sexta-feira, 24 de março de 2017

Cunha e Meneses, Francisco da


n: 10 de Abril de 1747 (Portugal)
m:12 de Junho de 1812 (Portugal)

Membro da família dos condes de Lumiares, entrou para o exército no fim do reinado de D. José, tendo já quase 30 anos, subindo rapidamente os postos. Era major quando foi nomeado Governador de São Paulo. Devido ao seu bom desempenho foi nomeado para a Índia com o título de Governador, e não de Vice-Rei, devido a não detentor de título nobiliárquico, onde chegou a 28 de Outubro de 1789, tomando posse do governo em 3 de Novembro.

Na Índia, conquistou Pernem e recebeu Pondá e Piró do rei de Sunda, ocupando o posto até 1794, data em que foi substituído pelo governador Veiga Cabral, pelo que regressou a Portugal. Promovido a Coronel do Regimento de Campo Maior, no Alto Alentejo, chegou ao posto de marechal de campo em 1800. Nomeado para um posto de comando no exército do Norte, comandado pelo marquês de la Rosière durante a Guerra de 1801, foi nomeado quartel-mestre general do Exército do Norte, quando Gomes Freire de Andrade foi para Coimbra em Agosto de 1801. Foi enviado novamente para o Brasil, agora para o Norte, para o lugar de governador da Baía, tendo permanecido no Brasil até 1805, sendo promovido a tenente general em Fevereiro 1807 e sendo nomeado para o Conselho de Guerra.

Em Novembro de 1807, devido à ida da corte para o Brasil, foi nomeado membro do Conselho de Regência, a que pertenceu até ser impossibilitado de se reunir por ordem de Junot. Pertenceu à Regência restabelecida por sugestão do comando militar britânico que tinha ficado encarregue do governo de Lisboa, de acordo com a «Convenção de Sintra», tendo sido confirmado no seu lugar pela Carta Régia de 1809.

Informação retirada daqui

quinta-feira, 23 de março de 2017

Astrid da Bélgica


No dia 29 do fatídico mês de Agosto, de 1935, uma rainha adorada pelo povo morria num desastre de viação aos 29 anos. Astrid da Bélgica deixou três filhos pequeninos, um marido inconsolável, um povo de luto e o mundo inteiro consternado.

            Astrid, princesa da Suécia, a terceira filha do príncipe Óscar Carlos da Suécia, irmão do rei Gustavo e de sua mulher Ingeborgn nasceu em Estocolmo em no dia 17 de Novembro de 1905, e viria a ser a quarta rainha dos belgas. A sua educação foi de grande liberdade de movimentos, sem a costumada educação espartana que se verifica na Grã Bretanha. Os pais de Astrid quiseram que as filhas aprendessem o mesmo que qualquer menina burguesa e assim aconteceu. Aprenderam a cozer, cozinhar e tratar de crianças. Margarida, Marta e Astrid estavam assim preparadas para viver num país onde a democracia era já uma realidade. Astrid frequentou a Universidade feminina de Upsala e tirou um curso de Puericultura.
            Astrid desde pequena que gostava de ler e praticar desporto. Com as irmãs costumava visitar os doentes nos hospitais e preferia conversar com os mais pequenos. Astrid conheceu aquele que seria seu marido num dos muitos encontros entre as famílias reais europeias. 
            Decorria o mês de Março de 1926 e depois de várias semanas de convívio, Leopoldo e Astrid sentiram-se atraídos um pelo outro. Ele era o príncipe herdeiro da Bélgica, filho de Alberto I e da rainha Isabel. Leopoldo era o protótipo do príncipe perfeito. Bonito, inteligente, rico e simpático. Astrid e Leopoldo amaram-se, como se podia amar naquele tempo, com uma certa distância. Ficaram noivos e casaram, sem qualquer entrave. O casamento foi primeiro uma cerimónia civil em Estocolmo, a 4 de Novembro de 1926, na presença dos reis da Suécia, Bélgica, Dinamarca e Noruega e de muitos convidados da nobreza europeia. A noiva tinha a religião luterana e o noivo era católico. 
            Para a realização da cerimónia religiosa, Astrid foi levada pelo pai e comitiva para a Bélgica, no Fylgia , um deslumbrante barco branco, onde a princesa viajou envergando, como não podia deixar de ser, um vestido também branco. Por ser do país das neves e vestir-se de branco, começaram logo a chamaram-lhe « Princesa das Neves». 
            A comitiva real chegou à cidade de Antuérpia onde era esperada, no cais, pelo apaixonado noivo, que a beijou na face, sem se preocupar com protocolos e que uma multidão curiosa saudou e aplaudiu. Diferente do que viria a ser mais tarde o enlace de Carlos de Inglaterra e Diana, este não foi um casamento de Estado, imposto. Foi na verdadeira acepção da palavra um casamento de amor. A cerimónia religiosa realizou-se em Bruxelas, no dia 10 de Novembro, na basílica de Santa Gúdula. Astrid lindíssima ostentava um vestido com uma cauda de dez metros de comprido e na cabeça um diadema que lhe segurava um véu de renda de Bruxelas. 
            A Bélgica, como sabemos, é um país recente, apenas independente dos Países Baixos, desde 1830. País próspero e de uma riqueza imensa em património monumental, as suas principais cidades são capitais de cultura, de grande comércio e, nos anos 30 do séc. XX, uma das suas principais riquezas era a extracção de carvão de minas. 
            Os noivos, Astrid e Leopoldo, foram viver para um pavilhão anexo ao palácio, chamado Belle Vue. Astrid aprendeu a língua flamenga e melhorou o seu francês por serem as duas línguas oficiais da Bélgica.
            Educada de modo informal, Astrid teve a primeira filha Josefina Carlota, em 1927 e educou-a como fora educada, com o mínimo de protocolos. Porque as crianças, todas, filhas de monarcas ou dos comuns dos mortais, devem ter desde que nascem liberdade e muito afecto. Os belgas cedo se habituaram a ver uma mãe com os filhos ( que por acaso, era princesa) a passear, o carrinho com o bebé pelos jardins de Bruxelas. 
            Astrid, deu-se logo muito bem com a sua nova família. O casal viveu uma lua-de-mel de nove anos, que só a morte trágica da rainha viria interromper. 
            O ano de 1930 foi o ano do primeiro centenário da Bélgica como País. Houve enormes comemorações que culminaram com o nascimento, a 7 de Setembro, do filho, que viria a ser o herdeiro do trono – Balduino, que foi rei entre 1951 e 1993.

            Como herdeiro do trono, Leopoldo com o título de duque de Brabante e Astrid fizeram diversas viagens, nomeadamente ao Congo (ex-Congo Belga), às chamadas Índias Holandesas e à Ásia meridional. Em 1932 visitam a Indochina francesa e as Filipinas. Também, nos momentos de lazer passavam temporadas na Suiça, normalmente incógnitos, porque, embora nesse tempo ainda não houvesse os terríveis paparazzi, já havia muitos repórteres que perseguiam as figuras reais. Astrid e Leopoldo, viajavam com o título de condes de Rethy e conseguiam normalmente passar despercebidos. Astrid gostava de ir a Paris fazer compras. Numa dessas estadias, fora do país, souberam que o rei Alberto I, pai de Leopoldo, que tinha a paixão pelo alpinismo, fora vítima de uma queda, ao escalar uma montanha rochosa perto de Namur, que lhe provocou a morte. Foi uma tragédia. Alberto I era casado com Isabel, duquesa da Baviera, filha da infanta portuguesa Maria José de Bragança. Era o ano de 1934.

            Um novo capítulo se abre para Astrid. Agora é rainha dos belgas. A simpatia do povo por ela aumentou, porque passaram a vê-la ainda mais. Reparavam na sua doçura, a timidez que foi perdendo e adoravam vê-la dedicada aos filhos e conversar com pessoas que a saudavam na rua. Profundamente preocupada com obras sociais, a nova rainha visitava regularmente creches e protegia os mais carenciados, quando havia crises de desemprego, fruto da situação geográfica da Bélgica, muitas vezes impotentes perante as grandes potências vizinhas como a Alemanha, a França e a Grã Bretanha. No entanto, nos períodos mais graves, Astrid tomava a iniciativa de pedir donativos, que eram entregues no palácio, para serem distribuídos pelas famílias mais pobres, normalmente as dos mineiros. 
            Nem toda a sociedade, principalmente os mais conservadores, via com bons olhos esta preocupação da rainha pela classe operária e chamavam-lhe «rainha dos operários», mas, para aqueles que ela apoiava generosamente este era um «título honorífico». O terceiro filho, Alberto nasceu em Junho de 1934 e é o actual rei dos belgas, desde 1993. 
            Em 1935 foi inaugurada a Exposição Internacional de Bruxelas. O rei comprara um belo automóvel, um Packard descapotável, último modelo. Em Agosto de 1935 o casal real instalou-se com os filhos e uma pequena comitiva numa aldeia suíça. Iam praticar alpinismo, gosto que Leopoldo herdara do pai. No dia 29 de Agosto o casal real, acompanhado por amigos que viajavam noutro carro partiram para as montanhas equipados para praticar o seu desporto preferido. O motorista e a dama de companhia da rainha viajavam no banco de trás. Tudo parecia sorrir naquele belo dia de Verão. Astrid, de mapa na mão seguia o itinerário e dava indicações ao marido dos locais onde gostava de parar para apreciar a paisagem, mas, num gesto impensado, a rainha, virando-se para o marido mostra-lhe algo no mapa e este, num segundo de distracção, perde o controlo do carro e vai embater violentamente contra uma árvore. O corpo de Astrid da Bélgica é brutalmente projectado, partindo com a cabeça o vidro e o seu corpo cai ensanguentado, tendo, segundo os especialistas tido morte imediata. O carro, segundo testemunhas, iria apenas a 60 km/hora. O automóvel acabaria por se precipitar no lago Lucerna, num local baixo, daí só parte ter ficado submersa, como mostram as fotos da época. 
            Depois... Tudo foi complicado e lento. O auxílio foi pedido por um amigo do rei que viajava noutro carro, mas tudo demorou demasiado tempo. Ninguém na Suiça sabia quem eram aqueles estrangeiros sem documentos e a polícia também demorou a perceber quem eram os sinistrados. O rei Leopoldo e os outros ocupantes do carro tiveram ferimentos pouco graves. Chegaram mais tarde os socorros e um padre, mas a rainha já tinha falecido. 
            A brutal notícia foi transmitida pela rádio e foi a consternação geral, no mundo inteiro. A imprensa de todo o mundo deu notícias pormenorizadas. Em França os jornais fizeram edições especiais, em Itália, onde era então rainha uma irmã de Astrid, foi uma comoção generalizada e os jornais esgotaram-se em toda a Europa. De todo o mundo chegaram flores e condolências. 
            O corpo embalsamado da rainha Astrid chegou, de combóio a Bruxelas e foi levado para o palácio real. Durante vários dias as lágrimas dos belgas correram, sem cessar, pela sua rainha. Astrid, tinha vivido, primeiro como princesa e depois como rainha, apenas nove anos na Bélgica, mas o povo amava-a como se ela sempre ali tivesse vivido. 
            Estiveram presentes nas exéquias, que tiveram lugar no dia três de Setembro, monarcas e príncipes, chefes de Estado de inúmeros países, mas a grande homenagem, que ela teria apreciado, foi prestada pelos mineiros, que ela protegera e que fizeram questão de desfilar envergando os seus fatos de trabalho, de ganga azul com os típicos lenços vermelhos ao pescoço e nas mãos as lâmpadas acesas das lanternas com que desciam às minas. Foi comovente. 
            Com 29 anos desaparecia a «rainha dos operários» deixando órfãos três filhos pequeninos, um povo, que a amava e um marido inconsolável, que fez questão de seguir a pé no cortejo fúnebre. Quem o viu testemunhou que se chegou a temer pela sua saúde. Estava devastado pela dor. Por diversas vezes se viu o monarca limpar as lágrimas, gesto que nenhum protocolo conseguiria jamais impedir . 
            Em 1936 foi construída uma capela na cidade suíça de Kussnacht, perto do local onde a rainha Astrid perdeu a vida. 

