domingo, 7 de outubro de 2018

Biografia - Ana de Castro Osório


Intelectual, jornalista, ensaísta, conferencista, feminista e republicana, considerada uma das mais notáveis teóricas dos problemas da emancipação das mulheres foi uma dedicada e incansável lutadora pela igualdade de direitos. Fundadora da literatura infantil em Portugal, (o aspecto vulgarmente mais salientado da sua biografia) com Para as Crianças, uma colecção que iniciou em 1897. Nascida em Mangualde, foi residir para Setúbal, onde casou com Paulino de Oliveira tribuno republicano. Desenvolveu uma intensa actividade em prol dos direitos das mulheres. Fundadora da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, do Grupo de Estudos Feministas e da Cruzada das Mulheres Portuguesas. Dirigiu várias publicações destinadas às mulheres e colaborou com inúmeros artigos, na imprensa, numa linha de actuação, comum à maioria das mulheres republicanas, que privilegiou a educação e a formação de uma opinião pública feminista esclarecida. Realizou conferências e comícios. Foi consultora de Afonso Costa, Ministro da Justiça do Governo Provisório, na elaboração da lei do divórcio.
Às Mulheres Portuguesas (1905) é uma colectânea (250ps) de artigos fundamentais, sobre as principais questões femininas que nunca conheceu reedição, onde exorta as mulheres ao “trabalho e ao estudo”, que considera “passo definitivo para a libertação feminina” ,apelando para que as mulheres não façam do amor “o ideal único da existência”. Ser feminista, diz, é “desejá-las criaturas de inteligência e de razão”. Sobre a rapariga portuguesa da época é implacável e irónica: “não tem opiniões para não ser pedante, não lê para não ser doutora e não ver espavoridos os noivos”. Defende a igualdade de salários, “por igual trabalho, igual paga” e afirma que “nada mais justo, nada mais razoável, do que este caminhar seguro, embora lento, do espírito feminino para a sua autonomia”. Em Às mulheres Portuguesas analisa detalhadamente a situação da mulher e o casamento, da mulher casada perante o código civil e perante o trabalho. 

Informação retirada daqui

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Biografia - Antónia Pusich


Numa época em que as mulheres estavam confinadas à família, à música e aos bordados, Antónia Pusich defendeu que deveriam também aprender a ler e a escrever para poderem participar na vida social e política do País. Através dos jornais que fundou despertou nas mulheres o sentido cívico que viria a ser uma realidade nos séculos que se lhe seguiram. Conhece-a e admire-a.

            Antónia Gertrudes Pusich foi a primeira mulher no nosso país que, como jornalista e directora de publicações periódicas, pôs o seu nome no cabeçalho, sem se esconder, como até aí outras mulheres o haviam feito, atrás de um pseudónimo masculino. 
            Desde nova que Antónia começou a rabiscar os primeiros versos. Com a educação que o pai lhe dera e os muitos livros de que a rodeou, sabemos que tinha conhecimento de várias línguas e que escrevia desde nova. A vida de casada e os três casamentos, bem como as adversidades da vida, só lhe permitiram que publicasse pela primeira vez em 1841. A sua obra mais conhecida é Olinda ou a Abadia de Comnor Place. de 1848. No prefácio do livro, Antónia Pusich conta que a ideia de escrever aquele romance lhe surgiu depois de ler uma novela de Walter Scott. De facto, no seu livro não faltam todos os ingredientes dos contos de terror, mais ao gosto das brumas britânicas que do nosso sol português, onde não faltam, como refere a investigadora Maria Leonor Machado de Sousa, «tradição, castelos, subterrâneos, ruínas, narcóticos, fugas, salteadores, mortes, tempestades e até um espectro». 
            Antónia Gertudes Pusich também escreveu sobre membros da família real, que sempre dedicou à sua família e a ela própria uma grande amizade, sendo mesmo íntima amiga da infanta Isabel Maria. A longevidade da escritora permitiu-lhe atravessar diversos reinados - de D. Maria I até ao reinado de D. Luís. 
            A sua obra literária é extensa e sabe-se que recorreu à escrita para custear as despesas da sua numerosa família. Embora muitos dos seus livros só interessem a investigadores, a sua escrita como jornalista e como fundadora de três periódicos ainda se lê com interesse e agrado. Fundou A Cruzada, A Beneficência e A Assembleia Literária que são testemunho de uma faceta de pedagoga e interveniente na vida social e política. Grande sucesso teve, no Teatro Normal, a apresentação da sua peça Constança ou o Amor Maternal, drama autobiográfico. No fim da representação apareceu no palco com as duas filllas mais novas, tendo sido muito aplaudida.

