Espaço de ajuda aos alunos da disciplina de História, do 2º ciclo ao Ensino Secundário. Disponibilizamos powerpoints, fichas de trabalho, fichas de avaliação, planificações, notícias, conteúdos, imagens, vídeos, etc...
terça-feira, 25 de setembro de 2018
domingo, 23 de setembro de 2018
Biografia - Marguerite Duras
Nascida em 2 de Abril de 1914, em Saigão, Indochina, onde passou a infância e a adolescência, Marguerite Duras iria ficar profundamente marcada pela paisagem e pela vida da antiga colónia francesa. Em 1932, fixou-se em Paris, onde estudou Direito, Matemática e Ciências Políticas. Após o armistício ingressou no Partido Comunista Francês, de que foi expulsa, em 1950, por dissidências ideológicas. Formada sob a influência da moderna narrativa norte-americana, e sobretudo de Hemingway, obteve renome internacional com a publicação do romance Un barrage contre le Pacifique (1950), cuja acção decorre na Indochina. Nesta obra, parcialmente autobiográfica, a autora narra a vida estranha de uma viúva francesa e de seu filho, implicados nos sofrimentos impostos pela corrupção do ambiente colonial francês, e atinge momentos de grande energia e de um vigor excepcional. Seguem-se outros romances, de que se destacam Le Square (1955), em que a autora envereda por uma técnica de narração que virá a ser uma característica dominante do seu ficcionismo e que a associou ao movimento do nouveau roman . Autora de peças de teatro e de vários filmes, entre os quais o célebre Hiroshima, meu amor, foi o seu romance O Amante, (prémio Goncourt de 1984), relato exacerbado de uma paixão na adolescência inquieta da escritora, que a tornou conhecida de um público vastíssimo, até aí arredado de uma obra considerada demasiado difícil e intimista. “Não podemos fazer mais do que amar - ou execrar - essa pequena mulher provocante, rodeada dos seus fantasmas (...). Essa pequena mulher, que roda sobre ela mesma como uma valsa solitária, terá sido uma senhora? Foi sobretudo uma mulher voraz de uma literatura que é um grito de amor ao longo de todas as páginas. Uma Piaf.” - Jean-François Josselin.
Vídeo - Como a Terra fez o Homem
O passado da Terra é um mistério que levou 4,5 milhões de anos para ser formado. Como a Terra se transformou e por quê ? Por milénios buscamos respostas em seus desertos, vulcões e fendas. Mas a chave para desvendar a incrível história da terra pode estar enterrada em um lugar ainda mais surpreendente: dentro de cada um de nós. Do formato dos ossos às peculiaridades do comportamento humano, os vestígios estão em nós. A história da terra está literalmente escrita em nosso corpo
sexta-feira, 21 de setembro de 2018
Biografia - Abraham Lincoln
Abraham Lincoln nasceu em 1809 no Estado de Kentucky, no sul dos Estados Unidos. Filho de um homem da fronteira, teve que lutar para sobreviver, com esforços para estudar enquanto trabalhava em uma fazenda e dirigia uma loja em Illinois.
Lincoln foi capitão contra um levante dos índios, passou oito anos na Assembléia Legislativa do Estado de Illinois, no norte do país, e exerceu advocacia por muitos anos no circuito de tribunais.
Em 1858, Lincoln concorreu contra Stephen A. Douglas para o Senado. Ele perdeu a eleição. Mas no debate com Douglas ganhou uma reputação nacional que lhe valeu a indicação republicana para a disputa presidencial em 1860, que ele venceu com facilidade, devido ao colapso do Partido Democrata, decorrente da crise entre norte e sul em torno da escravidão (o norte era contra, e o sul, a favor).
Lincoln alertou o sul em seu discurso de posse: "em suas mãos, meus compatriotas insatisfeitos, e não nas minhas, se encontra esta questão momentosa da guerra civil". Para ele, a secessão era ilegal. Ele estava disposto a usar a força para defender a lei federal e a União. Quando as baterias dos confederados dispararam contra o Forte Summer e forçaram sua rendição, ele pediu aos estados 75 mil voluntários. Foi o início da Guerra Civil.
Como presidente, ele transformou o Partido Republicano em uma forte organização naciona, atraindo democratas do Norte para a causa da União. Em 1º de janeiro de 1863 ele divulgou a Proclamação da Emancipação que declarava a libertação dos escravos.
Na inauguração do cemitério militar em Gettysburg, Lincoln declarou: "Que todos nós aqui presentes solenemente admitamos que esses homens não morreram em vão, que esta Nação, com a graça de Deus, venha gerar uma nova liberdade, e que o governo do povo, pelo povo e para o povo jamais desaparecerá da face da terra".
Ele venceu a reeleição em 1864, enquanto os triunfos militares da União prenunciavam o fim da guerra. Em seus planos para a paz, o presidente era flexível e generoso, encorajando os sulistas a baixarem suas armas e voltarem à União. O espírito que o guiava era claramente o de seu segundo discurso de posse, atualmente gravado em uma parede do Memorial de Lincoln em Washington, DC:
"Sem malícia contra ninguém; com caridade para com todos; com firmeza no correto, que Deus nos permita ver o certo, nos permita lutar para concluirmos o trabalho que começamos; para fechar as feridas da nação..."
Em 14 de abril de 1865, uma sexta-feira santa, Lincoln foi assassinado no Teatro Ford em Washington por John Wilkes Booth, um ator que achava estar ajudando o Sul. O resultado foi o oposto pois, com a morte de Lincoln, morreu a possibilidade de paz com magnanimidade.
Notícia retirada daqui
quarta-feira, 19 de setembro de 2018
Biografia - Robert Anstruther
n: 1768
m: 14 de Janeiro de 1809, na Corunha
m: 14 de Janeiro de 1809, na Corunha
Entrou para o exército em 1788, após estudos em Westminster, com o posto de porta-bandeira, tendo adquirido sucessivamente os postos de tenente e capitão no 3º regimento de guardas, os "Scots Guards". Serviu nas campanhas da Flandres de 1793 e 1794 e, em 1796, foi enviado para o estado maior austríaco como oficial de ligação. Para continuar em serviço de campanha adquiriu o posto de major e mais tarde o de tenente-coronel no 68º regimento de infantaria, com o qual seguiu para as Antilhas, onde se fez notar pelo general Abercromby.
