quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Biografia de Claude Prost

n: 5 de Fevereiro de 1764, Auxonne (França)
m: 4 de Julho de 1834, em Belleville [Paris] (França)

Soldado no Regimento de Artilharia de Estrasburgo em 1780, era cabo na artilharia a cavalo no princípio de 1792, sendo tenente um ano mais tarde estando em serviço no Exército do Norte. Combate no Reno assinalando-se na batalha de Altenkirchen, em 19 de Setembro de 1796, combatendo também em Mosskirch em 5 de Maio de 1800.
Coronel do 1.º Regimento de Artilharia a cavalo em 1805, é nomeado chefe do estado-maior da artilharia do 1.º corpo de observação da Gironda em 1807. Quando regressa a França, em 1808, é colocado no Exército da Catalunha, onde está em 1809. É feito Barão do Império em 1810 e general de Brigada no ano seguinte. Ficou surdo durante o cerco da fortaleza de Figueras, em 1811, sendo reformado em 1813.

Fonte:
Jean Tulard e outros,
Histoire et Dictionnaire du Consulat et de l'Empire, 
Paris, Laffont, 1995. 

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

História desconhecida de Portugal: quando o país teve 3 Reis em apenas 1 dia

História desconhecida de Portugal: quando o país teve 3 Reis em apenas 1 dia



Pode parecer estranho, mas é verdade. Ou melhor: uma semi-verdade que apenas não é uma verdade total por causa da burocracia: no dia 1 de Fevereiro de 1908, Portugal teve 3 Reis em apenas 1 dia. E como isto aconteceu? Nesse dia ocorreu o Regicídio do Rei D. Carlos I. Para perceber como deste pormenor resultaram 3 Reis em apenas 1 dia, vale a pena ler a relato do que se passou durante o assassinato do Rei.


O Regicídio de 1 de Fevereiro de 1908, ocorrido na Praça do Comércio (na época mais conhecida por Terreiro do Paço) em Lisboa, marcou profundamente a História de Portugal, uma vez que dele resultou a morte do rei D. Carlos e do seu filho e herdeiro, o Príncipe Real D. Luís Filipe de Bragança, marcando o fim da última tentativa séria de reforma da Monarquia Constitucional e, consequentemente, uma nova escalada de violência na vida pública do país. Após o regicídio subiu ao trono D. Manuel II, filho mais novo de D. Carlos, com apenas 18 anos de idade.


O atentado foi uma consequência do clima de crescente tensão que perturbava o cenário político português. Dois factores foram primordiais: em primeiro lugar o caminho desde cedo traçado pelo Partido Republicano Português como solução para a erosão do sistema partidário vigente e, em segundo lugar, a tentativa por parte do rei D. Carlos, como árbitro do sistema político, de solucionar os problemas desse mesmo sistema, apoiando o Partido Regenerador Liberal de João Franco que, viria a instaurar uma ditadura. Desde a sua fundação que o objectivo primário do Partido Republicano Português era o da substituição do regime. Esta atitude teve a sua quota de responsabilidade no despoletar deste acontecimento mas, os ânimos foram definitivamente acirrados pelo estabelecimento de uma ditadura por parte de João Franco, com o total apoio do rei e respectiva suspensão da Carta Constitucional, em 1907.

O Rei, a Rainha e o Príncipe Real encontravam-se então em Vila Viçosa, no Alentejo, onde costumavam passar uma temporada de caça no inverno. O infante D. Manuel havia regressado dias antes, por causa dos seus estudos como aspirante na marinha. Os acontecimentos acima descritos levaram D. Carlos a antecipar o regresso a Lisboa, tomando o comboio, na estação de Vila Viçosa, na manhã do dia 1 de Fevereiro. Com cuidado para que a sua já preocupada mãe não se aperceba, o Príncipe real arma-se com o seu revólver de oficial do exército. Durante o caminho o comboio sofre um ligeiro descarrilamento junto ao nó ferroviário de Casa Branca. Isto provocou um atraso de quase uma hora. A comitiva régia chegou ao Barreiro ao final da tarde, onde tomou o vapor “D. Luís”, com destino ao Terreiro do Paço, em Lisboa, onde desembarcaram, na Estação Fluvial Sul e Sueste, por volta das 5 horas da tarde, onde eram esperados por vários membros do governo, incluindo João Franco, além dos infantes D. Manuel e D. Afonso, o irmão do rei.


