Espaço de ajuda aos alunos da disciplina de História, do 2º ciclo ao Ensino Secundário. Disponibilizamos powerpoints, fichas de trabalho, fichas de avaliação, planificações, notícias, conteúdos, imagens, vídeos, etc...
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018
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Biografia - Anselmo Braamcamp Freire
n. 1 de fevereiro de 1849.
f. [ 21 de dezembro de 1921 ].
f. [ 21 de dezembro de 1921 ].
Moço fidalgo com exercício na Casa Real, por sucessão a seus maiores, proprietário, arqueólogo e genealogista, par do Reino, escritor, etc. Nasceu em 1 de fevereiro de 1849.
É filho do 1.º barão de Almeirim, Manuel Nunes Freire da Rocha, fidalgo cavaleiro da Casa Real, cavaleiro professo da Ordem de Cristo, casado com D. Luísa Maria Joana Braamcamp; irmão do barão de Almeirim, o Sr. Manuel Braamcamp Freire, é sobrinho, por lado de sua mãe, do falecido estadista Anselmo José Braamcamp. Está aparentado com as casas Ficalho, Mafra, Sobral, etc. Foi feito par do Reino em 25 de maio de 1887. Casou em 6 de fevereiro de 1869 com sua segunda prima, D. Maria Luísa da Cunha Meneses, filha de Manuel da Cunha Meneses, moço fidalgo com exercício na Casa Real, cavaleiro da Ordem Soberana de S. João de Jerusalém, e da Ordem militar de S. Fernando, de Espanha, capitão de infantaria, filho dos 4.os condes de Lumiares, e de sua mulher, D. Constança de Saldanha e Castro Ribafria, viúva do 5.º conde de Lumiares.
São bem conhecidas as suas obras: Brasões da sala de Sintra, 2 vols., Lisboa, 1899; As sepulturas do Espinheiro, Lisboa, 1901; O Conde de Vila Franca e a Inquisição, Lisboa, 1899; Índice do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende e Autos de Gil Vicente, divididos em duas partes distintas, de colaboração com o actual sr. visconde de Castilho. Estas obras tiveram tiragem muito resumida, sendo os exemplares distribuídos por seus amigos. No Jornal do Comércio tem publicado vários trabalhos, mais ou menos extensos e completos. A empresa a que mais se dedicou ultimamente é a publicação do Arquivo Histórico Português, de que foi um dos fundadores, em 1903, e de que tem sido um dos colaboradores mais importantes. Nele se encontram artigos dignos de menção, tais como: O almirantado da Índia (data da sua criação); Cartas de quitação de el-rei D. Manuel, As conspirações no reinado de D. João II, Auto do Conselho havido no Espinheiro em 1477; O livro das tenças de el-rei; A Chancelaria de D. João II; Inventário da guarda-roupa de D. Manuel; A Chancelaria de D. Afonso V; Povoação de Entre e Minho Douro no século XVI, etc. Dalguns destes trabalhos tem-se feito uma separata.
Biografia retirada daqui
quarta-feira, 31 de janeiro de 2018
Biografia - Bernardim Freire de Andrade
n: 18 de Fevereiro de 1759 em Lisboa (Portugal)
m: 17 de Março de 1809 em Braga (Portugal)
Filho de Fernando Martins Freire de Andrade e Castro, senhor dos morgados de Ribeira do Sado e do Bom Despacho, e de Joana de Lencastre Forjaz. Alistou-se no exército e entrou como cadete no Regimento de Infantaria de Peniche, que fazia parte da guarnição de Lisboa, depois de ter frequentado o Colégio dos Nobres.
Em 1782 foi promovido a Alferes na 5.ª companhia do Regimento, companhia onde se manteve até ser promovido a Major. Em 1793 foi com o seu regimento para a Catalunha, integrado na Divisão Auxiliar que ajudou o exército espanhol na guerra contra a República francesa.
Em 1794, durante a campanha, foi promovido a Coronel do seu regimento, tendo sido ferido no ataque à posição de Madalena. Com o fim da campanha, devido à paz de Basileia, entre a Espanha e a França revolucionária, e subsquente regresso a casa foi promovido ao posto de brigadeiro.
Em 1800 foi nomeado governador e capitão-general da capitania de São Paulo, no Brasil. Não embarcou devido aos preparativos de guerra contra a Espanha, o que veio a acontecer em Maio de 1801. Foi nomeado comandante da brigada de granadeiros e caçadores do exército do Alentejo, tendo participado no combate de Arronches, conseguindo salvar as tropas do comando de Carcome Lobo de serem totalmente destruídas.
A seguir à guerra, participou em diversas comissões, no âmbito das reformas do exército postas em prática a partir de 1803. Em 1807 foi promovido a marechal de campo, e nomeado Governador das Armas da região militar, com sede no Porto, conhecida por "Partido do Porto". Cargo que não tomou posse imediatamente devido à ocupação do país pelo exército francês do comando de Junot.
A revolta do Verão de 1808 contra o exército francês, despoletada em Madrid, no célebre dia 2 de Maio de 1808, e que de Espanha se propagou a Portugal, encontrou-o em Coimbra, para onde se tinha retirado em finais de 1807, juntando-se aí ao seu primo direito, D. Miguel Pereira Forjaz, futuro secretário da Regência. Dirigiu-se para o Porto para ocupar o posto para que tinha sido nomeado em 1807, e organizou com D. Miguel, e com as poucas forças e armas que existiam, um pequeno exército, que com o nome de «exército de operações da Estremadura» se dirigiu para Coimbra, onde chegou a 5 de Agosto, tendo apoiado sempre o flanco esquerdo do exército britânico, do comando do general Wellesley, o futuro duque de Wellington.
As decisões militares e políticas de Bernardim Freire de Andrade, sobretudo a de não juntar a sua força à do exército britânico, são a posteriori controversas, mas ainda hoje difíceis de analisar. A verdade, é que a sua acção em conjunção com a força comandada pelo general Bacelar, teve como consequência o impossibilitar a junção do corpo de tropas do general Loison ao do general Delaborde, o que permitiu aos britânicos só encontrarem as tropas do último na Roliça, e terem tempo, de receber os reforços que irão ser tão necessários para a derrota do exército francês de Junot, no Vimeiro, em 21 de Agosto.
Após a assinatura da Convenção de evacuação do exército francês de Portugal, a que se opôs, regressou ao Porto onde tomou o comando das forças militares do Porto e do Minho, que se preparavam para a defesa de Portugal, e a dar apoio às forças espanholas na expulsão dos franceses de toda a Península.
Fonte:
António Pedro Vicente,
«Um Soldado da Guerra Peninsular -
Bernardim Freire de Andrade e Castro»,
Boletim do Arquivo Histórico Militar, 40.º volume (1970),
pags. 201-576
Biografia retirada daqui
segunda-feira, 29 de janeiro de 2018
Biografia - D.José Trazimundo Mascarenhas Barreto, 5.º marquês de Alorna, 8.º conde da Torre e 7.º marquês de Fronteira
n. 11 de janeiro de 1802.
f. 19 de fevereiro de 1881.
Vedor honorário da Casa Real, par do reino; 7.º senhor de Fronteira, 8.º senhor dos morgados da Torre da Vargem, senhor de Coculim e Verodá, na Índia; 15.º senhor da quinta das Chantas, no termo de Santarém; 13.º senhor da quinta da Goncharia, em Almeirim; donatário na mordomia-mor de Faro; marechal de campo reformado; grã-cruz da Ordem de Cristo; comendador na mesma ordem, das comendas de Santa Cristina, de Afife, de N. Sr.ª da Conceição, de Rosmaninhal; de S. Miguel, de Linhares; de S. Nicolau, de Carrazedo de Monte Negro; de S. Tiago de Fonte Arcada; de S. Tiago de Torres Vedras. Grã-cruz da Ordem da Torre e Espada, oficial e cavaleiro da mesma ordem; grã-cruz das ordens de Carlos II de Espanha; da Águia Vermelha da Prússia; de S. Gregório Magno de Roma; de Alberto o Valoroso da Saxónia; de S. Maurício e S. Lázaro de Itália e da Rosa do Brasil; condecorado com a medalha das campanhas da Liberdade, algarismo 9, e com as medalhas por Bons Serviços, Valor Militar e Comportamento Exemplar.
Nasceu em Lisboa a 11 de janeiro de 1802, e faleceu na sua quinta de Benfica, a 19 de fevereiro de 1881. Era filho de D. João José Mascarenhas Barreto, 6.º marquês de Fronteira, e de sua mulher, D. Leonor Benedita de Oyenhausen e Almeida.
