domingo, 9 de setembro de 2018

Biografia - Teófilo Braga


Joaquim Teófilo Braga conta com muito mais páginas em todas as enciclopédias de Literatura do que nos livros sobre História de Portugal. Foi escolhido para presidir ao primeiro Governo Provisório saído do 5 de Outubro de 1910 até à eleição do Dr. Manuel de Arriaga, tendo depois, por deliberação do Congresso, completado o mandato desde 29 de Maio de 1911 a 5 de Outubro de 1911. Teófilo Braga completou o mandato de Manuel de Arriaga como Presidente da República entre 29 de Maio e 4 de Agosto de 1915 
             Teófilo Braga ainda jovem foi seduzido pelas ideias filosóficas de Comte e defendia as ideias positivistas. "O positivismo consolidou sobretudo a ideia de que a República não podia ser um simples golpe de Estado, e que talvez até devesse dispensar os intentos revolucionários." (José Mattoso, História de Portugal, vol. 6, p. 403) Os republicanos acreditavam que "para criar a República era preciso libertar os indivíduos das antigas sujeições. A mais grave era, sem dúvida, a sujeição espiritual. Em Portugal, em 1900, apenas 50 000 indivíduos, em cerca de 6 milhões, tinham declarado nos boletins de recenseamento não ser católicos. Para os republicanos, os espíritos dos Portugueses estavam, assim, cativos de uma organização, a igreja Católica Romana, que em 1864, condenara solenemente o liberalismo e todas as ideias modernas" (Mattoso, idem, p. 4O9). Para o historiador António Reis a actividade doutrinária de Teófflo Braga foi determinante para a consolidação do ideário republicano. 
             Joaquim Teófilo Braga nasceu em Ponta Delgada, a 24 de Fevereiro de 1843, filho de Joaquim Manuel Fernandes Braga, provavelmente bisneto de um dos "meninos de Palhavã", (os célebres três filhos bastardos do rei D. João V, cada um de sua mãe, que o monarca viria a perfilhar e educar) e de Maria José da Câmara e Albuquerque, da ilha de Santa Maria, também descendente das mais nobres linhagens portuguesas, que o genealogista Ferreira Serpa faz retroceder a D. Urraca do início da nacionalidade. É uma ironia do destino este republicano, laico e anti-monárquico ter uma tal descendência, que muitos aristocratas não enjeitariam poder ostentar. 
             O pai de Teófilo, professor do liceu, enviuvou tinha o filho apenas três anos. Casará dois anos depois, em segundas núpcias, com uma senhora que tratava muito mal o pequeno Teófilo. Esta criança triste refugia-se na leitura e entra para uma oficina de tipógrafo para poder imprimir o seu primeiro livro de versas aos quinze anos. Com dificuldade consegue convencer o pai a deixá-lo ir estudar para Coimbra, o que acontece em 1861. É contemporâneo de Antero de Quental e vai participar na famosa polémica contra o academismo do escritor e pedagogo Castilho, em 1865. Teófilo Braga casa em 1868, no mesmo ano do seu doutoramento. A sua produção literária ligada à investigação histórica é enorme. Abordou, na linha do filósofo e escritor francês Michelet as origens etnográficas, linguísticas e histórico-literárias da nossa cultura. Escreveu "História da Poesia Popular Portuguesa", a "História do Teatro Português", e no campo doutrinário, "História das Ideias Republicanas em Portugal" e inúmeras obras panfletárias. Uma das mais polémicas, no ponto de vista de investigação científica foi "História do Romantismo em Portugal", em 1880. Ainda considerada obra de valor é a sua "História da Universidade de Coimbra", em quatro volumes. 
             Em 1872, Teófilo Braga é professor catedrático de Literaturas Modernas. É a partir desta época que se vai interessar pela doutrina positivista, dirigindo mesmo uma revista com esse nome "O Positivismo". Em 1880 é escolhido para organizar sumptuosos festejos do 3º centenário da morte de Camões, de onde sai com grande prestígio. 