Apesar do clima de grande tensão, o monarca optou por seguir em carruagem aberta, envergando o uniforme de Generalíssimo, para demonstrar normalidade. A escolta resumia-se aos batedores protocolares e a um oficial a cavalo, Francisco Figueira Freire, ao lado da carruagem do rei.


Há pouca gente no Terreiro do Paço. Quando a carruagem circulava junto ao lado ocidental da praça ouve-se um tiro e desencadeia-se o tiroteio. Um homem de barbas, passada a carruagem, dirige-se para o meio da rua, leva à cara a carabina que tinha escondida sob a sua capa, põe o joelho no chão e faz pontaria. O tiro atravessou o pescoço do Rei, matando-o imediatamente. Começa a fuzilaria: outros atiradores, em diversos pontos da praça, atiram sobre a carruagem, que fica crivada de balas.


Os populares desatam a correr em pânico. O condutor, Bento Caparica, é atingido numa mão. Com uma precisão e um sangue frio mortais, o primeiro atirador, mais tarde identificado como Manuel Buíça, professor primário expulso do Exército, volta a disparar. O seu segundo tiro vara o ombro do rei, cujo corpo descai para a direita, ficando de costas para o lado esquerdo da carruagem. Aproveitando isto, surge a correr de debaixo das arcadas um segundo regicida, Alfredo Costa, empregado do comércio e editor de obras de escândalo, que pondo o pé sobre o estribo da carruagem, se ergue à altura dos passageiros e dispara sobre o rei já tombado.

A rainha, já de pé, fustiga-o com a única arma de que dispunha: um ramo de flores, gritando “Infames! Infames!” O criminoso volta-se para o príncipe D. Luís Filipe, que se levanta e saca do revólver do bolso do sobretudo, mas é atingido no peito. A bala, de pequeno calibre, não penetra o esterno (segundo outros relatos, atravessa-lhe um pulmão, mas não era uma ferida mortal) e o Príncipe, sem hesitar, aproveitando porventura a distracção fornecida pela actuação inesperada da rainha sua mãe, desfecha quatro tiros rápidos sobre o atacante, que tomba da carruagem. Mas ao levantar-se D. Luís Filipe fica na linha de tiro e o assassino da carabina atira a matar: uma bala de grosso calibre atinge-o na face esquerda, saindo pela nuca. D. Manuel vê o seu irmão já tombado e tenta estancar-lhe o sangue com um lenço, que logo fica ensopado.


A fuzilaria continua. Dª Amélia permanece de pé, gritando por ajuda. Buíça volta a fazer pontaria (sobre o infante? sobre a rainha?) mas é impedido de disparar sobre a carruagem pela intervenção de Henrique da Silva Valente, simples soldado de Infantaria 12, que passava no local, e que se lança sobre ele de mãos nuas. Na breve luta que se segue o soldado é atingido numa perna, mas a sua intervenção é providencial. Tendo voltado o seu cavalo, o oficial Francisco Figueira carrega primeiro sobre o Costa, que ferido pelo príncipe é atingido por um golpe de sabre e preso pela polícia, e de seguida dirige-se a Buíça. Este ainda o consegue atingir numa perna com a sua última bala e tenta fugir, mas Figueira alcança-o e imobiliza-o com uma estocada.




Ora… analisando a história, constata-se o seguinte: o primeiro Rei seria D. Carlos I. Como este foi assassinado, o 2º Rei passa a ser o seu filho mais velho, D. Luís Filipe, que foi assassinado minutos após o seu pai. Por fim, a coroa passa para o 3º Rei, filho mais novo de D. Carlos I, D. Manuel II. Apesar de ser este o relato fiel da história do Regicídio, não podemos, pelo menos oficialmente, contabilizar 2 Reis em apenas 1 dia. Isto porque, para que ocorra a aclamação de um Rei, é necessário toda uma formalidade e o cumprimento de requisitos legais que envolviam, por exemplo, o parlamento. No entanto, não deixa de ser um pormenor curioso da História de Portugal.