Informação retirada daqui

quarta-feira, 22 de março de 2017

Guilhermina dos Países Baixos


Rainha reinante dos Países-Baixos sucedeu ao pai Guilherme III apenas com três anos, tendo sido coroada em 1898. Casou em 1901 com um príncipe alemão. Teve uma única filha – Juliana que lhe sucedeu. Foi uma rainha exemplar pela austeridade de vida, pelas suas preocupações sociais e por ter vivido no exílio durante a ocupação do seu país pela Alemanha nazi, tornando-se o símbolo da resistência. De Londres e pela rádio animava os holandeses que lhe dedicaram especial carinho. Finda a Guerra, os Países Baixos organizaram os Jogos Olímpicos de 1948 o que teve enorme repercussão e granjeou ainda maior simpatia pela rainha Guilhermina. Depois de reinar oficialmente cinquenta anos, de 1898 a 1948 já doente, abdicou na filha e herdeira.

Informação retirada daqui

terça-feira, 21 de março de 2017

Isabel II


            Isabel de Windsor tinha 25 anos quando o pai, Jorge VI, morreu em 6 de Fevereiro de 1952, às 7,30 horas. Como se encontrava em viagem no Quénia e o regresso demorou 24 horas foi declarada rainha in absentia, isto é, estava ausente do país quando foi declarada oficialmente monarca, facto que não acontecia desde o reinado de Jorge I (1714-1727). 
             Subiu ao trono com o título de «Isabel II, rainha do Reino Unido e da Irlanda do Norte». Em Fevereiro de 1952 a jovem rainha presidiu à primeira cerimónia pública. Os funerais do pai ocorreram no dia 15 de Fevereiro e no dia 5 de Maio a rainha, o marido, Príncipe Filipe e os dois filhos, Carlos e Ana, foram viver para Buckingham Palace. 
             A 4 de Novembro abertura do Parlamento com a presença da nova rainha. Esta é uma das cerimónias mais importantes da vida política da Grã-Bretanha, a que a rainha preside todos os anos. Em cinquenta anos, Isabel II apenas não abriu o Parlamento nos anos de 1959 e 1963. Para esta cerimónia há uma coroa específica e um traje especialmente concebido para este dia. A rainha desloca-se em coche do Palácio para o Parlamento. Muita gente vai para as ruas ver esta cerimónia. 
             A 25 de Dezembro de 1952 Isabel II leu a sua primeira mensagem de Natal, transmitida pela rádio, para toda a Commonwealth.
             A 2 de Junho de 1953 foi coroada rainha numa cerimónia sem precedentes, com milhares de convidados do mundo inteiro. Foi a primeira transmissão directa pela BBC de uma cerimónia com a monarquia. Ainda não havia muitas casas com aparelhos de televisão no Reino Unido, daí as famílias juntaram-se para não perderem tão importante e tão sumptuoso acontecimento. Em Novembro Isabel II e o marido fizeram a primeira grande viagem (cinco meses e meio) aos países da Commonwealth: Canadá, Bermudas, Jamaica, Ilhas Fidgi, Panamá, Tonga, Ilhas Coccos, Ceilão, Aden, Líbia, Malta e Gibraltar. Na Nova Zelândia e Austrália o casal real permaneceu três meses. Visitaram ainda a África do Sul e o Norte dos EUA.
             Em Maio de 1954 os príncipes Carlos e Ana foram transportados no novo iate real o Britânia até Gibraltar, onde os pais os esperavam. O primeiro-ministro Winston Churchill juntou-se à comitiva nos últimos dias da longa viagem de regresso.
             Em 1955 Isabel II posou para o pintor Pietro Annigoni. Dezasseis anos depois o mesmo pintor executaria novo retrato da rainha. A 4 de Abril Isabel II jantou com o primeiro-ministro Winston Churchill, em 10 Downing Street, residência oficial dos primeiros-ministros, na véspera do seu pedido de retirada da vida política. Em Junho o primeiro-ministro da Índia, Jawaharial Nehru visitou a rainha, em Londres. Nehru foi um homem fundamental na mudança de liderança na Índia. Quando da independência, em 15 de Agosto de 1947 assumiu a chefia do Governo. Em Agosto estalou o «escândalo» dos amores da princesa Margarida, irmã da rainha, com Peter Townsend, divorciado. Margarida renunciaria ao casamento por imperativos de Estado e por amor à irmã.
             No ano de 1956 a rainha e o Duque de Edimburgo realizaram uma viagem de três semanas à Nigéria. Foram recebidos por chefes tribais. Em Lagos foram homenageados com uma dança protagonizada por dez mil guerreiros com os seus trajes de festa. Em Abril a rainha recebeu Nikita Khrushchev, da URSS. O dirigente soviético escreveria, mais tarde, nas suas memórias, que a monarca britânica «era o género de rapariga que qualquer rapaz gostaria e encontrar a passear na Rua Gorky, num fim de tarde de Verão.»
             No início de Janeiro de 1957 o Governo britânico passou a contar com Harold Macmillan como primeiro-ministro. As conversas sobre assuntos de Estado da rainha com os primeiros-ministros são, ontem como hoje, extremamente importantes. A rainha está sempre bem informada. O seu Secretário todos os dias lhe dá conta dos factos relevantes do mundo. Neste ano Isabel II e o marido estiveram em visitas de Estado a Portugal, no mês de Fevereiro; em França, em Abril; na Dinamarca em Maio e no Outono Canadá e EUA tendo a soberana discursado na Assembleia-Geral da ONU. Em Portugal foi uma visita de cinco dias. Isabel II e o marido foram recebidos pelo Presidente da República, general Craveiro Lopes e mulher. Para lá do protocolo sabe-se que a rainha conversou muito com o general, que sendo de cavalaria era um entendido em assuntos de raças e performances de cavalos como o é a rainha. 
             A visita ao nosso país foi toda ela uma recepção sem precedentes na vida portuguesa, porque saíram dos museus bergantins (barcos a remos de grandes dimensões) e coches que foram restaurados para a ocasião. Portugal tem uma das mais ricas colecções de coches do mundo. Isabel II esteve também no Mosteiro da Alcobaça, tendo a rainha visitado os túmulos dos amantes infelizes Pedro e Inês, de quem conhecia a história. Também ali está sepultada a que foi rainha de Portugal, D. Filipa da Casa de Lencastre, que como sabemos era inglesa. Nessa altura Isabel II era jovem, bonita e trouxe um guarda-roupa extremamente elegante. O casal real esteve, a título privado, em casa dos duques de Palmela, por os ligar uma velha amizade. 
             No Natal a soberana inglesa leu a primeira mensagem dirigida a todos os países da Commonwealth, através da televisão.
             Em Março de 1958 a casal britânico retribui a visita da rainha Juliana dos Países-Baixos. Em Julho Isabel II concedeu ao filho primogénito, Carlos, o título de Príncipe de Gales, embora a cerimónia da investidura, só tivesse ocorrido em 1969. 
             Em Julho de 1958 a rainha pôs fim a uma tradição. O baile das debutantes, em Buckingham Palace. A chamada apresentação das meninas-família à rainha.
             O Presidente dos EUA Eisenhower e mulher visitaram a monarca em 1959 no castelo de Balmoral, tendo a rainha convidado famílias da aristocracia terra-tenentes para estarem presentes. «Ike» como era conhecido o Presidente dos EUA, era velho amigo de Jorge VI e tratava a rainha como se fosse uma «sobrinha» querida o que não desagradava a Isabel. Sabe-se pelas cartas que trocaram, que a rainha lhe mandou a receita da barbecue que tinham degustado em Balmoral. Muito festejada foi a notícia, em Agosto, de que a rainha ia ser novamente mãe. Carlos tinha doze anos e Ana dez.
             Uma das mais importantes visitas de Estado à Velha Albion foi, sem dúvida, em 1960, a do Presidente da República francesa, Charles de Gaulle, resistente e herói da 2ª Grande Guerra. A Grã-Bretanha honrou-o com manifestações de enorme apreço e admiração e, na ocasião o fotógrafo da Corte Cecil Beaton foi agraciado com a Legion d’Honneur, a mais alta condecoração francesa. Mais tarde outro Presidente francês seria recebido pela rainha, Jacques Chirac, em 1996, mas não foi mais do que uma visita entre outras. 
             Em Maio casou a irmã da rainha, princesa Margarida de quem fizemos uma biografia por ocasião da sua morte, em Fevereiro deste ano. 
             Também os monarcas da Tailândia e do Nepal foram recebidos em Buckingham Palace em 1960.
             Isabel II e o Duque de Edimburgo iniciaram o ano de 1961 com uma viagem à Índia, Paquistão, Nepal e Irão. Foi mais uma vez recebida com a tradição e beleza dos indianos, onde pontoaram os elefantes de Benares, luxuosamente ajaezados e pintados na própria pele, que deram aquele toque de exotismo que faz com que a Índia seja uma atracção para os europeus. A rainha vestiu trajes de linho, em homenagem à Índia que enquanto colónia britânica fez dessa indústria uma das mais prósperas do país. Em Maio a rainha esteve no Vaticano com o Papa João XXIII. 
             Nas décadas de 60 e 70 a monarquia britânica detinha grande prestígio, porque ainda se não avizinhavam as tormentas familiares dos anos 80 e 90. O príncipe Filipe sempre foi conhecido pelas suas afirmações directas aos jornalistas, às vezes pouco convenientes. O jornal Guardian era conhecido pelas suas «alfinetadelas» à monarquia, mas, como se sabe nas democracias é mesmo assim... 
             Em 1961 a Grã-Bretanha, depois de acesas discussões, entrou para a CEE, hoje União Europeia. Era então “A Europa dos Seis”! 
             Em Junho o Presidente dos EUA John Kennedy e a elegante Jackie visitaram a rainha, que gostou muito da senhora Bouvier. No ano seguinte a rainha convidou Jacqueline para uma visita privada a Londres.
             A vida da monarquia passou a pouco e pouco a ser mais familiar para o cidadão comum. Um filme sobre a família real no seu dia a dia foi realizado em 1959 e em 1962 foi aberta ao público uma galeria no palácio de Buckingham. 
             Acontecimento importante e repassado de significado foi, sem dúvida, a ida da soberana à Alemanha Ocidental, onde parou junto do Muro de Berlim, quando a unificação da Alemanha era um facto desejável, mas extremamente remoto.
