segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Biografia - Marino Miguel Franzini

n.      21 de janeiro de 1779.
f.       29 de novembro de 1861.

Do conselho de D. João VI, grã-cruz e comendador da Ordem de Cristo; brigadeiro da extinta Brigada Real de Marinha; encarregado, e depois director do Arquivo Militar, presidente da Comissão da Estatística e Cadastro do Reino; inspector da Cordoaria Nacional, deputado, par do reino, ministro de Estado, vogal do Supremo Conselho de Justiça Militar, sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa, etc. Nasceu em Lisboa a 21 de janeiro de 1779, onde também faleceu a 29 de novembro de 1861. Era filho do professor de Matemática da Universidade de Coimbra, Miguel Franzini (V. o artigo seguinte). 

Seguindo a carreira da marinha levantou durante os cruzeiros cartas hidrográficas, excelentes na opinião dos entendidos, e fez importantes observações. Passou depois ao exército, e quando este foi dissolvido pelo general francês Junot, pouco depois da sua entrada em Portugal, Franzini tinha o posto de major de engenheiros, e era empregado no Arquivo Militar. Junot, organizando a Legião Portuguesa, nomeou-o oficial do estado-maior, conservando a patente de major. A Legião teve ordem de partir para França, e Franzini acompanhou-a, mas conseguiu não chegar a atravessar os, Pirenéus. Depois de tomar parte na defesa de Saragoça, regressou a Portugal, e novamente entrou no serviço da marinha de guerra. Em 1813 publicou uma carta marítima da costa de Portugal, acompanhada dum roteiro circunstanciado, e em 1815 mandou imprimir umas Instruções estatísticas, que em 1814 compilara por ordem do principal Sousa. Em 1816 começou em Lisboa a fazer observações meteorológicas, que foram as primeiras que se fizeram em Portugal, e prosseguindo com dedicação esse trabalho, apresentou à Academia das Ciências os resultados que obtivera, e que a Academia mandou publicar na colecção das suas Memórias. 

Quando em 1820 se tratou de estabelecer o sistema liberal, Franzini trabalhou activamente para que essas ideias triunfassem e sendo eleito deputado ás Cortes constituintes de 1821, publicou umas Reflexões sobre a organização do exército estabelecida em 1816, que dizem ser muito interessantes e dignas de apreço pelos mapas estatísticos que as acompanham. Nomeado inspector da Cordoaria, publicou a conta da receita e despesa desse estabelecimento e dos outros que lhe estavam anexos em 1820; nesse livro compreende também memórias de grande utilidade para a história do estabelecimento. As sessões das Cortes ordinárias de 1822 assistiu igualmente como deputado. Dedicando-se ao estudo das circunstancias financeiras do país, publicou um Ensaio sobre o orçamento da divida publica, receita e despesa do tesouro no ano de 1826. Depois de 1834 ainda foi eleito deputado em varias legislaturas. Em 22 de agosto de 1847 entrou no ministério, encarregando-se da pasta da fazenda, a qual conservou até 18 de dezembro do mesmo anuo. Voltou aos conselhos da Coroa, sendo ministro interino da justiça e fazenda em 1 de maio de 1851, e deixando a pasta da justiça no seguinte dia 22, foi nomeado ministro efectivo da fazenda, cargo em que permaneceu até ao dia 5 de agosto. Apesar dos seus trabalhos parlamentares e do governo, não deixou nunca de se entregar ás suas observações meteorológicas, apresentando à Academia os resultados dessas observações que têm grande valor, porque sobre esse importante assunto nada mais existe em Portugal até à organização do observatório do Infante D. Luís na Escola Politécnica. Ainda em 1856 e 1857 Franzini compôs uns mapas do movimento mesologico de Lisboa, que também são valiosos por se referirem à época em que a capital foi devastada pelas terríveis epidemias da cólera-morbo e da febre-amarela. Em 17 de maio de 1861 foi eleito par do Reino, mas pouco sobreviveu a esta distinção.

Carta marítima da costa de Portugal, composta de três folhas em papel de grande formato, gravadas em Londres por Arowsmith; à qual se ajunta um «Roteiro circunstanciado», que não só descreve a costa com exacção, mas analisa o trabalho da mesma carta, Lisboa, 1813; Instruções estatísticas, compiladas em 1814 por ordem do ex.mo e rev.mo sr. Principal Sousa, Lisboa, 1815; Reflexões sobre o actual regulamento do exercito de Portugal, publicado em 1816; ou análise dos artigos essencialmente defeituosos e nocivos à nação; com o projecto de um plano de organização para o mesmo exercito, ilustrado com mapas da povoação do reino etc., Lisboa, 1820; tem no fim um mapa desdobrável da população; Observações meteorológicas, feitas na cidade. de Lisboa caos asnos de 1816 e 1817, acompanhadas de varias reflexões sobre o estado e aplicação da meteorologia, oferecidas à Academia Real das Ciências, Lisboa, 1818; com 3 estampas; saíram também no tomo V, parte II, da Historia e Memórias da Academia, pág. 91 a 125; Relação da viagem aerostática, feita em Lisboa no dia 14 de março de 1819 por Eugénio Robertson, e dirigida por seu pai Estevão Gaspar Robertson, etc., oferecida à Academia Real das Ciências, Lisboa, 1819; traz o retrato do aeronauta, gravado a buril; Conta da receita e despesa da Cordoaria nacional e real de Lisboa, e dos anexos estabelecimentos de beneficência e reclusão, pertencente ao ano de 1820, Lisboa, 1821; Ensaio sobre o orçamento da divida publica, receita e despesa do Tesouro do reino de Portugal no ano de 1826, e reflexões sobre o déficit e a divida existente, comparada à de outras nações, etc., Lisboa, 1817; Considerações acerca da renda total da nação portuguesa, e ma distribuição por classes, etc., Lisboa, 1813; tinha já sido publicado na Revista Universal Lisbonense; Reflexões acerca dos prejuízos que resultariam ao tesouro, e a seus credores, alterando-se as disposições do decreto de 9 de dezembro de 1847, que fixou o valor das notas do Banco de Lisboa, etc., Lisboa, 1818; Artigo extraído da «Revista Universal Lisbonense», com prévia autorização do seu autor, Lisboa, 1849; é uma carta de Franzini e a reprodução de um antigo que está publicara no Diário do Governo, n.º 7, 1849, acerca da Memória apresentada à Academia Real das Ciências pelo engenheiro Bonnet, sobre explorações científicas feitas no Algarve; Noticia acerca dos trabalhos da Comissão geológica dirigida por mr. Charles Bonnet, nas suas explorações à província do Alentejo em 1849, Lisboa, 1850; também está publicada na Revista Universal, de 21 de fevereiro de 1850, e no Diário do Governo n.º 51, do mesmo ano ; Breves reflexões sobre o folheto do sr. Filipe Folque, que tem por titulo «Trabalhos geodésicos e topográficos do Reino», Lisboa, 1850; Noticias estatísticas sobre a extensão e população de Portugal, e ilhas do Oceano Atlântico; saíram no Almanaque de Lisboa para 1826, pág. 1 a 23 ; Mapa geral da primeira serie de observações feitas em Lisboa, acerca das chuvas que caíram desde o ano de 1816 até julho de 1826; Segunda serie de observações, que começam em março de 1835 e findam em 1855; saíram estes mapas, precedidos de várias considerações sobre o assunto, no Diário do Governo n.º 59, de 11 de Março de 1859 ; Mapa do movimento necrológico de Lisboa e Belém, compreendendo o número de cadáveres sepultados nos três cemitérios, S. João, Prazeres e Ajuda, no ano de 1857; seguido de explicações, notas e observações correlativas; saiu no Diário do Governo, n.º 44, de 22 de Fevereiro de 1858; Observações meteorológicas feitas em Lisboa desde 1822 em diante. Muitas destas observações andam insertas em vários jornais científicos e literários; as concernentes ao ano de 1835 estão no Jornal da Sociedade das Ciências Medicas de Lisboa, a contar do tomo I; as de 1842 na Revista Universal Lisbonense, tomo II; as de Dezembro de 1847 a Julho de 1849, no dito jornal, tomo I da 2.ª série, 1818-1849, começando a pág. 145 por umas Considerações acerca do clima de Lisboa; continuadas no tomo II, 1849-1850. as de Agosto de 1849 a Junho de 1850, etc. Nos Fastos, de Ovídio, tradução de António Feliciano de Castilho, tem uma nota, intitulada A meteorologia e o seu porvir, no tomo III, pág. 578. Escreveu mais: Roteiro das costas de Portugal ou instruções náuticas para inteligência e uso da carta reduzida da mesma costa e dos planos particulares doa seus principais portos; Lisboa, 1812.