Em 1799, adquiriu o posto de tenente-coronel, com exercício de capitão, no seu antigo regimento de guardas, devido a este ir entrar em campanha enviado para a foz do Helder. No ano seguinte foi escolhido pelo general Abercromby para o posto de quartel-mestre general das forças enviadas para o Mediterrâneo. Foi o seu relatório sobre as forças otomanas, defendendo que não só demorariam muito a estar preparadas para entrar em campanha como possivelmente não serviriam para muito, que decidiu o general Abercromby a actuar sozinho e invadir o Egipto, dominado pelos franceses. Serviu com distinção na campanha do Egipto, e foi um dos primeiros cavaleiros da ordem do Crescente, criada pelo sultão, para os não crentes.
No regresso a casa, foi promovido a coronel e nomeado primeiro quartel-mestre general adjunto em Inglaterra, e posteriormente ajudante-general na Irlanda. Tinha casado em 1799 com uma filha de um oficial do seu regimento. Só voltou ao serviço activo em 1807, com o regresso dos Tories ao poder, e a subsequente promoção a brigadeiro sendo nomeado em 1808 para o comando de uma brigada enviada para apoiar o general Wellesley em Portugal. Chegou a tempo de participar na batalha do Vimeiro em Agosto, onde defendeu o centro da linha britânica do principal ataque do exército comandado por Junot. Anstruther mostrou ser capaz de diigir uma brigada. Com a chegada de Moore e a reorganização do exército britânico em Portugal, passou para a Reserva comandada por Lorde Paget.
Comandou a retaguarda durante a retirada do exército britânico de Moore, de Toro para a Corunha, dirigindo os regimentos de infantaria ligeira, n.os 52 e 95, que o próprio Moore tinha instruindo e que seriam o núcleo da futura Divisão Ligeira, que iria existir de 1809 a 1814.
Mas o esforço físico despendido durante a campanha, fez com que acabasse por morrer de fadiga e exaustão na Corunha. Moore quando morreu, 5 dias mais tarde durante a batalha da Corunha, pediu para ser enterrado ao lado de Anstruther.
Biografia retirada de Arqnet
segunda-feira, 17 de setembro de 2018
Biografia - Abigail Smith Adams
Notória Primeira Dama norte-americana nascida em Weymouth, Massachusetts, que honrando as tradições mais fortes da New England,deixou para seu país dela um registro notável como patriota e primeiro dama, esposa de um Presidente e mãe de outro. De uma família de grande prestígio na colônia e de tradição religiosa, como outras mulheres do seu tempo, faltou-lhe educação formal, mas autodidata e dotada de uma inteligência aguda, e conheceu John Adams, um jovem diplomado em leis por Harvard, com quem se casou (1764). Viveram inicialmente numa pequena fazenda, enquanto ele advogava em Boston. Em dez anos tiveram três filhos e duas filhas e ele tornou-se juiz de circuito. Como delegado para o Congresso Continental, foi enviado ao esterior como oficial da Constituição, enquanto ela escrevia sua história de mulher que ficou em casa para lutar com a escassez dos tempos de guerra, administrar a fazenda com um mínimo de ajuda e dar educação formal para as crianças. Morou em Paris (1784) quando o esposo foi diplomata na França, e (1785) na Grã Bretanha. Voltando felizmente para Massachusetts (1788) adquiriram uma casa em Braintree, Quincy, ond moraram o resto de su as vidas. Tornou-se esposa do primeiro vice-presidente e depois (1791), primeira dama do país. Embora não gostasse da vida na cidade grande promoveu com desenvoltura suas obrigações junto a presidente. Aposentados da vida pública (1801), ela morreu em Quincy (1818) e seu corpo encontra-se enterrado ao lado do marido, dentro da United First Parish Church.
Biografia retirada de NetSaber
sábado, 15 de setembro de 2018
Biografia - Álvaro Lins
Álvaro Lins (1912-1970) foi crítico literário, jornalista, professor, editor, advogado, ministro e diplomata brasileiro. Recebeu, o Prêmio Centenário de Antero de Quental, o Prêmio Felipe de Oliveira, o Prêmio Pandiá Calógeras, da Associação Brasileira de Escritores, o Prêmio Jabuti Personalidade do Ano, da Câmara Brasileira do Livro e o Prêmio Luiza Cláudio de Souza, do Pen Club do Brasil.
Álvaro Lins (1912-1970) nasceu em Caruaru, Pernambuco, no dia 14 de dezembro de 1912. Filho de Pedro Alexandrino Lins e de Francisca de Barros Lins. Fez o curso primário em Caruaru e o secundário, já no Recife, no Colégio Salesiano e no Ginásio Padre Félix. Ingressou na Faculdade de Direito do Recife e, ainda estudante, começou a lecionar História da Civilização no Ginásio Pernambucano e no Colégio Nóbrega.
Em 1930, Álvaro Lins já fazia política como presidente do Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito do Recife. Em 1932, na abertura do ano letivo, pronunciou a conferência "A Universidade como Escola dos Homens Públicos", que despertou interesse nos círculos intelectuais da capital pernambucana. Logo em seguida passou a colaborar no Diário de Pernambuco e, em 1935, concluiu o curso de Direito.
A convite do interventor, e depois governador, Carlos de Lima Cavalcanti, tornou-se secretário de estado do governo de Pernambuco. Em 1936, seu nome fazia parte da chapa do Partido Social Democrático (PSD) de Pernambuco, fundado por Lima Cavalcanti, para disputar uma cadeira à Câmara dos Deputados, pretensão abortada pelo Estado Novo, que suspendeu as eleições de 1937.
Em 1939, publicou seu primeiro livro como crítico literário: "História Literária de Eça de Queirós". Em 1940 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde começou a trabalhar no Correio da Manhã.
Em 1952, em Lisboa, lecionou a disciplina Estudos Brasileiros, na Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Lisboa, onde permaneceu até 1953.
Álvaro Lins volta ao Brasil, em 1954, em consequência da crise política desencadeada pelo suicídio de Getúlio Vargas. Nesse mesmo ano reassume as atividades jornalísticas e a cátedra de Literatura do Colégio Pedro II, que exercera como interino durante dez anos, quando tornou-se titular. Em 1955, foi eleito por unanimidade para a Academia Brasileira de Letras, para a cadeira 17.
Álvaro Lins foi nomeado chefe da casa civil de Juscelino, mantendo-se no cargo até o fim de 1956, quando foi indicado como embaixador do Brasil em Portugal, onde permaneceu até 1959. De volta ao Brasil, recolheu-se à sua cátedra de Literatura e, em 1960, publicou "Missão em Portugal".