             E como nem tudo pode correr de feição no «País das brumas», houve, em 1963 o chamado caso Profumo com contornos “politicamente incorrectos” com ministros de Sua Majestade envolvidos em casos sexuais e espionagem. 
             Também a visita dos reis da Grécia, Paulo e Frederica decorreu com alguns incidentes, dadas as simpatias, quando jovem, da rainha Frederica pela juventude hitleriana. O próprio líder do partido trabalhista, Harold Wilson manifestou reprovação ao não comparecer ao banquete dado em honra dos convidados. Em Outubro a rainha conheceu o novo primeiro-ministro inglês, precisamente Harold Wilson. Isabel II teve uma relação de franca amizade com o primeiro-ministro Macmillan, que deixou o cargo, depois de seis anos, por motivos de saúde. Quando este foi internado num hospital, a rainha, contra as regras do protocolo, foi visitá-lo bastante emocionada, como contou o médico, sir John Richardson. Em Novembro a rainha fez-se representar no funeral do presidente Kennedy, assassinado em Dallas.
             Em Março de 1964, vinte e uma salvas de canhão anunciaram o nascimento de mais um varão na família real, Eduardo António Ricardo Luís. Este viria a ser o filho mais amado da rainha, segundo os mais próximos, até porque só saiu de casa, para casar, em 1999.
             Em 1965 são prestados funerais de Estado a Winston Churchill, provavelmente um dos dez mais importantes estadistas do século XX. Cerimónia de pompa e brilho à inglesa. E como a rainha tem sempre visitas agendadas, neste ano deslocou-se ao Sudão e à Etiópia, em visita ao imperador Haile Selassie. Em Maio esteve na Alemanha durante dez dias, terminando com um banquete no seu iate Britânia. 
             No dia 26 de Outubro os Beatles foram condecorados por Sua Alteza Real, em Buckingham Palace. O mundo exultou, porque já nada faltava à mais famosa banda rock do mundo! 
             A rainha soube que o seu tio, o Duque de Windsor, ia ser sujeito a uma intervenção cirúrgica em Londres. Sabe-se que a rainha «ignorou» sempre os duques de Windsor. Qual seria a sua atitude perante o tio, agora com setenta e um anos? A rainha fez o mínimo que a decência ordenava, telefonou para o Hospital para saber como correra a operação. À imprensa estava ávida de notícias. 
             E as damas de companhia da rainha e os criados tiveram que fazer de novo as malas para a viagem da soberana e do marido rumo às Caraíbas.
             Muito mais interessante terá sido, em 30 de Julho de 1966, em Wembley entregar à equipa inglesa, campeã do mundo de futebol a almejada taça.
             Como durante todo os anos do seu reinado Isabel II e o Duque de Edimburgo visitaram e visitam países, nomeadamente o Canadá e no final do ano de 1967, receberam o Presidente da Turquia e mulher. A mensagem de Natal foi vista pela primeira vez com a rainha a cores na televisão!
             O Governo aprovou novas leis sobre o divórcio, embora a doutrina da Igreja Anglicana continue a não o aceitar. Nesse ano o conde de Harewood, filho da princesa real e primo direito da rainha divorciou-se, o que provocou bastantes dissabores à rainha. Numa política de abertura o banquete oferecido ao Presidente da República italiana, em 1968, foi filmado pela televisão e em 1969 todos puderam saber mais da família real com um documentário de hora e meia. A BBC transmitiu-o em Julho. Assim muita gente disse que não fazia ideia nenhuma como viviam a sua rainha e os familiares. Foi um filme didáctico, contando como era um ano da vida da soberana e a sua relação com os filhos. A partir desta data as viagens da rainha passaram a ser filmadas, como, em Novembro de 1968 na viagem ao Brasil.
             As primeiras férias de Verão de Isabel II e família fora do país só aconteceram, pela primeira vez, em Agosto de 1969. Viajaram no iate Britânia até aos fiordes da Noruega.
             No ano seguinte, 1970, mais uma vez a rainha viajou para o Canadá, Nova Zelândia e Austrália, desta acompanhada dos filhos Carlos e Ana. No Canadá juntou-se ao grupo o Duque de Edimburgo que passeara pelo México. O já mencionado filme sobre a soberana com o título Royal Family, tinha tido grande impacto nas comunidades de língua inglesa e foi um sucesso a chegada da rainha com os príncipes Carlos e Ana.
             Em 1971 começou a ser discutida a fortuna da rainha, dos seus gastos e das despesas com a Civil List. Assunto longamente discutido no Parlamento. Os tempos eram outros e o Governo de um país democrata exigia, mesmo à mais importante monarca europeia, uma atitude de maior transparência. Sim, porque os palácios da família real: Buckingham, Windsor, Holyrood House, Sandringham e Bolmoral tinham grandes despesas e os parlamentares queriam saber como eram geridos. Hoje sabemos que a monarquia britânica é altamente rentável. 
             Em Outubro de 1971 o velho imperador do Japão, Hirohito e a imperatriz visitaram a rainha. Foi a primeira visita de um monarca japonês, desde a 2ª Grande Guerra, onde, como sabemos, o Japão esteve contra a Grã-Bretanha.
             E o ano de 1972 assinalou vinte anos de reinado de Isabel II. E houve as celebrações que se impunham. Nem vale a pena falar das viagens que são sempre uma parte considerável da sua vida como monarca. E foram-na visitar a rainha Juliana e o Príncipe Bernardo dos Países-Baixos. Isabel II esteve em França e esteve com o tio, o Duque de Windsor, muito doente. Não perdeu as corridas de cavalos em Longchamp antes de estar com o tio. Tinham passado trinta e três anos desde que o Duque de Windsor fora «banido» da corte e da memória da rainha, da rainha-mãe e da maior parte da família real. O Duque morreu poucos dias depois e, apesar de muitas reuniões entre os conselheiros, a rainha e o Governo foi-lhe proporcionado um enterro real. O seu corpo esteve em câmara ardente dois dias na capela de São Jorge em Windsor. E a duquesa de Windsor voltou a pisar solo britânico. No funeral, e por um dia Wallis Simpson foi tratada como viúva de um rei. 
             Em Outubro deste ano (1972) a rainha e o duque visitaram a Jugoslávia. Foi a primeira visita da rainha a um país comunista. O ano terminou com os festejos das bodas de prata de casamento de Isabel e Filipe. 
             Os príncipes Carlos e Ana foram notícia. Carlos optou por ingressar no Royal Navy College, em vez da Universidade de Cambridge e Ana distinguiu-se em competições equestres e foi declarada «A desportista do Ano» (Sportswoman of the Year). É sabido que a princesa ganhou uma medalha de prata num Campeonato Europeu e que participou nos Jogos Olímpicos de Montreal, em 1976.
             O casamento da única filha da rainha foi anunciado. Casou pela primeira vez em Novembro de 1973. Neste ano a rainha esteve presente na gala em honra do Reino Unido ao entrar para o Mercado Comum.
             Em Março de 1974 foi reeleito primeiro-ministro Harold Wilson. Inovador mesmo, foi o facto da cerimónia de Abertura do Parlamento ter sido simples, sem procissão, e com a rainha envergando um fato normal.
             Em 1975 entre muitas outras viagens Isabel II esteve em Hong Kong antes de seguir para o Japão para retribuir a visita dos imperadores.
             Harold Wilson anunciou a sua retirada da vida política em 16 de Março de 1976 e a rainha aceitou o convite deste para um jantar na sua residência oficial. Este facto só acontecera com Churchill, vinte e um anos antes. Em 21 de Abril Isabel II celebrou o seu 50º aniversário do seu nascimento, em Windsor. Em Julho a soberana visitou os EUA, nas celebrações do bicentenário, e de seguida esteve presente com os filhos e marido na abertura dos Jogos Olímpicos de Montreal. E foi este o ano da separação da princesa Margarida de lorde Snowdon.
             Em 1977 comemorou-se o Jubileu de Prata do reinado de Isabel II, com imensos acontecimentos, festas, exposições e o esplendor a que os ingleses nos habituaram. Não houve latinha de bombons, nem cidadezinha que não tivesse retratos da rainha. Houve também vozes discordantes por parte de alguns e na Irlanda do Norte o clima era adverso. Em Novembro de 1977 a rainha foi avó pela primeira vez, visto a sua filha Ana ter tido um filho.
             O Presidente da República portuguesa, António Ramalho Eanes e mulher visitaram oficialmente o Reino Unido, em 1978, numa altura em que a democracia era já uma realidade no nosso país.
             O Médio Oriente foi o destino de mais uma viagem da monarca britânica, em 1979, passando pelo Kuwait, Bahrein, Arábia Saudita, Qatar, Oman e Emiratos Árabes Unidos. Aqui punham-se alguns problemas protocolares, dado os árabes não reconhecem uma mulher como rainha, apenas como rei e não admitirem mulheres jornalistas. Por fim os Emiratos Árabes cederam à entrada das jornalistas, que tiveram de se vestir segundo os costumes, isto é, não podiam ter os braços nem as pernas destapados. A rainha que tem costureiros e conselheiros nestas áreas não teve qualquer problema. Usou vestido comprido, écharpe e luvas altas. «Em Roma sê romano!» 
             E, caso inédito no Reino Unido, em Maio de 1979, «o» primeiro-ministro passou a ser uma primeira-ministra, aquela que ficaria famosa como «a dama de ferro» Margaret Thatcher. O seu polémico desempenho terminou, sem glória, em 1990, quando pediu a demissão, na sequência de um imposto muito impopular. Sucedeu-lhe John Major também pelo partido conservador. 
             O ano terminou com um profundo desgosto para Isabel II e para o duque de Edimburgo. Foi o assassinato de lorde Mountbatten e Burma, pelo IRA. O tio da rainha fora o último Governador da Índia e tinha sido como que um segundo pai para o marido da rainha.