Informação retirada daqui

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Biografia de Marquês de la Rosière

n: em 10 de Outubro de 1735, em Pont d'Arche (França), 
m: em 7 de Abril de 1808, em Lisboa.

Alistou-se no exército francês em ... após ter concluído os seis anos de estudos na célebre escola real de engenharia de Mézières. Tendo estado nas Caraíbas e depois na Île de France (actual ilha Maurícia), trabalhou durante algum tempo para a Companhia francesa das Índias. No início da Guerra dos Sete Anos foi colocado no estado-maior do exército do marechal de Broglie. Com o fim da guerra, parece ter integrado o gabinete secreto de Luís XV, dirigido pelo conde de Broglie, irmão do marechal. Visitou a Inglaterra em 1763, segundo parece para preparar um estudo para um futuro desembarque francês na ilha. Mais tarde, em 1765, é-lhe dada a missão de inspeccionar toda a costa atlântica de França, de Dunquerque, no Canal da Mancha, até São João de Luz, no Golfo da Biscaia, e avaliar as forças marítimas do país. O seu relatório é bastante pessimista, já que, como escreve, se a velocidade de construção de navios é bastante boa, já o moral dos engenheiros, dos artífices e dos marinheiros é bastante mau, devido ao atraso de vários meses no pagamento de salários, sendo que a falta de dinheiro faz com que os armazéns estejam vazios. Em 1768 é-lhe dada nova missão de inspecção. A de apreciar a capacidade defensiva das costas e dos portos franceses face a um ataque britânico, e sugerir as obras necessárias. Rosière defenderá que o porto de Brest estava insuficientemente protegido, podendo ser atacado pela retaguarda das defesas. As suas opiniões incompatibilizam-no com o engenheiro Dajot, director das obras do porto. Só em 1776, com a nomeação de um novo governador militar da Bretanha, o marquês de Langeron, é que as sugestões de La Rozière começarão a ser postas em prática. Em 1780 recebeu o título de marquês, e em 1781 foi promovido ao posto de marechal de campo. Depois de ter dirigido na Bretanha alguns dos trabalhos de fortificação que tinha sugerido, realizados pela brigada que comandava, formada pelos regimentos de infantaria de Condé e Penthièvre.

Emigrou em 1791, o ano da «emigração militar», com o seu filho mais velho, tendo ido para Conblenz ao encontro dos príncipes, irmãos de Luís XVI. Foi encarregado dos arquivos militares, sob a direcção superior do marechal de Broglie, e fez a campanha de 1792 como quartel-mestre general. Chamado a Inglaterra em 1794, acompanhará no Verão de 1795 o conde de Artois, o futuro Carlos X, na viagem à ilhas de Yeu e Noirmoutiers, em apoio à expedição de Quiberon.

Em 1797, devido à preparação para uma possível guerra com a Espanha, aliada da França, é escolhido para chefe do estado-maior e comandante da Engenharia, com o título de Quartel-mestre General, sendo acompanhado por vários oficiais de engenharia emigrados, entre os quais o seu filho. Em 1801, devido à comprovação das suas aptidões militares por meio dos seus vários estudos sobre a defesa de Portugal, e aos seus conselhos - em 1798 defenderá que a expedição francesa organizada em Toulon se iria dirigir para o Egipto, o de facto aconteceu, como se sabe -, será nomeado comandante do Exército do Norte. Quando o conde de Goltz lhe retira todas as tropas de linha para as concentrar ao redor de Coimbra, considerando tal decisão um erro gravíssimo escreve a D. Rodrigo de Sousa Coutinho, o único secretário de estado em funções em Lisboa, pedindo a demissão. Goltz recua na decisão e reforça-o com vários regimentos.

Em 1802, será encarregado da Inspecção das Fronteiras Terrestres e Marítimas, continuando um trabalho que já lhe era habitual, fazendo um levantamento completo da situação defensiva de Portugal, redigindo muitos dos relatórios das inspecções.