Biografia de Marino MiguelFranzini
O Exército português em finais do Antigo Regime

Biografia retirada daqui


sábado, 3 de fevereiro de 2018

Biografia - Agostinho José Freire

n.      28 de agosto de 1780.
f.       4 de novembro de 1836.

Bacharel formado em matemática pela Universidade de Coimbra; ministro e conselheiro de Estado, deputado, par do Reino, major do exército, etc. Nasceu em Évora a 28 de Agosto de 1780; faleceu em Lisboa a 4 de novembro de 1836.

Ainda muito criança veio para Leiria com seu pai, que tinha igual nome, e ali frequentou os primeiros estudos; seguiu depois para Lisboa a estudar humanidades, passando mais tarde a Coimbra, onde cursou a faculdade de Matemática, tomando o grau de bacharel em 1807 ou 1809. Terminados os estudos recolheu-se a casa de seu pai, situada no lugar de Vidais, do distrito de Leiria, mas o vivo desejo de combater pela independência da pátria contra os franceses, o obrigou a alistar-se no regimento de Infantaria n.º 10, a 16 de outubro de 1809, sendo logo promovido a alferes. 

Com este posto tomou parte nalgumas batalhas da Guerra Peninsular, conquistando pela sua bravura a promoção a tenente em junho de 1811. Regressando a Portugal depois de ter assistido ás batalhas de Albuera, Vitoria e Pirenéus, foi promovido a capitão em 1815. Tendo terminado a campanha peninsular, matriculou-se na Academia de Fortificação, onde estudou dois anos, não chegando a concluir o curso, por haver sido nomeado assistente do quartel-mestre general do exército. Em Dezembro de 1820 foi nomeado major, e eleito deputado ás Cortes constituintes pela província da Estremadura. Na sessão preparatória de 24 de janeiro de 1821, foi eleito por cinquenta votos para a comissão, que devia examinar os diplomas dos cinco deputados incumbidos de verificar os poderes e títulos dos outros membros da assembleia; logo nessa primeira reunião manifestou os seus sentimentos liberais, propondo com muito entusiasmo, patriotismo e grande dedicação pela liberdade, que fosse qual fosse a formula do juramento, se lhe acrescentassem as seguintes palavras: «...que nem perigo, nem violência, nem poder algum impediriam que se desse à nação a liberdade que ela reclama, e lhe foi solenemente prometida». Tomou parte muito ativa em todos os trabalhos daquelas cortes, ocupando seguidamente os lugares de secretário, de vice-presidente e de presidente; e não obstante a situação especial em que o colocou a escolha que dele fizera a assembleia, muitas vezes ergueu a sua voz em defesa de princípios, e de ideias de incontestável alcance para a prosperidade da pátria, a que dedicadamente se devota ra. Nem a forma estranha e inexplicável como fora esquecida a sua patriótica proposta acerca do juramento, na primeira sessão preparatória, lhe fez esmorecer o ânimo no desempenho da missão que tinha recebido dos eleitores da província da Estremadura. Apesar de aprovado pelo congresso o referido aditamento, a comissão incumbida de redigir a fórmula do juramento, pusera de parte a proposta de Agostinho José Freire, que sofreu por isso a primeira decepção na sua vida parlamentar. Na sessão de 7 de fevereiro de 1821 propôs a maneira de serem remunerados e honrosamente despedidos do serviço de Portugal, os oficiais ingleses. A 15 do mesmo mês defendeu com energia, num eloquente discurso, a liberdade da imprensa. Foram numerosas as leis e disposições em que Agostinho José Freire colaborou, sendo membro das memoráveis cortes de 1821, não deixando de comparecer a todas as sessões, e tomando parte distinta nos debates. Para as cortes de 1822 foi reeleito por Leiria e Lisboa, continuando na câmara a sua gloriosa carreira parlamentar. 

Em consequência dos acontecimentos políticos, que ficaram conhecidos pelo nome de Vilafrancada, viu-se obrigado a embarcar a 15 de junho de 1822 com destino a Jersey, donde passou a Paris, percorrendo depois algumas províncias de França, Alemanha, Suíça e Inglaterra. Voltou a Portugal em seguida ao juramento da Carta Constitucional e foi reintegrado no posto de major de engenheiros, corpo para que havia sido transferido em maio de 1821, sendo então mandado servir como ajudante de ordens e depois como chefe do estado-maior do marquês de Angeja. Servindo em toda a campanha contra o marquês de Chaves, voltou a Lisboa quando faleceu o general com quem servia, e foi então encarregado de organizar um plano de defesa do sul do Tejo, sendo ao mesmo tempo nomeado para tomar parte na junta incumbida de formular a ordenança de infantaria. Apenas o infante D. Miguel desembarcou em terra portuguesa, o valente militar da guerra da península saiu do reino, e foi reunir-se a D. Pedro IV em Belle-Isle, partindo dali com o imperador para os Açores, e ao desembarcar em Angra do Heroísmo, logo D. Pedro o nomeou ministro da Guerra e interino da Marinha. Depois de haver prestado serviços importantíssimos para a organização do exército liberal e para os aprestos da esquadra que o devia transportar ao reino, acompanhou a expedição que veio desembarcar nas praias do Mindelo; o político tornou a ser soldado, distinguindo-se em várias acções nas linhas do Porto, especialmente no dia 29 de setembro de 1832. 

Durante toda a luta continuou no cargo de ministro da Guerra, trabalhando activamente em prestar elementos de defesa para a causa da rainha D. Maria II, e ainda depois de terminada a guerra civil, foi em 27 de março de 1834 encarregado de ir ao quartel general tomar as disposições convenientes para a pacificação geral do Reino, e evitar os sérios acontecimentos que alguns mais exaltados queriam realizar. Em 24 de julho desse ano foi nomeado conselheiro de Estado, e sendo eleito deputado pelas províncias da Estremadura e do Minho, apresentou nas cortes, como ministro, um desenvolvido relatório, que constitui um documento valioso e muito interessante para a história da guerra civil. Tem por título: Relatório do ministério dos negócios da Guerra, Lisboa, 1834 com 16 mapas, É da administração desde 3 de março de 1832 nas ilhas dos Açores, até 4 de setembro de 1834. Em 24 de setembro deixou a pasta da guerra para se encarregar da marinha, e em 15 de fevereiro de 1835 passou para o ministério do Reino, conservando-se neste lugar até 27 de maio em que o gabinete foi demitido. 

Além dos serviços distintos que prestou no ministério da marinha, desenvolvendo a mesma actividade que manifestara no da guerra, adoptou como ministro do reino medidas dignas de menção. Elaborou as instruções para a organização dos estatutos da Academia das Belas Artes, criou o conselho de Beneficência, introduziu melhoramentos na Biblioteca Pública, na Casa Pia, etc. Quando se demitiu o ministério, foi recolher-se no Real Colégio Militar, do qual fora nomeado director em 15 de fevereiro de 1834. Também procedeu a grandes melhoramentos neste estabelecimento de educação militar. Sendo elevado ao pariato, tornou novamente a encarregar-se da pasta do reino em 20 de abril de 1836. A revolução de setembro desse ano obrigou-o a pedir a demissão e a adotar o propósito de se recolher à vida particular, abandonando completamente a política, mas na manhã de 4 de novembro do referido ano de 1836, a rainha o mandou chamar ao paço de Belém, e quando para ali se dirigia, alguns soldados da Guarda Nacional postados na calçada da PampuIha, o assassinaram. Assim terminou a existência, vítima da revolução que se denominou Belenzada, um dos homens mais notáveis nas campanhas da liberdade, um estadista que tantos serviços prestara.

Biografia retirada daqui


quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

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Biografia - Anselmo Braamcamp Freire

n.      1 de fevereiro de 1849.
f.       [ 21 de dezembro de 1921 ].