            Antónia Gertrudes Pusich nasceu em Cabo Verde a 1 de Outubro de 1805 e foi a quinta filha de António Pusich, originário da cidade de Ragusa, conhecida em croata pelo nome de Dubrovnik, e de uma portuguesa, Ana Isabel Nunes. António Pusich pertencia à nobreza que se dedicara à navegação comercial e era herdeiro de uma considerável fortuna. Segundo a tradição, ele deveria comandar os navios da frota de seu pai que lhe coubessem por herança. Entretanto, recebera uma educação primorosa, como competia aos varões ilustres do seu tempo, estudando em diversas cidades italianas. 
            Terminados os estudos e preparação na Marinha, António Pusich viajou por quase todos os países da Europa. Foi em Turim que o nobre de Ragusa conheceu Rodrigo de Sousa Coutinho, embaixador de Portugal naquela cidade do Piemonte, e que o viria a convidar a visitar Portugal. 
            Em Lisboa, a cultura, o charme, a bela e aprumada figura de António Pusich, com os seus cabelos loiros, os olhos azuis, abonaram decisivamente a seu favor. Não é de admirar, pois, que ao ser apresentado a D. Maria I, esta lhe peça que lhe traga relíquias de santos e esculturas italianas para o mosteiro do Santíssimo Coração de Jesus (Basílica da Estrela) que estava em fase adiantada e que ficaria pronto em 1790. 
            António Pusich foi, de facto, o responsável pelo transporte, por barco, da estátua de Santa Teresa de Jesus que está naquela basílica, sendo considerado um benfeitor pela rainha, que era muito religiosa, e pelas freiras que ocuparam o convento. Mais tarde, Pusich viria a comprar propriedades naquela zona onde mandou edificar casas. 
            Numa das suas viagens de regresso a Itália, António Pusich vem acompanhado de Franzini, célebre astrónomo e cardeal, que viria a ser um dos mestres dos príncipes, filhos de D. Maria I e de seu marido e tio D. Pedro III. Não podiam ter sido melhores as relações entre este estrangeiro e a família real portuguesa, como a história se encarregaria de o demonstrar. 
            Um dia, António Pusich é convidado para uma recepção no Palácio de Queluz. É aí que conhece aquela que iria a ser sua mulher, Ana Maria Isabel Nunes, filha de Manuel Nunes, valido da rainha D. Maria I e educador dos infantes mais velhos, D. José e D. João. Como capitão-do-mar de Sintra e Ericeira, Manuel Nunes fez parte da comitiva que foi buscar a Espanha, em 1785, a princesa Carlota Joaquina, que viria a casar com o futuro rei D. João VI. 
            O romance entre António Pusich e Ana Nunes acabou em casamento, com o apoio da própria rainha. Porém, a noiva pôs uma condição: casava, mas não sairia de Portugal. Como filha única, não queria deixar os pais. Não sabemos se António Pusich terá hesitado perante o pedido. O certo é que vai a Ragusa tratar dos seus negócios, deixar a mãe como sua herdeira, participar à família o seu enlace e regressa a Portugal. O ministro Martinho de MeIo e Castro garante-lhe um emprego compatível com as suas muitas habilitações, ao serviço da corte portuguesa. Como sabemos, a Marinha portuguesa gozava, nessa época, de grande prestígio e mais um homem do mar era bem-vindo. 
            Os pais de Antónia Gertrudes Pusich casam na capela do Paço de Queluz, em 25 de Agosto de 1791. 
            António Pusich foi acumulando distinções e subindo de posto com regularidade. Em 1798 é responsável pelo brigue Dragão. No ano seguinte, já comanda um bergantim de nome Balão que aporta às ilhas de Cabo Verde. Em 18 de Março de 1801, é nomeado intendente da Marinha de Cabo Verde e Capitão-de-Fragata graduado. Será posteriormente nomeado Governador daquelas ilhas, a partir de 1818. Sabemos pela filha - que mais tarde escreve a biografia do pai - que este foi o único Intendente da Marinha das Ilhas de Cabo Verde, cargo que exerceu durante oito anos. Foi em 1805 que nasceu, na Ilha de São Nicolau, Antónia Gertrudes Pusich, tendo sido o padrinho de baptismo o príncipe regente que se fez representar por um irmão da neófita. Foi para assinalar este nascimento que o pai mandou erigir a capela de Santo António dos Navegantes no Porto Preguiça, que ainda existe. 
            É Antónia Gertrudes Pusich que nos conta como ela, em pequena, colaborava com os pais no apoio às populações de Cabo Verde, tantas e tantas vezes assoladas por doenças e privações, devido a secas prolongadas e cíclicas. O pai, que ela não deixa nunca de elogiar, teria acabado, naquelas ilhas, com costumes bárbaros, como eram os castigos corporais em público, que o governador anterior cometia contra a população, que era praticamente escravizada.

«Nos outros colégios do Estado e ainda nas escolas particulares igual esmero se vai tendo com a instrução dos meninos e honra seja feita aos professores e directores desses colégios. Mas as meninas!... As meninas imploram atenção, e de todas as pessoas que nutrem sentimentos de humanidade e desejos de ver prosperar a sua pátria.[...]. Enquanto em nossa terra as mulheres não tiverem a precisa instrução literária, ensinam a coser, marcar, bordar, música, etc. Porém a ler, escrever, contar, etc., não. E ainda menos outros estudos. Que mal pode ensinar alguém o que mal sabe... Poucas senhoras sabem escrever bem [...]. Aparecem numa sociedade, ostentam uma brilhante conversação, fazem uma elegante figura... encantam os espectadores... seduzem... adquirem nomeada, estudam todas essas aparências fosfóricas (sic); vai um sábio entrar com elas em discurso... onde está o espírito dessas fascinantes beldades?... Evaporou-se! Nem sabem dar uma razão do que dizem.» 