Álvaro Lins faleceu no Rio de Janeiro, no dia 4 de junho de 1970.
Obras de Álvaro Lins
História Literária de Eça de Queirós, 1939
Alguns Aspectos da Decadência do Império, 1939
Poesia e Personalidade de Antero de Quenta, 1942
Palestra sobre José Veríssimo, 1943
Notas de Um Diário de Crítica, 1943
Rio Branco, 1945
No Mundo do Romance Policial, 1947
Roteiro Literário do Brasil e de Portugal, 1956
Discurso Sobre Camões e Portugal, 1956
A Técnica do Romance de Marcel Proust, 1956
Missão em Portugal, 1960
A Glória de César e o Punhal de Brutus, 1962
Os Mortos de Sobrecasaca, 1963
Literatura e Vida Literária, 1963
O Relógio e o Quadrante, 1964
Poesia Moderna no Brasil, 1967
quinta-feira, 13 de setembro de 2018
Biografia - João Mendes da Costa Amaral
Fundador do Integralismo Lusitano, subdirector do Diário de Notícias, foi, no Estado Novo, durante o consulado de Salazar, deputado à Assembleia Nacional e dirigente da União Nacional.
Nasceu em Alcácer do Sal, a 18 de Janeiro de 1893;
morreu em Lisboa, a 4 de Março de 1981.
Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, começou por militar nas hostes republicanas, sem por isso deixar de acamaradar com o grupo da Nação Portuguesa, a que pertenciam nomeadamente António Sardinha e Alberto Monsaraz. Foi por esse tempo, também, que conheceu e se tornou amigo de António de Oliveira Salazar e de D. Manuel Gonçalves Cerejeira, o futuro cardeal patriarca de Lisboa.
Colaborou no Intransigente, o diário republicano radical que Machado dos Santos fundou e dirigiu. Mas, em 1914, ao fazer 21 anos, converteu-se à monarquia e publicou um folheto intitulado Aqui d’El Rei!, onde, pela primeira vez, se expuseram os fundamentos do movimento que passaria à história com o nome de Integralismo Lusitano, e em que apresentavam também as ideias da Action Française de Charles Maurras, incluindo o inquérito à juventude, célebre na sua versão francesa, e que era respondido na versão portuguesa por Hipólito Raposo, amigo cuja influência, segundo o próprio, o fez abandonar o republicanismo. Logo a seguir, ressuscitou e dirigiu o Pátria Nova, semanário coimbrão que deve ser considerado o primeiro jornal integralista que se publicou em Portugal. Depois, foi colaborador da Restauração, o jornal fundado e dirigido por Homem Cristo Filho, a quem o ligavam uma grande amizade e uma profunda admiração. Foi nesse jornal que se publicou a famosa «Carta de um Velho a um Novo», dirigida por Ramalho Ortigão a João do Amaral e considerada como a bênção da Geração de 70 ao movimento
Integrou por essa altura, o Grupo do Tavares, grupo de artistas monárquicos com ideias futuristas organizado por Vítor Falcão, seu amigo desde a época em que os dois colaboraram no Intransigente, futuro crítico literário do Diário de Lisboa, e de que faziam parte Guilherme Santa-Rita, Amadeu de Sousa Cardoso, José de Almada Negreiros, Eduardo Viana, o músico Rui Coelho, seu conterrâneo, e o escultor Francisco Franco.
Fundador do Integralismo Lusitano, a cuja Junta Central pertenceu, foi o primeiro chefe de redacção de A Monarquia, o diário dos «novos monárquicos» dirigido por Hipólito Raposo. Apoiou o sidonismo afirmando que «o que é preciso é que este regime realize os princípios do poder pessoal». Na efémera Monarquia do Norte (1919), serviu como secretário de Paiva Couceiro, que presidia à respectiva Junta Governativa. Após a derrota do movimento restauracionista, exilou-se no Brasil, donde só regressou após o triunfo da «Revolução Nacional» de 28 de Maio de 1926. Não teve, por isso, nenhuma participação na ruptura da Junta Central do Integralismo com D. Manuel II, em Outubro de 1919, nem no acordo, de 17 de Abril de 1922, conhecido como Pacto de Paris, em que D. Aldegundes, filha de D. Miguel II que tinha abdicado no neto em 1920, tutora de D. Duarte Nuno, aceitou a realeza de D. Manuel, em nome do sobrinho, partindo-se do princípio que este seria reconhecido como sucessor do rei deposto, de acordo com o PActo de Dover de 1912. Este acordo, que não foi aceite pela Junta Central, dividiu o Integralismo, e terminou com a sua actividade política activa, por algum tempo.
Em princípios de 1927 lançou em Lisboa a Ideia Nacional, diário monárquico da tarde que pretendia ser o órgão de um novo movimento político, a Liga de Acção Integralista, que Ramos de Ascensão definiu como «obra de aventura e habilidade.», e que foi uma derradeira tentativa para restabelecer a unidade do movimento, e em que defendeu a fórmula «Viva D. Manuel II e D. Duarte Nuno, seu herdeiro», tentando pôr em prática o acordo monárquico de 1922. Enfrentando desde o princípio a oposição dos militares republicanos que governavam o país, mas também a dos seus antigos camaradas da Junta Central do Integralismo Lusitano, que não apoiavam o seu esforço de unificação, João do Amaral viu o governo da Ditadura, a que presidia o general Carmona, encerrar-lhe o jornal na sequência do chamado Golpe dos Fifis, de 12 de Agosto desse ano de 1927, de nada lhe valendo os desmentidos que opôs à acusação de envolvimento na estranha conspiração.
Em 1930, foi um dos últimos apoiantes da Ditadura saída do golpe militar de 28 de Maio de 1926 a abandonar oficialmente o Integralismo Lusitano, dirigido à época por Hipólito Raposo, que mostrava sérias reservas em relação à evolução da ditadura militar, defendendo que os monárquicos não deviam colaborar com o regime que se estava a institucionalizar.
Ingressou então no Diário de Notícias, de que foi subdirector entre 1938 e 1939, tendo sido afastado devido à publicação de uma entrevista com D. Duarte Nuno de Bragança, que naquela época vivia ainda no exílio. Já então era dirigente da União Nacional, de cuja primeira Junta Consultiva fez parte (1933), foi deputado à Assembleia Nacional nas suas listas, as únicas permitidas, desde a 1.ª legislatura, em 1934. Desempenhou papel de relevo no casamento do duque D. Duarte Nuno de Bragança no Brasil, com a princesa Maria Teresa de Orleães e Bragança (1942). Esteve depois envolvido na criação do Diário Popular, de que foi administrador. Incompatibilizado politicamente com o director do jornal, o nacional-sindicalista António Tinoco, abandonou em 1945 essas funções, pondo definitivamente termo à sua actividade jornalística, que particularmente prezava.