             Os seus estudos sobre costumes e tradições portuguesas, bem como toda a sua obra foi rudemente criticada na época. Diversas vezes foi considerado um plagiador. É certo que Teófilo lia muito e era pouco cuidadoso nos textos, sendo vulgar omitir as citações e apontar ideias e teorias de outros. O médico e político Ricardo Jorge é extremamente acutilante e não o poupa no livro com o título "Contra um plágio do Prof. Theófilo Braga", em 1917: E diz mesmo :"Teófilo Braga, como imagem venerada de polígrafo, lembra os ídolos indianos, coroados de muitas cabeças - é um poliocéfalo. Cada cabeça, cada sabença. Como das carrancas dum chafariz, jorra de cada bocarra um caudal de ciência estampada..." O próprio Antero de Quental com quem de início Teófilo se deu, disse que Teófilo era um "hierofante [indivíduo que se julga sabedor] do charlatanismo literário". E o historiador brasileiro Sílvio Romero chamou-lhe "Papa dos charlatães". Camilo Castelo Branco também se contava entre os seus "inimigos" declarados, mas condoeu-se dele, em 1887, quando Teófilo perdeu, num curto espaço de tempo, dois filhos. Já tinha perdido outro. Então Camilo escreve o belíssimo soneto "A maior dor humana" (Camilo perdera também uma neta que adorava).
             Teófilo Braga casou com Maria do Carmo Xavier, natural do Porto, e tiveram três filhos: Joaquim, Maria da Graça e Teófilo. Mas a infelicidade perseguia-o. Perdeu como se disse os três filhos pouco depois a mulher que ele amava e de quem fala no testamento que fez em 15 de Maio de 1887 (ainda ela era viva). Através desse documento ficamos a saber que ele apenas tinha o dinheiro que ganhara com a sua docência e alguns bens que a mulher tinha trazido, quando casaram. Era pois apenas remediado. 
             José Relvas, contemporâneo de Teófilo, foi outra das personalidades que não o poupou. Disse que o prestígio por ele alcançado não era merecido e que só quem não o lera é que o podia admirar. No entanto, Rocha Martins (revista "Arquivo Nacional", nº 113, de Março de 1934) fala numa entrevista que fizera a Teófilo, em 1916, e onde é visível uma grande admiração pelo escritor e presidente, que lhe falou da sua vida e das dificuldades que passara em Coimbra. Teófilo contou-lhe que uma vez, no Porto em casa do livreiro Moré se cruzara com Camilo que lhe estendeu a mão e que ele (Teófilo) lhe voltara as costas. E acrescentou para Rocha Martins "Estava ainda moço... Hoje não voltava as costas a ninguém... Todos os homens devem saber perdoar". 
             A entrevista termina com um comentário filosófico sobre povo português " "O português está destinado a viver sempre. Se não, que visse eu o feitio deste povo. Nos cataclismos não se rende, nas aflições não perece. O filho do português fora de Portugal aumenta de resistência." Terá Teófilo razão e a sua mensagem servirá para os portugueses de hoje? 
             Teófilo era um homem extremamente simples, talvez demasiado. Desde que enviuvara passara a ser um misógino enfiado na sua biblioteca. Mesmo enquanto Presidente, qualquer lisboeta o podia ver proletariamente a andar de eléctrico, com o guarda-chuva no braço ou de bengala já sem ponteira. O exercício da presidência não estaria muito na sua maneira de ser. Como homem de letras, Teófilo teve mais sorte, porque, com o passar dos anos foram-se esbatendo os aspectos negativos da sua vida e obra e hoje os autores de história da literatura consideram-no, com algumas reservas, um erudito. 
             A última casa em que viveu situava-se num segundo andar do número 70 da Rua de Santa Gertrudes à Estrela, em Lisboa. Era uma vizinha que lhe levava, de manhã, o pequeno almoço e lhe fazia um pouco de companhia. Já tinha bastante idade. Vestia roupa muito usada e chegava ele mesmo a remendar peças de roupa branca, porque tinham sido da mulher e isso fazia-o recordar-se de bons momentos juntos. Teófilo era um homem solitário e não terá sido muito feliz. Não teve o amor de uma mãe, de um pai, perdeu os filhos e por fim até a sua companheira partiu antes dele. 
             Embora anti-clerical, Teófilo Braga dizia, com orgulho, que impedira António José de Almeida de apagar o nome da Rainha D. Leonor do Hospital das Caldas, pois como dizia, "é um perigo as intervenções reformadoras sem conhecimento das origens venerandas, cuja tradição nunca deve ser apagada". No seu testamento deixou expresso que queria um enterro civil, sem cerimónia. Morreu com 81 anos.

