos judeus e daqui saíam para os autos, os réus do Santo Ofício. Vamos conhecer o que resta desta obra exemplar do barroco joanino ou, como também se diz, do "barroco de racionalidade". 
Poucos anos antes do grande terramoto, D. João V mandara construir um altar que projectava de forma majestática toda a encenação litúrgica. Este altar é a “evidência do barroco joanino”, diz o historiador António Camões Gouveia no início desta visita guiada à Igreja de São Domingos, em Lisboa.

O nome do rei, considerado o maior mecenas da Europa setecentista, fixou associado ao estilo que, embora seguindo o espírito do barroco, apresenta ligeiras modificações na sua representação. Será uma vez mais João Frederico Ludovice, o arquiteto de D. João V e autor do grandioso Convento de Mafra, a interpretar a visão estética do monarca e a executar o altar que engrandece a fé e a monarquia.


A Charola do Convento de Cristo


Datada do século XII, esta Igreja redonda foi o primeiro oratório românico dos Templários na cidade de Tomar. A célebre Charola tem arquitetura inspirada nos Templos de Jerusalém, com planta centrada, em formato octogonal. Porque aqui, longe dos lugares da Terra Santa que defenderam à espada, os cavaleiros continuavam a ser fiéis servidores de Cristo. O monumento é um dos mais originais e emblemáticos da ordem fundada em 1118.
Da época de Gualdim Paes, mestre da Ordem  dos Templários em Portugal, são o castelo de Tomar e a Charola, primitiva igreja construída “em memória da morte e ressurreição de Jesus Cristo”. O santuário com espaço litúrgico em forma octogonal «que define um amplo deambulatório», por onde os monges-cavaleiros andavam à volta em oração, terá a sua arquitetura inspirada em dois edifícios míticos de Jerusalém: a Igreja do Santo Sepulcro e a Mesquita da Cúpula do Rochedo, sublinha Paulo Pereira, autor de referência em História da Arte, neste extrato do programa Visita Guiada.

Mas à românica Igreja Templária do século XII foram sendo acrescentadas outras construções e decorações por iniciativa de infantes e reis. Com D. Manuel I, por exemplo, o santuário é engrandecido em esculturas, pinturas e talha dourada. Os dois mil metros da Charola vão ganhando a exuberância de outros estilos – gótico, manuelino, renascimento maneirismo -,  como acontece com todo o Convento de Cristo, monumento único, classificado como Património Mundial pela UNESCO, em 1983.

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Biografia - Marco Túlio Cícero


O maior dos oradores e pensadores políticos romanos. Nasceu em Arpinum (Arpino), em 106 a.C.; morreu em Formiae (Formia) em 43 a.C.

Cícero nasceu numa antiga família da classe equestre, duma povoação do interior do Lácio, a quem tinha sido dada a cidadania romana somente em 188 a.C., e que nunca tinha por isso participado na vida política de Roma. O pai proporcionou aos dois filhos, Marco, o mais velho, e Quinto, uma educação muito completa, sendo que Marco Túlio, após ter aprendido na escola pública e ter chegado à maioridade, passando a vestir a toga virilis, foi entregue aos cuidados do célebre senador e jurista romano Múcio Cévola que o pôs a par das leis e das instituições políticas de Roma. 

Durante a Guerra Social do princípio do século I a.C (91-88 a.C.) Cícero passou brevemente pela vida militar, passo necessário para poder participar plenamente na vida política romana, tendo estado presente numa campanha militar sob o comando do cônsul Pompeu Estrabão, pai de Pompeu o Grande. Regressado à vida civil, começou a estudar filosofia com Filão, o Académico, mas a sua atenção centrou-se na oratória que estudou com a ajuda de Molo, o principal retórico da época, e de Diodoto, o Estóico.

Cícero é considerado o primeiro romano que chegou aos principais postos do governo com base na sua eloquência, e ao mérito com exerceu as suas funções de magistrado civil.  O primeiro caso importante que aceitou foi a defesa de Amerino, um escravo liberto, acusado de parricida por um favorito de Sila, nessa época ditador de Roma. Esta acção corajosa levou-o a sair prudentemente de Roma, após a conclusão do pleito, tendo viajado durante dois anos, oficialmente para se restabelecer de uma doença. Em Atenas reencontrou o seu colega de escola Pompónio Ático, com quem estabelecerá a partir daí uma longa, e muito célebre, Correspondência. No Oriente concluiu a sua formação filosófica e retórica.