Manteve-se em Portugal até à sua morte em 1808.

Escreveu várias obras sobre táctica e história militar e deixou muitas outras manuscritas, de que a maior parte, se não a totalidade, foram levadas para França:

M. Carlet de La Rozière, Des Stratagèmes de guerre dont se sont servis les plus grands capitaines du monde depuis plusieurs siècles jusqu'à la paix dernière..., Paris, C.-J.-B. Bauche, 1756
M. Carlet de La Rozière, Campagne de M. le maréchal de Créquy en Lorraine et en Alsace, en 1677, rédigée par M. Carlet de La Rozière ..., Paris1764;
M. Carlet de La Rozière, Campagne de Louis, prince de Condé, en Flandres, en 1674, ... , Paris, Merlin, 1765;
M. Carlet de La Rozière, Campagne du maréchal de Villars et de Maximilien-Emmanuel, électeur de Bavière, en Allemagne, en 1703, Paris, Merlin, 1766
 
Informação retirada daqui

domingo, 15 de outubro de 2017

Biografia de Thomas Saint-Clair

Nasceu por volta de 1786 na Escócia.

Entrou para o exército britânico em Junho de 1800, com o posto de Ensign. Em Agosto de 1803 era alferes e no ano seguinte tenente.

Em 30 de Setembro de 1807 foi promovido a capitão, tendo feito a campanha de Walcheren, em 1809, quando o exército britânico desembarcou nas costas holandesas, sob o comando do 2.º Lord Chatam, irmão mais velho do antigo primeiro-ministro britânico William Pitt, tentando apoiar a Áustria e as revoltas na Alemanha contra a França napoleónica. 

Tendo sobrevivido às doenças que praticamente destruíram o exército britânico nessa campanha, transferiu-se, em Junho de 1810, para o exército português com o posto de major, sendo agregado ao regimento de infantaria n.º 21, o antigo regimento de Valença, em Setembro desse mesmo ano. 

Participou na batalha do Buçaco, tendo comandado as companhias de granadeiros da brigada portuguesa do coronel Champalimaud, comportando-se «mui valerosamente» segundo este oficial. Nomeado major do 1.º batalhão, não assume a função porque fica em Coimbra durante a invasão de Massena. Regressado ao regimento em 1811 fez com ele as campanhas de 1811,1812 e 1813.

Em Agosto de 1813 é promovido a tenente-coronel sendo-lhe dado o comando do batalhão de caçadores n.º 5, que dirige até ao fim da guerra, merecendo elogios a sua conduta na batalha do Nive, já durante a invasão de França pelos exércitos aliados.

As campanhas da guerra na Península não o deixaram com grande saúde e, após ter gozado uma licença de um mês em 1815, estará de baixa, devido a uma inflamação nos olhos, durante mais de 3 anos, de 1 de Junho de 1816 a 1 de Agosto de 1819. Entretanto foi promovido a coronel é nomeado comandante do regimento de infantaria n.º 7, o antigo regimento de Setúbal. A revolução de 1820 expulsou-o do exército, assim como a todos os oficiais súbditos de Sua Majestade Britânica.

Desenhou as gravuras abertas por Charles Turner em 1815 e que retratam acções fundamentais da guerra na Península, com a consistência de alguém que participou activamente no conflito.

Fontes:
Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira
Arquivo Histórico Militar, Processos Individuais, caixa 2004

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Biografia de Friedrich Herman von Schomberg

n: 16 de Dezembro de 1615 em Heidelberg, Palatinado (Alemanha)
m: 1 de Julho de 1690, na Batalha do Boyne (Irlanda)

Schomberg é o paradigma do soldado mercenário do século XVII. Filho do Marechal do Palácio de Frederico V, Eleitor Palatino, e de Ana, filha do 5.º Lord Dudley, serviu no exército holandês de Frederico Henrique de Orange em 1633. No ano seguinte transferiu-se para o exército sueco comandado por Bernardo de Saxe-Weimar, e em 1635 foi  para o exército francês, tendo comprado uma companhia num regimento alemão. Em 1639, voltou ao exército holandês onde tinha adquirido o posto de coronel, tendo entretanto sucedido nas propriedades da família e casado. Em 1650 estava ao serviço do Cardeal Mazarino durante as guerras civis da Fronda em França, sendo-lhe dado o posto de Marechal de Campo em Outubro de 1652, sendo tenente general três anos mais tarde. Ao serviço do exército francês participou, com o Marechal Turenne, na Guerra contra a Espanha e o Príncipe de Condé.
Devido à assinatura em 1659 da Paz dos Pirinéus entre a França e a Espanha, veio para Portugal.