Biografia retirada de O Leme

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Biografia - João António de Sá Pereira

1.º Barão de Alverca
n: Condeixa, c. 1719
m: 1804

Filho do mestre de campo (coronel) do terço (regimento) auxiliar da comarca de Coimbra Manuel de Sá Pereira, assentou praça no regimento de Dragões de Penamacor, sendo promovido a capitão do regimento de cavalaria de Almeida em 1757, a sua primeira patente, sendo já coronel do regimento de Chaves quando deflagrou a Guerra do Pacto de Família em 1762, tendo feito a campanha da Beira, sob a ordens do tenente general inglês Townshend. 

Foi nomeado governador da ilha da Madeira em 1766, por três anos, tendo tomando posse do lugar em 9 de Dezembro de 1767. No comando do regimento de Chaves foi substituído pelo então tenente coronel do regimento de Artilharia do Porto, Luís Pinto de Sousa, futuro ministro dos negócios estrangeiros e da guerra de D. João VI, quando este ainda era regente. 

Saiu do seu posto em 10 de Junho de 1777, com a queda do ministro de D. José, o que originou a realização de grandes festejos públicos na ilha, tendo feito uma boa administração segundo o Elucidário Madeirense. Instituiu na Ilha uma Aula Militar, que se estabeleceu no antigo Colégio dos Jesuítas, e foi dirigida por François d'Alincourt, oficial encarregue também da direcção das obras de fortificação da Ilha.

Sobrinho do marquês de Pombal, terá sofrido dessa aproximação nos primeiros anos do reinado de D. Maria I.

Casou com Luísa de Morais Sarmento Pimentel, donatária da alcaiadaria mor de Alverca da Beira, em Trancoso, que D. José tinha erigido em vila em Abril de 1769, pelos serviços do seu pai, Baltasar de Morais Sarmento Pimentel, e do seu avô.

Reintegrado no exército em 1785, chegou a brigadeiro em 1789, na promoção que fez o secretário de estado Luís Pinto de Sousa ascender ao mesmo posto. Foi promovido a marechal de campo em 1801, e nomeado para um posto de comando no exército do Norte, comandado pelo general francês marquês de la Rosière, sendo 2.º comandante da Divisão de Trás-os-Montes, região que conhecia bem.

Tinha sido feito barão de Alverca por decreto de 4 e carta de 21 de Abril de 1795.

Biografia retirada de Arqnet

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Biografia - Abdul Hamid II

Partidário de um governo liberal, Abdul Hamid II introduziu no Império Otomano reformas administrativas e judiciais baseadas no modelo ocidental (Tanzim at, ou movimento reformista), fazendo promulgar em 1876 uma nova Constituição. Depois de alguns fracassos em ações relativas à política externa (Guerra Russo-Turca de 1877-1878, Congresso de Berlim de 1878), impôs uma mudança de rumo à política interna, instaurando novamente um governo autocrático, impedindo as reformas e contemporizando com a violência turca contra as minorias nacionais (massacre sobre a população armênia, 1896). A vitória sobre a Grécia, na seqüência do levante de Creta (1896-1897), representou um triunfo passageiro na sua política externa. Apesar disso, a incapacidade do regime para se renovar provocou uma revolta militar entre os jovens turcos, que forçaram a reintrodução da Constituição de 1876 e a queda final de Abdul Hamid II em 1909.

Biografia retirada de NetSaber

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Biografia - D. Pedro de Almeida Portugal, 3.º marquês de Alorna

n.      16 de janeiro de 1754.
f.       2 de janeiro de 1813.

Vedor honorário da Casa Real, em verificação de vida concedida neste ofício, por decreto de 6 de julho de 1793, oficial-mor honorário da Casa Real; comendador da Ordem de Cristo; grande oficial da Legião de Honra de França; governador das Armas da província do Alentejo; chefe da Legião de Tropas Ligeiras; tenente-general do exército, distinto pelos seus grandes talentos militares; governador da província de Minsk, na Rússia.

Nasceu a 16 de janeiro de 1754; faleceu em Koenigsberg a 2 de janeiro do 1813. Era filho do 2.º marquês de Alorna e 4.º conde de Assumar, D. João de Almeida Portugal, e de D. Leonor de Lorena e Távora, filha dos 3.os marqueses de Távora. Sucedeu na casa e títulos a seu pai, em 9 de janeiro de 1802.