Feito administrador da Companhia Colonial de Navegação, depois de ter sido administrador da Companhia de Seguros A Mundial, abandonou a política activa com a subida ao poder de Marcelo Caetano, que começou por ser seu colaborador, na Ideia Nacional, mas com quem acabou por se incompatibilizar. O último chefe do Governo do Estado Novo nem por isso lhe poupou referências elogiosas em Minhas Memórias de Salazar.
Em finais de 1917 tinha casado com Maria Celestina da Costa Alemão Teixeira, filha de José Pedro Teixeira (1857-1925), professor de matemática doutorado pela Universidade de Coimbra, e lente da Academia Politécnica do Porto, e neta de Manuel Costa Alemão (1833-1922), professor e director da Faculdade de Medicina de Coimbra, e que tinha sido presidente da câmara da cidade, e governador civil do distrito.
Biografia retirada de Arqnet
terça-feira, 11 de setembro de 2018
Biografia - Pedro Massano de Amorim
Comandante da força expedicionária a Moçambique de 1914, foi Governador-Geral da Índia em 1926.
Nasceu em Fronteira, Portalegre, a 14 de Janeiro de 1862;
morreu em Nova Goa, na Índia, a 2 de Junho de 1929.
Começou a sua carreira de oficial em 1883, após ter concluído o curso de artilharia da Escola do Exército, a actual Academia Militar.
Acompanha Mouzinho de Albuquerque nas suas campanhas em Moçambique, sendo nomeado por este Governador de Gaza, distrito naquele momento em plena revolta. Em 1897 é comandante militar de Tete, região em plena revolta desde 1890, e que é governada por João de Azevedo Coutinho. Consegue vencer as tribos revoltadas Maganjas, sendo condecorado por esse feito.
Tendo regressado a Portugal, volta rapidamente a África, enviado para Angola, chegando a Luanda em 1900. Enviado para Santo António do Zaire, explora aí a vasta região dos Mussorongo, passando mais tarde para o Sul da província, para Benguela, território que inspecciona, e que o leva a redigir um relatório em que mostra os caminhos a seguir na administração da região.
Em Agosto de 1902, devido à revolta da população do Bailundo, dirige uma coluna militar que de Benguela se dirige para a zona revoltada. Chegado ao planalto de Benguela, após vários combates com os revoltosos conseguiu dominar a insurreição, sendo condecorado com a Torre e Espada por proposta do governador Cabral Moncada.
Em 1906 está de novo em Moçambique, nomeado governador do distrito de Moçambique pelo governador-geral da colónia, o seu conhecido Azevedo Coutinho, com a missão de pacificar definitivamente a região. De 1908 a 1912, acompanhado de Neutel de Abreu, conseguirá ocupar e pacificar todo o território, sendo-lhe dada a medalha de ouro do Valor Militar, e nomeado comendador da Torre e Espada.
A Primeira Guerra Mundial encontra-o em Portugal com o posto de tenente coronel. Aceita a missão de organizar e comandar uma expedição militar a Moçambique, para defesa da fronteira Norte da colónia de possíveis incursões alemãs, a potência colonizadora da actual Tanzânia, naquela época a África Oriental Alemã. Embarca em 11 de Setembro de 1914, chegando a Lourenço Marques, a actual Maputo, em Outubro e a Porto Amélia em 1 de Novembro. Cumpre as ordens, vigia a linha do Rovuma, impede provocações e mantêm a neutralidade. Se eram essas as ordens iniciais, não era esse o espírito da missão, nem das novas ordens, transmitidas pelo novo governador Álvaro de Castro, de reocupar Quionga. Devido à revolução de Maio de 1915, e a sua clara intenção de levar Portugal para a Guerra com a Alemanha, regressa a Lisboa, sendo nomeado governador de Angola em Janeiro de 1916.
O Sudoeste Africano, colónia alemã no sul de Angola (a actual Namíbia), já foi ocupada pelas forças militares da África do Sul. O objectivo não é combater os alemães, é continuar a política de abertura do território à colonização europeia, começada por Paiva Couceiro, e continuada por Eduardo Costa, e pelos generais Norton de Matos e Pereira de Eça, seus imediatos antecessores.
Chega em Abril de 1916 a Luanda. No ano seguinte, em Maio de 1917, a região de Seles e Angoche revolta-se. É que «os esbulhos, as perseguições, as prepotências e injustiças praticadas pelos agricultores e comerciantes estabelecidos na região» levam as populações autóctones a tal actuação. Para o governador, as razões são várias: «detenção dos indígenas, imposição de trabalho forçado fora dos termos legais, falta de pagamento de salários ... a par da desobediência à autoridade, do contrabando de pólvora e armas vendidas ao gentio». O pior é que a revolta começa a alastrar a outras zonas da província, e as forças militares são pouco numerosas. Em Setembro, não tendo conseguido até aí controlar a revolta, decide-se a ir para o teatro de operações. Com ajuda de forças do Bailundo consegue acabar com a revolta. Embarca em Outubro de 1917 para Lisboa, sendo demitido em Janeiro de 1918.
Em Fevereiro de 1918 é nomeado governador-geral de Moçambique. A colónia foi invadida pelos alemães em Novembro do ano anterior. No princípio de Julho, estão a 40 km de Quelimane. É para aí que o novo governador-geral se dirige, em Junho, com três companhias indígenas. Em 28 desse mesmo mês os alemães começam a retirar para Norte, atacando e ocupando Nhamacurra em Julho, só abandonando a colónia em finais de Setembro. O governador pede para ser substituído no comando da força expedicionário, sendo o seu lugar preenchido pelo general Sousa Rosa. Com o fim da guerra e o assassinato de Sidónio Pais, é substituído, em 1919, no governo-geral pelo democrático Álvaro de Castro. Regressa a Lisboa, sendo nomeado director dos serviços militares do Ministério das Colónias.
Fica pouco tempo em Portugal, já que é nomeado governador dos territórios de Manica e Sofala, da Companhia de Moçambique. Exerce o cargo por pouco tempo, sendo nomeado de novo governador-geral da colónia, em 16 de Junho de 1923. Em 1926 é transferido para o governo geral da Índia, onde morre.