Moço fidalgo com exercício na Casa Real, por sucessão a seus maiores, proprietário, arqueólogo e genealogista, par do Reino, escritor, etc. Nasceu em 1 de fevereiro de 1849. 

É filho do 1.º barão de Almeirim, Manuel Nunes Freire da Rocha, fidalgo cavaleiro da Casa Real, cavaleiro professo da Ordem de Cristo, casado com D. Luísa Maria Joana Braamcamp; irmão do barão de Almeirim, o Sr. Manuel Braamcamp Freire, é sobrinho, por lado de sua mãe, do falecido estadista Anselmo José Braamcamp. Está aparentado com as casas Ficalho, Mafra, Sobral, etc. Foi feito par do Reino em 25 de maio de 1887. Casou em 6 de fevereiro de 1869 com sua segunda prima, D. Maria Luísa da Cunha Meneses, filha de Manuel da Cunha Meneses, moço fidalgo com exercício na Casa Real, cavaleiro da Ordem Soberana de S. João de Jerusalém, e da Ordem militar de S. Fernando, de Espanha, capitão de infantaria, filho dos 4.os condes de Lumiares, e de sua mulher, D. Constança de Saldanha e Castro Ribafria, viúva do 5.º conde de Lumiares. 

São bem conhecidas as suas obras: Brasões da sala de Sintra, 2 vols., Lisboa, 1899; As sepulturas do Espinheiro, Lisboa, 1901; O Conde de Vila Franca e a Inquisição, Lisboa, 1899; Índice do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende e Autos de Gil Vicente, divididos em duas partes distintas, de colaboração com o actual sr. visconde de Castilho. Estas obras tiveram tiragem muito resumida, sendo os exemplares distribuídos por seus amigos. No Jornal do Comércio tem publicado vários trabalhos, mais ou menos extensos e completos. A empresa a que mais se dedicou ultimamente é a publicação do Arquivo Histórico Português, de que foi um dos fundadores, em 1903, e de que tem sido um dos colaboradores mais importantes. Nele se encontram artigos dignos de menção, tais como: O almirantado da Índia (data da sua criação); Cartas de quitação de el-rei D. Manuel, As conspirações no reinado de D. João II, Auto do Conselho havido no Espinheiro em 1477; O livro das tenças de el-rei; A Chancelaria de D. João II; Inventário da guarda-roupa de D. Manuel; A Chancelaria de D. Afonso V; Povoação de Entre e Minho Douro no século XVI, etc. Dalguns destes trabalhos tem-se feito uma separata.

Biografia retirada daqui

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Biografia - Bernardim Freire de Andrade

n: 18 de Fevereiro de 1759 em Lisboa (Portugal)
m: 17 de Março de 1809 em Braga (Portugal)

Filho de Fernando Martins Freire de Andrade e Castro, senhor dos morgados de Ribeira do Sado e do Bom Despacho, e de Joana de Lencastre Forjaz. Alistou-se no exército e entrou como cadete no Regimento de Infantaria de Peniche, que fazia parte da guarnição de Lisboa, depois de ter frequentado o Colégio dos Nobres.
Em 1782 foi promovido a Alferes na 5.ª companhia do Regimento, companhia onde se manteve até ser promovido a Major. Em 1793 foi com o seu regimento para a Catalunha, integrado na Divisão Auxiliar que ajudou o exército espanhol na guerra contra a República francesa.

Em 1794, durante a campanha, foi promovido a Coronel do seu regimento, tendo sido ferido no ataque à posição de Madalena. Com o fim da campanha, devido à paz de Basileia, entre a Espanha e a França revolucionária, e subsquente regresso a casa foi promovido ao posto de brigadeiro.

Em 1800 foi nomeado governador e capitão-general da capitania de São Paulo, no Brasil. Não embarcou devido aos preparativos de guerra contra a Espanha, o que veio a acontecer em Maio de 1801. Foi nomeado comandante da brigada de granadeiros e caçadores do exército do Alentejo, tendo participado no combate de Arronches, conseguindo salvar as tropas do comando de Carcome Lobo de serem totalmente destruídas.

A seguir à guerra, participou em diversas comissões, no âmbito das reformas do exército postas em prática a partir de 1803. Em 1807 foi  promovido a marechal de campo, e nomeado Governador das Armas da região militar, com sede no Porto, conhecida por "Partido do Porto". Cargo que não tomou posse imediatamente devido à ocupação do país pelo exército francês do comando de Junot.

A revolta do Verão de 1808 contra o exército francês, despoletada em Madrid, no célebre dia 2 de Maio de 1808, e que de Espanha se propagou a Portugal, encontrou-o em Coimbra, para onde se tinha retirado em finais de 1807, juntando-se aí ao seu primo direito, D. Miguel Pereira Forjaz, futuro secretário da Regência. Dirigiu-se para o Porto para ocupar o posto para que tinha sido nomeado em 1807, e organizou com D. Miguel, e com as poucas forças e armas que existiam, um pequeno exército, que com o nome de «exército de operações da Estremadura» se dirigiu para Coimbra, onde chegou a 5 de Agosto, tendo apoiado sempre o flanco esquerdo do exército britânico, do comando do general Wellesley, o futuro duque de Wellington.

As decisões militares e políticas de Bernardim Freire de Andrade, sobretudo a de não juntar a sua força à do exército britânico, são a posteriori controversas, mas ainda hoje difíceis de analisar. A verdade, é que a sua acção em conjunção com a força comandada pelo general Bacelar, teve como consequência o impossibilitar a junção do corpo de tropas do general Loison ao do general Delaborde, o que permitiu aos britânicos só encontrarem as tropas do último na Roliça, e terem tempo, de receber os reforços que irão ser tão necessários para a derrota do exército francês de Junot, no Vimeiro, em 21 de Agosto.

Após a assinatura da Convenção de evacuação do exército francês de Portugal, a que se opôs, regressou ao Porto onde tomou o comando das forças militares do Porto e do Minho, que se preparavam para a defesa de Portugal, e a dar apoio às forças espanholas na expulsão dos franceses de toda a Península.

Fonte: 
António Pedro Vicente, 
«Um Soldado da Guerra Peninsular - 
Bernardim Freire de Andrade e Castro», 
Boletim do Arquivo Histórico Militar, 40.º volume (1970), 
pags. 201-576

Biografia retirada daqui

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Biografia - D.José Trazimundo Mascarenhas Barreto, 5.º marquês de Alorna, 8.º conde da Torre e 7.º marquês de Fronteira

n.      11 de janeiro de 1802.
f.       19 de fevereiro de 1881.

Vedor honorário da Casa Real, par do reino; 7.º senhor de Fronteira, 8.º senhor dos morgados da Torre da Vargem, senhor de Coculim e Verodá, na Índia; 15.º senhor da quinta das Chantas, no termo de Santarém; 13.º senhor da quinta da Goncharia, em Almeirim; donatário na mordomia-mor de Faro; marechal de campo reformado; grã-cruz da Ordem de Cristo; comendador na mesma ordem, das comendas de Santa Cristina, de Afife, de N. Sr.ª da Conceição, de Rosmaninhal; de S. Miguel, de Linhares; de S. Nicolau, de Carrazedo de Monte Negro; de S. Tiago de Fonte Arcada; de S. Tiago de Torres Vedras. Grã-cruz da Ordem da Torre e Espada, oficial e cavaleiro da mesma ordem; grã-cruz das ordens de Carlos II de Espanha; da Águia Vermelha da Prússia; de S. Gregório Magno de Roma; de Alberto o Valoroso da Saxónia; de S. Maurício e S. Lázaro de Itália e da Rosa do Brasil; condecorado com a medalha das campanhas da Liberdade, algarismo 9, e com as medalhas por Bons Serviços, Valor Militar e Comportamento Exemplar.

Nasceu em Lisboa a 11 de janeiro de 1802, e faleceu na sua quinta de Benfica, a 19 de fevereiro de 1881. Era filho de D. João José Mascarenhas Barreto, 6.º marquês de Fronteira, e de sua mulher, D. Leonor Benedita de Oyenhausen e Almeida. 