Não tendo ainda cinco anos, ficou privado dos afectos de pai e de mãe, e entregue aos cuidados e compaixão dos criados, em consequência dos acontecimentos políticos, e do crime dos Távoras, que encarceraram seu pai no forte da Junqueira e sua mãe e irmãs no convento do Chelas. (V. 2.º marquês e 4.ª marquesa de Alorna). Por morte de D. José em 1777, D. Maria I subiu ao trono, e um dos seus primeiros cuidados foi dar liberdade aos presos do Estado; o 2.º marquês, D. João ficou livre e restituído à sua família. D. Pedro de Almeida recebeu o título de conde de Assumar, e passou a ocupar na corte o lugar a que tinha direito pelo seu nascimento fidalgo. Seguiu a carreira das armas, e sendo coronel de cavalaria, foi escolhido em 1793 para ajudante da divisão auxiliar a Espanha, e desembarcando no porto de Rosas, lago se distinguiu nos primeiros combates, mas no fim dum ano de campanha recolheu a Lisboa com licença, muita preocupado com a ideia de que as generais espanhóis não deixavam brilhar as tropas portuguesas, como era de justiça, com a fim de reservarem todas as honras da vitória para os seus soldadas, e que a tenente-general Forbes, comandante da divisão portuguesa não tinha a precisa energia para se impor, evitando esta desconsideração. Em 1795, alcançou o título de marquês, concessão de D. Maria I, pelas cartas do 4 e 14 de abril, com as honras do ofício de vedor da Casa Real, e a graduação de marechal de campo, ficando efectivo no ano seguinte, 1796, sendo nomeado em 1797 chefe da Legião de Tropas Ligeiras que então se organizou.

Com as proporções que tomara a revolução francesa, em 1799, começou a haver receios que Portugal não pudesse evitar ser também invadido, e o príncipe regente, D. João, conhecendo que os seus exércitos estavam pouco habilitados para entrarem em batalha, encarregou o marquês de Alorna de apresentar as suas ideias sobre o modo de o organizar o disciplinar convenientemente. O ilustre general formulou O seu plano numa desenvolvida memória, a que deu o titulo de Reflexões sobre o sistema económico do Exército, tratando de assentar a constituição do exercito em regras fixas e bem definidas, tornar fácil e dependente duma simples ordem do poder supremo a passagem do pé do paz para a do pé de guerra, e finalmente dispor de tudo de forma que consignando à defesa do pais a verba constante do seis milhões e meio, com as economias feitas durante a paz, houvesse sempre um tesouro de guerra reservado para ocorrer ás despesas extraordinárias dum ano de preparo e de dois primeiros do campanha. Este trabalho, com o longo prazo que o marquês contava desde os anúncios de guerra até ás primeiras operações, deu um magnífico resultado, e é uma glória para Portugal ver que muitos dos métodos adoptados actualmente no exercito alemão, se encontram já propostos na memória que o marquês de Alorna escreveu nos fins do século XVIII. Só ultimamente esta memória, que se conservou inédita mais dum século, foi publicada com o seguinte frontispício: Marquês de Alorna - Marechal de Campo - Reflexões sobre o sistema económico do Exército, 1799, Lisboa, Livraria Ferin, 1903; um volume com retrato. No livro vem um prólogo do Sr. Fernando Maia, ilustre lente da Escola do Exército, um que se explica a situação política e militar do reino e a razão por que tal memória foi escrita.