Regressado a Roma em 76 a.C. após a morte de Sila, começou a sua carreira política, sendo nomeado questor da Sicília no ano seguinte, província que governou com sucesso. De regresso a Roma aceitou dirigir, em 70 a.C., o processo que a população da ilha intentou contra o pro-pretor da ilha, Verres, por corrupção. Venceu o processo obrigando este a sair de Roma. No ano seguinte (69 a.C.), cinco anos depois de regressar da Sicília, foi eleito edil e mais tarde, cumpridos os dois anos de intervalo entre magistraturas, foi escolhido para pretor (66 a.C.), discursando pela primeira vez a partir da  Rostra - a antiga plataforma dos oradores no Fórum de Roma - em defesa da Lex Manilia, que pretendia entregar a Pompeu o governo de várias províncias orientais, como base para atacar o rei do Ponto, Mitríades VI Eupator, em luta contra Roma no norte da península da Anatólia (Ásia Menor).

No fim da sua actuação como pretor, decidiu concorrer ao consulado, tendo por isso recusado a nomeação para o governo de uma província do império, o pagamento normal para o exercício do cargo de pretor. Foi eleito cônsul em 62 a.C., para o exercício do ano seguinte. Nesse cargo conseguiu destruir a Conjuração de Catilina, tendo sido declarado Pai da Pátria por essa actuação em defesa das instituições republicanas.

Mas o regresso triunfal de Pompeu a Roma, e a institucionalização do primeiro Triunvirato, fez com que as ambições políticas de Cícero sofressem um rude golpe, fazendo com que voltasse às actividades forense e literária. Mas a actuação de um seu inimigo político, P. Clódio, que criticava a actuação de Cícero durante a conjuração de Catilina, devido à execução dos conjurados sem julgamento, fez com que abandonasse voluntariamente Roma (58 a.C.) e a Itália indo para o exílio na Grécia, por onde deambulou, até que se instalou em Tessalónica no norte da província, o que não impediu a votação de uma lei que o desterrava. A perseguição de P. Clódio continuou, atacando a família mais próxima e as propriedades de Cícero, até que Pompeu interveio e conseguiu, com a ajuda de parentes e de amigos de Cícero, que o Senado se decidisse a chamá-lo do exílio. Quando regressou (57 a.C.), o Senado foi recebê-lo às portas da cidade, sendo a sua entrada quase uma procissão triunfal.

Seis anos mais tarde (51 a.C.), devido a uma lei de Pompeu, que obrigava os senadores de nível consular ou pretoriano a dividirem as províncias vagas entre si, foi governar a Cilícia. Aí, nas costas meridionais da Ásia Menor, antigo centro da pirataria do Mediterrâneo oriental, lutou vitoriosamente contra tribos rebeldes das montanhas, recebendo dos seus soldados o título de Imperator. Demitiu-se e regressou a Roma por volta do ano 50 a.C., com intenção de reclamar a realização de um triunfo. Mas o começo das lutas entre Pompeu e César, que deram origem à Guerra Civil, impediram a sua efectivação.

Foi o período mais crítico do ponto de vista moral e político da vida de Cícero.

Querendo manter-se neutral na feroz luta política da época tentou agradar aos dois campos, sem conseguir agradar a nenhum deles. Mas manteve-se sempre mais perto de Pompeu, e do partido senatorial, do que de César, e do partido popular, e de facto acabou por se decidir, mas muito timidamente, pelo campo senatorial. Após a batalha de Farsalia (48 a.C.), e a fuga consequente de Pompeu e a morte deste no Egipto, recusou-se a comandar tropas e regressou a Roma, governada por António enquanto representante pessoal de César. Cícero passou então a dedicar-se integralmente à filosofia e à literatura, sendo desta época o tratado De Republica.

Os empréstimos feitos a Pompeu, naturalmente não pagos, empobreceram-no, tendo necessidade de pedir a assistência do seu velho amigo Ático, e de se divorciar da sua mulher, Terência, casando com Publilia, uma jovem de meios. Nessa período, Túlia, filha do seu primeiro casamento, morreu, o que provocou o divórcio da sua segunda mulher, que não terá mostrado suficiente pesar pela morte da enteada. Estes factos provocaram a publicação de De Consolatione.