Mal conheceu seu pai, que faleceu em 1806, e herdou todos os bens da casa; o príncipe regente D. João o agraciou com os títulos e bens da Coroa, de que os seus antepassados gozavam, em portaria de 17 de maio de 1811, e suplementos de 24 de setembro de 1814 e 26 de abril de 1815. Assentou praça de cadete a 8 de maio de 1818, tendo dezasseis anos, na primeira companhia de Granadeiros do Regimento de Infantaria n.º 4, sendo promovido a alferes do regimento n.º 1 da mesma arma em 10 de dezembro de 1820. Em 14 de fevereiro de 1821 casou com D. Maria Constança da Câmara, dama da Ordem de Santa Isabel, mais tarde, dama de honor das rainhas D. Maria II, D. Estefânia e D. Maria Pia; era filha de D. Luís Gonçalves da Câmara Coutinho Pereira de Sande, 11.o senhor das Ilhas Desertas, de Regalados, e do morgado da Taipa; alcaide-mor de Torres Vedras, casado com D. Maria de Noronha, filha dos 7.os, condes dos Arcos. 

Em 1820, o chefe da revolução liberal, o general Sepúlveda, o nomeou seu ajudante de campo, conservando-o no seu estado-maior até à queda do governo constitucional. Não querendo anuir ao movimento da Vilafrancada em maio de 1823, foi colocado no 7.° Regimento de Cavalaria, de guarnição em Torres Novas. Voltou depois a Lisboa, e foi mandado servir no regimento n.º 4 da mesma arma, poucas semanas antes da revolta de 30 de abril de 1821. Esteve então preso na torre de Belém, e depois na praça de Peniche, correndo os mais sérios perigos de vida, pois esteve quase a ser fuzilado. Saindo da prisão obteve licença para sair do reino, e em companhia de sua mulher percorreu parte da Europa, regressando à pátria depois de ser outorgada a Carta Constitucional em 1826. Foi eleito par do Reino, por carta régia de 30 de abril deste ano, não tomando logo posse, por estar ainda na menoridade, que então se contava de vinte e cinco anos. 

Começando as lutas do partido do infante D. Miguel, o general conde de Vila Flor tomou o comando das armas da província do Alentejo nos fins de Novembro do referido ano de 1826, e nomeou o marquês de Fronteira seu ajudante de campo. Tomou parte no combate de Arronches, e foi recomendado pelo seu comportamento nesta acção, sendo ele o portador da participação do combate à, regente, a infanta D. Isabel Maria. O conde de Vila Flor passou ás províncias da Beira, Trás-os-Montes e Minho, conservando sempre o marquês ás suas ordens. Nesta qualidade esteve na batalha de Coruche, e nos combates de Ponte da Barca e do Prado. Tendo em 9 de janeiro de 1827 deposto as armas os corpos rebeldes, findou a campanha, conservando-se o marquês no quartel general do conde de Vila Flor, que teve a nomeação de governador das armas do partido do Porto, e nele igualmente se conservou, quando aquele general comandou a força armada de Lisboa. Em julho de 1827 houve tumultos sérios na capital, com o fim de obrigar a regente a nomear um ministério que fosse presidido por Saldanha. Aos miguelistas convinha acusar de cumplicidade nestes tumultos pessoas importantes pela sua hierarquia social, e por isso o intendente da polícia recebeu varias denúncias em que se acusava o marquês de Fronteira de ter empenhado os seus esforços na direcção daqueles movimentos. A esta revolução se ficou chamando a Archotada. Na sessão da Câmara dos Pares de 5 de fevereiro de 1828 prestou juramento e tomou posse o marquês de Fronteira, e logo o ministério público remeteu à câmara um processo em que o novo par estava pronunciado como cabeça de motim. Em 22 de fevereiro seguinte ficou absolvido, quando o infante D. Miguel chegou a Lisboa. Constando-lhe que pretendiam prendê-lo, apesar de ter sido absolvido, emigrou para Inglaterra, passando depois a Paris. Tendo adoecido nessa cidade, não tomou parte na conhecida tentativa do vapor Belfast, onde vieram à costa do Porto, Saldanha, Palmela e o conde de Vila Flor, mas o governo de D. Miguel, acreditando que ele fora um dos da expedição, mandou-o processar com os outros, e sequestrou lhe os bens. Sabendo, porém, mais tarde que o marquês estava doente em Paris mandou suspender o processo e levantar o sequestro. O marquês declarou então no Journal des Debats, que se não tinha tomado parte na expedição de Belfast, fora por motivo da doença, e que não reconhecia outra rainha senão D. Maria II. Esta declaração valeu-lhe um novo sequestro, ficando privado de todos os seus bens até à entrada do exército libertador na capital. 

Assim que o ordenaram, reuniu-se ás forças que sustentavam a dinastia e a Carta nos Açores. Partiu para a ilha Terceira, e continuou no lugar de ajudante de campo do general conde de Vila Flor; desembarcou com ele nas praias do Mindelo, a 8 de julho de 1832, e às suas ordens entrou na batalha de Ponte Ferreira, a 23 de julho, em que foi graduado no posto de capitão; e quando se reformou a ordem da Torre e Espada, foi condecorado com a medalha de cavaleiro, com a data do dia da batalha. Assistiu também ao combate de Souto Redondo, e todo o tempo que o conde de Vila FIor comandou o exército liberal durante o cerco do Porto, esteve seu ajudante de campo. Quando D. Pedro IV assumiu o comando em chefe, nomeou o seu oficial ás ordens. Tomando o conde de Vila Flor o comando da ala direita das linhas do Porto e da 1.ª divisão do Exército, o marquês voltou ao seu quartel-general. Foi também recomendado pela sua conduta no combate das Antas. Acompanhou o general, já, então duque da Terceira, na expedição do Algarve, fez a campanha desta província e a do Alentejo, esteve na batalha de Cacilhas, continuando sempre ás ordens daquele general durante os sítios de Lisboa e de Santarém, e acompanhou-o depois ao norte do país. Assistiu à entrada de Coimbra e à batalha de Asseiceira, onde recebeu o grau de oficial da Torre e Espada. Estava em Evoramonte quando se deu a convenção em 27 de maio de 1834, e o duque da Terceira lhe deu ordem de acompanhar o general Lemos aos postos avançados do exercito de D. Miguel, sendo em seguida mandado como parlamentar à praça de Elvas comunicar ao governador o resultado da convenção, e intimá-lo a render-se. 

Terminada a campanha da Liberdade, o marquês de Fronteira foi colocado no Regimento de Lanceiros n.º 1, que se organizou naquela época, sendo nomeado comandante do 3.º esquadrão. Convocadas as cortes foi um dos 13 pares, que, guardando com a devida honra o seu juramento à Carta e à dinastia, instalaram novamente a referida câmara. A revolução de 8 de setembro de 1836 suprimiu a câmara, e em 1837 instaurou-se o Congresso Constituinte, em que o marquês de Fronteira foi eleito deputado por Lisboa. Depois de votada a nova constituição de 1838, foi também deputado, eleito por Bragança. Em 1840 organizou o 2.° Batalhão do Comércio, mas teve de abandonar o comando para acompanhar o duque da Terceira ás províncias do Norte. Em 1842 restabeleceu-se a Câmara dos Pares, e nesse ano, comandando o duque da Terceira a 1.ª Divisão Militar, realizou-se no Porto a restauração da Carta, e a Junta que a proclamara, marchou sobre Coimbra; a rainha ordenou então ao marquês de Fronteira o desempenho da comissão espinhosa de ir ao encontro da junta e das forças da província do Norte, comandadas pelo barão de Santa Maria, e no regresso à capital foi elogiado pelo ministro da Guerra, José Jorge Loureiro pela forma como se houvera no cumprimento daquela comissão. Em 1846 rebentou a revolução chamada da Maria da Fonte, e o marquês de Fronteira foi nomeado governador civil de Lisboa, cargo que exerceu, com uma pequena interrupção, até 1851. Nesta época foi encarregado pelo primeiro-ministro, o general Saldanha, de organizar os corpos de voluntários nacionais da capital, e de tomar o comando geral desses corpos. Antes da batalha de Torres Vedras em 23 de dezembro de 1846, estando Lisboa ameaçada pelas forças da Junta do Porto, ocupou as linhas da capital com os ditos corpos, merecendo elogios do governo pelo bom serviço que fizera. Em 1847 foi elevado a grã-cruz da Ordem da Torre e Espada. Conservou o comando dos corpos nacionais e o cargo de governador civil até 1851, como dissemos, ano em que rebentou a revolta conhecida pela Regeneração, tendo ele empregado todos os meios de que podia dispor, para evitar que a revolta triunfasse na capital. Saldanha foi nomeado presidente do Conselho de Ministros, e o marquês entendeu na sua dignidade demitir-se dos cargos que exercia. Saiu brigadeiro por antiguidade, em 10 de julho de 1851, e não lhe convindo ficar por mais tempo no serviço efectivo, pediu e obteve a reforma no posto de marechal de campo, reforma, que lhe foi melhorada por um decreto honroso, em 11 de maio de 1869, pelo ministério Sá da Bandeira. 