             Isabel II tem dado durante o seu reinado vários passos no sentido de uma aproximação à Igreja Católica, e nesse sentido esteve, mais uma vez no Vaticano, em Outubro de 1980, para conversar com João Paulo II. 
             O Zimbabué tornou-se independente da Grã-Bretanha.
             O ano de 1981 traria uma verdadeira revolução na vida da família real, quando o príncipe Carlos casou com a jovem e muito bonita lady Diana Spencer, que viria a ser até 1997, data da sua trágica morte, a verdadeira «rainha» em popularidade e glamour do Reino Unido e de todas as monarquias europeias.
             E nova década no reinado de Isabel II, em 1982. Dois factos importantes da Historia de Inglaterra foram a primeira visita de um Papa aquele País. Desde que o rei Henrique VIII, em 1531, cortara a ligação com a Igreja de Roma e se assumiu como chefe supremo da Igreja de Inglaterra. João Paulo II teve esse privilégio. O segundo grande acontecimento foi a viagem da rainha à China, tendo sido a primeira vez que um rei inglês visitou aquele imenso país. Os fotógrafos não deixaram de fixar o grande acontecimento da rainha e do duque de Edimburgo na muralha da China, nessa memorável visita. 
             O primeiro filho dos príncipes de Gales nasceu em 21 de Junho de 1982. Guilherme Artur Filipe Luís é, como se sabe, o segundo na linha de sucessão ao trono do Reino Unido. 
             Foi também neste ano que um facto deixou absolutamente estarrecidos os súbditos de Sua Majestade. Um intruso conseguiu penetrar nos aposentos da rainha, não lhe provocando qualquer dano e a rainha conversou com ele até que a segurança do palácio se apercebesse do incrível facto. 
             Incrível foi também o conflito nas Ilhas Malvinas ou Falklands (perto da Argentina, mas sob domínio britânico), ainda hoje com contornos pouco nítidos, para onde seguiu num navio de guerra, o terceiro filho da rainha, o príncipe André. O casal Reagan visitou a Grã-Bretanha. Foi o primeiro presidente dos EUA a ficar hospedado no castelo de Windsor.
             Em 1983 os Conservadores ganham as eleições por larga maioria e a senhora Thatcher permanece como Primeira-ministra. A rainha esteve, em Março no rancho do Presidente Reagan, e em Novembro, mais uma vez, viajou para a Índia onde concedeu a Ordem de Mérito à Madre Teresa de Calcutá, pelo seu empenhamento na melhoria das condições de vida das crianças pobres de Calcutá. Indira Gandhi, então primeira-ministra, conversou com a rainha em Nova Delhi e sabe-se que falaram de cooperação tecnológica e desenvolvimento.
             Em 1984 o IRA lançou bombas e matou mais uma vez. Mas as viagens da rainha continuam sempre. Neste ano visitou o rei Hussein da Jordânia. Em Setembro nasceu o segundo filho dos príncipes de Gales. Henrique Carlos Alberto David. A monarquia britânica está bem assegurada.
             E Portugal teve mais uma vez a honra de receber Sua Majestade, numa visita semi-privada em 1985. A rainha visitou Sintra.
             No Verão de 1986 casou o príncipe André com Sarah Ferguson e o filho segundo de Sua Majestade passou a usar o título de Duque de Iorque.
             Em Março de 1987 o rei Fahd da Arábia Saudita foi a Londres retribuir a visita da rainha. Como se sabe por detrás destas viagens há aspectos económicos significativos, que o Governo e os empresários tratam de ultimar. E como sempre acontece nas grandes famílias o filho mais novo da rainha, o príncipe Eduardo, depois de ser aluno brilhante no Colégio de Jesus em Cambridge, anunciou à família que se ia dedicar ao teatro. Causou algum desconforto e foi considerado um rebelde. Viria depois a dedicar-se a fazer pequenas metragens para televisão, até se casar, em 1999 com Sophie Rhys-Jones. Depois de ambos quererem continuar as suas carreiras, acederam a serem “apenas” membros da família real e a representar a monarquia.
             O livro The Enchanted Glass: Britain and its Monarchy, editado, em 1988, pelo ensaísta socialista da esquerda radical veio acender a polémica sobre a monarquia, afirmando que ela (monarquia) permanece por existir a nostalgia dos tempos do império, e o autor reconhece que a «mística» da monarquia é ainda muito forte, mas apelava a um «novo republicanismo.» E a rainha neste ano foi mais uma vez avó, desta vez de Beatriz Isabel Maria, filha dos duques de Iorque.
             O presidente da URSS, Mijail Gorbachev almoçou com a rainha no Castelo de Windsor, em Abril de 1989. Este foi o ano da queda do muro de Berlim, provavelmente o mais importante acontecimento da segunda metade do século XX. E O presidente George Bush foi recebido pela rainha no seu palácio.
             Em 1990 foi exaustivamente revisto o montante que o Governo deveria atribuir à família real, porque se falou em luxos que o País não podia arcar, mas tudo acabou em concórdia.              Glasgow foi em 1990 a Capital Europeia da Cultura e a princesa Eugénia Victória, irmã de Beatriz nasceu em Março. Em Agosto o líder do Iraque, Saddam Hussein invadiu o Kuwait e desencadeou-se a Guerra do Golfo, onde participou o Reino Unido como membro da Nato.
             Em 1991 regressam a casa as forças armadas britânicas no Golfo, que a rainha e os seus súbditos receberam numa parada especialmente concebida para o efeito. O novo primeiro-ministro, John Major beijou as mãos de Sua Majestade no final de Novembro. Dentre os oito primeiros-ministros que a rainha conheceu durante o seu reinado, John Major foi, como Churchill um dos que manteve a mais estreita relação de amizade com a família real, particularmente com a rainha. Isabel II esteve nos EUA, em Maio de 1991, tendo proferido um discurso no Congresso, em Washington. Foi o primeiro Chefe do Estado britânico a falar naquela Assembleia.
             1992 foi o annus horribilis para a rainha. Os casamentos dos dois filhos Carlos e André desmoronaram-se. Em 9 de Dezembro foi anunciada oficialmente a separação dos príncipes de Gales. Para terminar o ano, um pavoroso incêndio destruiu grande parte do Castelo de Windsor, o que deixou a rainha absolutamente inconsolável. As obras começaram quase imediatamente.
             Inédito, a rainha passou a pagar impostos, em 1993, ano em que várias salas do palácio de Buckingham foram abertas ao público. A rainha inaugurou com o Presidente Mitterand, de França o Túnel entre os dois países, que passa por baixo do Canal da Mancha.
             Em Junho de 1994 são comemoradas no Norte de França os 50 anos do Dia D, dia do desembarque dos Aliados na Normandia, com a presença de Isabel II. Em Outubro o Duque de Edimburgo visitou a Rússia a convite do Presidente Yeltsin e mulher.
             Em 1995 a rainha visitou o Presidente Mandela da África do Sul. Este líder carismático, que esperou décadas para ter um país independente governado por negros. Isabel de Windsor era ainda princesa quando visitara aquele território, em 1947.
            Em 1996 Nelson Mandela foi a Londres agradecer a visita. 
            Durante o seu longo reinado Isabel II conviveu também com membros das embaixadas e figuras das Artes e Cultura nos famosos garden parties, nos jardins de Palácio. A rainha e vários membros da família, além do duque de Edimburgo e os duques de Kent, primos da rainha chegam a receber por ano trinta mil convidados. Consoante a importância das pessoas podem aproximar-se mais ou menos da rainha ou do Duque, seu marido. A rainha festejou os 70 anos, a 21 de Abril.
             Pode dizer-se que o mundo ocidental parou ao ouvir a notícia da morte trágica de Diana de Gales, em Paris, no dia 31 de Agosto, de 1997, na sequência de um aparatoso e violento acidente de automóvel. Durante os dias e os meses subsequentes foi notícia de primeira página. Isabel II foi quase «forçada» pelo primeiro-ministro Tony Blair, a regressar de férias e mandar pôr a bandeira a meia haste no seu palácio, porque a reacção popular era de enorme indignação enquanto a rainha não apareceu a demonstrar o seu pesar. Depois foi o que todos sabemos. A pouco e pouco a vida da família real voltou à normalidade. Carlos, agora viúvo, passou a dedicar mais tempo aos filhos e o seu caso com Camilla Parker Bowles passou de «escândalo» a apenas o reatar de uma amizade iniciada em 1971, quando e ambos eram solteiros e jovens. Hoje as revistas dedicadas às monarquias, como o Point de Vue são muito favoráveis a esta mulher que soube esperar a sua oportunidade, sem se querer impor. Provavelmente um dia poderão casar. Também em 1997 foi inaugurado o real website: www.royal.gov.uk.
             Com 50 anos completados em 1998, o herdeiro do trono parece ganhar mais popularidade e aparece mais descontraído nestes últimos tempos.
             E em 1999 partiu Sua Majestade para a Coreia. O filho mais novo de Isabel II casou com Sophie Rhys-Jones, em Junho, e Hong Kong deixou de pertencer ao Reino Unido, mas em contrapartida Moçambique entrou para a Commonwealth.
             E chegou-se ao último ano do séc. XX. O acontecimento do ano 2000 no Reino Unido foram as comemorações dos 100 anos da rainha-mãe, em Agosto. Brilho, cor e festa! A respeitável rainha foi amada e respeitada por todos e um verdadeiro ícone do país. Para muitos a monarquia é um foco de unidade nacional. E o novo milénio trouxe mais paz à família real. O herdeiro do trono Guilherme (William) entrou para uma Universidade na Escócia e passou a ser o alvo dos fotógrafos, porque é muito fotogénico. O marido da rainha, o duque de Edimburgo, agora com 80 anos, completados em Junho, será ao lado da rainha o príncipe consorte que soube permanecer na sombra de uma monarca durante mais cinquenta anos. Teve os seus deslizes, mas quem os não tem? Se o Jubileu de Ouro é de Isabel II, também cabe ao marido uma parte do mérito, pois ser apenas rei consorte não é fácil. 