            Desde pequena que Antónia Gertrudes acompanhava o pai nas suas viagens pelas ilhas de Cabo Verde. Era ela também que lhe servia de secretária para redigir certos documentos. 
            Em 1820, dá-se a Revolução Liberal no Porto e as notícias chegam à Ilha de S. Tiago, em Cabo Verde, em 24 de Agosto. Para António Pusich e família. fiéis à: monarquia, iria começar um período de infortúnio e de humilhações. No ano seguinte, ainda como Governador de Cabo Verde, recusa-se a jurar a Carta Constitucional, sem prévia ordem do rei. Para o efeito, manda o filho Pedro António ao Brasil aconselhar-se com o monarca mas o rei, entretanto, já embarcara para Lisboa. A instabilidade nas ilhas de Cabo Verde era enorme. Havia muita gente com poder económico que queria ver o Governador afastado das suas funções, embora grande parte da população das Ilhas estivesse do lado de António Pusich. É certo que ele desde sempre sentira que havia muita gente na corte de D. Maria I e depois de D. João VI que não via com bons olhos as atenções e cargos que os monarcas davam "àquele estrangeiro", como diziam. Diziam mesmo que ele não era merecedor dos cargos, pois "havia nacionais habilitados nas Academias (portuguesas) que o rei devia preferir ao estrangeiro". As eternas invejas e intrigas que rodeiam o poder só que ele não era estrangeiro pois, ao casar com uma portuguesa, tinha adquirido a nacionalidade portuguesa. Pusich, acompanhado da família, chegou a Lisboa, em Setembro de 1821 e foi impedido de desembarcar pelas forças governativas, tendo de aguardar que o próprio rei ficasse como seu fiador. Só então desembarcou.
            Antónia Gertrudes Pusich casara pela primeira vez, muito nova, em 1820, com o desembargador João Cardoso de Almeida Amado Viana Coelho, deputado às cortes de 1820, de quem teve seis filhos: João António, Antónia, Alfredo, Maria, Ana e Ema. Esta última filha deste primeiro casamento casaria com Humberto de Luna da Costa Freire e Oliveira, que chegou a coronel. Foi republicano e apoiou Sidónio Pais. Viria a aderir ao movimento revolucionário de 28 de Maio de 1926. 
            O segundo casamento de Antónia Pusich foi, em 1830, com o comendador Francisco Henriques Teixeira, que esteve do lado de D. Miguel. Deste casamento nasceu Miguel (Pusich Henriques Teixeira). Tendo enviuvado pela segunda vez, Antónia Gertrudes Pusich casa uma terceira vez, em 16 de Abril de 1836, na Igreja de Santa Isabel, em Lisboa, com o capitão José Roberto de Melo Fernandes e Almeida. Tiveram vários filhos, a saber: António (Pusich de Melo) : Antónia (Pusich de Melo), Ana Isabel Filomena (Pusich de Melo) e Maria Amélia (Pusich de Melo). 
            Os muitos descendentes que ainda são vivos têm um grande orgulho da grande jornalista que ela foi. 
            Antónia Gertrudes Pusich, monárquica e profundamente religiosa, morreu a 6 de Outubro de 1883. A sua obra merece uma nova leitura. Ela não pode ficar confinada às estantes das bibliotecas nem à lápide que a Câmara Municipal lhe colocou na última casa onde morou, na Rua de São Bento, em Lisboa.

Informação retirada daqui

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Biografia - Joshua Benoliel

Nasceu em Lisboa, a 13 de Janeiro de 1873;
e morreu no mesmo local em 3 de Fevereiro de 1932.



Jornalista e fotógrafo português, descendente de uma família hebraica estabelecida em Cabo Verde. Foi praticamente o criador em Portugal da reportagem fotográfica. Fez a cobertura jornalística dos grandes acontecimentos da sua época, acompanhando os reis D. Carlos e D. Manuel nas suas viagens ao estrangeiro, assim como a Revolução de 1910, as revoltas monárquicas durante a República, assim como exército português que combateu na Flandres durante a Primeira Guerra Mundial. As suas fotografias caracterizam-se pelo intimismo e humanismo com que abordava os temas.

Trabalhou sobretudo para o jornal diário de Lisboa Século e para a revista ilustrada publicada pelo mesmo jornal Ilustração Portuguesa, de 1906 a 1918 e de 1924 até à sua morte, mas também para o Ocidente e o Panorama. A Ilustração a partir de 1906, com o aparecimento da 2.ª série, e sob a direcção de Silva Graça, deu um grande impulso ao foto-jornalismo. 

Publicou, com prefácio de Rocha Martins, o Arquivo Gráfico da Vida Portuguesa, obra em fascículos ilustrada com fotografias de 1903 a 1918.

Notícia retirada daqui

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Biografia - Elisabeth Arden

Elisabeth Arden, de seu nome Florence Nightingale Graham, foi esteticista e empresária, nascida no Canadá. Fabricou o seu primeiro creme de beleza nos anos vinte e revolucionou o mundo da cosmética. O creme Amoretta foi o primeiro de uma longa série de produtos de beleza. Teve, de início sociedade com uma amiga, Elizabeth Hubbard, daí ter adoptado o nome de Elizabeth Arden. Ela ensinou as mulheres a maquilharem-se sem exageros, dado que antes só se pintavam as actrizes e mulheres de má vida. Abriu institutos de beleza em todo o mundo e tornou-se dona de um empório de cosmética hoje dirigido por uma descendente. Durante a sua vida Elizabeth produziu mais de trezentos produtos de cosmética, de qualidade e acessíveis. Casou, em 1915 com um norte-americano, de quem se divorciou e que também estava ligado à cosmética. A grande senhora da cosmética era uma apaixonada por corridas de cavalos. O seu nome consta nas 100 mais famosas personalidades do século XX nos EUA. A sua imagem de marca era usar toilettes sempre cor-de-rosa. Até ao fim da vida foi uma mulher de enorme charme e requinte.