Pouco tempo depois de. ser conhecida esta memória, perturbaram-se as nossas relações diplomáticas com a Espanha, o tratando o governo de se preparar para a guerra, o marquês de Alorna teve o comando das tropas que se uniram na Beira, mas foi em vão que requisitou mais forças, dinheiro e recursos indispensáveis para uma boa defesa; os seus pedidos tiveram somente promessas em resposta, O então valendo se do seu próprio crédito, abasteceu Almeida, e com a sua reconhecida energia conseguia fazer das rochas do Monsanto uma praça de guerra, e construir na Guarda um forte com casamatas à prova de bomba, fortificou a posição das Talhadas com três redutos e outros entrincheiramentos, pôs o castelo de Vila Velha, que era um montão de pedras, em estado de se defender, levantando flechas e trincheiras, fez algumas obras nos arredores de Sortelha e Celorico, criou um Hospital no Fundão, estabeleceu nesta vila, em Cardigos e Celorico, armazéns para abastecimento das suas posições e com o fim do facilitar as comunicações para Abrantes, uma sofrível estrada, que ficou com o nome do estrada do marquês de Aloma; em paga de tantos e proveitosos serviços, o governa mandou-o servir como imediato do general Dordaz, a quem deu o comando superior da província da Beira. Das medidas então infelizmente adoptadas, resultou a perda de Arronches e Flor da Rosa, e finalmente a vergonhosa paz de Badajoz.

No dia primeiro do dezembro de 1801, o governo nomeou uma grande comissão composta de vários generais, presidida pelo ministro da guerra, D. João de Almeida Melo e Castro, à qual foi incumbido o estudo das nossas instituições militares e das reformas de que elas careciam. O marquês de Alorna não teve entrada nesta comissão, sendo porém impossível deixar do ouvir a sua opinião num assunto em que era tão competente, foi-lhe enviado um aviso, em 17 de abril de 1804, ordenando-lhe que desse o sou voto com individuação sobre o projecto que já estava elaborado, o que fez por escrito declarando o plano proposto incompleto e censurando que se quisesse alterar o que a experiência tinha mostrado bom, só pelo deseja de fazer inovações. Parece que o marquês de Alorna ainda escreveu nessa época a seguinte abra: Observações sobre a memória do general Dumouriez acerca da defesa de Portugal, com o projecto de reorganização do exército no plano de defesa do país. Este trabalho julga-se hoje perdido, porque se não encontra cópia alguma. O marquês de Alorna envolveu-se na conspiração que em 1805 se tramou, para tirar a regência ao príncipe D. João, que se deixava dominar pelo partido francês, o por esse motivo não partiu para a Rio do Janeiro a exercer o cargo do governador para que fora nomeado; mais tarde foi promovido a tenente-general, encarregado do governo das armas do Alentejo, onde estava no ano de 1807. Do seu quartel-general de Vila Viçosa transferiu-se para Elvas quando viu aproximar-se a guerra, tratou de reforçar a guarnição da praça o abastece-la de víveres, ordenou ao tenente-coronel Lecor, seu ajudante de campo, que partisse a colher notícia dos franceses, o que no caso deles terem invadido o nosso território, seguisse para Lisboa a avisar a príncipe, recomendando na passagem aos magistrados que cortassem as pontes e dificultassem por todos os modos a entrada das estrangeiros. O tenente-coronel Lecor, depois do desempenhar a sua missão, voltou a Elvas, com ordem do não pôr obstáculos à marcha das tropas do general Solano, e o marquês de Alorna teve de resignar-se a cumprir as ordens do regente, que abandonava o seu povo, na ocasião do perigo, partindo para o Brasil.