Biografia retirada de Arqnet
domingo, 9 de setembro de 2018
Biografia - Teófilo Braga
Joaquim Teófilo Braga conta com muito mais páginas em todas as enciclopédias de Literatura do que nos livros sobre História de Portugal. Foi escolhido para presidir ao primeiro Governo Provisório saído do 5 de Outubro de 1910 até à eleição do Dr. Manuel de Arriaga, tendo depois, por deliberação do Congresso, completado o mandato desde 29 de Maio de 1911 a 5 de Outubro de 1911. Teófilo Braga completou o mandato de Manuel de Arriaga como Presidente da República entre 29 de Maio e 4 de Agosto de 1915
Teófilo Braga ainda jovem foi seduzido pelas ideias filosóficas de Comte e defendia as ideias positivistas. "O positivismo consolidou sobretudo a ideia de que a República não podia ser um simples golpe de Estado, e que talvez até devesse dispensar os intentos revolucionários." (José Mattoso, História de Portugal, vol. 6, p. 403) Os republicanos acreditavam que "para criar a República era preciso libertar os indivíduos das antigas sujeições. A mais grave era, sem dúvida, a sujeição espiritual. Em Portugal, em 1900, apenas 50 000 indivíduos, em cerca de 6 milhões, tinham declarado nos boletins de recenseamento não ser católicos. Para os republicanos, os espíritos dos Portugueses estavam, assim, cativos de uma organização, a igreja Católica Romana, que em 1864, condenara solenemente o liberalismo e todas as ideias modernas" (Mattoso, idem, p. 4O9). Para o historiador António Reis a actividade doutrinária de Teófflo Braga foi determinante para a consolidação do ideário republicano.
Joaquim Teófilo Braga nasceu em Ponta Delgada, a 24 de Fevereiro de 1843, filho de Joaquim Manuel Fernandes Braga, provavelmente bisneto de um dos "meninos de Palhavã", (os célebres três filhos bastardos do rei D. João V, cada um de sua mãe, que o monarca viria a perfilhar e educar) e de Maria José da Câmara e Albuquerque, da ilha de Santa Maria, também descendente das mais nobres linhagens portuguesas, que o genealogista Ferreira Serpa faz retroceder a D. Urraca do início da nacionalidade. É uma ironia do destino este republicano, laico e anti-monárquico ter uma tal descendência, que muitos aristocratas não enjeitariam poder ostentar.
O pai de Teófilo, professor do liceu, enviuvou tinha o filho apenas três anos. Casará dois anos depois, em segundas núpcias, com uma senhora que tratava muito mal o pequeno Teófilo. Esta criança triste refugia-se na leitura e entra para uma oficina de tipógrafo para poder imprimir o seu primeiro livro de versas aos quinze anos. Com dificuldade consegue convencer o pai a deixá-lo ir estudar para Coimbra, o que acontece em 1861. É contemporâneo de Antero de Quental e vai participar na famosa polémica contra o academismo do escritor e pedagogo Castilho, em 1865. Teófilo Braga casa em 1868, no mesmo ano do seu doutoramento. A sua produção literária ligada à investigação histórica é enorme. Abordou, na linha do filósofo e escritor francês Michelet as origens etnográficas, linguísticas e histórico-literárias da nossa cultura. Escreveu "História da Poesia Popular Portuguesa", a "História do Teatro Português", e no campo doutrinário, "História das Ideias Republicanas em Portugal" e inúmeras obras panfletárias. Uma das mais polémicas, no ponto de vista de investigação científica foi "História do Romantismo em Portugal", em 1880. Ainda considerada obra de valor é a sua "História da Universidade de Coimbra", em quatro volumes.
Em 1872, Teófilo Braga é professor catedrático de Literaturas Modernas. É a partir desta época que se vai interessar pela doutrina positivista, dirigindo mesmo uma revista com esse nome "O Positivismo". Em 1880 é escolhido para organizar sumptuosos festejos do 3º centenário da morte de Camões, de onde sai com grande prestígio.
Os seus estudos sobre costumes e tradições portuguesas, bem como toda a sua obra foi rudemente criticada na época. Diversas vezes foi considerado um plagiador. É certo que Teófilo lia muito e era pouco cuidadoso nos textos, sendo vulgar omitir as citações e apontar ideias e teorias de outros. O médico e político Ricardo Jorge é extremamente acutilante e não o poupa no livro com o título "Contra um plágio do Prof. Theófilo Braga", em 1917: E diz mesmo :"Teófilo Braga, como imagem venerada de polígrafo, lembra os ídolos indianos, coroados de muitas cabeças - é um poliocéfalo. Cada cabeça, cada sabença. Como das carrancas dum chafariz, jorra de cada bocarra um caudal de ciência estampada..." O próprio Antero de Quental com quem de início Teófilo se deu, disse que Teófilo era um "hierofante [indivíduo que se julga sabedor] do charlatanismo literário". E o historiador brasileiro Sílvio Romero chamou-lhe "Papa dos charlatães". Camilo Castelo Branco também se contava entre os seus "inimigos" declarados, mas condoeu-se dele, em 1887, quando Teófilo perdeu, num curto espaço de tempo, dois filhos. Já tinha perdido outro. Então Camilo escreve o belíssimo soneto "A maior dor humana" (Camilo perdera também uma neta que adorava).
Teófilo Braga casou com Maria do Carmo Xavier, natural do Porto, e tiveram três filhos: Joaquim, Maria da Graça e Teófilo. Mas a infelicidade perseguia-o. Perdeu como se disse os três filhos pouco depois a mulher que ele amava e de quem fala no testamento que fez em 15 de Maio de 1887 (ainda ela era viva). Através desse documento ficamos a saber que ele apenas tinha o dinheiro que ganhara com a sua docência e alguns bens que a mulher tinha trazido, quando casaram. Era pois apenas remediado.
José Relvas, contemporâneo de Teófilo, foi outra das personalidades que não o poupou. Disse que o prestígio por ele alcançado não era merecido e que só quem não o lera é que o podia admirar. No entanto, Rocha Martins (revista "Arquivo Nacional", nº 113, de Março de 1934) fala numa entrevista que fizera a Teófilo, em 1916, e onde é visível uma grande admiração pelo escritor e presidente, que lhe falou da sua vida e das dificuldades que passara em Coimbra. Teófilo contou-lhe que uma vez, no Porto em casa do livreiro Moré se cruzara com Camilo que lhe estendeu a mão e que ele (Teófilo) lhe voltara as costas. E acrescentou para Rocha Martins "Estava ainda moço... Hoje não voltava as costas a ninguém... Todos os homens devem saber perdoar".