Biografia retirada de O Leme

sábado, 29 de setembro de 2018

Biografia - Dolores Ibárruri (1895-1989)


Política e revolucionária espanhola, conhecida como A Pasionaria. Nasceu numa família de mineiros e cedo se fez sindicalista. Chegou a presidente do Partido Comunista Espanhol. Foi deputada às Cortes durante a 2ª República e todo o seu carisma foi adquirido durante a trágica Guerra Civil espanhola. Passou pela maior dor humana ao perder três filhos e não deixou de lutar pelos seus ideais. A sua vida é a luta pela liberdade e em Espanha é muitíssimo respeitada. Exilou-se em Moscovo de onde regressou em 1977. Por deferência para com a sua vida em prol da liberdade voltou a ter assento nas Cortes, em Espanha. Escreveu a obra autobiográfica «El Único Camino» (O Único Caminho).

Biografia retirada daqui

domingo, 23 de setembro de 2018

Biografia - Marguerite Duras

Nascida em 2 de Abril de 1914, em Saigão, Indochina, onde passou a infância e a adolescência, Marguerite Duras iria ficar profundamente marcada pela paisagem e pela vida da antiga colónia francesa. Em 1932, fixou-se em Paris, onde estudou Direito, Matemática e Ciências Políticas. Após o armistício ingressou no Partido Comunista Francês, de que foi expulsa, em 1950, por dissidências ideológicas. Formada sob a influência da moderna narrativa norte-americana, e sobretudo de Hemingway, obteve renome internacional com a publicação do romance Un barrage contre le Pacifique (1950), cuja acção decorre na Indochina. Nesta obra, parcialmente autobiográfica, a autora narra a vida estranha de uma viúva francesa e de seu filho, implicados nos sofrimentos impostos pela corrupção do ambiente colonial francês, e atinge momentos de grande energia e de um vigor excepcional. Seguem-se outros romances, de que se destacam Le Square (1955), em que a autora envereda por uma técnica de narração que virá a ser uma característica dominante do seu ficcionismo e que a associou ao movimento do nouveau roman . Autora de peças de teatro e de vários filmes, entre os quais o célebre Hiroshima, meu amor, foi o seu romance O Amante, (prémio Goncourt de 1984), relato exacerbado de uma paixão na adolescência inquieta da escritora, que a tornou conhecida de um público vastíssimo, até aí arredado de uma obra considerada demasiado difícil e intimista. “Não podemos fazer mais do que amar - ou execrar - essa pequena mulher provocante, rodeada dos seus fantasmas (...). Essa pequena mulher, que roda sobre ela mesma como uma valsa solitária, terá sido uma senhora? Foi sobretudo uma mulher voraz de uma literatura que é um grito de amor ao longo de todas as páginas. Uma Piaf.” - Jean-François Josselin. 

Vídeo - Como a Terra fez o Homem


O passado da Terra é um mistério que levou 4,5 milhões de anos para ser formado. Como a Terra se transformou e por quê ? Por milénios buscamos respostas em seus desertos, vulcões e fendas. Mas a chave para desvendar a incrível história da terra pode estar enterrada em um lugar ainda mais surpreendente: dentro de cada um de nós. Do formato dos ossos às peculiaridades do comportamento humano, os vestígios estão em nós. A história da terra está literalmente escrita em nosso corpo

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Biografia - Abraham Lincoln

Abraham Lincoln nasceu em 1809 no Estado de Kentucky, no sul dos Estados Unidos. Filho de um homem da fronteira, teve que lutar para sobreviver, com esforços para estudar enquanto trabalhava em uma fazenda e dirigia uma loja em Illinois. 

Lincoln foi capitão contra um levante dos índios, passou oito anos na Assembléia Legislativa do Estado de Illinois, no norte do país, e exerceu advocacia por muitos anos no circuito de tribunais. 

Em 1858, Lincoln concorreu contra Stephen A. Douglas para o Senado. Ele perdeu a eleição. Mas no debate com Douglas ganhou uma reputação nacional que lhe valeu a indicação republicana para a disputa presidencial em 1860, que ele venceu com facilidade, devido ao colapso do Partido Democrata, decorrente da crise entre norte e sul em torno da escravidão (o norte era contra, e o sul, a favor). 

Lincoln alertou o sul em seu discurso de posse: "em suas mãos, meus compatriotas insatisfeitos, e não nas minhas, se encontra esta questão momentosa da guerra civil". Para ele, a secessão era ilegal. Ele estava disposto a usar a força para defender a lei federal e a União. Quando as baterias dos confederados dispararam contra o Forte Summer e forçaram sua rendição, ele pediu aos estados 75 mil voluntários. Foi o início da Guerra Civil. 

Como presidente, ele transformou o Partido Republicano em uma forte organização naciona, atraindo democratas do Norte para a causa da União. Em 1º de janeiro de 1863 ele divulgou a Proclamação da Emancipação que declarava a libertação dos escravos. 