Mal conheceu seu pai, que faleceu em 1806, e herdou todos os bens da casa; o príncipe regente D. João o agraciou com os títulos e bens da Coroa, de que os seus antepassados gozavam, em portaria de 17 de maio de 1811, e suplementos de 24 de setembro de 1814 e 26 de abril de 1815. Assentou praça de cadete a 8 de maio de 1818, tendo dezasseis anos, na primeira companhia de Granadeiros do Regimento de Infantaria n.º 4, sendo promovido a alferes do regimento n.º 1 da mesma arma em 10 de dezembro de 1820. Em 14 de fevereiro de 1821 casou com D. Maria Constança da Câmara, dama da Ordem de Santa Isabel, mais tarde, dama de honor das rainhas D. Maria II, D. Estefânia e D. Maria Pia; era filha de D. Luís Gonçalves da Câmara Coutinho Pereira de Sande, 11.o senhor das Ilhas Desertas, de Regalados, e do morgado da Taipa; alcaide-mor de Torres Vedras, casado com D. Maria de Noronha, filha dos 7.os, condes dos Arcos.
Em 1820, o chefe da revolução liberal, o general Sepúlveda, o nomeou seu ajudante de campo, conservando-o no seu estado-maior até à queda do governo constitucional. Não querendo anuir ao movimento da Vilafrancada em maio de 1823, foi colocado no 7.° Regimento de Cavalaria, de guarnição em Torres Novas. Voltou depois a Lisboa, e foi mandado servir no regimento n.º 4 da mesma arma, poucas semanas antes da revolta de 30 de abril de 1821. Esteve então preso na torre de Belém, e depois na praça de Peniche, correndo os mais sérios perigos de vida, pois esteve quase a ser fuzilado. Saindo da prisão obteve licença para sair do reino, e em companhia de sua mulher percorreu parte da Europa, regressando à pátria depois de ser outorgada a Carta Constitucional em 1826. Foi eleito par do Reino, por carta régia de 30 de abril deste ano, não tomando logo posse, por estar ainda na menoridade, que então se contava de vinte e cinco anos.
Começando as lutas do partido do infante D. Miguel, o general conde de Vila Flor tomou o comando das armas da província do Alentejo nos fins de Novembro do referido ano de 1826, e nomeou o marquês de Fronteira seu ajudante de campo. Tomou parte no combate de Arronches, e foi recomendado pelo seu comportamento nesta acção, sendo ele o portador da participação do combate à, regente, a infanta D. Isabel Maria. O conde de Vila Flor passou ás províncias da Beira, Trás-os-Montes e Minho, conservando sempre o marquês ás suas ordens. Nesta qualidade esteve na batalha de Coruche, e nos combates de Ponte da Barca e do Prado. Tendo em 9 de janeiro de 1827 deposto as armas os corpos rebeldes, findou a campanha, conservando-se o marquês no quartel general do conde de Vila Flor, que teve a nomeação de governador das armas do partido do Porto, e nele igualmente se conservou, quando aquele general comandou a força armada de Lisboa. Em julho de 1827 houve tumultos sérios na capital, com o fim de obrigar a regente a nomear um ministério que fosse presidido por Saldanha. Aos miguelistas convinha acusar de cumplicidade nestes tumultos pessoas importantes pela sua hierarquia social, e por isso o intendente da polícia recebeu varias denúncias em que se acusava o marquês de Fronteira de ter empenhado os seus esforços na direcção daqueles movimentos. A esta revolução se ficou chamando a Archotada. Na sessão da Câmara dos Pares de 5 de fevereiro de 1828 prestou juramento e tomou posse o marquês de Fronteira, e logo o ministério público remeteu à câmara um processo em que o novo par estava pronunciado como cabeça de motim. Em 22 de fevereiro seguinte ficou absolvido, quando o infante D. Miguel chegou a Lisboa. Constando-lhe que pretendiam prendê-lo, apesar de ter sido absolvido, emigrou para Inglaterra, passando depois a Paris. Tendo adoecido nessa cidade, não tomou parte na conhecida tentativa do vapor Belfast, onde vieram à costa do Porto, Saldanha, Palmela e o conde de Vila Flor, mas o governo de D. Miguel, acreditando que ele fora um dos da expedição, mandou-o processar com os outros, e sequestrou lhe os bens. Sabendo, porém, mais tarde que o marquês estava doente em Paris mandou suspender o processo e levantar o sequestro. O marquês declarou então no Journal des Debats, que se não tinha tomado parte na expedição de Belfast, fora por motivo da doença, e que não reconhecia outra rainha senão D. Maria II. Esta declaração valeu-lhe um novo sequestro, ficando privado de todos os seus bens até à entrada do exército libertador na capital.
Assim que o ordenaram, reuniu-se ás forças que sustentavam a dinastia e a Carta nos Açores. Partiu para a ilha Terceira, e continuou no lugar de ajudante de campo do general conde de Vila Flor; desembarcou com ele nas praias do Mindelo, a 8 de julho de 1832, e às suas ordens entrou na batalha de Ponte Ferreira, a 23 de julho, em que foi graduado no posto de capitão; e quando se reformou a ordem da Torre e Espada, foi condecorado com a medalha de cavaleiro, com a data do dia da batalha. Assistiu também ao combate de Souto Redondo, e todo o tempo que o conde de Vila FIor comandou o exército liberal durante o cerco do Porto, esteve seu ajudante de campo. Quando D. Pedro IV assumiu o comando em chefe, nomeou o seu oficial ás ordens. Tomando o conde de Vila Flor o comando da ala direita das linhas do Porto e da 1.ª divisão do Exército, o marquês voltou ao seu quartel-general. Foi também recomendado pela sua conduta no combate das Antas. Acompanhou o general, já, então duque da Terceira, na expedição do Algarve, fez a campanha desta província e a do Alentejo, esteve na batalha de Cacilhas, continuando sempre ás ordens daquele general durante os sítios de Lisboa e de Santarém, e acompanhou-o depois ao norte do país. Assistiu à entrada de Coimbra e à batalha de Asseiceira, onde recebeu o grau de oficial da Torre e Espada. Estava em Evoramonte quando se deu a convenção em 27 de maio de 1834, e o duque da Terceira lhe deu ordem de acompanhar o general Lemos aos postos avançados do exercito de D. Miguel, sendo em seguida mandado como parlamentar à praça de Elvas comunicar ao governador o resultado da convenção, e intimá-lo a render-se.
Terminada a campanha da Liberdade, o marquês de Fronteira foi colocado no Regimento de Lanceiros n.º 1, que se organizou naquela época, sendo nomeado comandante do 3.º esquadrão. Convocadas as cortes foi um dos 13 pares, que, guardando com a devida honra o seu juramento à Carta e à dinastia, instalaram novamente a referida câmara. A revolução de 8 de setembro de 1836 suprimiu a câmara, e em 1837 instaurou-se o Congresso Constituinte, em que o marquês de Fronteira foi eleito deputado por Lisboa. Depois de votada a nova constituição de 1838, foi também deputado, eleito por Bragança. Em 1840 organizou o 2.° Batalhão do Comércio, mas teve de abandonar o comando para acompanhar o duque da Terceira ás províncias do Norte. Em 1842 restabeleceu-se a Câmara dos Pares, e nesse ano, comandando o duque da Terceira a 1.ª Divisão Militar, realizou-se no Porto a restauração da Carta, e a Junta que a proclamara, marchou sobre Coimbra; a rainha ordenou então ao marquês de Fronteira o desempenho da comissão espinhosa de ir ao encontro da junta e das forças da província do Norte, comandadas pelo barão de Santa Maria, e no regresso à capital foi elogiado pelo ministro da Guerra, José Jorge Loureiro pela forma como se houvera no cumprimento daquela comissão. Em 1846 rebentou a revolução chamada da Maria da Fonte, e o marquês de Fronteira foi nomeado governador civil de Lisboa, cargo que exerceu, com uma pequena interrupção, até 1851. Nesta época foi encarregado pelo primeiro-ministro, o general Saldanha, de organizar os corpos de voluntários nacionais da capital, e de tomar o comando geral desses corpos. Antes da batalha de Torres Vedras em 23 de dezembro de 1846, estando Lisboa ameaçada pelas forças da Junta do Porto, ocupou as linhas da capital com os ditos corpos, merecendo elogios do governo pelo bom serviço que fizera. Em 1847 foi elevado a grã-cruz da Ordem da Torre e Espada. Conservou o comando dos corpos nacionais e o cargo de governador civil até 1851, como dissemos, ano em que rebentou a revolta conhecida pela Regeneração, tendo ele empregado todos os meios de que podia dispor, para evitar que a revolta triunfasse na capital. Saldanha foi nomeado presidente do Conselho de Ministros, e o marquês entendeu na sua dignidade demitir-se dos cargos que exercia. Saiu brigadeiro por antiguidade, em 10 de julho de 1851, e não lhe convindo ficar por mais tempo no serviço efectivo, pediu e obteve a reforma no posto de marechal de campo, reforma, que lhe foi melhorada por um decreto honroso, em 11 de maio de 1869, pelo ministério Sá da Bandeira.