A entrevista termina com um comentário filosófico sobre povo português " "O português está destinado a viver sempre. Se não, que visse eu o feitio deste povo. Nos cataclismos não se rende, nas aflições não perece. O filho do português fora de Portugal aumenta de resistência." Terá Teófilo razão e a sua mensagem servirá para os portugueses de hoje?
Teófilo era um homem extremamente simples, talvez demasiado. Desde que enviuvara passara a ser um misógino enfiado na sua biblioteca. Mesmo enquanto Presidente, qualquer lisboeta o podia ver proletariamente a andar de eléctrico, com o guarda-chuva no braço ou de bengala já sem ponteira. O exercício da presidência não estaria muito na sua maneira de ser. Como homem de letras, Teófilo teve mais sorte, porque, com o passar dos anos foram-se esbatendo os aspectos negativos da sua vida e obra e hoje os autores de história da literatura consideram-no, com algumas reservas, um erudito.
A última casa em que viveu situava-se num segundo andar do número 70 da Rua de Santa Gertrudes à Estrela, em Lisboa. Era uma vizinha que lhe levava, de manhã, o pequeno almoço e lhe fazia um pouco de companhia. Já tinha bastante idade. Vestia roupa muito usada e chegava ele mesmo a remendar peças de roupa branca, porque tinham sido da mulher e isso fazia-o recordar-se de bons momentos juntos. Teófilo era um homem solitário e não terá sido muito feliz. Não teve o amor de uma mãe, de um pai, perdeu os filhos e por fim até a sua companheira partiu antes dele.
Embora anti-clerical, Teófilo Braga dizia, com orgulho, que impedira António José de Almeida de apagar o nome da Rainha D. Leonor do Hospital das Caldas, pois como dizia, "é um perigo as intervenções reformadoras sem conhecimento das origens venerandas, cuja tradição nunca deve ser apagada". No seu testamento deixou expresso que queria um enterro civil, sem cerimónia. Morreu com 81 anos.
Biografia retirada de O Leme
Biografia retirada de O Leme
sexta-feira, 7 de setembro de 2018
Biografia - João António de Sá Pereira
1.º Barão de Alverca
n: Condeixa, c. 1719
m: 1804
n: Condeixa, c. 1719
m: 1804
Filho do mestre de campo (coronel) do terço (regimento) auxiliar da comarca de Coimbra Manuel de Sá Pereira, assentou praça no regimento de Dragões de Penamacor, sendo promovido a capitão do regimento de cavalaria de Almeida em 1757, a sua primeira patente, sendo já coronel do regimento de Chaves quando deflagrou a Guerra do Pacto de Família em 1762, tendo feito a campanha da Beira, sob a ordens do tenente general inglês Townshend.
Foi nomeado governador da ilha da Madeira em 1766, por três anos, tendo tomando posse do lugar em 9 de Dezembro de 1767. No comando do regimento de Chaves foi substituído pelo então tenente coronel do regimento de Artilharia do Porto, Luís Pinto de Sousa, futuro ministro dos negócios estrangeiros e da guerra de D. João VI, quando este ainda era regente.
Saiu do seu posto em 10 de Junho de 1777, com a queda do ministro de D. José, o que originou a realização de grandes festejos públicos na ilha, tendo feito uma boa administração segundo o Elucidário Madeirense. Instituiu na Ilha uma Aula Militar, que se estabeleceu no antigo Colégio dos Jesuítas, e foi dirigida por François d'Alincourt, oficial encarregue também da direcção das obras de fortificação da Ilha.
Sobrinho do marquês de Pombal, terá sofrido dessa aproximação nos primeiros anos do reinado de D. Maria I.
Casou com Luísa de Morais Sarmento Pimentel, donatária da alcaiadaria mor de Alverca da Beira, em Trancoso, que D. José tinha erigido em vila em Abril de 1769, pelos serviços do seu pai, Baltasar de Morais Sarmento Pimentel, e do seu avô.
Reintegrado no exército em 1785, chegou a brigadeiro em 1789, na promoção que fez o secretário de estado Luís Pinto de Sousa ascender ao mesmo posto. Foi promovido a marechal de campo em 1801, e nomeado para um posto de comando no exército do Norte, comandado pelo general francês marquês de la Rosière, sendo 2.º comandante da Divisão de Trás-os-Montes, região que conhecia bem.
Tinha sido feito barão de Alverca por decreto de 4 e carta de 21 de Abril de 1795.
Biografia retirada de Arqnet
quarta-feira, 5 de setembro de 2018
Biografia - Abdul Hamid II
Partidário de um governo liberal, Abdul Hamid II introduziu no Império Otomano reformas administrativas e judiciais baseadas no modelo ocidental (Tanzim at, ou movimento reformista), fazendo promulgar em 1876 uma nova Constituição. Depois de alguns fracassos em ações relativas à política externa (Guerra Russo-Turca de 1877-1878, Congresso de Berlim de 1878), impôs uma mudança de rumo à política interna, instaurando novamente um governo autocrático, impedindo as reformas e contemporizando com a violência turca contra as minorias nacionais (massacre sobre a população armênia, 1896). A vitória sobre a Grécia, na seqüência do levante de Creta (1896-1897), representou um triunfo passageiro na sua política externa. Apesar disso, a incapacidade do regime para se renovar provocou uma revolta militar entre os jovens turcos, que forçaram a reintrodução da Constituição de 1876 e a queda final de Abdul Hamid II em 1909.
Biografia retirada de NetSaber
segunda-feira, 3 de setembro de 2018
Biografia - D. Pedro de Almeida Portugal, 3.º marquês de Alorna
n. 16 de janeiro de 1754.
f. 2 de janeiro de 1813.
Vedor honorário da Casa Real, em verificação de vida concedida neste ofício, por decreto de 6 de julho de 1793, oficial-mor honorário da Casa Real; comendador da Ordem de Cristo; grande oficial da Legião de Honra de França; governador das Armas da província do Alentejo; chefe da Legião de Tropas Ligeiras; tenente-general do exército, distinto pelos seus grandes talentos militares; governador da província de Minsk, na Rússia.