Na inauguração do cemitério militar em Gettysburg, Lincoln declarou: "Que todos nós aqui presentes solenemente admitamos que esses homens não morreram em vão, que esta Nação, com a graça de Deus, venha gerar uma nova liberdade, e que o governo do povo, pelo povo e para o povo jamais desaparecerá da face da terra". 

Ele venceu a reeleição em 1864, enquanto os triunfos militares da União prenunciavam o fim da guerra. Em seus planos para a paz, o presidente era flexível e generoso, encorajando os sulistas a baixarem suas armas e voltarem à União. O espírito que o guiava era claramente o de seu segundo discurso de posse, atualmente gravado em uma parede do Memorial de Lincoln em Washington, DC: 

"Sem malícia contra ninguém; com caridade para com todos; com firmeza no correto, que Deus nos permita ver o certo, nos permita lutar para concluirmos o trabalho que começamos; para fechar as feridas da nação..." 

Em 14 de abril de 1865, uma sexta-feira santa, Lincoln foi assassinado no Teatro Ford em Washington por John Wilkes Booth, um ator que achava estar ajudando o Sul. O resultado foi o oposto pois, com a morte de Lincoln, morreu a possibilidade de paz com magnanimidade.

Notícia retirada daqui

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Biografia - Robert Anstruther

n: 1768
m: 14 de Janeiro de 1809, na Corunha

Entrou para o exército em 1788, após estudos em Westminster, com o posto de porta-bandeira, tendo adquirido sucessivamente os postos de tenente e capitão no 3º regimento de guardas, os "Scots Guards". Serviu nas campanhas da Flandres de 1793 e 1794 e, em 1796, foi enviado para o estado maior austríaco como oficial de ligação. Para continuar em serviço de campanha adquiriu o posto de major e mais tarde o de tenente-coronel no 68º regimento de infantaria, com o qual seguiu para as Antilhas, onde se fez notar pelo general Abercromby.
Em 1799, adquiriu o posto de tenente-coronel, com exercício de capitão, no seu antigo regimento de guardas, devido a este ir entrar em campanha enviado para a foz do Helder. No ano seguinte foi escolhido pelo general Abercromby para o posto de quartel-mestre general das forças enviadas para o Mediterrâneo. Foi o seu relatório sobre as forças otomanas, defendendo que não só demorariam muito a estar preparadas para entrar em campanha como possivelmente não serviriam para muito, que decidiu o general Abercromby a actuar sozinho e invadir o Egipto, dominado pelos franceses. Serviu com distinção na campanha do Egipto, e foi um dos primeiros cavaleiros da ordem do Crescente, criada pelo sultão, para os não crentes.

No regresso a casa, foi promovido a coronel e nomeado primeiro quartel-mestre general adjunto em Inglaterra, e posteriormente ajudante-general na Irlanda. Tinha casado em 1799 com uma filha de um oficial do seu regimento. Só voltou ao serviço activo em 1807, com o regresso dos Tories ao poder, e a subsequente promoção a brigadeiro sendo nomeado em 1808 para o comando de uma brigada enviada para apoiar o general Wellesley em Portugal. Chegou a tempo de participar na batalha do Vimeiro em Agosto, onde defendeu o centro da linha britânica do principal ataque do exército comandado por Junot. Anstruther mostrou ser capaz de diigir uma brigada. Com a chegada de Moore e a reorganização do exército britânico em Portugal, passou para a Reserva comandada por Lorde Paget.

Comandou a retaguarda durante a retirada do exército britânico de Moore, de Toro para a Corunha, dirigindo os regimentos de infantaria ligeira, n.os 52 e 95, que o próprio Moore tinha instruindo e que seriam o núcleo da futura Divisão Ligeira, que iria existir de 1809 a 1814.

Mas o esforço físico despendido durante a campanha, fez com que acabasse por morrer de fadiga e exaustão na Corunha. Moore quando morreu, 5 dias mais tarde durante a batalha da Corunha, pediu para ser enterrado ao lado de Anstruther. 

Biografia retirada de Arqnet

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Biografia - Abigail Smith Adams

Notória Primeira Dama norte-americana nascida em Weymouth, Massachusetts, que honrando as tradições mais fortes da New England,deixou para seu país dela um registro notável como patriota e primeiro dama, esposa de um Presidente e mãe de outro. De uma família de grande prestígio na colônia e de tradição religiosa, como outras mulheres do seu tempo, faltou-lhe educação formal, mas autodidata e dotada de uma inteligência aguda, e conheceu John Adams, um jovem diplomado em leis por Harvard, com quem se casou (1764). Viveram inicialmente numa pequena fazenda, enquanto ele advogava em Boston. Em dez anos tiveram três filhos e duas filhas e ele tornou-se juiz de circuito. Como delegado para o Congresso Continental, foi enviado ao esterior como oficial da Constituição, enquanto ela escrevia sua história de mulher que ficou em casa para lutar com a escassez dos tempos de guerra, administrar a fazenda com um mínimo de ajuda e dar educação formal para as crianças. Morou em Paris (1784) quando o esposo foi diplomata na França, e (1785) na Grã Bretanha. Voltando felizmente para Massachusetts (1788) adquiriram uma casa em Braintree, Quincy, ond moraram o resto de su as vidas. Tornou-se esposa do primeiro vice-presidente e depois (1791), primeira dama do país. Embora não gostasse da vida na cidade grande promoveu com desenvoltura suas obrigações junto a presidente. Aposentados da vida pública (1801), ela morreu em Quincy (1818) e seu corpo encontra-se enterrado ao lado do marido, dentro da United First Parish Church.