Em 24 de Agosto de 1660, assinou o contrato para servir como mestre-de-campo General do Alentejo, e comandante das tropas estrangeiras em Portugal, tendo chegado a Lisboa no dia 13 de Novembro seguinte. Tinha-se demorado devido a ter ido à Alemanha, para se despedir da mulher, e a Inglaterra para discutir o apoio militar a dar pela Inglaterra a Portugal, no seguimento das conversações que iriam dar à assinatura do tratado de paz e aliança entre Carlos II de Inglaterra e D. Afonso VI de Portugal, de 23 de Junho de 1661 . Esteve em Lisboa até Janeiro de 1661, após o qual se dirigiu para o Alentejo, em inspecção das praças de guerra da província.

Participou em todas as campanhas e batalhas importantes que se realizaram no Alentejo de 1661 a 1668, nunca exercendo de jure, o comando do exército no Alentejo, para o qual tinha sido contratado.

Segundo Hagner, traduzido do alemão pelo general Dumouriez, o seu contributo para o desenvolvimento da arte da guerra em Portugal, foi o ensinar o exército a acampar em formação de combate, o que fazia com que as saídas dos campos fossem muito mais rápidas. Introduziu também a organização regimental francesa, com efectivos mais reduzidos, o que levou ao desdobramento dos antigos terços criados logo a seguir à Restauração, que teve que ser posta em prática devido à compatibilização com a táctica utilizada pelas forças militares aliadas de Portugal, vindas de Inglaterra e França. E claro, ajudou a introduzir a moda francesa, com utilização da casaca em vez do gibão, à la Schomberg como ficou conhecida em Portugal.

Regressou a França em 1668 tendo-se naturalizado francês. Em 1673 foi enviado a Inglaterra para ajudar Carlos II a organizar um exército de invasão da Holanda, mas regressou rapidamente a França para aconselhar Luís XIV no cerco da cidade de Maastricht em Junho desse mesmo ano. Em 1675, devido à morte de Turenne tornou-se um dos oito Marechais de França, sendo já duque. Em 1685, devido à revocação do Édito de Nantes, que tinha dado a liberdade religiosa aos protestantes, teve de abandonar a França. Veio residir para Portugal, indo mais tarde servir Frederico Guilherme de Brandemburgo, o "Grande Eleitor."  Em 1688 foi emprestado, comandando um corpo de tropas "prussiano", a Guilherme de Orange e, em Novembro, foi nomeado 2.º comandante do exército que invadiu a Inglaterra, a pedido do Parlamento inglês, e destronou Jaime II. Naturalizado inglês em Agosto de 1689, foi-lhe dado o título de Duque de Schomberg entre outros, sendo nomeado Comandante-em-Chefe do Exército inglês que invadiu a Irlanda, que se tinha levantado em defesa de Jaime II. Morreu na célebre batalha do Boyne.

Fontes:
Général Dumuriez,
Campagnes du Maréchal de Schomberg,
depuis l'année 1662 jusqu'en 1668,
Londres, Cox, Fils et Baylis, 1807.