Informação retirada daqui
Bibliografia principal - PIMLOTT, Ben, The Queen: Elizabeth II and the Monarchy, Golden Jubilee Edition, Londres Harper Collins, 2001.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Rainha Jinga


No tempo em que Cristina da Suécia foi formalmente nomeada rei do seu país, outra mulher em Angola quis também ser reconhecida como rei. Isto no princípio do século XVII. Os portugueses tiveram de esperar cerca de trinta anos para assinar um tratado de paz com esta poderosa mulher que na História de Portugal ficou conhecida por Ana de Sousa e Angola recorda como a Rainha Jinga.

            Os primeiros contactos dos portugueses com o Ngola Quiloanji (ou Angola Aquiloangi), senhor do Dongo ou Angola, foram amistosos. Este rei não inviabilizou o comércio de escravos, que foi a grande receita dos portugueses durante largos anos, mas, em contrapartida, exigiu que os portugueses não fizessem como no vizinho reino do Congo, onde impuseram baptismos em massa. Astuto, Quiluanji aproveitou este mercado de escravas que eram levados para longes paragens para, de início, se ver livre de prisioneiros de guerra e outros elementos perigosos que albergava ao seu reino. 
            Mas a paz com os portugueses era demasiado precária e o soba, de feitio despótico e humor variável, acabou por entrar em conflito aberto com os portugueses em 1581 ano do nascimento da sua filha Jinga. Muito provavelmente por não ter chegado a acordo, em termos de contrapartidas. Quanto ao número de homens que permitia que fossem levados do seu reino para serem vendidas como escravos. Aponta-se, como outra motivo dessas guerras a construção, nas terras de Quiluanji, do presídio de Ambaca, em 1614. 
            Referir que, desde 1581, em Portugal existia a União Ibérica - governo dos reis espanhóis. 
            Por volta de 1617, morreu, ou foi morto, Quiluanji, que deixou três filhas e um filho adulto. Ngola Mbandi, e outro ainda criança, que, devido ao seu nascimento era o legitimo herdeiro do trono, por ser filho da mulher principal, considerada a legitima, enquanto o filho adulto provinha de uma ligação com uma concubina real (mocama), criada ou escrava. Como se vê mesmo em reinos africanos há estritas hierarquias. 
            Porém, o filho mais velho, ávido de poder mata o irmão e o sobrinho mais velho, filho da irmã Jinga, afastando assim qualquer hipótese de presumíveis adversários, e assume-se como sucessor. Jinga e as irmãs, Funji (ou Kifuní e Mucambo (ou Cambo), eram também filhas legitimas à luz dos costumes daquele reino. 
            Quando o governador Luís Mendes de Vasconcelos chegara a Luanda, em Agosto de 1616, havia paz entre os portugueses e o usurpador. Mas, em 1620, voltaram os conflitos. O governador invadiu as terras de Ngola (chefe) Mbandi inflige-lhe duras perdas e além de raptar a mulher principal, aprisiona muitos outros membros da sua família. 
            Em Dezembro de 1621, o novo governador João Correia de Sousa chega a Luanda e adopta unia atitude mais diplomática, enviando ao rei, Ngola Mbandi, uma pequena embaixada encabeçada pelo padre Dionísio Faria Barreto que dominava bem a língua nativa e lhe propôs a paz e a conversão ao catolicismo. O rei aceitou a paz mas impôs que os portugueses abandonassem o presídio de Ambaca e se comprometessem a apoiá-lo nas lutas contra o Jaga Cassanji, inimigo comum. Por último, pediu que os portugueses lhe restituíssem os prisioneiros feitos pelo anterior governador. Chegou-se a um acordo. 
            Entretanto, Jinga afastara-se já deste irmão que passou odiar desde que este lhe matara o filho e ela muda-se da capital do Dongo com o marido e as irmãs. Vai então viver para a região montanhosa da Matamba que mais tarde lhe irá servir de fortaleza natural contra os ataques dos portugueses. 
            É no período do governo de João Correia de Sousa que se vai dar o célebre encontro com Jinga que vai a Luanda negociar a paz. Há discrepâncias quanto à data deste encontro, mas o facto em si é que é relevante.
            Jinga prepara um séquito numeroso e com todos os atributos da sua condição de princesa faz-se anunciar em Luanda. Os portugueses vão recebê-la como uma verdadeira rainha, com tropas perfiladas e descargas de mosquetes, sendo-lhe dada hospedagem e casa condigna. 
            No dia marcado para a audiência, Jinga, acompanhada do seu séquito, dirige-se à casa do governador. Entrou para a sala onde este ainda se não encontrava e, num relance percebe que na sala só havia uma cadeira e duas almofadas de veludo franjadas a ouro sobre um tapete. 
            De imediato, a perspicaz Jinga percebe que pode ficar em desvantagem. Ficar de pé perante um homem sentado. Ordena a uma das suas escravas que se dobre e lhe sirva de assento e é assim sentada que vai encarar o governador — de igual para igual. Escusado será dizer que esta atitude de Jinga deixou estupefactos todos os presentes, muito particularmente o governador que percebeu imediatamente que a mulher que estava na sua presença ora especial e que deveria usar com ela de toda a diplomacia e cortesia. Até porque muita coisa estava em jogo e um gesto em falso podia representar o recrudescer da guerra. 
            As negociações ocorrem com sucesso, começando a princesa Jinga por apresentar as desculpas em nome do irmão. A sua maneira de falar e a sua postura vão deixar a assistência perfeitamente espantada. Não podemos esquecer que até ao século XIX houve antropólogos que defenderam que a raça branca era superior á negra. Imaginemos o que não seria no século XVII uma africana saber exprimir-se bem e adoptar uma atitude de superioridade para com os conquistadores. 
            No final, João Correia de Sousa argumentou que, para que o acordo ficasse bem cimentado, deveria o irmão de Jinga pagar aos portugueses um tributo anual. Porém, ela contrapôs que tributo só pagavam os povos subjugados, o que não era o caso. Uma última exigência por parte dos angolanos era a devolução dos escravos. Aqui os portugueses não puderam prometer que cumprissem, porque era um negócio que envolvia muita gente, mas mostraram boa vontade para o problema. 
            À despedida, o governador, reparando que a escrava se mantinha acocorada na posição de assento, perguntou à altiva Jinga porque não a manda levantar, ao que a sobranceira guerreira angolana terá respondido: “Já não preciso dela, nunca me sento duas vezes na mesma cadeira!” 
            A divulgação deste facto foi, em grande medida, obra de um holandês que poucos anos depois fez desenhos deste insólito comportamento e que veio contribuir muito para a aura de admiração que se gerou em torno desta mulher angolana, uma, se não a maior heroina do seu país. 
            Muito provavelmente como estratégia diplomática, Jinga deixa-se baptizar com toda a pompa e circunstância, e muda o nome para Ana de Sousa, tendo por padrinho o próprio governador João Correia de Sousa. Dai ter adoptado o seu apelido, como era costume. Isto terá ocorrido em 1622, contando Jinga 40 anos. 
            A verdade é que Jinga deixara em todos os portugueses uma profunda admiração e respeito e vai regressar ao seu reino com prendas preciosas oferecidas pelos portugueses. 
            Relata então ao irmão o sucesso da sua missão. Este, entusiasmado com a descrição do baptismo, manda comunicar ao governador que lhe mande missionários para ser também ele baptizado. É incumbido dessa missão o padre Dionísio de Faria, natural do reino de Matamba. Porém, quando Mbandi vê que os portugueses lhe enviaram um padre da sua raça, isto é negro, tomando isso como uma afronta, recomeça de imediato a guerra contra os portugueses que, muito mais bem preparados o vão perseguir. Cobardemente, foge e refugia-se numa pequena ilha do Quanza, onde acaba por morrer ou ser envenenado, a mando da irmã, que percebe que é chegada a sua hora da mandar. Ela possuía já um exército fiel, engrossado continuamente com escravos que fugiam a refugiar-se nas suas terras para escaparem ao seu trágico destino. 
            As mensagens entre os portugueses e a rainha Jinga prosseguiam, havendo, por parte do governador, alguma relutância em combater esta mulher que para todos os efeitos era cristã. O governador teria gostado de cumprir a sua palavra, mas as pressões de Lisboa para se aumentar o mercado de escravos para o Brasil eram demasiado fortes para que o governador pudesse agir segundo a sua consciência. 
            Em Agosto muda mais uma vez o governador, tendo assumido esse cargo o bispo Frei Simão Mascarenhas. 
            Embora, neste período, na correspondência trocada entre portugueses e a princesa Jinga, esteja assinada como Ana do Sousa, não deixa de insistir para que Portugal cumpra as suas promessas e devolva os homens do seu reino que foram feitos escravos. Ora, o tráfico de escravos era um grande negócio na altura e Portugal não estava interessado em abandonar essa fonte de rendimento, passe tudo o que é hoje a nossa visão da escravatura. Estava-se noutra época em que a escravatura existia em quase todo o mundo. E como “para grandes males grandes remédios”, em 1625, o governador Fernão de Sousa decide acabar com a supremacia crescente de Ana de Sousa. Para isso, manda colocar no trono do reino do Dongo (que ficava na região das Pedras de Maupungo ou Pungo um parente dela, Ari Quíluanji, que não passava de um rei-fantoche, pronto a fazer o que os portugueses lhe ordenassem. Este deixa-se baptizar e adopta o nome cristão de Filipe. E Bento Banha Cardoso, capitão- mor do governador, quem vai executar esta missão. E o rei-fantoche compro meteu-se a prestar vassalagem ao colonizador, fornecendo 100 escravos por ano à Fazenda Real. Reinava então Filipe III. Com o evoluir dos acontecimentos era quase certo que Ana de Sousa assumiria mais cedo ou mais tarde o que a sua natureza lhe pedia. Renegou o baptismo e assumiu-se como Rainha Jinga. Ao contrário de muitas outras histórias de rainhas africanas, Jinga não foi uma figura lendária. Há documentos mais que suficientes, onde constam cartas suas, o que para época era raríssimo numa mulher africana. Ela tinha sido educada por frades italianos e aprendera a ler e escrever. 