O assassínio de César em 44 a.C. trouxe-o de novo para o centro da actividade política. Tentou recuperar a influência política, e a direcção do partido senatorial, mas António ocupou o lugar de Júlio César, e a Cícero só lhe restou escrever as orações contra o sucessor de César conhecidas como Filípicas. A sua oposição a António granjearam-lhe o interesse de Octávio. Cícero não se deixou enganar pelo filho adoptivo de César, e as resoluções do Senado contra António tiveram origem nele. Mas Octávio, eleito cônsul, chegou a acordo com António e Lépido, antigo general de Júlio César, formando-se o segundo triunvirato. Cícero retirou-se com alguns familiares para Túsculo, a sul de Roma. Aí teve conhecimento que Octávio o tinha abandonado e que António o tinha colocado na lista dos proscritos, uma declaração de morte. Viajou para Fórmio, na costa adriática, com intenção de embarcar para a Grécia. Mas acabou por ficar afirmando «Moriar in patria soepe servata» (Morra eu na pátria que tantas vezes salvei), o que aconteceu às mãos de soldados comandados por um seu antigo cliente. Cortaram-lhe a cabeça e as mãos e, por ordem de António, pregaram-nas na Rostra.

Fonte:
Enciclopédia Britânica

Biografia - Winston Churchill


Primeiro ministro britânico, de 1940 a 1945 e de 1951 a 1955, foi quem dirigiu a Grã-Bretanha durante a Segunda Guerra Mundial. Nasceu no Palácio de Blenheim, em Woodstock, no Oxfordshire, em 30 de Novembro de 1874;  morreu em Londres em 24 de Janeiro de 1965.

Era filho de Lord Randolph Churchill e da sua mulher americana Jennie Jerome. Após ter acabado o curso na Academia Militar de Sandhurst e ter servido como oficial subalterno, de 1895 a 1899, no regimento de Hussardos n.º 4, foi correspondente de guerra em Cuba, na Índia e na África do Sul. Durante a guerra dos Boers, de quem foi prisioneiro, protagonizou uma fuga que o tornou mundialmente conhecido, e de que relatou as peripécias no seu livro De Londres a Ladysmith. Churchill entrou para a política como Conservador, tendo sido eleito deputado em 1900, mas em 1904 rompeu com o Partido devido à política social dos Conservadores.

Aderiu ao Partido Liberal e em 1906, tendo sido eleito deputado, foi convidado para o Governo,  ocupando primeiro o cargo de Sub-Secretário de Estado para as Colónias, mais tarde, em 1908, a pasta de Presidente da Junta de Comércio (Board of Trade).Após as eleições de 1910 foi transferido para o Ministério do Interior, e finalmente foi nomeado, em Outubro de 1911, Primeiro Lorde do Almirantado, onde impôs uma política de reforço e modernização da Marinha de Guerra britânica.

Pediu a demissão em plena Primeira Guerra Mundial, devido ao falhanço da expedição britânica aos Dardanelos, na Turquia, de que tinha sido o principal promotor. Alistou-se no exército, e comandou um batalhão do regimento «Royal Scots Fusiliers» na frente ocidental. Regressou ao Parlamento em 1916, regressando a funções governamentais no último ano de guerra, como ministro das munições.

Após o fim da Primeira Guerra Mundial, Churchill foi-se tornando cada vez mais conservador, continuando a participar activamente na política, como Ministro da Guerra (1919-1921) e Ministro das Colónias (1921-1922) em governos liberais. Em 1924 regressou ao Partido Conservador, sendo nomeado Ministro das Finanças (1924-1929) no governo conservador de Stanley Baldwin. Não participou em nenhum governo, de 1929 a 1939, mas continuou a ser eleito para o Parlamento, onde advertiu incessantemente do perigo que Hitler representava para a Paz.

Em 1939 foi nomeado novamente Primeiro Lorde do Almirantado, e em 1940, no dia em que a Alemanha começou a ofensiva a Ocidente, invadindo a Holanda, a Bélgica, o Luxemburgo e a França, foi nomeado Primeiro Ministro. Fez com que o seu país resistisse às derrotas dessa Primavera de 1940, e ao desaparecimento de todos os seus aliados ocidentais, da Noruega à França, e dirigiu-o durante a Batalha de Inglaterra. Finalmente, aliado à União Soviética, desde o primeiro momento da invasão alemã, em Junho de 1941, e com o apoio e depois a participação activa dos Estados Unidos na guerra, acabou por vencer Hitler.

Mesmo antes do fim da guerra, sofreu uma derrota espectacular nas eleições de 1945, sendo o seu governo substituído pelos trabalhistas de Atlee. Voltou ao poder em 1951, sendo primeiro-ministro até 1955, ano em que pediu a demissão, devido a problemas de saúde.

Foi nomeado Prémio Nobel da Literatura em 1953, pelas sua obra mas sobretudo devido aos 6 volumes da sua obra mais famosa: The Second World War. 