Nasceu a 16 de janeiro de 1754; faleceu em Koenigsberg a 2 de janeiro do 1813. Era filho do 2.º marquês de Alorna e 4.º conde de Assumar, D. João de Almeida Portugal, e de D. Leonor de Lorena e Távora, filha dos 3.os marqueses de Távora. Sucedeu na casa e títulos a seu pai, em 9 de janeiro de 1802.
Não tendo ainda cinco anos, ficou privado dos afectos de pai e de mãe, e entregue aos cuidados e compaixão dos criados, em consequência dos acontecimentos políticos, e do crime dos Távoras, que encarceraram seu pai no forte da Junqueira e sua mãe e irmãs no convento do Chelas. (V. 2.º marquês e 4.ª marquesa de Alorna). Por morte de D. José em 1777, D. Maria I subiu ao trono, e um dos seus primeiros cuidados foi dar liberdade aos presos do Estado; o 2.º marquês, D. João ficou livre e restituído à sua família. D. Pedro de Almeida recebeu o título de conde de Assumar, e passou a ocupar na corte o lugar a que tinha direito pelo seu nascimento fidalgo. Seguiu a carreira das armas, e sendo coronel de cavalaria, foi escolhido em 1793 para ajudante da divisão auxiliar a Espanha, e desembarcando no porto de Rosas, lago se distinguiu nos primeiros combates, mas no fim dum ano de campanha recolheu a Lisboa com licença, muita preocupado com a ideia de que as generais espanhóis não deixavam brilhar as tropas portuguesas, como era de justiça, com a fim de reservarem todas as honras da vitória para os seus soldadas, e que a tenente-general Forbes, comandante da divisão portuguesa não tinha a precisa energia para se impor, evitando esta desconsideração. Em 1795, alcançou o título de marquês, concessão de D. Maria I, pelas cartas do 4 e 14 de abril, com as honras do ofício de vedor da Casa Real, e a graduação de marechal de campo, ficando efectivo no ano seguinte, 1796, sendo nomeado em 1797 chefe da Legião de Tropas Ligeiras que então se organizou.
Com as proporções que tomara a revolução francesa, em 1799, começou a haver receios que Portugal não pudesse evitar ser também invadido, e o príncipe regente, D. João, conhecendo que os seus exércitos estavam pouco habilitados para entrarem em batalha, encarregou o marquês de Alorna de apresentar as suas ideias sobre o modo de o organizar o disciplinar convenientemente. O ilustre general formulou O seu plano numa desenvolvida memória, a que deu o titulo de Reflexões sobre o sistema económico do Exército, tratando de assentar a constituição do exercito em regras fixas e bem definidas, tornar fácil e dependente duma simples ordem do poder supremo a passagem do pé do paz para a do pé de guerra, e finalmente dispor de tudo de forma que consignando à defesa do pais a verba constante do seis milhões e meio, com as economias feitas durante a paz, houvesse sempre um tesouro de guerra reservado para ocorrer ás despesas extraordinárias dum ano de preparo e de dois primeiros do campanha. Este trabalho, com o longo prazo que o marquês contava desde os anúncios de guerra até ás primeiras operações, deu um magnífico resultado, e é uma glória para Portugal ver que muitos dos métodos adoptados actualmente no exercito alemão, se encontram já propostos na memória que o marquês de Alorna escreveu nos fins do século XVIII. Só ultimamente esta memória, que se conservou inédita mais dum século, foi publicada com o seguinte frontispício: Marquês de Alorna - Marechal de Campo - Reflexões sobre o sistema económico do Exército, 1799, Lisboa, Livraria Ferin, 1903; um volume com retrato. No livro vem um prólogo do Sr. Fernando Maia, ilustre lente da Escola do Exército, um que se explica a situação política e militar do reino e a razão por que tal memória foi escrita.
Pouco tempo depois de. ser conhecida esta memória, perturbaram-se as nossas relações diplomáticas com a Espanha, o tratando o governo de se preparar para a guerra, o marquês de Alorna teve o comando das tropas que se uniram na Beira, mas foi em vão que requisitou mais forças, dinheiro e recursos indispensáveis para uma boa defesa; os seus pedidos tiveram somente promessas em resposta, O então valendo se do seu próprio crédito, abasteceu Almeida, e com a sua reconhecida energia conseguia fazer das rochas do Monsanto uma praça de guerra, e construir na Guarda um forte com casamatas à prova de bomba, fortificou a posição das Talhadas com três redutos e outros entrincheiramentos, pôs o castelo de Vila Velha, que era um montão de pedras, em estado de se defender, levantando flechas e trincheiras, fez algumas obras nos arredores de Sortelha e Celorico, criou um Hospital no Fundão, estabeleceu nesta vila, em Cardigos e Celorico, armazéns para abastecimento das suas posições e com o fim do facilitar as comunicações para Abrantes, uma sofrível estrada, que ficou com o nome do estrada do marquês de Aloma; em paga de tantos e proveitosos serviços, o governa mandou-o servir como imediato do general Dordaz, a quem deu o comando superior da província da Beira. Das medidas então infelizmente adoptadas, resultou a perda de Arronches e Flor da Rosa, e finalmente a vergonhosa paz de Badajoz.
No dia primeiro do dezembro de 1801, o governo nomeou uma grande comissão composta de vários generais, presidida pelo ministro da guerra, D. João de Almeida Melo e Castro, à qual foi incumbido o estudo das nossas instituições militares e das reformas de que elas careciam. O marquês de Alorna não teve entrada nesta comissão, sendo porém impossível deixar do ouvir a sua opinião num assunto em que era tão competente, foi-lhe enviado um aviso, em 17 de abril de 1804, ordenando-lhe que desse o sou voto com individuação sobre o projecto que já estava elaborado, o que fez por escrito declarando o plano proposto incompleto e censurando que se quisesse alterar o que a experiência tinha mostrado bom, só pelo deseja de fazer inovações. Parece que o marquês de Alorna ainda escreveu nessa época a seguinte abra: Observações sobre a memória do general Dumouriez acerca da defesa de Portugal, com o projecto de reorganização do exército no plano de defesa do país. Este trabalho julga-se hoje perdido, porque se não encontra cópia alguma. O marquês de Alorna envolveu-se na conspiração que em 1805 se tramou, para tirar a regência ao príncipe D. João, que se deixava dominar pelo partido francês, o por esse motivo não partiu para a Rio do Janeiro a exercer o cargo do governador para que fora nomeado; mais tarde foi promovido a tenente-general, encarregado do governo das armas do Alentejo, onde estava no ano de 1807. Do seu quartel-general de Vila Viçosa transferiu-se para Elvas quando viu aproximar-se a guerra, tratou de reforçar a guarnição da praça o abastece-la de víveres, ordenou ao tenente-coronel Lecor, seu ajudante de campo, que partisse a colher notícia dos franceses, o que no caso deles terem invadido o nosso território, seguisse para Lisboa a avisar a príncipe, recomendando na passagem aos magistrados que cortassem as pontes e dificultassem por todos os modos a entrada das estrangeiros. O tenente-coronel Lecor, depois do desempenhar a sua missão, voltou a Elvas, com ordem do não pôr obstáculos à marcha das tropas do general Solano, e o marquês de Alorna teve de resignar-se a cumprir as ordens do regente, que abandonava o seu povo, na ocasião do perigo, partindo para o Brasil.