Por ocasião do casamento de D. Pedro V, em maio de 1858, foi nomeado mordomo-mor da Casa da Rainha D. Estefânia, cargo que exerceu até ao falecimento daquela virtuosa senhora, sucedido em Julho de 1859. Quando faleceu D. Pedro V e o infante D. João, em 1861, o duque de Saldanha, que era o mordomo-mor da Casa Real, adoeceu, e o marquês de Fronteira foi substitui-lo nesse elevado cargo. No casamento de D. Luís I, em 1862, foi nomeado mordomo-mor da Casa da Rainha senhora D. Maria Pia. Alguns anos depois, por motivos particulares, pediu a demissão, que lhe foi concedida. 

O marquês de Fronteira era neto pelo lado de sua mãe, da grande poetisa, marquesa de Alorna (V. este título). O titulo de marquês de Alorna foi-lhe dado em 22 de outubro de 1839, ficando desde então reunido ao de Fronteira, que lhe* foi renovado em Julho de 1844. Diz-se que deixou manuscritas algumas memórias valiosas. Do seu matrimónio houve uma única filha e herdeira, D. Maria Mascarenhas, que nasceu a 27 de maio de 1823, e casou com Pedro João de Morais Sarmento, elevado pelo seu casamento a conde da Torre, e depois a marquês de Fronteira (V. o artigo seguinte). O ilustre fidalgo assistiu em França à coroação de Carlos X e a todas as festas que por essa época se realizaram nas Tulherias. Tinha verdadeira paixão pelas artes, e em Roma viveu na convivência do nosso pintor Sequeira.

Nota:
Publicadas por Ernesto de Campos de Andrada em 1926 com o título Memórias do Marquês de Fronteira e d'Alorna, D. José Trazimundo Mascarenhas Barreto, ditadas por ele próprio em 1861 e publicadas em Coimbra pela Imprensa da Universidade.

Biografia retirada daqui




sábado, 27 de janeiro de 2018

Biografia - José César Ferreira Gil

General, historiador militar e comandante da 3.ª expedição a Moçambique, em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial.

Nasceu na Celorico da Beira em 1 de Novembro de 1858;
morreu em 15 de Agosto de 1922.

Frequentou a Escola do Exército (a Academia Militar) de 1876 a 1878, sendo promovido a alferes efectivo e, Outubro de 1881. Em 1899 foi colocado na Escola Prática de Infantaria, em Mafra, sendo o comandante da Companhia Normal de Instrução, a unidade que servia para experimentar, estudar e normalizar os regulamentos. Pouco tempo depois voltou à Escola do Exército como comandante da companhia de alunos. Promovido a major foi nomeado 2.º comandante da Escola Prática de Infantaria. Em 1905 passou a professor do Colégio Militar. Republicano desde cedo, foi promovido a coronel em 1911, sendo transferido para o comando do regimento de infantaria n.º 29, aquartelado em Braga.

Tendo subjugado um motim desencadeado no seu regimento, durante o qual foi ferido, recebeu a medalha de prata de valor militar, sendo nomeado director do Colégio Militar. Promovido a general em 1915, foi escolhido para comandar a maior expedição militar enviada para as colónias africanas no decurso da Primeira Guerra Mundial, para a qual, como escreveu, não se achava verdadeiramente preparado. 

A expedição acabou de sair de Lisboa em 3 de Junho de 1916, chegando a Palma, no Norte de Moçambique, entre 3 e 5 de Julho. Em 19 de Setembro, dirigiu a invasão da «África Oriental Alemã», a colónia germânica a Norte de Moçambique - a actual Tanzânia -, sem sucesso, provocando a subsequente invasão alemã da colónia portuguesa. Em 10 de Outubro de 1916 regressou a Portugal, oficialmente doente, sendo substituído no comando das forças pelo governador-geral de Moçambique, Álvaro de Castro. Com o regresso a Portugal, e após o seu restabelecimento, foi colocado na Secretaria da Guerra, sendo director da 1.ª Direcção Geral quando morreu.

Escritor militar colaborou na Revista de Infantaria e na Revista Militar com artigos técnicos e de história. Escreveu A Infantaria Portuguesa na Guerra da Península, obra que saiu durante as comemorações do centenário da Guerra Peninsular.

Fonte: 
Enciclopédia Portuguesa e Brasileira de Cultura

Biografia retirada daqui

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Biografia - D.Pedro José Vito de Meneses Coutinho

Meneses Coutinho, Dom Pedro José Vito
6.º marquês de Marialva, 8.º conde de Cantanhede

n:  
m: 22 de Novembro de 1823 (Paris, França)

Filho do 5.º marquês de Marialva, entrou para o exército como cadete em Outubro de 1786, no regimento de cavalaria de que o seu pai foi coronel de 1777 até finais de 1796.
A sua carreira foi progredindo no regimento de cavalaria de Alcântara, tendo saído do regimento quando foi nomeado, em 1796, ajudante de ordens (ajudante de campo) do Duque de Lafões, ao mesmo tempo que o seu pai era nomeado Ajudante General do Exército

Em 1801, com a preparação do Exército português para a Guerra com a Espanha e a França, foi promovido a coronel e comandante do Regimento de Cavalaria de Mecklemburgo. Comandou o regimento quando este saiu de Lisboa, dirigindo-se com parte da guarnição de Lisboa, e a Brigada de Emigrados franceses a soldo da Grã-Bretanha, em reforço do exército do Alentejo que recuava para o Gavião, perto de Abrantes.

Tendo participado na Junta que reformou os artigos de guerra do tempo do conde de Lippe, e que formavam o Código Penal militar, foi em Setembro de 1802 nomeado Director do Arquivo Militar para a conservação das Cartas militares, geográficas e marítimas, função que manteve até à chegada do exército francês de ocupação, comandado por Junot.

Fez parte da delegação enviada a França por Junot para cumprimentar Napoleão e sofreu por isso as vicissitudes por que esta passou.

Em 1814, foi encarregue de cumprimentar Luís XVIII, quando este regressou a França, enquanto embaixador extraordinário. Manteve-se como embaixador em Paris, tendo também negociado o casamento da arquiduquesa Maria Leopoldina com o príncipe D. Pedro.

Morreu em Paris quando regressava ao seu posto de embaixador, solteiro e sem descendência.

Informação retirada daqui

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Biografia - Luís Augusto Ferreira Martins

Sub-chefe do Estado Maior do Corpo Expedicionário Português em França.
Nasceu em Lisboa, a 7 de Abril de 1875;
morreu em  Algés em 26 de Junho de 1967.

Tendo frequentado o Colégio Militar, ingressou na Escola Politécnica de Lisboa, onde se preparou para entrar na Escola do Exército, tendo concluído o curso de Artilharia em 1895, tendo tirado também o de Estado-Maior. Em 1897 participou na campanha de Moçambique  que continuou o trabalho de Mouzinho de Albuquerque realizado de 1895-97, tendo regressado a Portugal em 1898.

Em 1906 passou para o Estado-Maior do Exército, sendo enviado às manobras do exército suíço, em 1912. Foi chefe da repartição de gabinete do Ministério da Guerra, de 1913 a 1914, durante a administração do general Pereira Bastos, ministro da guerra do 5.º governo constitucional, dirigido por Afonso Costa, sendo nomeado sub-chefe do estado-maior do Corpo Expedicionário Português enviado para a Flandres, no Norte de França, em 1917, durante a Primeira Guerra Mundial. Com o fim da guerra voltou a Portugal, sendo nomeado chefe do estado-maior do Campo Entrincheirado de Lisboa. Mais tarde, comandou o regimento de infantaria n.º 5, e a seguir, de 1929 a 1933, a Escola Central de Oficiais. Entretanto, em 1924, tinha feito parte da Comissão de Estudo da Organização do Exército Colonial. Escolhido para general foi promovido a esse posto em 1930, tendo servido de 1936 a 1940 como administrador geral do Exército, sendo a partir de 1938 também vogal do Conselho Superior do Exército.