Por ocasião do casamento de D. Pedro V, em maio de 1858, foi nomeado mordomo-mor da Casa da Rainha D. Estefânia, cargo que exerceu até ao falecimento daquela virtuosa senhora, sucedido em Julho de 1859. Quando faleceu D. Pedro V e o infante D. João, em 1861, o duque de Saldanha, que era o mordomo-mor da Casa Real, adoeceu, e o marquês de Fronteira foi substitui-lo nesse elevado cargo. No casamento de D. Luís I, em 1862, foi nomeado mordomo-mor da Casa da Rainha senhora D. Maria Pia. Alguns anos depois, por motivos particulares, pediu a demissão, que lhe foi concedida.
O marquês de Fronteira era neto pelo lado de sua mãe, da grande poetisa, marquesa de Alorna (V. este título). O titulo de marquês de Alorna foi-lhe dado em 22 de outubro de 1839, ficando desde então reunido ao de Fronteira, que lhe* foi renovado em Julho de 1844. Diz-se que deixou manuscritas algumas memórias valiosas. Do seu matrimónio houve uma única filha e herdeira, D. Maria Mascarenhas, que nasceu a 27 de maio de 1823, e casou com Pedro João de Morais Sarmento, elevado pelo seu casamento a conde da Torre, e depois a marquês de Fronteira (V. o artigo seguinte). O ilustre fidalgo assistiu em França à coroação de Carlos X e a todas as festas que por essa época se realizaram nas Tulherias. Tinha verdadeira paixão pelas artes, e em Roma viveu na convivência do nosso pintor Sequeira.
Nota:
Publicadas por Ernesto de Campos de Andrada em 1926 com o título Memórias do Marquês de Fronteira e d'Alorna, D. José Trazimundo Mascarenhas Barreto, ditadas por ele próprio em 1861 e publicadas em Coimbra pela Imprensa da Universidade.
Biografia retirada daqui
sábado, 27 de janeiro de 2018
Biografia - José César Ferreira Gil
General, historiador militar e comandante da 3.ª expedição a Moçambique, em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial.
Nasceu na Celorico da Beira em 1 de Novembro de 1858;
morreu em 15 de Agosto de 1922.
Frequentou a Escola do Exército (a Academia Militar) de 1876 a 1878, sendo promovido a alferes efectivo e, Outubro de 1881. Em 1899 foi colocado na Escola Prática de Infantaria, em Mafra, sendo o comandante da Companhia Normal de Instrução, a unidade que servia para experimentar, estudar e normalizar os regulamentos. Pouco tempo depois voltou à Escola do Exército como comandante da companhia de alunos. Promovido a major foi nomeado 2.º comandante da Escola Prática de Infantaria. Em 1905 passou a professor do Colégio Militar. Republicano desde cedo, foi promovido a coronel em 1911, sendo transferido para o comando do regimento de infantaria n.º 29, aquartelado em Braga.
Tendo subjugado um motim desencadeado no seu regimento, durante o qual foi ferido, recebeu a medalha de prata de valor militar, sendo nomeado director do Colégio Militar. Promovido a general em 1915, foi escolhido para comandar a maior expedição militar enviada para as colónias africanas no decurso da Primeira Guerra Mundial, para a qual, como escreveu, não se achava verdadeiramente preparado.
A expedição acabou de sair de Lisboa em 3 de Junho de 1916, chegando a Palma, no Norte de Moçambique, entre 3 e 5 de Julho. Em 19 de Setembro, dirigiu a invasão da «África Oriental Alemã», a colónia germânica a Norte de Moçambique - a actual Tanzânia -, sem sucesso, provocando a subsequente invasão alemã da colónia portuguesa. Em 10 de Outubro de 1916 regressou a Portugal, oficialmente doente, sendo substituído no comando das forças pelo governador-geral de Moçambique, Álvaro de Castro. Com o regresso a Portugal, e após o seu restabelecimento, foi colocado na Secretaria da Guerra, sendo director da 1.ª Direcção Geral quando morreu.
Escritor militar colaborou na Revista de Infantaria e na Revista Militar com artigos técnicos e de história. Escreveu A Infantaria Portuguesa na Guerra da Península, obra que saiu durante as comemorações do centenário da Guerra Peninsular.
Fonte:
Enciclopédia Portuguesa e Brasileira de Cultura
Biografia retirada daqui
quinta-feira, 25 de janeiro de 2018
Biografia - D.Pedro José Vito de Meneses Coutinho
Meneses Coutinho, Dom Pedro José Vito
6.º marquês de Marialva, 8.º conde de Cantanhede
n:
m: 22 de Novembro de 1823 (Paris, França)
Filho do 5.º marquês de Marialva, entrou para o exército como cadete em Outubro de 1786, no regimento de cavalaria de que o seu pai foi coronel de 1777 até finais de 1796.
A sua carreira foi progredindo no regimento de cavalaria de Alcântara, tendo saído do regimento quando foi nomeado, em 1796, ajudante de ordens (ajudante de campo) do Duque de Lafões, ao mesmo tempo que o seu pai era nomeado Ajudante General do Exército
Em 1801, com a preparação do Exército português para a Guerra com a Espanha e a França, foi promovido a coronel e comandante do Regimento de Cavalaria de Mecklemburgo. Comandou o regimento quando este saiu de Lisboa, dirigindo-se com parte da guarnição de Lisboa, e a Brigada de Emigrados franceses a soldo da Grã-Bretanha, em reforço do exército do Alentejo que recuava para o Gavião, perto de Abrantes.
Tendo participado na Junta que reformou os artigos de guerra do tempo do conde de Lippe, e que formavam o Código Penal militar, foi em Setembro de 1802 nomeado Director do Arquivo Militar para a conservação das Cartas militares, geográficas e marítimas, função que manteve até à chegada do exército francês de ocupação, comandado por Junot.
Fez parte da delegação enviada a França por Junot para cumprimentar Napoleão e sofreu por isso as vicissitudes por que esta passou.
Em 1814, foi encarregue de cumprimentar Luís XVIII, quando este regressou a França, enquanto embaixador extraordinário. Manteve-se como embaixador em Paris, tendo também negociado o casamento da arquiduquesa Maria Leopoldina com o príncipe D. Pedro.
Morreu em Paris quando regressava ao seu posto de embaixador, solteiro e sem descendência.
Informação retirada daqui
terça-feira, 23 de janeiro de 2018
Biografia - Luís Augusto Ferreira Martins
Sub-chefe do Estado Maior do Corpo Expedicionário Português em França.
Nasceu em Lisboa, a 7 de Abril de 1875;
morreu em Algés em 26 de Junho de 1967.
Tendo frequentado o Colégio Militar, ingressou na Escola Politécnica de Lisboa, onde se preparou para entrar na Escola do Exército, tendo concluído o curso de Artilharia em 1895, tendo tirado também o de Estado-Maior. Em 1897 participou na campanha de Moçambique que continuou o trabalho de Mouzinho de Albuquerque realizado de 1895-97, tendo regressado a Portugal em 1898.
Em 1906 passou para o Estado-Maior do Exército, sendo enviado às manobras do exército suíço, em 1912. Foi chefe da repartição de gabinete do Ministério da Guerra, de 1913 a 1914, durante a administração do general Pereira Bastos, ministro da guerra do 5.º governo constitucional, dirigido por Afonso Costa, sendo nomeado sub-chefe do estado-maior do Corpo Expedicionário Português enviado para a Flandres, no Norte de França, em 1917, durante a Primeira Guerra Mundial. Com o fim da guerra voltou a Portugal, sendo nomeado chefe do estado-maior do Campo Entrincheirado de Lisboa. Mais tarde, comandou o regimento de infantaria n.º 5, e a seguir, de 1929 a 1933, a Escola Central de Oficiais. Entretanto, em 1924, tinha feito parte da Comissão de Estudo da Organização do Exército Colonial. Escolhido para general foi promovido a esse posto em 1930, tendo servido de 1936 a 1940 como administrador geral do Exército, sendo a partir de 1938 também vogal do Conselho Superior do Exército.