Biografia retirada daqui


Biografia - Maria Antonietta Macciocchi


Política e escritora italiana, natural de Roma. Foi filiada no Partido Comunista até 1972, ano em que foi expulsa por ter denunciado num livro os "dogmas do comunismo" e as atrocidades que o regime comete na China, onde esteve em 1971. Professora de Ciências Políticas na Universidade de Paris-Vincennes e na Sorbonne, em 1979 foi eleita deputada no Parlamento Euro-peu. Nasceu numa família antifascista e, desde pequena, que participou na Resistência italiana. Depois da 2ª Grande Guerra fundou, em Paris, a AICF (Acção Internacional contra a Fome). Dedicou a sua vida a questões relativas às liberdades e oportunidades para as mulheres e pugnou pelos direitos humanos. Foi deputada por Nápoles, em 1968. O Governo, em 1986, escolheu-a para representante junto da Fundação Europeia. Interveio sobre a abolição da pena de morte em todo o mundo e esteve na primeira linha contra as ditaduras estivessem onde estivessem. Escreveu obras de cariz político e de história. Esteve em Portugal por diversas vezes; uma delas por ocasião do lançamento da tradução do livro sobre Leonor da Fonseca Pimentel, com o título "Querida Leonor". Foi uma das mais respeitadas políticas italianas. O seu mais conhecido trabalho foi "Dois mil anos de felicidade". Faleceu a 15 de Abril de 2007.

Biografia retirada daqui

Biografia - Tutankamon, Akenaton e Cleópatra

Biografia - Nelson Mandela

Biografia - Karl Marx


Karl Marx era filho de um advogado judeu que se converteu ao luteranismo. Frequentou a Universidade de Direito de Bona mas acabou por se transferir para a Universidade de Berlim, a fim de cursar Filosofia. Integrou, nesta cidade, o grupo dos Doktorklub, constiuído por jovens hegelianos de esquerda, empenhando-se em tecer críticas em relação às ideias de Estado e de Religião. Em 1841, com uma dissertação sobre Epicuro, licenciou-se, na Universidade de Iena, em Filosofia. As suas ideias radicais impediram-no de seguir a carreira de professor universitário, tendo aceite, em 1842, a direcção do jornal liberal Rheinische Zeitung. Nesta época, Karl Marx evolui de uma concepção humanístico-liberal para o socialismo comunista, sofrendo, então, a influência de Feuerbach. Em 1843, foi viver para Paris, acompanhado da sua mulher Jenny von Westphalen. Nesta cidade, conjuntamente com Ruge, publicou Os Anais Franco-Alemães ( Deutsch-französische Jahrbücher), uma síntese do radicalismo filosófico alemão e da experiência democrática francesa. Em 1845, expulso pelo governo de Guizot, desloca-se para Bruxelas. Engels, com quem travara conhecimento em Paris, ajuda-o financeiramente e acabam por realizar juntos uma viagem a Inglaterra. Karl Marx entra em contacto com a realidade económica inglesa e enceta, junto da Associação dos Operários Alemães radicados em Londres, cuja a situação de exploração pelo patronato era degradante, uma tenaz luta de propaganda e de agitação, criando comissões de ligação com outras organizações operárias europeias. Em 1847, a Liga dos Justos realiza um congresso em Londres. A divisa por estes proposta «Todos os homens são irmãos» é substituída, por influência de Karl Marx, em «Proletários de todos os países, uni-vos», já que, segundo ele próprio referenciou na altura, «existe uma infinidade de homens dos quais de maneira nenhuma me sinto irmão». Em Fevereiro de 1848, publica, conjuntamente com Hegel, o Manifesto do Partido Comunista. A 3 de Março do mesmo ano é expulso da Bélgica. Numa altura em que as agitações revolucionárias começavam a alastrar pela Alemanha, fixa residência na cidade de Colónia, onde passa a exercer o cargo de Director da Nova Gazeta (Neue Rheinische Zeitung). O triunfo da contra-revolução na Prússia obriga-o a deixar a Alemanha. Após breve passagem por Paris, é expulso pela polícia francesa. Resta-lhe refugiar-se em Londres e, mais tarde, em Manchester, onde, sem recursos, cai na mais profunda miséria. Em 1863, uma pequena herança permite-lhe sobreviver. Em 1867, publicou o primeiro volume de sua obra mais importante: O Capital.