            E se a lenda diz que nas altas montanhas de Matamba está lá uma pegada sua, este é o pormenor mitológico que dá sabor a todas as grandes figuras da história dos povos.
            Para os portugueses parecia fácil domesticar esta mulher que para ser respeitada se vestia de homem, com as habituais peles de animais. Usava machado à cintura e manejava sem dificuldade o arco e a flecha. Ela exigiu ser considerada rei e não rainha, mantendo mesmo, à maneira de rei, o seu harém onde tinha mais de cinquenta jovens que eram para todos os efeitos as suas mulheres, como teria qualquer rei homem. Algo que não lembraria às mais belicosas feministas uns séculos mais tarde. 
            Em Fevereiro de 1626. Bento Banha Cardoso parte de Luanda acompanhado de um número considerável de cavaleiros e padres para tentarem pelas armas ou pela pregação reconquistar a rainha guerreira. Foram pelo Quanza até Massangano. Estava-se já no mês de Março. Vai haver confrontos. A rainha Jinga ataca de noite. Conhece o seu território. Há feridos e mortes. Debalde os portugueses lhe vão no encalço. Bento Cardoso, por agora, retira-se, visto ignorar o paradeiro da rainha que entre tanto se aliara ao Jaga Caza contra o rei--fantoche do Dongo. Os Jagas eram guerreiros por profissão e tinham fama de praticar ritos canibais, eram preparados desde jovens para essa função. Dai que, como mercenários, terem uma grande mobilidade, pois não lutavam por causas mas sim ao lado de quem dava mais vantagens. Os próprios portugueses vão ter jagas pelo seu lado, em várias fases das guerras angolanas, que duram várias décadas. 
            Morre, entretanto, Bento Banha Cardoso, antes de poder irem auxílio do rei do Dongo. 
            Os exércitos organizam-se de parte a parte e há novos recontros com a rainha Jinga. Estamos em Maio de 1629. Não conseguindo derrotá-la, os portugueses raptam-lhe as duas irmãs, Cambo, Funji e um número considerável de sobas que a apoiavam. As irmãs da rainha são entregues à guarda da mulher do capitão-mor, em Luanda, que terá a incumbência de as mandar baptizar. Tomarão os nomes de Bárbara e Graça (ou Engrácia).
Entretanto Jinga organiza os seus exércitos que passam a contar agora com o apoio explícito do Jaga Cassangi, possuidor de oitenta mil arcos de guerra. Neste momento a rainha guerreira só deseja que os portugueses lhe reconheçam legitimidade para governar o reino do Dongo. O próprio António de Oliveira Cardonega, escritor considerado “o pai da História de Angola”, na sua obra escrita em 1680, é de opinião que os vinte e oito anos de lutas entre a rainha Jinga e os portugueses se deveram em grande parte à má política dos governadores de Luanda. Ele diz mesmo que os portugueses primeiro, roubaram o Ngola Mbandí: depois, fizeram rei um fantoche só para não reconhecer como legitima sucessora a rainha Jinga. Por fim são também os portugueses os culpados daquela rainha africana ter ido pedir auxilio aos holandeses. 
            Por volta de 1630, a rainha Jinga promete casar com o chefe jaga para cimentar a aliança mas tal não se vem a concretizar. No entanto, entre 1630 e 1635, dada esta aliança, consegue-se que as lutas tribais acabem. Quase sem se aperceberem, diversas tribos reúnem-se em torno da rainha Jinga e tomam consciência da sua força, centrada na região da Matamba. 
            Portugal enfrenta, neste período, um poderoso inimigo—os holandeses que queriam maiores lucros no comércio africano, nomeadamente no tráfico de escravos. Com os holandeses ao longo da costa e com a rainha Jinga à frente dos seus exércitos, no interior do território, o governo português resolveu tentar refazer a aliança com a rainha. E, em 1639, realiza-se um encontro entre as duas partes, mas não se chega a acordo. 
            Com o avanço dos holandeses, o rei do Congo, Garcia II entra também na guerra, ficando os portugueses com três frentes de conflito. 
            Em 1641 reinava já novamente em Portugal um rei português: D. João IV. De Luanda parte um exército para combater o rei do Congo e a rainha Jinga da Matamba. Mas era demasiado tarde e Luanda cai nas mãos dos holandeses. Os portugueses fogem para o interior.
            Em 1645 a rainha Jinga cerca os portugueses que se encontravam em Massangano. Estes defendem-se heroicamente até ao limite das suas forças. Vários autores portugueses vão enaltecer este comportamento que faz parte daquela dupla visão histórica dos acontecimentos, que tem sempre dois lados. Para a história angolana heróicos terão sido os homens da rainha Jinga, daí ela ser a maior heroina angolana, que aos sessenta anos ainda comandava ela mesma os seus homens. 
            Jinga, aliada ao rei do Congo, com o apoio da Holanda e com os guerreiros de vários chefes jagas está prestes a vencer os portugueses, mas dá-se uma imprevista mudança de apoios. Os jagas abandonam-na, para se aliarem aos portugueses, que recebem também apoio do Brasil. 
            Os portugueses organizam-se e em 1646 vão atacar em força os acampamentos da rainha africana, matando mais de duas mil pessoas. 
            Luanda é reconquistada, em 1648, por Salvador Correia de Sá e Benevides. Nesse mesmo ano, este governador envia-lhe uma embaixada para que se converta, mas ela recusou. 
            O adido militar holandês Fuiler vai ser uma das principais fontes de informação sobre os acontecimentos em Angola no tempo da rainha Jinga, visto que ele é testemunha ocular de muitos destes acontecimentos, pois lutou ao lado dela, durante alguns anos. E ele testemunha a adoração que o povo angolano tinha por aquela extraordinária mulher, chegando muitos a beijar o chão quando ela se aproximava. Para o capitão Fuller, ela era tão generosamente valente que nunca feriu um português depois deste se render e tratava os seus soldados e escravos como iguais. 
            O acordo de paz entre portugueses e a rainha Jinga acontece em Outubro de 1656, sendo cento e trinta escravos trocados pela princesa Bárbara (nome de uma das irmãs depois de baptizada). 
            Em 1657, religiosos capuchinhos italianos aproximam-se da rainha Jinga e convencem-na a voltar à fé cristã e a vestir-se de mulher. Quem vai ter um papel importante nesta conversão é frei João António Cavazzi de Monte Cuccolo, conhecido simplesmente por Cavazzí. Com ele a rainha vai trocar cartas importantes. Os frades capuchinhos vão tomar a responsabilidade de edificar uma igreja paga pela já não rainha Jinga, mas pela novamente Ana de Sousa. A igreja de Santa Maria da Matamba é benzida em Agosto de 1663 por Cavazzi. 
            Aos 75 anos, acabara o reinado do rei/ rainha Jinga. Os seus últimos oito anos de vida são de uma pacífica e devota católica que assegurou a continuidade do reino ao aconselhar o casamento da irmã Bárbara com um general do seu exército. A sua longevidade foi extraordinária para a época. Morreu aos 83 anos, a l7de Dezembro de 1663, na presença de Cavazzi. Mas a memória dos seus feitos e a extrema dignidade do seu porte permanecem como uma referência para todos os angolanos.

Informação retirada daqui

terça-feira, 14 de março de 2017

Amaro Quintas

Amaro Quintas (1911-1998) foi historiador brasileiro. Sócio do Instituto de Coimbra, sócio efetivo do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano e sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Membro da Academia Pernambucana de Letra, ocupando a cadeira nº 32.

Amaro Quintas (1911-1998) nasceu no Recife, Pernambuco, no dia 22 de março de 1911. Filho de Gabriel Soares Quintas, juiz de Direito, e Laura Pacheco Quintas. Fez o curso secundário no Ginásio Pernambucano. Ingressou na Faculdade de Direito do Recife.

Dedicou-se ao magistério, lecionou em importantes colégios do Recife. Foi professor de História da Civilização na Faculdade de Filosofia do Recife e na Universidade Católica de Pernambuco. Foi Professor Emérito da Universidade Federal de Pernambuco, onde lecionou História do Brasil. Foi também diretor do Ginásio Pernambucano.

Historiador e ensaísta, realizou diversas pesquisas históricas em Portugal e na França. Participou de inúmeras conferências sobre temas históricos portugueses e brasileiros, especialmente sobre as revoluções libertárias de Pernambuco, e as diversas modificações ocorridas ao longo do tempo na sociedade brasileira.

Amaro Quintas foi um dos colaboradores da "História Geral da Civilização Brasileira", elaborada sob a direção de Sérgio Buarque de Holanda. É detentor de láureas e condecorações. Colaborou para revistas especializadas e para os jornais Diário de Pernambuco e Jornal do Comércio do Recife.