A conquista fora fácil aos franceses, mas para que eles pudessem manter o seu domínio, tornava-se urgente impossibilitar os meios de que os portugueses podiam dispor para recuperar a sua independência; para alcançar esse resultado, Junot, primeiro ajudante de campo do imperador Napoleão, teve a ideia de dissolver o exército e afastar para longe os melhores soldados e os chefes mais conhecidos. Foi daqui que nasceu o licenciamento do exército e organizar-se a Legião Portuguesa em que entraram Gomes Freire de Andrade e Manuel Martins Pamplona, depois conde de Subserra. íntimos amigos do marquês de Alorna, ficando o marquês com o comando geral. A Legião Portuguesa foi, portanto, manifestamente criada por Junot, não só com o fim de recrutar mais alguns soldados para os exércitos franceses, mas também, e era talvez esse o principal fim, de afastar de Portugal, enviando-os ao centro das hostes napoleónicas, os homens mais perigosos, habituados à disciplina militar e a defenderem a bandeira portuguesa, cuja permanência poderia ser fatal aos invasores. O marquês de Alorna saiu de Portugal com as forças do seu comando, na primavera de 1808, acompanhou-as até Burgos onde ficou doente, indo depois encontrá-las em Baiona. Os franceses tomaram todas as precauções para que as notícias desfavoráveis não transpirassem, mas apesar dessas precauções, o marquês de Alorna teve conhecimento da derrota de Dupont, nos campos de Bailén; então chamou ao seu quartel-general os comandantes dos corpos alojados nas proximidades, e propôs-lhes o regresso da legião a Portugal; os comandantes, porém, consideravam grande temeridade a marcha de tão pequena força pelo meio dos exércitos franceses, e o marquês teve de desistir da sua ideia, bem a seu pesar. Napoleão, parecendo adivinhar aquele plano, ordenou que a legião entrasse em França e se aquartelasse em Grenoble. Em quanto as tropas portuguesas estiveram nesta cidade, o comando era exercido pelo general da divisão territorial e pelo inspector, ficando Alorna somente com o título de comandante, sem atribuições algumas, e assim se conservou até março de 1809, em que indo a Paris, teve ordem de seguir para o quartel-general do rei José Bonaparte, onde o detiveram até junho de 1810, sem comando e afastado das tropas. Preparava-se nesta época a terceira invasão contra Portugal, e Napoleão pensou que a presença de alguns generais e fidalgos portugueses no exército poderia facilitar a realização de seu intento; o marquês de Alorna recebeu então ordem de se apresentar em Salamanca ao general Massena, com o qual seguiu para a fronteira e entrou em Portugal. A regência de Lisboa, tendo conhecimento do facto, passou a portaria de 6 de setembro de 1810 exautorando o marquês de Alorna, privando-o de todos os títulos, honras e dignidades. e até do nome de português, oferecendo ao mesmo tempo mil moedas a quem, vivo ou morto, o apresentasse, além do perdão no caso de ser seu cúmplice no crime de traidor à pátria. Seguiu-se depois um processe instaurado no juízo da inconfidência. em que o condenaram à morte em cadafalso alto no cais de Belém, sendo-lhe antes decepadas as mãos, devendo o cadafalso e o corpo serem reduzidos a cinzas e tudo lançado ao mar, concluindo ainda a sentença com a perda dos bens para o fisco, e autorizando qualquer do povo a dar a morte ao réu onde quer que o visse e reconhecesse ser o próprio. Massena, com a derrota de Torres Vedras, voltou para França, indo com ele o marquês de Alorna, que em março de 1812 foi encarregado de inspeccionar as tropas da legião que se preparavam para a campanha da Rússia, seguindo depois com o regimento de cavalaria na retaguarda do exercito francês. Chegando a Lituânia, Napoleão confiou-lhe o governo da praça de Mohilow, e aí se conservou até que o imperador se viu obrigado a recuar. Nas margens do Dniepper foi juntar-se aos restos do grande exercito, e acompanhando a retirada, chegou a Koenigsberg nos últimos dias de dezembro de 1812, já muito doente, falecendo poucos dias depois. Quando se verificou o enterro, já os cossacos estavam muito próximo, por isso se lhe não ponde prestar as honras militares que lhe competiam. Assim exautorado das honras na pátria, e privado da última homenagem a que lhe dava direito a sua graduação, foi enterrado em terra estrangeira o 3.º marquês de Alorna, que podia ter prestado grandes serviços ao seu país, se o governo em 1808 tivesse, como era justo, exigido na convenção de Sintra o regresso da legião a Portugal. Sua irmã, a marquesa de Alorna, trabalhou durante dez anos para reabilitar a sua memória, e só então é que ponde alcançar a sentença, que, atendendo à pressão debaixo da qual o marquês servia no exército imperial e a dificuldade que teria em se evadir, o julgou sem culpa e reconheceu a iniquidade da sentença que o havia considerado traidor à pátria, quando fora a pátria que primeiro dele se esquecera.
O marquês de Alorna casara a 19 de fevereiro de 1782, com D. Henriqueta da Cunha, 1.ª filha dos 6.os condes do S. Vicente. Teve dois filhos: D. João de Almeida, 6.º conde de Assumar por decreto de 15 de maio de 1805, falecido em 27 do setembro do mesmo ano; e D. Miguel de Almeida, 7.º conde de Assumar, por decreto do 24 de junho de 1806, falecido em agosto também do mesmo ano. Foram ambos alferes da Legião de Tropas Ligeiras.
Biografai retirada de Arqnet
domingo, 26 de agosto de 2018
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