MANIFESTO DO PARTIDO COMUNISTA
Manifesto publicado por Karl Marx e Friedrich Engels, em 1848
I - BURGUESES e PROLETÁRIOS
A história de toda a sociedade até aos nossos dias(*) mais não é do que a história da luta de classes.
(*) Ou mais exactamente a história escrita. Em 1847 a história da organização social que precedeu toda a história escrita, a pré-história, era quae desconhecida. Depois, Haxthausen descobriu, na Rússia, a propriedade comum da terra. Maurer demonstrou que ela é a base social donde saiem historicamente todas as tribos alemães, e descobriu-se, pouco a pouco, que a comuna rural, com posse colectiva de terra,foi a forma primitiva da sociedade desde as Índias até à Irlanda. Finalmente a estrutura desta sociedade comunista primitiva pôs a nú o que ela tem de típico graças à descoberta decisiva de Morgan que deu a conhecer a natureza verdadeira da «gens» e o seu lugar na tribo. Comm a dissolução destas comunidades primitivas começa a divisão da sociedade em classes distintas e, definitivamente, opostas (Nota de Hegels)
Homem livre e escravo, patrício e plebeu. barão e servo, mestre-artesão e companheiro, numa palavra, opressores e oprimidos, em constante oposição, travaram uma guerra contínua, ora aberta, ora dessimulada, uma guerra que acabava sempre ou por uma transformação revolucionária de toda a sociedade ou pela destruição das duas classes em luta.
Nas primeiras épocas históricas, constatamos quse por toda a parte, uma organização complexa da sociedade em várias classes. uma escala hierarquizada de condições sociais. Na antiga Roma, encontramos patrícios, cavaleiros, plebeus, escravos; na idade Média, senhores, vassalos, mestres, companheiros, servos, e, além disso, dentro de cada uma dessas classes, uma hierarquia particular.
A sociedade burguesa moderna, gerada nas ruínas da sociedade feudal. não aboliu os antegonismos de classes. Ela não fez mais do que substituir por novas classes, por novas condições de opressão e novas formas de luta.as que existiram outrora.
No entanto, o carácter distintivo da nossa época, da época da burguesia, é o de ter simplificado os antegonismos de classes. Cada vez mais a sociedade se diuide em dois vastos campos inimigos, em duas grandes classes diametralmente opostas: a burguesia e o proletariado.
Dos servos da Idade Média, nasceram os burgueses das primeiras comuna; desta população dos burgos sairam os primeiros elementos da burguesia.
A descoberta da América, a circum-navegação da áfrica ofereceram à burguesia nascente um novo campo de accão. Os mercados da Índia e da China, a colonização da América, o comércio colonial, o incremento dos meios de troca e, em geral, das mercadorias imprimiram um impulso, desconhecido até então, ao comércio, à indústria, à navegação, e, por conseguinte, desenvolveram rapidamente o elemento revolucionário da sociedade feudal em decomposição. A antiga organização feudal da indústria, em que esta era circunscrita a corporações fechadas, já não podia satisfazer às necessidades que cresciam com a abertura de novos mercados. A manufatura a substituiu. A pequena burguesia industrial suplantou os mestres das corporações; a divisão do trabalho entre as diferentes corporações desapareceu diante da divisão do trabalho dentro da própria oficina.
Todavia, os mercados ampliavam-se cada vez mais: a procura de mercadorias aumentava sempre. A própria manufatura tornou-se insuficiente; então, o vapor e a maquinaria revolucionaram a produção industrial. A grande indústria moderna suplantou a manufatura; a média burguesia manufatureira cedeu lugar aos milionários da indústria, aos chefes de verdadeiros exércitos industriais, aos burgueses modernos.
A grande indústria criou o mercado mundial preparado pela descoberta da América: O mercado mundial acelerou prodigiosamente o desenvolvimento do comércio, da navegação e dos meios de comunicação por terra. Este desenvolvimento reagiu por sua vez sobre a extensão da indústria; e, à medida que a indústria, o comércio, a navegação, as vias férreas se desenvolviam, crescia a burguesia, multiplicando seus capitais e relegando a segundo plano as classes legadas pela Idade Média.
Vemos, pois, que a própria burguesia moderna é o produto de um longo processo de desenvolvimento, de uma série de revoluções no modo de produção e de troca. [...]

    Extraído do Manifesto do Partido Comunista, Marx - Engels, Coimbra, Editorial Centelha, 1974, pp 22 a 25

Biografia retirada daqui

Vídeo - Evolução da Velocidade



A evolução é uma corrida entre predador e presa em que grande parte das vezes velocidade é sinonimo de sobrevivência. Como é possível um peixe nadar a quase 100 quilómetros por hora ? Apertem os cintos, velocidade mortal, agora, no evolução.

Vídeo - Evolução da Mandíbula



 Desde 400 milhões de anos atrás todo predador precisa do mesmo temível equipamento; mandíbulas poderosas. Na luta infindável da natureza os predadores evoluíram, as presas reagiram criando defesas causando o surgimento de predadores ainda mais ferozes.