Foi o primeiro diretor do Departamento de História Social do Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, atual Fundação Joaquim Nabuco. Foi sócio efetivo do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, sócio do Instituto de Coimbra, Portugal e sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Foi membro da Academia Pernambucana de Letras, ocupando a cadeira nº 32.

Amaro Soares Quintas faleceu no Recife, Pernambuco, no dia 20 de maio de 1998.

Obras de Amaro Quintas
O Sentido Social da Revolução Praieira
Um Analista Político do Século Passado: O Padre Lopes Gama
Reflexões Sobre o Destino do Mundo
Capitalismo e Cristianismo
Padre Lopes Gama Político
Um Pioneiro da Ordem dos Advogados
Capitalismo e Democracia
A Revolução de 1817

Notícia retirada daqui

segunda-feira, 13 de março de 2017

Braamcamp Freire


A família Braamcamp é de origem holandesa. O primeira a exercer cargos políticos em Portugal foi Hermano José Braamcamp, embaixador prussiano em Lisboa, no reinado de D. José. O avô de Braamcamp Freire foi Ministro dos Negócios Estrangeiros em 1882. Seu tio, Anselmo José Braamcamp Freire, desempenhou vários cargos ministeriais, entre os quais o de Primeiro-Ministro em 1878. Era uma família de tradições liberais, que muito influenciou a formação política e humana de Braamcamp Freire.

1849 - 1 de Fevereiro
Anselmo Braamcamp Freire, filho de Manuel Nunes Freire da Rocha, 1º barão de Almeirim e de Luísa Maria Joana Braamcamp, neta do barão do Sobral, nasce no Palácio Azul, na Praça da Alegria, em Lisboa.

1869 - 6 de Fevereiro
Casa com sua prima, Maria Luísa da Cunha Menezes, neta do conde de Lumiares.

1875 - 18 de Abril
Morre o seu filho, em Benfica.

1886 - 22 de Julho
Nomeado Par do Reino pelo rei D. Luís.

1921 - 23 de Dezembro
Morre em Lisboa, na sua casa da Rua do Salitre, nº 146, onde está afixada uma placa alusiva, colocada pela Câmara Municipal de Lisboa.

A obra historiográfica de Braamcamp Freire mantém ainda hoje uma enorme importância para os investigadores. Os medievalistas e os genealogistas não dispensam a consulta dos Brasões da Sala de Sintra. As dezenas de artigos e particularmente os documentos inéditos, publicados no Arquivo Histórico Português, a primeira grande revista portuguesa de História, têm um valor inestimável para os historiadores contemporâneos. A sua obra granjeia-lhe enorme prestígio, que lhe permite tornar-se Presidente da Sociedade de Geografia e da Academia das Ciências de Lisboa.

1867 - Matricula-se no curso de Matemática da Universidade de Coimbra, de que desiste no ano seguinte.
1874 - Estreia literária, no jornal Diário Ilustrado.
1899 - Publica o 1º volume dos Brasões da Sala de Sintra.
1901 - Publica o 2º volume dos Brasões da Sala de Sintra.
1903 - Funda a revista Arquivo Histórico Português.
1905 - Publica o 3º volume dos Brasões da Sala de Sintra.
1910 - Publica Crítica e História / Estudos.
1911 - Sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa.
1912 - Presidente da Grande Comissão das Comemorações dos Centenários de Ceuta e Albuquerque.
1913 - Presidente da Sociedade de Geografia de Lisboa.
1914 - Sócio efectivo da Academia das Ciências de Lisboa.
1915 - Director dos Portugalie Monumenta Histórica. Vice-Presidente da 2ª Classe da Academia das Ciências de Lisboa.
1917 - Presidente da 2ª Classe da Academia das Ciências de Lisboa.
1918 - Sócio correspondente da Royal Historical Society of England. Presidente da Academia das Ciências de Lisboa.
1921 - Publica A Censura e o Cancioneiro Geral.

Braamcamp Freire foi o 1º Presidente da Câmara Municipal de Loures (1887), onde desempenhou um segundo mandato presidencial (1893). Em 1907 adere ao Partido Republicano, o que lhe permite chefiar uma lista republicana à Câmara Municipal de Lisboa (1908), tornando-se o primeiro presidente de uma vereação republicana da Câmara em 1908-1913, embora o regime monárquico, despeitado com a sua adesão ao Partido Republicano, nunca o tenha investido nessas funções, à margem da própria lei. Só em 1910, após a implantação da República, viria a ser reconhecido como Presidente da Câmara, funções que exercia, de facto, desde 1908.


1887 - 2 de Janeiro
Eleito primeiro Presidente da Câmara Municipal de Loures.

1893
Eleito para novo mandato na presidência da Câmara Municipal de Loures.

1908 - 30 de Novembro
Eleito Vice-Presidente da vereação repu-blicana da Câmara Municipal de Lisboa.

Braamcamp Freire aderiu ao Partido Republicano em 1907, o que originou um movimento nacional de apoio à sua corajosa atitude, visto que era já considerado um conceituado historiador e um poderoso fidalgo, que nada tinha a ganhar pessoalmente com o regime republicano. A população de Sacavém, onde residia, recebeu-o em festa. Estava à frente da Câmara Municipal de Lisboa, quando foi proclamada a República da varanda do edifício camarário. O seu desempenho nesta Câmara muito contribuiu para a implantação da própria República. Em 1911 foi eleito deputado por Lisboa e 1º Presidente do Parlamento - a Assembleia Nacional Constituinte -, cargo que teve que abandonar para assumir a presidência do Senado. Ainda nesse ano, viu o seu nome proposto para 1º Presidente da República, mas recusou candidatar-se, em consequência das intensas lutas partidárias existentes, que envolveram o seu nome numa campanha injuriosa.

1907 - 19 de Novembro
Adere ao Partido Republicano.

1911 - Maio
Recusa nomeação como representante diplo-mático português em Berlim.

1911 - 28 de Maio
Eleito deputado nas listas republicanas de Lisboa, para a Assembleia Nacional Constituinte.

1911 - 20 de Junho
Eleito Presidente da Assembleia Nacional Constituinte.

1911 - 24 de Agosto
Eleito Presidente do Senado.

1912 - 17 de Outubro
Embaixador Extraordinário às Comemora-ções do Centenário da Constituição de Cádis, em Espanha.

Biografia retirada daqui

domingo, 12 de março de 2017

Jaime Cortesão


Historiador português. Nasceu em Ançã, Cantanhede, em 29 de Abril de 1884;  morreu em Lisboa em 14 de Agosto de 1960.

Formou-se em Medicina em 1909, depois de ter estudado em Coimbra, Porto e Lisboa. Foi professor no Porto de 1911 a 1915. Tendo sido eleito deputado em 1915, defendeu a participação de Portugal na Primeira Guerra Mundial onde participou como capitão-médico voluntário do Corpo Expedicionário Português, tendo publicado as memórias dessa experiência. 

Com Leonardo Coimbra e outros intelectuais, fundou em 1907 a revista Nova Silva. Em 1910, com Teixeira de Pascoaes, colaborou na fundação da revista A Águia, e em 1912 dá início à Renascença Portuguesa, que publicava o boletim A Vida Portuguesa.  Em 1921, separando-se da Renascença Portuguesa, é um dos fundadores da revista Seara Nova. Em 1919 foi nomeado  director da Biblioteca Nacional, cargo que exerceu até 1927. Devido a ter participado numa tentativa de derrube da ditadura militar foi demitido, exilou-se acabando por viver em França, donde saiu em 1940, devido à invasão daquele país pelo exército alemão. Foi para o Brasil, passando por Portugal, onde foi detido por um curto espaço de tempo. 

No Brasil residiu no Rio de Janeiro, tornando-se professor universitário, especializando-se na história dos descobrimentos portugueses e na formação do Brasil. Em 1952, organizou a Exposição Histórica de São Paulo, para comemorar o 4.º centenário da fundação da cidade.

Regressou a Portugal em 1957. 


Fontes: 
Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura, 6.º volume;
António José Saraiva e Óscar Lopes
História da Literatura Portuguesa,
Porto, Porto Editora, 1975

sábado, 11 de março de 2017

Biografia de Joaquim Pedro de Oliveira Martins

Nasceu em Lisboa em 30 de Abril de 1845, e 
morreu em 24 de Agosto de 1894.

Devido à morte do pai, em 1857, não chegou a concluir o curso liceal, que o levaria à Escola Politécnica, para o curso de Engenheiro Militar, tendo que se empregar. Começou a trabalhar em casas comerciais, de 1858 a 1870, mas, nesse ano, devido à falência da empresa onde trabalhava, foi exercer funções de administrador de uma mina na Andaluzia, no Sul de Espanha. 

Regressou a Portugal em 1874, para dirigir a construção da linha férrea do Porto à Póvoa de Varzim e Famalicão, tendo sido administrador da respectiva Companhia ferroviária. Em 1878 tornou-se sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa, e em 1880 foi eleito presidente da Sociedade de Geografia Comercial do Porto, tendo sido nomeado, em 1884, director do Museu Industrial e Comercial do Porto. Exerceu ainda as funções de administrador da Régie dos Tabacos, da Companhia de Moçambique e fez parte da comissão executiva da Exposição Industrial Portuguesa.

A sua vasta obra começa com a publicação, em 1867, do romance Febo Moniz, de intenção política quanto ao federalismo ibérico. Junta-se ao grupo que se reúne na farmácia em que o seu amigo Sousa Martins trabalha, e em que participa Luciano Cordeiro. Por influência de Luciano Cordeiro colaborará no jornal A Revolução de Setembro, onde saem os seus primeiros artigos sobre história e política social. Colaborará também no Jornal do Comércio, escrevendo em Setembro de 1869 uma série de 5 artigos com o título «Do princípio federativo e sua aplicação à Península Hispânica» . É também desta época a publicação do opúsculo Teófilo Braga e o Cancioneiro e o Romanceiro Português (1869), que é fruto da correspondência trocada entre ambos, tendo como tema fundamental o iberismo e as tentativas de Oliveira Martins fazer teatro de intenção social. As peças que acaba por escrever (A Tragédia do Jogral, Afonso VI, O Abade e O Mundo Novo) nunca serão levadas à cena e algumas ainda se mantêm inéditas. Tentará também a poesia com o Traga-Mouros, sendo admitido, em princípios de 1870 no Cenáculo de Antero Quental e José Fontana.