Escritor sobre assuntos militares, escreveu, entre muitas outras obras:
Jogo de Guerra simplificado, em 1911;
Portugal na Grande Guerra, em 1935, obra colectiva que dirigiu;
O poder militar da Grã-Bretanha e a aliança anglo-lusa, em 1939.

Fonte:
Enciclopédia Portuguesa e Brasileira de Cultura

domingo, 21 de janeiro de 2018

Biografia - Francisco da Cunha de Mendonça e Meneses

n: 26 de Abril de 1761 (Portugal)
m: 7 de Abril de 1821 (Portugal)

Entrou para o Exército como cadete, tendo sido promovido a alferes,  em Maio de 1782, no Regimento de Infantaria do Marquês das Minas, tendo sucedido na Casa dos Cunhas, em 1777. Em Setembro de 1786  foi promovido a capitão. Em 1793 foi nomeado coronel do Regimento de Cascais, sendo desde 1789 monteiro-mor do Reino e, tendo o regimento integrado a Divisão Auxiliar que foi apoiar o exército espanhol na guerra contra a República francesa, partiu para a Catalunha com o seu Regimento, comandando-o durante toda a campanha do Rossilhão, de 1793 a 1795. 

Foi incluído na promoção que premiou os serviços prestados durante aquela expedição a Espanha, sendo graduado em marechal de campo.

Em 1797 foi nomeado capitão-general e governador das Armas do Algarve. Na Guerra de 1801 defendeu o Algarve de uma tentativa de invasão espanhola, o que lhe valeu o título de Conde de Castro Marim, dado por decreto de 14 de Novembro de 1802. Título outorgado a premiar não um grande feito de armas, mas o único feito de armas da Guerra de 1801, na Europa.

Em 1807, com a ida da corte para o Brasil, foi nomeado presidente do Senado da Câmara de Lisboa, e governador do Reino suplente, tendo regressado ao Algarve, quando Junot assumiu o governo de Portugal em nome de Napoleão. A revolta de Junho de 1808 encontrou-o em Tavira, tendo assumido o Governo da Junta Governativa. Comandou a força militar que se dirigiu para Évora e Alcácer do Sal e que, no momento em que foi assinada a Convenção de Sintra, se achava nas imediações de Palmela. Por ter sido a revolta do Algarve a primeira de que se teve notícia no Brasil, devido a uma embarcação de pesca de Olhão ter conseguido atravessar o Atlântico chegando ao Rio de Janeiro, foi feito marquês de Olhão em 21 de Dezembro de 1808.

Foi escolhido para integrar a nova Regência, em substituição dos que, por terem colaborado com o regime napoleónico, não integraram o governo instituído após a evacuação de Lisboa pelos franceses. Até 1820, exerceu o cargo de governador do Reino e de membro do Conselho de Guerra.

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sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Biografia - Dom Miguel Pereira Forjaz

n: 1 de Novembro de 1769 (Portugal)
m: 6 de Novembro de 1827 (Portugal)

Entrou para o exército em 1785, como cadete no Regimento de Peniche onde encontrou muitos membros da sua família. Foi promovido a alferes em 1787, e serviu no estado-maior do conde de Oeynhausen, inspector-geral da Infantaria, estando com ele no campo da Porcalhota em 1790. 

Foi promovido a capitão em 1791, e a major («sargento-mor») em 1793, sendo nomeado ajudante de ordens do general Forbes, comandante da divisão portuguesa que foi combater no Rossilhão e na Catalunha. Já com o posto de coronel, foi em Março de 1800 nomeado governador e capitão-general do Pará, mas não chegou a partir para o Brasil, e na campanha do ano seguinte, no Alentejo, exerceu o cargo de quartel-mestre-general (chefe de estado maior) do general Forbes. Em 1806 foi elevado a brigadeiro, e encarregado da inspecção-geral das milícias. Quando a família real saiu de Portugal para o Brasil, em 1807, foi  nomeado secretário suplente do governo, quando fosse necessário de substituir o conde de Sampaio. 

Quando Junot assumiu o governo do país, retirou-se para a província. Estava em Coimbra quando começou a revolta contra a ocupação francesa e dirigiu-se para o Porto, onde começou a reorganizar o exército, sob as ordens do seu primo Bernardim Freire de Andrade. Acompanhou-o como ajudante general do exército do Norte na sua marcha do Porto para Lisboa, tendo sido nomeado, depois da convenção de Sintra, secretário da regência sendo encarregado da pasta dos negócios da guerra e estrangeiros. Neste cargo reorganizou o exército, de acordo com as propostas de 1803, que tinham sido vagarosamente implementadas até 1807. A criação dos batalhões de caçadores é uma das suas iniciativas, de acordo com as propostas de 1803.  Apoiou Beresford, de uma maneira cada vez mais crítica, na adaptação do exército português ao serviço de campanha do exército britânico.

Em 1815 opôs-se, com êxito, ao envio de uma divisão portuguesa para os Países-Baixos para combater Napoleão Bonaparte, no período dos Cem Dias.

Deixou o seu lugar na regência devido à revolução de 1820, afastando-se dos negócios públicos. 

Em 1808 tinha sido promovido a marechal de campo, e em 1812 a tenente general. Por decreto de 13 de Maio de 1820 recebeu o título de conde da Feira, e em 1826 foi eleito par do reino, por ocasião da outorga da Carta Constitucional por D. Pedro IV.

Informação retirada daqui

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Biografia - D.Miguel Pereira Forjaz, conde da Feira

n.       1 de novembro de 1769.
f.        6 de novembro de 1827.

Tenente general, etc. Nasceu em 1 de novembro de 1769, faleceu a 6 de novembro de 1827. Era filho de D. Diogo Pereira Forjaz Coutinho Barreto de Sá e Resende, que foi coronel de cavalaria, governador e capitão-general da ilha da Madeira.

Alistando-se D. Miguel Pereira Forjaz no exército, foi logo despachado alferes, e serviu no estado-maior do conde de Oeynhausen, e com ele esteve no campo da Porcalhota em 1790. Foi promovido a capitão em 1791 e a sargento-mor em 1793, sendo nomeado ajudante de ordens do general Forbes, comandante da divisão portuguesa, que foi combater no Rossilhão e na Catalunha. Já com o posto de coronel, foi em março de 1800 nomeado governador e capitão-general do Pará, mas não chegou a partir para o Brasil, e na campanha do ano seguinte exerceu o cargo de quartel-mestre-general do general Forbes. 
Em 1806 foi elevado a brigadeiro, e encarregado da inspecção-geral das Milícias do reino. Quando a família real saiu de Portugal para o Brasil em 1807, teve a nomeação de secretário do governo no impedimento do conde de Sampaio. Tendo acompanhado como ajudante-general de Bernardim Freire o exército por ele comandado na sua marcha do Porto para Lisboa, foi nomeado, depois da convenção de Sintra, secretário da regência e encarregado da pasta dos negócios da guerra e estrangeiros. Neste cargo prestou relevantes serviços ao país, cooperando eficazmente para a organização da nossa força militar e contribuindo poderosamente para que o general Beresford tivesse à sua disposição os elementos com que se opôs aos soldados de Napoleão, e com que, expulsando-os do território português, levou triunfante a nossa bandeira até além dos Pirenéus. Deixando o seu lugar na regência em resultado da revolução de 1820, conservou-se desde então inteiramente afastado dos negócios públicos. 

Em 1808 foi promovido a marechal de campo, e em 1812 a tenente general. Por decreto de 13 de Maio de 1820 recebeu a mercê do título de conde da Feira, e em 1826 foi eleito par do reino, por ocasião da outorga da Carta Constitucional.

Informação retirada daqui



segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Biografia - José Augusto Alves Roçadas

Oficial do exército, foi governador de Angola e o último comandante do Corpo Expedicionário Português a França, durante a Primeira Guerra Mundial

Nasceu em Vila Real, em 6 de Abril de 1865;
morreu em 28 de Junho de 1926.