Escritor sobre assuntos militares, escreveu, entre muitas outras obras:
Jogo de Guerra simplificado, em 1911;
Portugal na Grande Guerra, em 1935, obra colectiva que dirigiu;
O poder militar da Grã-Bretanha e a aliança anglo-lusa, em 1939.
Fonte:
Enciclopédia Portuguesa e Brasileira de Cultura
domingo, 21 de janeiro de 2018
Biografia - Francisco da Cunha de Mendonça e Meneses
n: 26 de Abril de 1761 (Portugal)
m: 7 de Abril de 1821 (Portugal)
Entrou para o Exército como cadete, tendo sido promovido a alferes, em Maio de 1782, no Regimento de Infantaria do Marquês das Minas, tendo sucedido na Casa dos Cunhas, em 1777. Em Setembro de 1786 foi promovido a capitão. Em 1793 foi nomeado coronel do Regimento de Cascais, sendo desde 1789 monteiro-mor do Reino e, tendo o regimento integrado a Divisão Auxiliar que foi apoiar o exército espanhol na guerra contra a República francesa, partiu para a Catalunha com o seu Regimento, comandando-o durante toda a campanha do Rossilhão, de 1793 a 1795.
Foi incluído na promoção que premiou os serviços prestados durante aquela expedição a Espanha, sendo graduado em marechal de campo.
Em 1797 foi nomeado capitão-general e governador das Armas do Algarve. Na Guerra de 1801 defendeu o Algarve de uma tentativa de invasão espanhola, o que lhe valeu o título de Conde de Castro Marim, dado por decreto de 14 de Novembro de 1802. Título outorgado a premiar não um grande feito de armas, mas o único feito de armas da Guerra de 1801, na Europa.
Em 1807, com a ida da corte para o Brasil, foi nomeado presidente do Senado da Câmara de Lisboa, e governador do Reino suplente, tendo regressado ao Algarve, quando Junot assumiu o governo de Portugal em nome de Napoleão. A revolta de Junho de 1808 encontrou-o em Tavira, tendo assumido o Governo da Junta Governativa. Comandou a força militar que se dirigiu para Évora e Alcácer do Sal e que, no momento em que foi assinada a Convenção de Sintra, se achava nas imediações de Palmela. Por ter sido a revolta do Algarve a primeira de que se teve notícia no Brasil, devido a uma embarcação de pesca de Olhão ter conseguido atravessar o Atlântico chegando ao Rio de Janeiro, foi feito marquês de Olhão em 21 de Dezembro de 1808.
Foi escolhido para integrar a nova Regência, em substituição dos que, por terem colaborado com o regime napoleónico, não integraram o governo instituído após a evacuação de Lisboa pelos franceses. Até 1820, exerceu o cargo de governador do Reino e de membro do Conselho de Guerra.
Informação retirada daqui
sexta-feira, 19 de janeiro de 2018
Biografia - Dom Miguel Pereira Forjaz
n: 1 de Novembro de 1769 (Portugal)
m: 6 de Novembro de 1827 (Portugal)
Entrou para o exército em 1785, como cadete no Regimento de Peniche onde encontrou muitos membros da sua família. Foi promovido a alferes em 1787, e serviu no estado-maior do conde de Oeynhausen, inspector-geral da Infantaria, estando com ele no campo da Porcalhota em 1790.
Foi promovido a capitão em 1791, e a major («sargento-mor») em 1793, sendo nomeado ajudante de ordens do general Forbes, comandante da divisão portuguesa que foi combater no Rossilhão e na Catalunha. Já com o posto de coronel, foi em Março de 1800 nomeado governador e capitão-general do Pará, mas não chegou a partir para o Brasil, e na campanha do ano seguinte, no Alentejo, exerceu o cargo de quartel-mestre-general (chefe de estado maior) do general Forbes. Em 1806 foi elevado a brigadeiro, e encarregado da inspecção-geral das milícias. Quando a família real saiu de Portugal para o Brasil, em 1807, foi nomeado secretário suplente do governo, quando fosse necessário de substituir o conde de Sampaio.
Quando Junot assumiu o governo do país, retirou-se para a província. Estava em Coimbra quando começou a revolta contra a ocupação francesa e dirigiu-se para o Porto, onde começou a reorganizar o exército, sob as ordens do seu primo Bernardim Freire de Andrade. Acompanhou-o como ajudante general do exército do Norte na sua marcha do Porto para Lisboa, tendo sido nomeado, depois da convenção de Sintra, secretário da regência sendo encarregado da pasta dos negócios da guerra e estrangeiros. Neste cargo reorganizou o exército, de acordo com as propostas de 1803, que tinham sido vagarosamente implementadas até 1807. A criação dos batalhões de caçadores é uma das suas iniciativas, de acordo com as propostas de 1803. Apoiou Beresford, de uma maneira cada vez mais crítica, na adaptação do exército português ao serviço de campanha do exército britânico.
Em 1815 opôs-se, com êxito, ao envio de uma divisão portuguesa para os Países-Baixos para combater Napoleão Bonaparte, no período dos Cem Dias.
Deixou o seu lugar na regência devido à revolução de 1820, afastando-se dos negócios públicos.
Em 1808 tinha sido promovido a marechal de campo, e em 1812 a tenente general. Por decreto de 13 de Maio de 1820 recebeu o título de conde da Feira, e em 1826 foi eleito par do reino, por ocasião da outorga da Carta Constitucional por D. Pedro IV.
Informação retirada daqui
quarta-feira, 17 de janeiro de 2018
Biografia - D.Miguel Pereira Forjaz, conde da Feira
n. 1 de novembro de 1769.
f. 6 de novembro de 1827.
Tenente general, etc. Nasceu em 1 de novembro de 1769, faleceu a 6 de novembro de 1827. Era filho de D. Diogo Pereira Forjaz Coutinho Barreto de Sá e Resende, que foi coronel de cavalaria, governador e capitão-general da ilha da Madeira.
Alistando-se D. Miguel Pereira Forjaz no exército, foi logo despachado alferes, e serviu no estado-maior do conde de Oeynhausen, e com ele esteve no campo da Porcalhota em 1790. Foi promovido a capitão em 1791 e a sargento-mor em 1793, sendo nomeado ajudante de ordens do general Forbes, comandante da divisão portuguesa, que foi combater no Rossilhão e na Catalunha. Já com o posto de coronel, foi em março de 1800 nomeado governador e capitão-general do Pará, mas não chegou a partir para o Brasil, e na campanha do ano seguinte exerceu o cargo de quartel-mestre-general do general Forbes.
Em 1806 foi elevado a brigadeiro, e encarregado da inspecção-geral das Milícias do reino. Quando a família real saiu de Portugal para o Brasil em 1807, teve a nomeação de secretário do governo no impedimento do conde de Sampaio. Tendo acompanhado como ajudante-general de Bernardim Freire o exército por ele comandado na sua marcha do Porto para Lisboa, foi nomeado, depois da convenção de Sintra, secretário da regência e encarregado da pasta dos negócios da guerra e estrangeiros. Neste cargo prestou relevantes serviços ao país, cooperando eficazmente para a organização da nossa força militar e contribuindo poderosamente para que o general Beresford tivesse à sua disposição os elementos com que se opôs aos soldados de Napoleão, e com que, expulsando-os do território português, levou triunfante a nossa bandeira até além dos Pirenéus. Deixando o seu lugar na regência em resultado da revolução de 1820, conservou-se desde então inteiramente afastado dos negócios públicos.
Em 1808 foi promovido a marechal de campo, e em 1812 a tenente general. Por decreto de 13 de Maio de 1820 recebeu a mercê do título de conde da Feira, e em 1826 foi eleito par do reino, por ocasião da outorga da Carta Constitucional.
Informação retirada daqui
segunda-feira, 15 de janeiro de 2018
Biografia - José Augusto Alves Roçadas
Oficial do exército, foi governador de Angola e o último comandante do Corpo Expedicionário Português a França, durante a Primeira Guerra Mundial
Nasceu em Vila Real, em 6 de Abril de 1865;
morreu em 28 de Junho de 1926.
Entrou para o exército em 1882, tendo concluído em 1889, em primeiro lugar, o curso do Estado-Maior da Escola do Exército. Promovido a alferes para Cavalaria 2, era tenente no ano seguinte, e capitão 4 anos depois, com 29 anos de idade.