Nesse ano, lança o jornal de feição socialista A República, com Antero, Eça de Queirós, Manuel de Arriaga, Luciano Cordeiro, Batalha Reis e Teófilo Braga, no mesmo ano em que o marechal Saldanha realiza o seu último golpe de estado - a Saldanhada. O jornal desaparece tão rapidamente como o governo do marechal, levando Oliveira Martins a ir viver para Espanha.

Em Espanha escreverá Os Lusíadas - Ensaio sobre Camões e a sua Obra, em relação à Sociedade Portuguesa e ao Movimento da Renascença (1872), que motivou uma larga polémica com Teófilo Braga sobre o moçarabismo, A Teoria do Socialismo - Evolução Política e Económica das Sociedades da Europa (1872), Portugal e o Socialismo - Exame Constitucional da Sociedade Portuguesa e a sua Reorganização pelo Socialismo (1873), colaborando nos jornais socialistas que os amigos de Lisboa vão lançando: Pensamento. Social, Democracia e República Federal.

Em 1874 vai viver para o Porto. Nos dois primeiros anos, entregue à empreitada do caminho de ferro não consegue escrever muito, tirando um ou outro artigo para a Revista Ocidental, publicação iberista que fundara e em que colaboraram Rodrigues de Freitas, Gomes Leal, Antero de Quental, Batalha Reis e onde Eça de Queirós publica a primeira versão de O Crime do Padre Amaro.

Não tendo conseguido ser escolhido pelo Partido Regenerador para ser apresentado às eleições, devido à recusa de Fontes Pereira de Melo, escreve A Reorganização do Banco de Portugal (1877), onde defende a existência de um banco emissor único, e no ano seguinte A Circulação Fiduciária, memória apresentada à Academia das Ciências de Lisboa. Nesse ano de 1878 publica também as Eleições, onde propõe a representação orgânica, e ainda O Helenismo e a Civilização Cristã..

Em 1878 e em 1879 concorre às eleições, no Porto, pelo Partido Socialista, tendo recebido 37 votos no primeiro ano e 40 na segunda tentativa, «numa cidade onde há 2.000 ou 3.000 operários fabris!», como comentaria. A impossibilidade de entrar na vida política, devido à recusa do Partido Regenerador, à debilidade do Partido Socialista e ao corte com o Partido Republicano, levam-no a lançar a Biblioteca das Ciências Sociais. O projecto, anunciado pela firma Viúva Bertrand & Comp. Sucs., destina-se ao público em geral, mas também ao estudantes do ensino secundário, e Oliveira Martins pretende realizá-lo sozinho.

Os primeiros volumes são a História da Civilização Ibérica, publicado em Maio de 1879, com uma tiragem de 500 exemplares, e logo a seguir, em Outubro, a História de Portugal. Até Outubro de 1884 irão seguir-se mais 7 volumes.

Entretanto, a partir de 1880, a sua vida pública progride rapidamente sendo eleito presidente da Sociedade de Geografia Comercial do Porto, escolhido para redigir o Relatório da Comissão de Inquérito Industrial do Norte do País e nomeado para a Comissão Reguladora dos Trabalhos dos Operários. Em 1884, António Augusto de Aguiar nomeia-o director da Escola e Museu Industrial e Comercial do Porto, ano em que publica o último livro da Biblioteca, a História da República Romana, em que descreve a vida de Júlio César. Em 1885, colige vários artigos dispersos por órgãos da imprensa nacional e lança, por intermédio do prefácio à compilação, o programa da «Vida Nova», de acordo com o dirigente do Partido Progressista, Anselmo Braamcamp, lançando um jornal - A Província - para divulgar o seu programa político. Mas Braamcamp morre nesse mesmo ano, e é substituído por Luciano de Castro, e o programa é rapidamente esquecido. De facto, em 1886, eleito deputado por Viana do Castelo e chamado Luciano de Castro a formar governo, não entrará no governo progressista porque as Finanças (a «Fazenda») são dadas a Mariano de Carvalho e ele recusa as Obras Públicas, não se criando para ele o ministério da Agricultura. Vinga-se apresentando nas Cortes um «Projecto de Lei sobre o Fomento Rural», mas que é rapidamente esquecido.

Funda a Companhia de Moçambique e passa da Província para a direcção de O Repórter, cargo que ocupa por pouco tempo. Em 1889, Mariano de Carvalho nomeia-o para a Régie dos Tabacos, cargo que ocupará durante dois anos. Tendo recusado a pasta da Fazenda, que lhe foi oferecida pelo novo rei, D. Carlos, representa o governo em diferentes conferências internacionais. Em Fevereiro de 1892 aceita finalmente a pasta das Finanças no ministério de Dias Ferreira. Trabalha afincadamente nos primeiros tempos, mas o presidente do conselho não gosta da sua independência. Entram em conflito e Oliveira Martins é obrigado a demitir-se. Vai para Londres, regressando nesse mesmo ano, tendo sido eleito deputado pelo Porto. Discursará em 6 e 7 de Fevereiro de 1893, explicando a sua passagem pelo governo. É eleito pela Câmara dos Deputados membro da Junta de Crédito Público. Dedica-se a escrever a Vida de Nun'Álvares e a preparar o Príncipe Perfeito. Já doente parte para Espanha, para se documentar sobre a Batalha de Toro, regressando bastante pior. Vai para Setúbal, onde escreve o 1.º capítulo de O Príncipe Perfeito. Morre em 24 de Agosto de 1894.

Tinha casado em 10 de Março de 1865 com Vitória de Mascarenhas Barbosa, não tendo tido descendência.

Fonte: 
Joel Serrão (dir.)
Dicionário de História de Portugal,
Lisboa, Iniciativas Editoriais, s.d.

terça-feira, 7 de março de 2017

Amyr Klink

Amyr Klink (1955) é um navegador e explorador brasileiro, o primeiro a atravessar o Atlântico Sul a remo e a circunavegar a região polar antártica. Publicou diversos livros sobre o assunto. Também é reconhecido pelo talento em criar frases de incentivo, como "O mar não é um obstáculo: é um caminho".

Amyr Khan Klink nasceu em São Paulo, filho de um imigrante libanês e de uma artista plástica. Desde a infância, Klink interessou-se por navegações e grandes expedições marítimas, talvez por ter vivido na em Parati, litoral do Rio de Janeiro.

Aos 10 anos, Klink colecionava canoas antigas, o que serviu para a fundação do Museu Nacional do Mar, em Santa Catarina, em 1991.

Klink formou-se em economia na USP-Universidade de São Paulo, e especializou-se em administração de empresas pela Mackenzie. Foi remador do clube Espéria de 1974 a 1980.

Em 1978, Klink realizou sozinho a travessia Santos-Parati em canoa. Em 1980, fez Parati-Santos e Salvador-Santos. Em 1982, velejou de Salvador a Fernando de Noronha, de onde partiu para a Guiana-Francesa.

Em 1984 fez a primeira travessia sozinho a remo do Atlântico Sul, narrada por ele no livro “Cem dias entre o Céu e o Mar”. No livro “Paratii-Entre dois Pólos” e “As Janelas do Paratii” narrou o trajeto de 27 milhas da Antártica ao Ártico. Em 1998, começou o projeto Antártica 360°, onde circulou o continente em 88 dias.

Amyr Klink é proprietário de uma empresa, a Amyr Klink Planejamento e Pesquisa (AKPP), que desenvolve plano diretores para cidades costeiras em litorais. Fundou a revista Revista Horizonte Geográfico.

Notícia retirada daqui

segunda-feira, 6 de março de 2017

Anhanguera

Anhanguera foi um bandeirante paulista, um dos primeiros a explorar o Brasil Central, no século XVII. Aspirando encontrar ouro no sertão goiano, organizou uma bandeira e partiu para lá em 1682. Com grande caravana e acompanhado de seu filho, que tinha apenas 12 anos de idade, partiu para a exploração.

Conta a lenda que Bartolomeu Bueno da Silva procurava as ambicionadas minas de ouro, quando se deparou com índios da tribo Goiá, que impediram a entrada da bandeira em seu território. Percebendo que as índias estavam adornadas com ouro, tiveram certeza que ali era o local da mina. Teve a ideia de encher uma pequena vasilha de aguardente e tocar fogo. Os índios acreditaram que a água estava pegando fogo, e diante da ameaça do bandeirante de queimar os rios, os indígenas renderam-se. Não só permitiram a entrada dos exploradores em seus territórios, como ainda lhes revelaram a localização da mina. Bartolomeu Bueno recebeu dos índios o apelido de Anhanguera, que significa "Diabo Velho" ou "Espírito Maligno".

Anhanguera seu filho (1672-1740) que nasceu em Parnaíba no vale do rio Tietê, São Paulo, estava estabelecido em Sabará, onde em 1701 foi nomeado assistente do distrito. A medida que aumentava a remessa de ouro para a metrópole, crescia também o número de exploradores. Vários conflito surgiram na região e em 1720 foi oficializada a independência de Minas Gerais e os paulistas procuraram outras zonas de mineração.

Com o incentivo e permissão do rei D.João V, Bartolomeu Bueno e os sócios João Leite da Silva Ortiz e Domingos Rodrigues do Prado, assinaram em 14 de fevereiro de 1720, um contrato para procurar as minas nas terras de Goiás, onde seu pai já havia encontrado ouro. Em troca do trabalho, lhe foi concedido o direito de cobrar uma taxa sobre a passagem nos rios que conduzissem às minas goianas.

Alem do contrato os bandeirantes receberam um regimento que seria a "lei" nas suas andanças pelo sertão. O regimento era tão amplo que serviu de base para a organização do governo de Goiás. Passou três anos explorando a região em busca da serra dos Martírios. Finalmente encontrou ouro no rio vermelho.

A história da cidade de Goiás ou Goiás Velho, começou depois das descobertas, quando em 1726 Anhanguera nomeado capitão-mor, por D.João V, fundou o arraial de Sant'Ana. Em 1739 fundou o arraial Vila Boa de Goiás, hoje Goiás Velho. Acusado de sonegação de impostos, Anhanguera foi perdendo o prestígio e por fim o cargo de capitão-mor.

Notícia retirada daqui
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