Entrou para o exército em 1882, tendo concluído em 1889, em primeiro lugar, o curso do Estado-Maior da Escola do Exército. Promovido a alferes para Cavalaria 2, era tenente no ano seguinte, e capitão 4 anos depois, com 29 anos de idade.

Em 1897 foi enviado para Angola, como chefe de estado maior, servido na colónia até 1900. Nesta estadia realizou vários reconhecimentos geográficos, tendo feito alguns levantamentos cartográficos, como os de Luanda, Benguela e Moçamedes. Em 1902 foi enviado para a Índia, de novo como chefe de estado-maior das forças estacionadas naquela colónia do Índico. Voltou a Angola em 1905, nomeado governador do distrito da Huíla, devido ao massacre de Pembe de uma força de 500 homens destacada da coluna que ia submeter os Cuanhamas, tribo sedeada no baixo Cunene.

Alves Roçadas começou por submeter a região dos Mulondo, a leste de Huíla, entre os rios Calculevar e Cunene, tendo morto o soba Haugalo. Em 1906, atacou a sul em direcção ao baixo Cunene, ao longo do rio Calculevar, ocupando Pocolo, Bela-Bela e Jau. Atravessou o Cunene, fundando o Forte Roçadas, em terras dos Cuamato. O avanço além Cunene, para ocupação da parte portuguesa do Ovampo, foi preparado com expedição de novas tropas. Para comandar esta expedição é nomeado em Maio de 1906 o capitão Alves Roçadas. As forças expedicionários saíram do Forte Roçadas em 27 de Agosto de 1907, sendo atacadas logo de seguida em Mufilo. Roçadas mandou formar um quadrado que conseguiu suster o ataque, sendo a cavalaria a decidir o combate. Seguiram-se vários outros combates, até que a embala de Nalueque foi finalmente ocupada. A campanha acabou em Outubro, com a pacificação das tribos do baixo Cunene, os Cuamatos.

De regresso a Lisboa é promovido a Major e nomeado ajudante-de-campo do rei, grande oficial da Torre e Espada, recebendo as medalhas de ouro de Serviços Distintos e Valor Militar. Em 20 de Maio de 1908, no começo do reinado de D. Manuel II, foi promovido por distinção a tenente coronel.

Nomeado governador de Macau, regressou a Angola como governador-geral, mas por pouco tempo, por se ter demitindo do cargo devido à revolução republicana de Outubro de 1910. De regresso a Portugal, é colocado como chefe de estado-maior de várias grandes unidades. Em 1914, quando se organizou a primeira expedição a Angola, para defender o sul da colónia, que fazia fronteira com a colónia alemã do Sudoeste Africano, Roçadas foi escolhido para a comandar. O incidente de Naulila,  nas margens do Cunene, perto da fronteira entre as duas colónias, incidente entre forças militares portuguesas e alemãs, acontecido em 18 de Outubro, fez com os alemães atacassem o posto isolado de Cuangar, nas margens do Cubango. Alves Roçadas decidiu então, com as poucas forças de que dispunha, atravessar o Cunene e procurar as forças alemãs que tinham entrado no território português. Mas foi derrotado em Naulila, em 18 de Dezembro, e obrigado a atravessar o Cunene e o Caculevar, concentrando-se à volta do Forte Gambos. Devido a esta retirada os povos do Humbe revoltaram-se. Alves Roçadas foi, por isso, chamado a Portugal, embarcando em princípios de Maio de 1915.  

Em Setembro de 1918 foi enviado para França, com o posto de general graduado, tomando interinamente o comando da 2.ª divisão do C.E.P. em Dezembro, já depois do Armistício. Em 16 de Abril de 1919 foi nomeado comandante do Corpo português, sendo responsável pelo seu regresso a Portugal. Em Setembro de 1918 foi nomeado governador dos territórios da Companhia de Moçambique, tendo regressado em 1923 a Portugal. Confirmado no posto de general em Novembro de 1924, depois de ter prestado provas, foi nomeado comandante da 1.ª Divisão militar.

Desde o seu regresso, fez parte do grupo que em torno de Sinel de Cordes, preparou a conspiração que levou ao golpe de 28 de Maio de 1926, sendo o chefe indicado para tomar o poder, o que não se realizou devido a ter adoecido pouco tempo antes do golpe, acabando por morrer pouco tempo depois. 

Fonte:
Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol. 25, págs. 828-829

sábado, 13 de janeiro de 2018

Biografia - José António da Rosa

n: 14 de Fevereiro de 1745, Mourão (Portugal)
m: 28 de Novembro de 1830, Lisboa (Portugal)

Filho de pequenos lavradores de Mourão, assentou praça em 1761 no Regimento de Artilharia do Alentejo, sendo cabo de esquadra em 1770 e furriel em 1772. Tendo frequentado a aula regimental, e passado no exame, foi promovido a segundo-tenente em 1774. Entre 1780 e 1783 foi aluno da Academia Real de Marinha e Engenharia, tendo sido promovido a primeiro-tenente em 1784, na companhia de Artífices e Pontoneiros do Regimento de Artilharia do Algarve. Em Janeiro de 1787 foi graduado em capitão, tendo casado no mês seguinte, em Lisboa. Em 1781 tinha-lhe sido concedido o hábito de Cristo com cinquenta mil reis de tença.
Em 1789 foi nomeado Lente da terceira cadeira de Artilharia, do terceiro ano da Academia Real de Fortificação, Artilharia e Desenho, que acabava de ser instituída, ficando agregado ao Regimento de Artilharia da Corte, com o posto de capitão efectivo. A cadeira dizia respeito ao estudo das minas e contra-minas e a sua aplicação ao ataque e defesa das praças, tendo dado origem à publicação em 1791 do livro Compêndio das Minas. Em Setembro de 1793 foi promovido a Major, continuando agregado ao Regimento de Artilharia da Corte, mas recebendo o soldo de oficial efectivo. Em 1793 era cavaleiro da Ordem de Avis, com doze mil reis de tença, devido aos seus 20 anos de serviço como oficial, e mais de 40 anos de idade.

Quando, em 1793, se organizou a Divisão Auxiliar para serviço em Espanha, José António da Rosa foi nomeado comandante da Brigada de Artilharia, tendo sido promovido ao posto de Tenente-Coronel em 1795, "em atenção aos distintos serviços que [tinha] efectuado nas campanhas do Rossilhão e Catalunha." Em 1797 era graduado em coronel.

Por motivo da Guerra de 1801 com a Espanha, foi nomeado comandante dos Parques de Artilharia do exército. Em 1803 foi mandado rearmar algumas praças do Alentejo, assim como reorganizar os trens de Artilharia da província., enquanto Inspector dos municiamentos da província do Alentejo. Em Junho foi promovido a Brigadeiro. Mais tarde, de acordo com o Plano de Reorganização do Exército de 1806, foi nomeado Inspector da Artilharia e munições de guerra das Praças do Reino em 13 de Julho de 1807, sendo nomeado comandante das baterias a sul do Tejo.

Beresford fê-lo Comandante-Geral da Artilharia em Maio de 1809, o que não foi mais do que o confirmar no antigo cargo de Inspector. No ano seguinte foi promovido a marechal de campo.

Em 1815 foi nomeado para o Conselho de Guerra, e no ano seguinte foi promovido a tenente-general, o que o levou a ser feito Cavaleiro Fidalgo da Casa Real em 1819.

Em 1821 foi eleito deputado às Cortes Constituintes pelo Alentejo, sendo conhecido pela assiduidade nas votações e silêncio nos debates.

Fonte:
Henrique de Campos Ferreira Lima,
O tenente-general José António da Rosa, no 1.º centenário da sua morte (28-XI-1830 - 28-XI-1930,
Separata da Revista de Artilharia, n.º 65, Novembro de 1930,

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Biografia - Frederico Armando, conde de Schomberg

n.     [ 16 de dezembro de 1615 ].
f.      [1 de julho de 1690 ].

Conde de Mértola e mestre de campo general em Portugal, marechal de França, generalíssimo das tropas da Prússia, etc..

Nasceu na Alemanha em 1618, sendo filho de Hans Meynard (ou Armando), conde de Schomberg, marechal do Alto e Baixo Palatinado, etc.. 