A conquista fora fácil aos franceses, mas para que eles pudessem manter o seu domínio, tornava-se urgente impossibilitar os meios de que os portugueses podiam dispor para recuperar a sua independência; para alcançar esse resultado, Junot, primeiro ajudante de campo do imperador Napoleão, teve a ideia de dissolver o exército e afastar para longe os melhores soldados e os chefes mais conhecidos. Foi daqui que nasceu o licenciamento do exército e organizar-se a Legião Portuguesa em que entraram Gomes Freire de Andrade e Manuel Martins Pamplona, depois conde de Subserra. íntimos amigos do marquês de Alorna, ficando o marquês com o comando geral. A Legião Portuguesa foi, portanto, manifestamente criada por Junot, não só com o fim de recrutar mais alguns soldados para os exércitos franceses, mas também, e era talvez esse o principal fim, de afastar de Portugal, enviando-os ao centro das hostes napoleónicas, os homens mais perigosos, habituados à disciplina militar e a defenderem a bandeira portuguesa, cuja permanência poderia ser fatal aos invasores. O marquês de Alorna saiu de Portugal com as forças do seu comando, na primavera de 1808, acompanhou-as até Burgos onde ficou doente, indo depois encontrá-las em Baiona. Os franceses tomaram todas as precauções para que as notícias desfavoráveis não transpirassem, mas apesar dessas precauções, o marquês de Alorna teve conhecimento da derrota de Dupont, nos campos de Bailén; então chamou ao seu quartel-general os comandantes dos corpos alojados nas proximidades, e propôs-lhes o regresso da legião a Portugal; os comandantes, porém, consideravam grande temeridade a marcha de tão pequena força pelo meio dos exércitos franceses, e o marquês teve de desistir da sua ideia, bem a seu pesar. Napoleão, parecendo adivinhar aquele plano, ordenou que a legião entrasse em França e se aquartelasse em Grenoble. Em quanto as tropas portuguesas estiveram nesta cidade, o comando era exercido pelo general da divisão territorial e pelo inspector, ficando Alorna somente com o título de comandante, sem atribuições algumas, e assim se conservou até março de 1809, em que indo a Paris, teve ordem de seguir para o quartel-general do rei José Bonaparte, onde o detiveram até junho de 1810, sem comando e afastado das tropas. Preparava-se nesta época a terceira invasão contra Portugal, e Napoleão pensou que a presença de alguns generais e fidalgos portugueses no exército poderia facilitar a realização de seu intento; o marquês de Alorna recebeu então ordem de se apresentar em Salamanca ao general Massena, com o qual seguiu para a fronteira e entrou em Portugal. A regência de Lisboa, tendo conhecimento do facto, passou a portaria de 6 de setembro de 1810 exautorando o marquês de Alorna, privando-o de todos os títulos, honras e dignidades. e até do nome de português, oferecendo ao mesmo tempo mil moedas a quem, vivo ou morto, o apresentasse, além do perdão no caso de ser seu cúmplice no crime de traidor à pátria. Seguiu-se depois um processe instaurado no juízo da inconfidência. em que o condenaram à morte em cadafalso alto no cais de Belém, sendo-lhe antes decepadas as mãos, devendo o cadafalso e o corpo serem reduzidos a cinzas e tudo lançado ao mar, concluindo ainda a sentença com a perda dos bens para o fisco, e autorizando qualquer do povo a dar a morte ao réu onde quer que o visse e reconhecesse ser o próprio. Massena, com a derrota de Torres Vedras, voltou para França, indo com ele o marquês de Alorna, que em março de 1812 foi encarregado de inspeccionar as tropas da legião que se preparavam para a campanha da Rússia, seguindo depois com o regimento de cavalaria na retaguarda do exercito francês. Chegando a Lituânia, Napoleão confiou-lhe o governo da praça de Mohilow, e aí se conservou até que o imperador se viu obrigado a recuar. Nas margens do Dniepper foi juntar-se aos restos do grande exercito, e acompanhando a retirada, chegou a Koenigsberg nos últimos dias de dezembro de 1812, já muito doente, falecendo poucos dias depois. Quando se verificou o enterro, já os cossacos estavam muito próximo, por isso se lhe não ponde prestar as honras militares que lhe competiam. Assim exautorado das honras na pátria, e privado da última homenagem a que lhe dava direito a sua graduação, foi enterrado em terra estrangeira o 3.º marquês de Alorna, que podia ter prestado grandes serviços ao seu país, se o governo em 1808 tivesse, como era justo, exigido na convenção de Sintra o regresso da legião a Portugal. Sua irmã, a marquesa de Alorna, trabalhou durante dez anos para reabilitar a sua memória, e só então é que ponde alcançar a sentença, que, atendendo à pressão debaixo da qual o marquês servia no exército imperial e a dificuldade que teria em se evadir, o julgou sem culpa e reconheceu a iniquidade da sentença que o havia considerado traidor à pátria, quando fora a pátria que primeiro dele se esquecera.

O marquês de Alorna casara a 19 de fevereiro de 1782, com D. Henriqueta da Cunha, 1.ª filha dos 6.os condes do S. Vicente. Teve dois filhos: D. João de Almeida, 6.º conde de Assumar por decreto de 15 de maio de 1805, falecido em 27 do setembro do mesmo ano; e D. Miguel de Almeida, 7.º conde de Assumar, por decreto do 24 de junho de 1806, falecido em agosto também do mesmo ano. Foram ambos alferes da Legião de Tropas Ligeiras.

Biografai retirada de Arqnet

domingo, 26 de agosto de 2018

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