Biografia retirada de NetSaber

sábado, 15 de setembro de 2018

Biografia - Álvaro Lins


Álvaro Lins (1912-1970) foi crítico literário, jornalista, professor, editor, advogado, ministro e diplomata brasileiro. Recebeu, o Prêmio Centenário de Antero de Quental, o Prêmio Felipe de Oliveira, o Prêmio Pandiá Calógeras, da Associação Brasileira de Escritores, o Prêmio Jabuti Personalidade do Ano, da Câmara Brasileira do Livro e o Prêmio Luiza Cláudio de Souza, do Pen Club do Brasil.

Álvaro Lins (1912-1970) nasceu em Caruaru, Pernambuco, no dia 14 de dezembro de 1912. Filho de Pedro Alexandrino Lins e de Francisca de Barros Lins. Fez o curso primário em Caruaru e o secundário, já no Recife, no Colégio Salesiano e no Ginásio Padre Félix. Ingressou na Faculdade de Direito do Recife e, ainda estudante, começou a lecionar História da Civilização no Ginásio Pernambucano e no Colégio Nóbrega.

Em 1930, Álvaro Lins já fazia política como presidente do Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito do Recife. Em 1932, na abertura do ano letivo, pronunciou a conferência "A Universidade como Escola dos Homens Públicos", que despertou interesse nos círculos intelectuais da capital pernambucana. Logo em seguida passou a colaborar no Diário de Pernambuco e, em 1935, concluiu o curso de Direito.

A convite do interventor, e depois governador, Carlos de Lima Cavalcanti, tornou-se secretário de estado do governo de Pernambuco. Em 1936, seu nome fazia parte da chapa do Partido Social Democrático (PSD) de Pernambuco, fundado por Lima Cavalcanti, para disputar uma cadeira à Câmara dos Deputados, pretensão abortada pelo Estado Novo, que suspendeu as eleições de 1937.

Em 1939, publicou seu primeiro livro como crítico literário: "História Literária de Eça de Queirós". Em 1940 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde começou a trabalhar no Correio da Manhã.
Em 1952, em Lisboa, lecionou a disciplina Estudos Brasileiros, na Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Lisboa, onde permaneceu até 1953.

Álvaro Lins volta ao Brasil, em 1954, em consequência da crise política desencadeada pelo suicídio de Getúlio Vargas. Nesse mesmo ano reassume as atividades jornalísticas e a cátedra de Literatura do Colégio Pedro II, que exercera como interino durante dez anos, quando tornou-se titular. Em 1955, foi eleito por unanimidade para a Academia Brasileira de Letras, para a cadeira 17.

Álvaro Lins foi nomeado chefe da casa civil de Juscelino, mantendo-se no cargo até o fim de 1956, quando foi indicado como embaixador do Brasil em Portugal, onde permaneceu até 1959. De volta ao Brasil, recolheu-se à sua cátedra de Literatura e, em 1960, publicou "Missão em Portugal".

Álvaro Lins faleceu no Rio de Janeiro, no dia 4 de junho de 1970.

Obras de Álvaro Lins
História Literária de Eça de Queirós, 1939
Alguns Aspectos da Decadência do Império, 1939
Poesia e Personalidade de Antero de Quenta, 1942
Palestra sobre José Veríssimo, 1943
Notas de Um Diário de Crítica, 1943
Rio Branco, 1945
No Mundo do Romance Policial, 1947
Roteiro Literário do Brasil e de Portugal, 1956
Discurso Sobre Camões e Portugal, 1956
A Técnica do Romance de Marcel Proust, 1956
Missão em Portugal, 1960
A Glória de César e o Punhal de Brutus, 1962
Os Mortos de Sobrecasaca, 1963
Literatura e Vida Literária, 1963
O Relógio e o Quadrante, 1964
Poesia Moderna no Brasil, 1967
O Romance Brasileiro, 1967

Biografia retirada de e-biografias

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Biografia - João Mendes da Costa Amaral

Fundador do Integralismo Lusitano, subdirector do Diário de Notícias, foi, no Estado Novo, durante o consulado de Salazar, deputado à Assembleia Nacional e dirigente da União Nacional.

Nasceu em Alcácer do Sal, a 18 de Janeiro de 1893;
morreu em Lisboa, a 4 de Março de 1981.

Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, começou por militar nas hostes republicanas, sem por isso deixar de acamaradar com o grupo da Nação Portuguesa, a que pertenciam nomeadamente António Sardinha e Alberto Monsaraz. Foi por esse tempo, também, que conheceu e se tornou amigo de António de Oliveira Salazar e de D. Manuel Gonçalves Cerejeira, o futuro cardeal patriarca de Lisboa.