Estreou-se na carreira das armas , militando nas fileiras do exército sueco, então ao serviço de Richelieu, e assistiu a diversas batalhas e a quase todas as acções e recontros do período, chamado francês, da guerra dos Trinta Anos. Em 1636 passou ao serviço da França como capitão de uma companhia de cavalos ligeiros, tomou parte na campanha do Franco Condado, acompanhou o marechal de Qantzan à Alemanha, e foi chamado para junto de Henrique de Nassau, que o nomeou seu lugar-tenente. Voltando depois à França, em 1650, comprou o lugar de capitão da companhia dos guardas escoceses, e daí a dois anos foi feito marechal de campo. Entrou em diversos combates na guerra da Fronda; serviu às ordens de Turenne com o posto de tenente general, foi governador da praça de Saint-Julien, que defendeu em 1657; assistiu à batalha das Dunas e ao cerco de Dunquerque, e em 1660 veio para Portugal com uns 600 companheiros, a maior parte oficiais de cavalaria, artilharia e engenharia, para tomar parte na guerra da Restauração. 

Como é sabido, o cardeal Mazarin, ajustando a paz dos Pirinéus, abandonou vergonhosamente a causa da nossa independência, e por isso o conde de Soure, embaixador português na corte de França, recebeu ordem de voltar apressadamente à pátria, afim de evitar a afronta de o mandarem sair. Segundo as instruções que recebeu do governo, devia tratar apenas de aliciar particularmente o maior número de bons oficiais e um general hábil, embarcando para Lisboa logo que tivesse cumprido esta missão. Para o conseguir foi o nosso diplomata muito auxiliado pelo marechal de Turenne, que lhe indicou oficiais que tinham servido debaixo das suas ordens, entre outros o coronel Jeremias, Jovet, e o general conde de Schomberg, que mais facilmente podia tomar o serviço de Portugal, porque apesar de ter militado nos exércitos franceses era alemão de nascimento. Esta negociação foi conduzida secretamente em casa do duque de Albrect, rapaz de dezanove anos e sobrinho de Turenne, em cuja casa este escondido o conde de Soure. A 29 de outubro de 1660 embarcou finalmente no Havre o nosso diplomata acompanhado do conde de Schomberg e dos oficiais que vinham servir nos exércitos portugueses, e a 11 de novembro seguinte chegavam ao porto de Lisboa. Não foi isto muito bem visto pelos generais portugueses, e principalmente pelo marquês de Marialva, que se ufanava da sua vitória das Linhas de Elvas. 

A 17 de dezembro foi o conde de Schomberg nomeado para o posto de mestre de campo general da província do Alentejo, com o soldo de mil cruzados por mês, na forma que tinha sido contratado em França pelo conde de Soure, partiu pouco depois para essa província, cujo governo supremo havia sido dado ao conde de Atouguia. No ano imediato as operações militares nessa fronteira foram de pouca importância, mas o conde de Schomberg deixou ali assinalada a sua presença pelos esforços que fez para o nosso exército adoptar o hábito de marchas de costado, que já se usava na Europa, mas era cá desconhecido, para acabar com os privilégios que certos terços gozavam de formarem na vanguarda ou em determinados postos e para introduzir na formatura e disciplina das nossas tropas melhoramentos e princípios que lhe facilitassem a vitória. Essas novidades foram mal aceites, custaram muito a ser seguidas, e os chefes superiores levados de ciúme eram os primeiros a fazerem oposição às ideias do conde de Schomberg. Daí resultaram ao oficial estrangeiro vários desgostos que ele suportou sem quebra de zelo, e continuou a servir sempre com igual valor e actividade, ainda depois de ver o marquês de Marialva substituir o conde de Atouguia, faltando assim o  governo à promessa que fizera de lhe dar o mando superior do Alentejo. 

Na campanha de 1662 também o conde de Schomberg teve ocasião de se assinalar, porque foram de pouca monta as operações realizadas pelo nosso exército no Alentejo, e alguns sucessos infelizes, que ali sofremos, podem até certo ponto atribuir-se à turbação produzida no ânimo do marquês de Marialva pela ideia de que um general estrangeiro podia murchar-lhe os louros da sua vitória das Linhas Elvas. Durante todo esse ano, apesar da má vontade do chefe, prosseguiu o conde de Schomberg no intento de melhorar a disciplina do exército e na marcha de Elvas para Estremoz, em que o marquês de Marialva desprezou as indicações do conde, se não estivesse cego pelo ciúme, poderia reconhecer a vantagem de seguir à risca o que propunha para as marchas do homem que militara largos anos nas fileiras dos exércitos bem organizados e adestrados. 

Em 1663 foi o conde de Vila Flor, D. Sancho Manuel, encarregado do governo das armas do Alentejo, e com esse parece terem subido de ponto as desinteligências com Schomberg, porque, segundo consta, mais de uma vez esteve este último para se retirar para França, sendo preciso todo o zelo do general D. Luís de Menezes para que os dois generais se reconciliassem, e quando o exército saiu de Estremoz para Évora, o plano de campanha foi estabelecido com perfeito acordo dos dois. Ao chegarem a Évora Monte e serem informados da queda de Évora, tiveram os nossos de modificar o projecto traçado, e o exército português marchou rapidamente contra D. João de Áustria para ver se conseguia surpreendê-lo. Quando as nossas tropas chegaram quase perto dos castelhanos, ainda uma pequena pendência se levantou entre Vila Flor e Schomberg, porque estando já próxima a noite, queria este último que o exército a passasse a noite em ordem de batalha e aquele que a passasse à vontade cobrindo-se com os carros. Schomberg, que conhecia por experiência os inconvenientes de ter de formar as tropas na presença do inimigo, insistiu e como todos os oficiais o apoiassem, Vila Flor cedeu, e desde então foi o mestre de campo general sempre o encarregado de escolher as posições que o exército devia ocupar desempenhando-se admiravelmente dessa incumbência. Não tardou a dar-se a batalha do Ameixial, em que as nossas  tropas ficaram vencedoras (V. Ameixial). Ainda durante a campanha, o mestre de campo general conde de Schomberg, no cerco de Évora, teve ensejo de revelar os seus conhecimentos militares nos entrincheiramentos militares que levantou para cobrir o exército sitiador, e depois quando o marquês de Marialva e o conde de Vila Flor regressaram a Lisboa, ficou à testa do governo militar do Alentejo até ser no ano seguinte nomeado para esse importante posto o marquês de Marialva. Todos os generais portugueses se mostravam ciosos do conde, mas principalmente o marquês de Marialva. Além disso, Schomberg irritou-se deveras por lhe não darem o comando dizendo que no contrato que fizera, vindo para Portugal, se lhe assegurara que servia unicamente debaixo das ordens do conde de Atouguia para se não demitir o general que estava comandando quando ele veio, e que  tendo cedido já duas vezes do seu direito para não suscitar embaraços ao governo, considerava ofensiva a persistência em não lhe darem o comando. Ninguém se atrevia a dizer-lhe a verdade, que era não haver general português que se prestasse a servir debaixo das suas ordens. Aceitavam-no como mestre de campo general, exercendo muitas vezes na sombra o verdadeiro comando, mas queriam que pertencesse a um compatriota o título de general em chefe. 

Em 1664 o marquês de Marialva foi o mais exigente, o que ainda mais desesperou Schomberg, não o aceitando nem para mestre de campo general, sendo preciso que se criasse para ele um novo posto, comandante das tropas estrangeiras ao serviço da coroa portuguesa, mas felizmente aplanaram-se no princípio do ano imediato, e em Junho de 1665 o marquês de Marialva e o conde de Schomberg podiam repartir equitativamente a glória da batalha de Montes Claros, porque se o primeiro sustentou inabalável à frente da segunda linha o ímpeto do inimigo, e se reconhecendo com segurança e rapidez o enfraquecimento da esquerda correu a suportá-la, ao conde de Schomberg se deve a boa formatura com que as nossas tropas marchavam e a presteza com que fazendo passar a cavalaria quase toda da esquerda à direita, pôde oferecer uma importante massa às cargas dos esquadrões castelhanos ( V. Montes Claros). Em 1666 obteve afinal o conde de Schomberg o governo das armas do Alentejo. A Guerra da Restauração ainda se alongou até 1668, mas sem grande calor nem feitos dignos de menção, e concluída a paz voltou o conde de Schomberg para a França, onde recebeu em 1674 o comando do exército da Catalunha, sendo elevado a marechal de França no ano seguinte.

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