Em 1897 foi enviado para Angola, como chefe de estado maior, servido na colónia até 1900. Nesta estadia realizou vários reconhecimentos geográficos, tendo feito alguns levantamentos cartográficos, como os de Luanda, Benguela e Moçamedes. Em 1902 foi enviado para a Índia, de novo como chefe de estado-maior das forças estacionadas naquela colónia do Índico. Voltou a Angola em 1905, nomeado governador do distrito da Huíla, devido ao massacre de Pembe de uma força de 500 homens destacada da coluna que ia submeter os Cuanhamas, tribo sedeada no baixo Cunene.
Alves Roçadas começou por submeter a região dos Mulondo, a leste de Huíla, entre os rios Calculevar e Cunene, tendo morto o soba Haugalo. Em 1906, atacou a sul em direcção ao baixo Cunene, ao longo do rio Calculevar, ocupando Pocolo, Bela-Bela e Jau. Atravessou o Cunene, fundando o Forte Roçadas, em terras dos Cuamato. O avanço além Cunene, para ocupação da parte portuguesa do Ovampo, foi preparado com expedição de novas tropas. Para comandar esta expedição é nomeado em Maio de 1906 o capitão Alves Roçadas. As forças expedicionários saíram do Forte Roçadas em 27 de Agosto de 1907, sendo atacadas logo de seguida em Mufilo. Roçadas mandou formar um quadrado que conseguiu suster o ataque, sendo a cavalaria a decidir o combate. Seguiram-se vários outros combates, até que a embala de Nalueque foi finalmente ocupada. A campanha acabou em Outubro, com a pacificação das tribos do baixo Cunene, os Cuamatos.
De regresso a Lisboa é promovido a Major e nomeado ajudante-de-campo do rei, grande oficial da Torre e Espada, recebendo as medalhas de ouro de Serviços Distintos e Valor Militar. Em 20 de Maio de 1908, no começo do reinado de D. Manuel II, foi promovido por distinção a tenente coronel.
Nomeado governador de Macau, regressou a Angola como governador-geral, mas por pouco tempo, por se ter demitindo do cargo devido à revolução republicana de Outubro de 1910. De regresso a Portugal, é colocado como chefe de estado-maior de várias grandes unidades. Em 1914, quando se organizou a primeira expedição a Angola, para defender o sul da colónia, que fazia fronteira com a colónia alemã do Sudoeste Africano, Roçadas foi escolhido para a comandar. O incidente de Naulila, nas margens do Cunene, perto da fronteira entre as duas colónias, incidente entre forças militares portuguesas e alemãs, acontecido em 18 de Outubro, fez com os alemães atacassem o posto isolado de Cuangar, nas margens do Cubango. Alves Roçadas decidiu então, com as poucas forças de que dispunha, atravessar o Cunene e procurar as forças alemãs que tinham entrado no território português. Mas foi derrotado em Naulila, em 18 de Dezembro, e obrigado a atravessar o Cunene e o Caculevar, concentrando-se à volta do Forte Gambos. Devido a esta retirada os povos do Humbe revoltaram-se. Alves Roçadas foi, por isso, chamado a Portugal, embarcando em princípios de Maio de 1915.
Em Setembro de 1918 foi enviado para França, com o posto de general graduado, tomando interinamente o comando da 2.ª divisão do C.E.P. em Dezembro, já depois do Armistício. Em 16 de Abril de 1919 foi nomeado comandante do Corpo português, sendo responsável pelo seu regresso a Portugal. Em Setembro de 1918 foi nomeado governador dos territórios da Companhia de Moçambique, tendo regressado em 1923 a Portugal. Confirmado no posto de general em Novembro de 1924, depois de ter prestado provas, foi nomeado comandante da 1.ª Divisão militar.
Desde o seu regresso, fez parte do grupo que em torno de Sinel de Cordes, preparou a conspiração que levou ao golpe de 28 de Maio de 1926, sendo o chefe indicado para tomar o poder, o que não se realizou devido a ter adoecido pouco tempo antes do golpe, acabando por morrer pouco tempo depois.
Fonte:
Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol. 25, págs. 828-829
sábado, 13 de janeiro de 2018
Biografia - José António da Rosa
n: 14 de Fevereiro de 1745, Mourão (Portugal)
m: 28 de Novembro de 1830, Lisboa (Portugal)
Filho de pequenos lavradores de Mourão, assentou praça em 1761 no Regimento de Artilharia do Alentejo, sendo cabo de esquadra em 1770 e furriel em 1772. Tendo frequentado a aula regimental, e passado no exame, foi promovido a segundo-tenente em 1774. Entre 1780 e 1783 foi aluno da Academia Real de Marinha e Engenharia, tendo sido promovido a primeiro-tenente em 1784, na companhia de Artífices e Pontoneiros do Regimento de Artilharia do Algarve. Em Janeiro de 1787 foi graduado em capitão, tendo casado no mês seguinte, em Lisboa. Em 1781 tinha-lhe sido concedido o hábito de Cristo com cinquenta mil reis de tença.
Em 1789 foi nomeado Lente da terceira cadeira de Artilharia, do terceiro ano da Academia Real de Fortificação, Artilharia e Desenho, que acabava de ser instituída, ficando agregado ao Regimento de Artilharia da Corte, com o posto de capitão efectivo. A cadeira dizia respeito ao estudo das minas e contra-minas e a sua aplicação ao ataque e defesa das praças, tendo dado origem à publicação em 1791 do livro Compêndio das Minas. Em Setembro de 1793 foi promovido a Major, continuando agregado ao Regimento de Artilharia da Corte, mas recebendo o soldo de oficial efectivo. Em 1793 era cavaleiro da Ordem de Avis, com doze mil reis de tença, devido aos seus 20 anos de serviço como oficial, e mais de 40 anos de idade.
Quando, em 1793, se organizou a Divisão Auxiliar para serviço em Espanha, José António da Rosa foi nomeado comandante da Brigada de Artilharia, tendo sido promovido ao posto de Tenente-Coronel em 1795, "em atenção aos distintos serviços que [tinha] efectuado nas campanhas do Rossilhão e Catalunha." Em 1797 era graduado em coronel.
Por motivo da Guerra de 1801 com a Espanha, foi nomeado comandante dos Parques de Artilharia do exército. Em 1803 foi mandado rearmar algumas praças do Alentejo, assim como reorganizar os trens de Artilharia da província., enquanto Inspector dos municiamentos da província do Alentejo. Em Junho foi promovido a Brigadeiro. Mais tarde, de acordo com o Plano de Reorganização do Exército de 1806, foi nomeado Inspector da Artilharia e munições de guerra das Praças do Reino em 13 de Julho de 1807, sendo nomeado comandante das baterias a sul do Tejo.
Beresford fê-lo Comandante-Geral da Artilharia em Maio de 1809, o que não foi mais do que o confirmar no antigo cargo de Inspector. No ano seguinte foi promovido a marechal de campo.
Em 1815 foi nomeado para o Conselho de Guerra, e no ano seguinte foi promovido a tenente-general, o que o levou a ser feito Cavaleiro Fidalgo da Casa Real em 1819.
Em 1821 foi eleito deputado às Cortes Constituintes pelo Alentejo, sendo conhecido pela assiduidade nas votações e silêncio nos debates.
Fonte:
Henrique de Campos Ferreira Lima,
O tenente-general José António da Rosa, no 1.º centenário da sua morte (28-XI-1830 - 28-XI-1930,
Separata da Revista de Artilharia, n.º 65, Novembro de 1930,
quinta-feira, 11 de janeiro de 2018
Biografia - Frederico Armando, conde de Schomberg
n. [ 16 de dezembro de 1615 ].
f. [1 de julho de 1690 ].
Conde de Mértola e mestre de campo general em Portugal, marechal de França, generalíssimo das tropas da Prússia, etc..
Nasceu na Alemanha em 1618, sendo filho de Hans Meynard (ou Armando), conde de Schomberg, marechal do Alto e Baixo Palatinado, etc..