Colaborou no Intransigente, o diário republicano radical que Machado dos Santos fundou e dirigiu. Mas, em 1914, ao fazer 21 anos, converteu-se à monarquia e publicou um folheto intitulado Aqui d’El Rei!, onde, pela primeira vez, se expuseram os fundamentos do movimento que passaria à história com o nome de Integralismo Lusitano, e em que apresentavam também as ideias da Action Française de Charles Maurras, incluindo o inquérito à juventude, célebre na sua versão francesa, e que era respondido na versão portuguesa por Hipólito Raposo, amigo cuja influência, segundo o próprio, o fez abandonar o republicanismo. Logo a seguir, ressuscitou e dirigiu o Pátria Nova, semanário coimbrão que deve ser considerado o primeiro jornal integralista que se publicou em Portugal. Depois, foi colaborador da Restauração, o jornal fundado e dirigido por Homem Cristo Filho, a quem o ligavam uma grande amizade e uma profunda admiração. Foi nesse jornal que se publicou a famosa «Carta de um Velho a um Novo», dirigida por Ramalho Ortigão a João do Amaral e considerada como a bênção da Geração de 70 ao movimento

Integrou por essa altura, o Grupo do Tavares, grupo de artistas monárquicos com ideias futuristas organizado por Vítor Falcão, seu amigo desde a época em que os dois colaboraram no Intransigente, futuro crítico literário do Diário de Lisboa, e de que faziam parte Guilherme Santa-Rita, Amadeu de Sousa Cardoso, José de Almada Negreiros, Eduardo Viana, o músico Rui Coelho, seu conterrâneo, e o escultor Francisco Franco.

Fundador do Integralismo Lusitano, a cuja Junta Central pertenceu, foi o primeiro chefe de redacção de A Monarquia, o diário dos «novos monárquicos» dirigido por Hipólito Raposo. Apoiou o sidonismo afirmando que «o que é preciso é que este regime realize os princípios do poder pessoal». Na efémera Monarquia do Norte (1919), serviu como secretário de Paiva Couceiro, que presidia à respectiva Junta Governativa. Após a derrota do movimento restauracionista, exilou-se no Brasil, donde só regressou após o triunfo da «Revolução Nacional» de 28 de Maio de 1926. Não teve, por isso, nenhuma participação na ruptura da Junta Central do Integralismo com D. Manuel II, em Outubro de 1919, nem no acordo, de 17 de Abril de 1922, conhecido como Pacto de Paris, em que D. Aldegundes, filha de D. Miguel II que tinha abdicado no neto em 1920, tutora de D. Duarte Nuno, aceitou a realeza de D. Manuel, em nome do sobrinho, partindo-se do princípio que este seria reconhecido como sucessor do rei deposto, de acordo com o PActo de Dover de 1912. Este acordo, que não foi aceite pela Junta Central, dividiu o Integralismo, e terminou com a sua actividade política activa, por algum tempo.

Em princípios de 1927 lançou em Lisboa a Ideia Nacional, diário monárquico da tarde que pretendia ser o órgão de um novo movimento político, a Liga de Acção Integralista, que Ramos de Ascensão definiu como «obra de aventura e habilidade.», e que foi uma derradeira tentativa para restabelecer a unidade do movimento, e em que defendeu a fórmula «Viva D. Manuel II e D. Duarte Nuno, seu herdeiro», tentando pôr em prática o acordo monárquico de 1922.  Enfrentando desde o princípio a oposição dos militares republicanos que governavam o país, mas também a dos seus antigos camaradas da Junta Central do Integralismo Lusitano, que não apoiavam o seu esforço de unificação, João do Amaral viu o governo da Ditadura, a que presidia o general Carmona, encerrar-lhe o jornal na sequência do chamado Golpe dos Fifis, de 12 de Agosto desse ano de 1927, de nada lhe valendo os desmentidos que opôs à acusação de envolvimento na estranha conspiração.

Em 1930, foi um dos últimos apoiantes da Ditadura saída do golpe militar de 28 de Maio de 1926 a abandonar oficialmente o Integralismo Lusitano, dirigido à época por Hipólito Raposo, que mostrava sérias reservas em relação à evolução da ditadura militar, defendendo que os monárquicos não deviam colaborar com o regime que se estava a institucionalizar.

Ingressou então no Diário de Notícias, de que foi subdirector entre 1938 e 1939, tendo sido afastado devido à publicação de uma entrevista com D. Duarte Nuno de Bragança, que naquela época vivia ainda no exílio. Já então era dirigente da União Nacional, de cuja primeira Junta Consultiva fez parte (1933), foi deputado à Assembleia Nacional nas suas listas, as únicas permitidas, desde a 1.ª legislatura, em 1934. Desempenhou papel de relevo no casamento do duque D. Duarte Nuno de Bragança no Brasil, com a princesa Maria Teresa de Orleães e Bragança (1942). Esteve depois envolvido na criação do Diário Popular, de que foi administrador. Incompatibilizado politicamente com o director do jornal, o nacional-sindicalista António Tinoco, abandonou em 1945 essas funções, pondo definitivamente termo à sua actividade jornalística, que particularmente prezava.

Feito administrador da Companhia Colonial de Navegação, depois de ter sido administrador da Companhia de Seguros A Mundial, abandonou a política activa com a subida ao poder de Marcelo Caetano, que começou por ser seu colaborador, na Ideia Nacional, mas com quem acabou por se incompatibilizar. O último chefe do Governo do Estado Novo nem por isso lhe poupou referências elogiosas em Minhas Memórias de Salazar.

Em finais de 1917 tinha casado com Maria Celestina da Costa Alemão Teixeira, filha de José Pedro Teixeira (1857-1925), professor de matemática doutorado pela Universidade de Coimbra, e lente da Academia Politécnica do Porto, e neta de Manuel Costa Alemão (1833-1922), professor e director da Faculdade de Medicina de Coimbra, e que tinha sido presidente da câmara da cidade, e governador civil do distrito.