Estreou-se na carreira das armas , militando nas fileiras do exército sueco, então ao serviço de Richelieu, e assistiu a diversas batalhas e a quase todas as acções e recontros do período, chamado francês, da guerra dos Trinta Anos. Em 1636 passou ao serviço da França como capitão de uma companhia de cavalos ligeiros, tomou parte na campanha do Franco Condado, acompanhou o marechal de Qantzan à Alemanha, e foi chamado para junto de Henrique de Nassau, que o nomeou seu lugar-tenente. Voltando depois à França, em 1650, comprou o lugar de capitão da companhia dos guardas escoceses, e daí a dois anos foi feito marechal de campo. Entrou em diversos combates na guerra da Fronda; serviu às ordens de Turenne com o posto de tenente general, foi governador da praça de Saint-Julien, que defendeu em 1657; assistiu à batalha das Dunas e ao cerco de Dunquerque, e em 1660 veio para Portugal com uns 600 companheiros, a maior parte oficiais de cavalaria, artilharia e engenharia, para tomar parte na guerra da Restauração.
Como é sabido, o cardeal Mazarin, ajustando a paz dos Pirinéus, abandonou vergonhosamente a causa da nossa independência, e por isso o conde de Soure, embaixador português na corte de França, recebeu ordem de voltar apressadamente à pátria, afim de evitar a afronta de o mandarem sair. Segundo as instruções que recebeu do governo, devia tratar apenas de aliciar particularmente o maior número de bons oficiais e um general hábil, embarcando para Lisboa logo que tivesse cumprido esta missão. Para o conseguir foi o nosso diplomata muito auxiliado pelo marechal de Turenne, que lhe indicou oficiais que tinham servido debaixo das suas ordens, entre outros o coronel Jeremias, Jovet, e o general conde de Schomberg, que mais facilmente podia tomar o serviço de Portugal, porque apesar de ter militado nos exércitos franceses era alemão de nascimento. Esta negociação foi conduzida secretamente em casa do duque de Albrect, rapaz de dezanove anos e sobrinho de Turenne, em cuja casa este escondido o conde de Soure. A 29 de outubro de 1660 embarcou finalmente no Havre o nosso diplomata acompanhado do conde de Schomberg e dos oficiais que vinham servir nos exércitos portugueses, e a 11 de novembro seguinte chegavam ao porto de Lisboa. Não foi isto muito bem visto pelos generais portugueses, e principalmente pelo marquês de Marialva, que se ufanava da sua vitória das Linhas de Elvas.
A 17 de dezembro foi o conde de Schomberg nomeado para o posto de mestre de campo general da província do Alentejo, com o soldo de mil cruzados por mês, na forma que tinha sido contratado em França pelo conde de Soure, partiu pouco depois para essa província, cujo governo supremo havia sido dado ao conde de Atouguia. No ano imediato as operações militares nessa fronteira foram de pouca importância, mas o conde de Schomberg deixou ali assinalada a sua presença pelos esforços que fez para o nosso exército adoptar o hábito de marchas de costado, que já se usava na Europa, mas era cá desconhecido, para acabar com os privilégios que certos terços gozavam de formarem na vanguarda ou em determinados postos e para introduzir na formatura e disciplina das nossas tropas melhoramentos e princípios que lhe facilitassem a vitória. Essas novidades foram mal aceites, custaram muito a ser seguidas, e os chefes superiores levados de ciúme eram os primeiros a fazerem oposição às ideias do conde de Schomberg. Daí resultaram ao oficial estrangeiro vários desgostos que ele suportou sem quebra de zelo, e continuou a servir sempre com igual valor e actividade, ainda depois de ver o marquês de Marialva substituir o conde de Atouguia, faltando assim o governo à promessa que fizera de lhe dar o mando superior do Alentejo.
Na campanha de 1662 também o conde de Schomberg teve ocasião de se assinalar, porque foram de pouca monta as operações realizadas pelo nosso exército no Alentejo, e alguns sucessos infelizes, que ali sofremos, podem até certo ponto atribuir-se à turbação produzida no ânimo do marquês de Marialva pela ideia de que um general estrangeiro podia murchar-lhe os louros da sua vitória das Linhas Elvas. Durante todo esse ano, apesar da má vontade do chefe, prosseguiu o conde de Schomberg no intento de melhorar a disciplina do exército e na marcha de Elvas para Estremoz, em que o marquês de Marialva desprezou as indicações do conde, se não estivesse cego pelo ciúme, poderia reconhecer a vantagem de seguir à risca o que propunha para as marchas do homem que militara largos anos nas fileiras dos exércitos bem organizados e adestrados.
Em 1663 foi o conde de Vila Flor, D. Sancho Manuel, encarregado do governo das armas do Alentejo, e com esse parece terem subido de ponto as desinteligências com Schomberg, porque, segundo consta, mais de uma vez esteve este último para se retirar para França, sendo preciso todo o zelo do general D. Luís de Menezes para que os dois generais se reconciliassem, e quando o exército saiu de Estremoz para Évora, o plano de campanha foi estabelecido com perfeito acordo dos dois. Ao chegarem a Évora Monte e serem informados da queda de Évora, tiveram os nossos de modificar o projecto traçado, e o exército português marchou rapidamente contra D. João de Áustria para ver se conseguia surpreendê-lo. Quando as nossas tropas chegaram quase perto dos castelhanos, ainda uma pequena pendência se levantou entre Vila Flor e Schomberg, porque estando já próxima a noite, queria este último que o exército a passasse a noite em ordem de batalha e aquele que a passasse à vontade cobrindo-se com os carros. Schomberg, que conhecia por experiência os inconvenientes de ter de formar as tropas na presença do inimigo, insistiu e como todos os oficiais o apoiassem, Vila Flor cedeu, e desde então foi o mestre de campo general sempre o encarregado de escolher as posições que o exército devia ocupar desempenhando-se admiravelmente dessa incumbência. Não tardou a dar-se a batalha do Ameixial, em que as nossas tropas ficaram vencedoras (V. Ameixial). Ainda durante a campanha, o mestre de campo general conde de Schomberg, no cerco de Évora, teve ensejo de revelar os seus conhecimentos militares nos entrincheiramentos militares que levantou para cobrir o exército sitiador, e depois quando o marquês de Marialva e o conde de Vila Flor regressaram a Lisboa, ficou à testa do governo militar do Alentejo até ser no ano seguinte nomeado para esse importante posto o marquês de Marialva. Todos os generais portugueses se mostravam ciosos do conde, mas principalmente o marquês de Marialva. Além disso, Schomberg irritou-se deveras por lhe não darem o comando dizendo que no contrato que fizera, vindo para Portugal, se lhe assegurara que servia unicamente debaixo das ordens do conde de Atouguia para se não demitir o general que estava comandando quando ele veio, e que tendo cedido já duas vezes do seu direito para não suscitar embaraços ao governo, considerava ofensiva a persistência em não lhe darem o comando. Ninguém se atrevia a dizer-lhe a verdade, que era não haver general português que se prestasse a servir debaixo das suas ordens. Aceitavam-no como mestre de campo general, exercendo muitas vezes na sombra o verdadeiro comando, mas queriam que pertencesse a um compatriota o título de general em chefe.
Em 1664 o marquês de Marialva foi o mais exigente, o que ainda mais desesperou Schomberg, não o aceitando nem para mestre de campo general, sendo preciso que se criasse para ele um novo posto, comandante das tropas estrangeiras ao serviço da coroa portuguesa, mas felizmente aplanaram-se no princípio do ano imediato, e em Junho de 1665 o marquês de Marialva e o conde de Schomberg podiam repartir equitativamente a glória da batalha de Montes Claros, porque se o primeiro sustentou inabalável à frente da segunda linha o ímpeto do inimigo, e se reconhecendo com segurança e rapidez o enfraquecimento da esquerda correu a suportá-la, ao conde de Schomberg se deve a boa formatura com que as nossas tropas marchavam e a presteza com que fazendo passar a cavalaria quase toda da esquerda à direita, pôde oferecer uma importante massa às cargas dos esquadrões castelhanos ( V. Montes Claros). Em 1666 obteve afinal o conde de Schomberg o governo das armas do Alentejo. A Guerra da Restauração ainda se alongou até 1668, mas sem grande calor nem feitos dignos de menção, e concluída a paz voltou o conde de Schomberg para a França, onde recebeu em 1674 o comando do exército da Catalunha, sendo elevado a marechal de França no ano seguinte.
Informação retirada daqui
terça-feira, 9 de janeiro de 2018
Biografia - D.Rodrigo de Sousa Coutinho, 1.º conde de Linhares
n. 4 de agosto de 1745.
f. 26 de janeiro de 1812.
Senhor de Paialvo, grã-cruz das ordens de Avis e da Torre e Espada, conselheiro de Estado, notável diplomata, etc.