Biografia retirada de Arqnet

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Biografia - Pedro Massano de Amorim

Comandante da força expedicionária a Moçambique de 1914, foi Governador-Geral da Índia em 1926.

Nasceu em Fronteira, Portalegre, a 14 de Janeiro de 1862;
morreu em Nova Goa, na Índia, a 2 de Junho de 1929.

Começou a sua carreira de oficial em 1883, após ter concluído o curso de artilharia da Escola do Exército, a actual Academia Militar. 

Acompanha Mouzinho de Albuquerque nas suas campanhas em Moçambique, sendo nomeado por este Governador de Gaza, distrito naquele momento em plena revolta. Em 1897 é comandante militar de Tete, região em plena revolta desde 1890, e que é governada por João de Azevedo Coutinho. Consegue vencer as tribos revoltadas Maganjas, sendo condecorado por esse feito.

Tendo regressado a Portugal, volta rapidamente a África, enviado para Angola, chegando a Luanda em 1900. Enviado para Santo António do Zaire, explora aí a vasta região dos Mussorongo, passando mais tarde para o Sul da província, para Benguela, território que inspecciona, e que o leva a redigir um relatório em que mostra os caminhos a seguir na administração da região.

Em Agosto de 1902, devido à revolta da população do Bailundo, dirige uma coluna militar que de Benguela se dirige para a zona revoltada. Chegado ao planalto de Benguela, após vários combates com os revoltosos conseguiu dominar a insurreição, sendo condecorado com a Torre e Espada por proposta do governador Cabral Moncada.

Em 1906 está de novo em Moçambique, nomeado governador do distrito de Moçambique pelo  governador-geral da colónia, o seu conhecido Azevedo Coutinho, com a missão de pacificar definitivamente a região. De 1908 a 1912, acompanhado de Neutel de Abreu, conseguirá ocupar e pacificar todo o território, sendo-lhe dada a medalha de ouro do Valor Militar, e nomeado comendador da Torre e Espada.

A Primeira Guerra Mundial encontra-o em Portugal com o posto de tenente coronel. Aceita a missão de organizar e comandar  uma expedição militar a Moçambique, para defesa da fronteira Norte da colónia de possíveis incursões alemãs, a potência colonizadora da actual Tanzânia, naquela época a África Oriental Alemã. Embarca em 11 de Setembro de 1914, chegando a Lourenço Marques, a actual Maputo, em Outubro e a Porto Amélia em 1 de Novembro. Cumpre as ordens, vigia a linha do Rovuma, impede provocações e mantêm a neutralidade. Se eram essas as ordens iniciais, não era esse o espírito da missão, nem das novas ordens, transmitidas pelo novo governador Álvaro de Castro, de reocupar Quionga. Devido à revolução de Maio de 1915, e a sua clara intenção de levar Portugal para a Guerra com a Alemanha, regressa a Lisboa, sendo nomeado governador de Angola em Janeiro de 1916.

O Sudoeste Africano, colónia alemã no sul de Angola (a actual Namíbia), já foi ocupada pelas forças militares da África do Sul. O objectivo não é combater os alemães, é continuar a política de abertura do território à colonização europeia, começada por Paiva Couceiro, e continuada por Eduardo Costa, e pelos generais Norton de Matos e Pereira de Eça, seus imediatos antecessores.

Chega em Abril de 1916 a Luanda. No ano seguinte, em Maio de 1917, a região de Seles e Angoche revolta-se. É que «os esbulhos, as perseguições, as prepotências e injustiças praticadas pelos agricultores e comerciantes estabelecidos na região» levam as populações autóctones a tal actuação. Para o governador, as razões são várias: «detenção dos indígenas, imposição de trabalho forçado fora dos termos legais, falta de pagamento de salários ... a par da desobediência à autoridade, do contrabando de pólvora e armas vendidas ao gentio». O pior é que a revolta começa a alastrar a outras zonas da província, e as forças militares são pouco numerosas. Em Setembro, não tendo conseguido até aí controlar a revolta, decide-se a ir para o teatro de operações. Com ajuda de forças do Bailundo consegue acabar com a revolta. Embarca em Outubro de 1917 para Lisboa, sendo demitido em Janeiro de 1918. 

Em Fevereiro de 1918 é nomeado governador-geral de Moçambique. A colónia foi invadida pelos alemães em Novembro do ano anterior. No princípio de Julho, estão a 40 km de Quelimane. É para aí que o novo governador-geral se dirige, em Junho, com três companhias indígenas. Em 28 desse mesmo mês os alemães começam a retirar para Norte, atacando e ocupando Nhamacurra em Julho, só abandonando a colónia em finais de Setembro. O governador pede para ser substituído no comando da força expedicionário, sendo o seu lugar preenchido pelo general Sousa Rosa. Com o fim da guerra e o assassinato de Sidónio Pais, é substituído, em 1919, no governo-geral pelo democrático Álvaro de Castro. Regressa a Lisboa, sendo nomeado director dos serviços militares do Ministério das Colónias.

Fica pouco tempo em Portugal, já que é nomeado governador dos territórios de Manica e Sofala, da Companhia de Moçambique. Exerce o cargo por pouco tempo, sendo nomeado de novo governador-geral da colónia, em 16 de Junho de  1923. Em 1926 é transferido para o governo geral da Índia, onde morre.

Biografia retirada de Arqnet