Nasceu em Chaves a 4 de agosto de 1745, faleceu no Rio de Janeiro a 26 de janeiro de 1812, sendo filho de D. Francisco Inocêncio de Sousa Coutinho e de D. Ana Luísa Joaquina Teixeira. Era irmão de D. Domingos António de Sousa Coutinho, conde e marquês do Funchal (V. este titulo).
Seguindo a carreira diplomática, foi ministro plenipotenciário e enviado extraordinário em Turim, sendo depois chamado a Portugal em 1795, quando faleceu Martinho de Melo e Castro, para o substituir na pasta do ministério da marinha, em que prestou relevantes serviços, continuando a obra de reorganização encetada por aquele ministro criando o corpo de engenheiros construtores e a junta da fazenda de marinha.
Depois, por morte do marquês de Ponte de Lima, foi nomeado presidente do Real Erário. O seu ministério ficou celebre pelo grande impulso que deu ás ciências desenvolvendo os trabalhos geodésicos, mandado Alexandre Rodrigues Ferreira fazer viagens botânicas no Brasil; mandou tentar a travessia da África de leste a oeste por Lacerda de Almeida, etc.
Sendo demitido como partidário da aliança inglesa, quando o ministro francês, o general Lannes, aqui exerceu grande influência, emigrou para o Brasil com a família real, e apenas chegou ao Rio de Janeiro foi nomeado ministro dos negócios estrangeiros e da guerra. Também exerceu os cargos de inspector-geral do Gabinete de História Natural e do Jardim Botânico da Ajuda; da Biblioteca Pública de Lisboa; presidente do conselho de Fazenda e da Junta económica, administrativa e literária da Impressão Regia; da Junta da direcção geral dos provimentos de boca para o exército, da Junta do pagamento do novo empréstimo ao Erário Régio; presidente honorário da Sociedade Real Marítima; sócio honorário da Academia Real das Ciências de Lisboa. O título foi concedido por decreto de 17 de dezembro de 1808. O conde de Linhares era muito erudito, muito versado nas ciências naturais e políticas.
Publicou somente, segundo consta, uma Memória sobre a verdadeira influencia das minas dos metais preciosos na industria das nações, especialmente na portuguesa; foi inserta no tomo I das Memórias Económicas da Academia Real das Ciências.
O brasão de armas consta do seguinte: um escudo esquartelado; no primeiro quartel as armas dos Sousas Chichorros ou de Arronches; as armas do reino com um filete preto em contrabanda, que não chegue à orla, e passe por baixo do escudinho do meio; no segundo as armas dos Coutinhos; em campo de ouro cinco estrelas de vermelho com cinco pontas cada uma.
Informação retirada daqui
domingo, 7 de janeiro de 2018
Biografia - Francisco Borja de Garção Stockler, barão da Vila da Praia
n. 25 de setembro de 1759.
f. 6 de março de 1829.
Fidalgo cavaleiro da Casa Real; do conselho do rei D. João VI, comendador da Ordem de Cristo, tenente-general do exército, secretário e conselheiro do Conselho Ultramarino, governador do Algarve, governador e capitão general dos Açores; secretario das imediatas resoluções do rei relativas ao exército; membro da Junta do Código Criminal Militar, e da Junta convocada para a formação do projecto da Carta Constitucional em 1823; lente de matemática na Academia Real de Marinha de Lisboa; deputado da Junta de Direcção da Academia Militar do Rio de Janeiro, secretário da Academia Real das Ciências de Lisboa, sócio da Sociedade Real de Londres, etc. Nasceu em Lisboa a 25 de setembro de 1759, faleceu no Algarve a 6 de março de 1829. Era filho de Cristiano Stockler, natural de Lisboa, cavaleiro da Ordem de Cristo, e de sua mulher, D. Margarida Josefa Rita de Orgiens Garção de Carvalho.
Seu avô, Cristiano Stockler era natural de Hamburgo, homem de negócios estabelecido em Lisboa nos princípios do século 18. Tendo escolhido a carreira militar, foi depois matricular-se na faculdade de matemática na Universidade de Coimbra em 1784, quando já contava vinte e cinco anos de idade. Tomando o grau de bacharel nessa faculdade, foi nomeado lente da Academia Real de Marinha. Nomeado sócio da Academia Real das Ciências pouco depois, foi a academia que em 1791 mandou publicar a sua primeira obra, que era um Compendio da teoria dos limites, ou introdução ao método das fluxões. Dedicou-se com grande ardor a trabalhos académicos; e nos tomos I e II das Memórias da Academia publicou as seguintes obras: Memórias sobre os verdadeiros princípios do método das fluxões; a Demonstração do teorema de Newton sobre a soma das potências das raízes das equações; a Memória sobre as equações de condição das funções fluxionaes; a Memória sobre algumas propriedades das coeficientes dos termos do binómio de Newton. Nomeado secretário da Academia proferiu sucessivamente os elogios históricos de Pascoal José de Melo Freire dos Reis, de José Joaquim Soares de Barros e Vasconcelos, de Roberto Nunes da Costa, de Martinho de Melo e Castro, de Bento Sanches de Orta, e de Guilherme Luís António de ValIeré. De todos. estes discursos só foi publicado em separado, o elogio de Pascoal José de Mello, que saiu em 1799, sendo mais tarde reimpresso no tomo II das obras do autor os outros, juntamente com o elogio de Alembert, que pode dizer-se que apenas se limita a ser a tradução do elogio escrito por Condorcet, com uma Memória destinada a provar a originalidade dos descobrimentos portugueses no século 15, com uma, carta a Mr. Felkel acerca do seu método para determinar os factores dos números naturais, constituíram o 1.º volume das obras completas de Stockler publicado em 1805. No ano de 1800 publicara ele em francês: Lettre a Mr. le Redacteur du "Monthly Review"; ou réponse aux objections qu'on a faites dans ce journal à la methode des limites des fluxions hypothétiques.
Em 1801 foi Stockler chamado a servir em campanha debaixo das ordens nominais do duque de Lafões, mas deu nessa infeliz campanha, como é notório, os mais tristes documentos da sua ciência militar: Apesar disso não deixou de ser nomeado membro do Conselho Ultramarino e membro da Junta do Código Criminal Militar. Em 1807 era ainda secretário da Academia, quando Junot invadiu o reino. Não se mostrou Stockler muito avesso ao novo domínio, desejou sobretudo de conservar os seus postos e rendimentos, e tendo a Academia eleito para seu sócio honorário o general Junot, recusando-se contudo a nomeá-lo seu presidente, como parece que Stockler desejava, apesar de se ter associado à manifestação contraria que se fez no seio da Academia, foi nomeado para ir apresentar o diploma ao conquistador, fazendo lhe nessa ocasião um discurso laudatório. Encarregara-o o mesmo Junot do comando da bateria de Areia, cujo fogo impediu vários navios portugueses de se irem juntar à esquadra que levava para o Brasil a família real. Estas provas de confiança do general francês, o valimento de que gozava junto dele, e a desgraçada missão académica, de que foi incumbido, não contribuíram pouco para a animadversão que o governo português lhe mostrou, logo que os franceses evacuaram Portugal. A regência privou o de todos os seus cargos, e o conde de Linhares, ministro do príncipe regente no Brasil, em resposta a um requerimento de Stockler, que já então era brigadeiro, fulminou-o com o seguinte oficio dirigido ao patriarca presidente da regência, a pedir-lhe que informasse acerca do requerimento:
"Ex.mo e rev.mo sr. Tendo levado à augusta presença de S. A. R. o príncipe regente nosso senhor a carta inclusa e mais papeis do brigadeiro Francisco de Borja Garção Stockler, cujos talentos militares verificados na campanha de 1801, são assaz constantes ao mesmo senhor, em cuja real presença é além disto mui pouco acreditado pela missão em que foi mandado a Junot, e depois pelo comando da bateria da Areia junto à torre de Balem, donde barbaramente fez atirar sobre navios portugueses, que se faziam à vela para saírem do Tejo; contudo S. A. R. ouvindo os sentimentos da sua incomparável justiça e piedade, é servido que os governadores do Reino informem, interpondo o seu parecer e depois de ouvir o marechal general ou o marechal do exército se haverá algum lugar activo em face do inimigo, onde o suplicante possa ser empregado, e neste caso o proponham para esse posto, afim de que se verifique se ele tem realmente grandes talentos militares, ou se nesta matéria como nas outras se avalia muito além do que vale; o que é assaz conhecido quando, como matemático, quis associar-se ao tão justamente célebre Lagrange. Palácio de Santa Cruz em 25 de Novembro de 1809. Conde de Linhares."
Este ofício irónico mostra os ódios profundos com que Stockler tinha de lutar. Entretanto, contudo era promovido a marechal de campo, provavelmente porque lhe competia por antiguidade.
José Acúrcio das Neves publicava então a sua Historia geral da invasão dos franceses, e como ali se referia dum modo desagradável à campanha de 1801, Stockler respondeu-lhe numa obra intitulada Cartas ao autor da Historia Geral da invasão dos franceses em Portugal. Eram 9, e Stockler apresentou-as em 1811 à Academia, mas esta não as quis mandar imprimir: Como José Acúrcio também tratava na sua História do caso da escolha de Junot para sócio honorário da Academia, Stockler trocou com ele várias cartas particulares, protestando contra o papel que José Acúrcio lhe atribuía. A correspondência a que este. caso deu lugar foi publicada por Stockler no Investigador Português. Em 1812 partiu Stockler para, o Rio de Janeiro, e por tal modo se insinuou nas boas graças do príncipe regente, que não só conseguiu que lhe fossem restituídos todos os cargos de que a regência o esbulhara, mas foi nomeado ainda governador e capitão-general dos Açores. Durante a sua estada no Rio de Janeiro imprimiu ali, em 1813, as referidas cartas que a academia em 1811 se recusara a publicar. Achava-se no Brasil, quando por morte da rainha D. Maria I, o príncipe regente foi aclamado rei; e em nome da Academia escreveu um Discurso dirigido em nome da Academia Real das Ciências a S.M. o Senhor D. João VI, por ocasião da sua exaltação ao trono; foi publicado no tomo VI, parte I das Memórias da Academia. Regressando à Europa para ir tomar posse do governo dos Açores, imprimiu em Paris no ano de 1819, o seu Ensaio histórico sobre a origem e progressos das matemáticas em Portugal, obra de que os críticos falaram com muito louvor, entre eles José Silvestre Ribeiro na Resenha de Literatura Portuguesa, tomo I, pág. 16 e seguintes. Nos Anais das Ciências, das Artes e das Letras, no tomo V, pág. 138 a 156, também vem um extenso e elogioso artigo.
Em 1821 mandou imprimir em Londres as suas Poesias líricas, constando o volume de dezoito odes horacianas, doze salmos traduzidos, duas epístolas, etc., e um canto dum poema filosófico, as Aves, que fora principiado pelo grande poeta brasileiro Sousa Caldas, mas que Stockler refundiu e aumentou muito. Além disso, há também no volume uma larga dissertação sobre o ritmo e a poesia hebraica. Este volume fora por Stockler submetido à censura da academia para ser por ela mandado publicar. Encarregou-se de dar parecer a esse respeito o dr. frei Patrício da Silva, que depois foi cardeal patriarca, e este veio com uma censura em que mostrou, que na dissertação acima indicada se aventavam ideias paradoxais, e princípios menos ortodoxos, e que careciam de correcção. O parecer era datado do convento da Graça, de 28 de maio de 1819. Stockler não quis conformar-se com este parecer, que a Academia aprovara, e retirando o seu manuscrito, mandou o depois imprimir em Inglaterra, sem lhe fazer a menor alteração. As Poesias líricas foram efectivamente condenadas, mais tarde, em Roma, por decreto da Sagrada Congregação do Index de 23 de junho de 1836, como pode ver se no Index librorum prohibitorum, da edição de 1854. Havia rebentado em Portugal a revolução de 1820, e chegava aos Açores a noticia. Sotckler aproveitou a ocasião para dar penhores da sua fidelidade ao regime absoluto, já que fora acoimado de jacobino por causa da sua subserviência a Junot. Efectivamente não quis proclamar o regime da revolução. Garrett, moço ainda e estudante de Coimbra, apareceu em Angra nesse tempo, e começou a agitar os espíritos para os sublevar contra Stockler. Este mandou avisar a família de que, se Garrett fizesse a mais leve demonstração política, iria logo para a cadeia. Contudo, chegou a esse tempo a fragata Pérola comandada por Marçal José da Cunha, e este intimou Stockler para que reconhecesse o governo liberal. Stockler insurgiu-se contra a intimação e resistiu, mas não encontrou o apoio que esperava na população, e foi mandado preso para Portugal, organizando-se na Terceira um governo provisório. Mandou-lhe o governo instaurar processo, e deu isso lugar a longos debates pela imprensa, escrevendo Stockler um Memorial dirigido ao Ill.mo sr. Luís Manuel de Moura Cabral, desembargador da Casa da Suplicação, etc., ilustrado com algumas notas, Lisboa, 1822; e além disso, muitas obras que assinava com pseudónimos ou a que punha o nome do filho, António Nicolau de Moura Stockler, que então contava apenas dezassete anos de idade. Essas obras são Cartas, (1.ª, 2.ª e 3.ª) sobre os acontecimentos da ilha Terceira, por um Cidadão imparcial; a Nota ao n.º 75 do Campeão Lisbonense por um Amigo do general; Observações ou notas ilustrativas do folheto intitulado «Voz da Verdade provada por documentos»; Carta sobre o n.º 2 do folheto intitulado a «Voz da Verdade», etc ; Analise critica ao libelo famoso intitulado «Noticia resumida dos acontecimentos da ilha Terceira na instalação do seu governo constitucional», tudo isto com o nome de seu filho. Finalmente o próprio, general respondeu com o seu nome num folheto a umas Notas escritas por Vicente José Ferreira da Costa, a um ofício que ele dirigira ao conde dos Arcos, ofício que os seus inimigos publicaram em 1823. Estas questões e o processo terminaram com a queda do governo constitucional em 1823, ficando o comportamento de Stockler ilibado à face da lei, pois se tornava em acção meritória o que até então lhe imputavam como delito. Foi novamente nomeado governador dos Açores, como capitão-general, sendo também agraciado com o título de barão da Vila da Praia, por decreto de 29 de setembro de 1823. Pouco tempo se demorou nos Açores. Em 1825 voltou para Portugal, e ofereceu à academia a sua obra Método inverso dos limites ou desenvolvimento das funções algorítmicas. Ainda desta vez o parecer académico foi muito desfavorável à publicação da obra. Era a terceira vez que o desfeiteavam assim. Stockler então irritou-se, mandou à academia a demissão de sócio, e imprimiu a obra por sua conta. Em 1826 publicou o 2.° volume das suas obras completas, que já principiara a imprimir-se na tipografia académica, saindo o 1.º tomo em 1805, mas fora interrompida a impressão por causa da invasão francesa. Encerra os elogios de D. Tomás Caetano do Bem e de Pascoal José de Melo, o apêndice ás cartas ao autor da Historia da invasão francesa, uma Carta sobre a liberdade de imprensa um Esboço dum plano de Código Criminal Militar, uma demonstração do seu proceder de 1807 a 1812, um projecto sobre o estabelecimento da instrução pública no Brasil, e uma carta a Jacome Ratton. Quase tudo havia já sido publicado Em 1827, finalmente, quando se debatiam em Portugal as questões constitucionais, escreveu Stockler, uns Elementos de Direito Social, ou princípios de Direito natural, que devem servir de base á constituição das sociedades civis. Stockler, como se depreende, foi um dedicado partidário de D. Miguel, que o nomeou governador das Armas na província do Algarve, e no exercício desse cargo faleceu. Além das obras mencionadas, ainda escreveu uma Analise da Memória publicada pelo dr. José Martins da Cunha Pessoa em o n.º LII do Investigador português em Inglaterra, saiu também em nome do filho, sendo publicada em 1816 no Rio de Janeiro; Lição duodécima dos elementos de Geometria, a qual tem por titulo das correlações que existem entre as operações elementares da tecnica geométrica e da tecnica algébrica. Lisboa,: 1819; Breve noticia da vida e obras de Francisco Dias Gomes; saiu no principio das Obras poéticas do mesmo Gomes, mandadas publicar pela Academia; Anotações e aditamentos ás obras do padre António Pereira de Sousa Caldas, impressas em Londres.
O barão da Vila da Praia casou duas vezes: a primeira, a 3 de janeiro de 1796 com D. Inês Gertrudes de Mendonça e Moura, filha de D. João Francisco de Moura, cavaleiro da Ordem de Cristo e escrivão da Mesa Grande da Alfândega de Lisboa, e de sua mulher, D. Ana Catarina da Silva e Távora; a segunda vez com D. Maria Margarida Stockler, sua sobrinha, filha de António Xavier Sotckler, e de sua mulher D. Rita Inácia de Brito Lambert.
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