John Childs, 
«Marshal Schomberg. A Patriot for whom ?», 
History Today, volume 38, July 1988, pags. 46-52

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Biografia de Francisco Solano

Solano Ortiz de Rozas, Francisco Maria
Marquês do Socorro e de Solana
n: 10 de Dezembro de 1769 em Caracas (Nova Granada) [Venezuela] 
m: 29 de Maio de 1808 em Cádiz (Espanha)

Educado no Seminário dos Nobres de Madrid e na Casa dos Pajens, ingressou no exército nas Guardas Reais de Infantaria. Em 1793, sendo nomeado tenente coronel num regimento de reserva pediu um posto de campanha. Tendo entretanto casado com a marquesa de Solano adoptou o título. Na guerra contra a França, entre 1793 e 1795, participou no sector Catalão, chegando a marechal de campo, o primeiro posto do generalato naquela altura. Após a assinatura da paz entre a Espanha e a França serviu como voluntário no Exército francês do Reno, sob as ordens do general Moreau.
Em 1801 comandou a guarda avançada do Exército espanhol que invadiu Portugal sob o comando de Godoy. Tenente-general em 1802, foi nomeado Governador interino de Cádiz e Capitão General da Andalúzia em 1805, tendo-se distinguido no salvamento dos náufragos e na ajuda aos feridos provocados pela batalha de Trafalgar. Em 1807 comandou a Divisão que ocupou o Alentejo e Algarve em nome de Godoy, Príncipe dos Algarves de acordo com o artigo n.º 2 do tratado de Fontainebleau desse ano, tendo estabelecido o seu quartel-general em Setúbal. Regressou a Espanha, em Março de 1808, por ordem de Godoy para preparar ao que se pensa a retirada da família real espanhola para o México. Recebeu em Badajoz a ordem de aclamação do Rei José que acatou, sendo nomeado novamente capitão-general da Andalúzia por Murat.

A atitude do marquês do Socorro durante a revolta contra os franceses em Cádiz foi dúbia. Não querendo distribuir armas pela população revoltada, também não quis atacar a frota francesa fundeada na baía. Esta última decisão indignou a população que se dirigiu à sua residência oficial, perseguindo-o pelas ruas da cidade e acabando por o matar.

Informação retirada daqui

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Biografia de Francisco Taranco

n:  
m: 26 de Janeiro de 1808 no Porto (Portugal)

Em 1769 foi transferido para a Luisiana às ordens do conde O'Reilly, com o posto de cadete, regressando a Espanha no ano seguinte.
Em 1772 voltou à América, onde se manteve até 1783. Em 1793 era comandante do regimento de Soria, encarregado de apoiar as forças do general Ricardos no Rossilhão. Nessa campanha salientou-se na acção de Pla del Rey onde defendeu a sua posição contra forças quatro vezes superiores.

Em 1794, já brigadeiro, era o responsável pelo flanco direito da linha espanhola en Espolla (Gerona), tendo atacado o flanco esquerdo francês no campo de Cantallops com êxito. Participou na campanha do Alentejo em 1801, sendo promovido, em 1802, a tenente general e nomeado capitão-general da Galiza.

Em 1807 comandou as forças que invadiram o Entre Douro e Minho ocupando o Porto, em nome da antiga Rainha da Etrúria, e futura rainha da Lusitânia Setentrional, como previa o tratado de Fointainebleau de Outubro desse mesmo ano. Morreu no Porto em Janeiro de 1808.

Bibliografia:
Enciclopedia Universal Ilustrada Europeo-Americana, vol. LVII, Bilbao, Espasa-Calpe
Arquivo Histórico Militar, 1.ª Divisão, 14.ª Secção, Caixa 1, n.º 63, «Ofício de Gonçalo Pereira Caldas para o conde de Sampaio, conselheiro de governo, de 28 de Janeiro de 1808»

sábado, 7 de outubro de 2017

Biografia de Albert Taviel

Taviel, Albert-Louis-Valentin
Barão do Império francês
n: 17 de Junho de 1767, Saint-Omer (França)
m: 16 de Novembro de 1831, Paris (França)

Tendo estudado na Escola de Artilharia de Metz, é oficial em 1784, servindo na Córsega em 1793 e 1794, e posteriormente nos Exércitos franceses que combatem na fronteira Norte. Em 1798 é comandante da artilharia do Exército da Helvécia. Em 1801 é Director do parque de artilharia do Exército de Itália, e em 1803 do parque de Saint-Omer, sendo general de Brigada em 1805.
Em 1807 é nomeado Comandante da Artilharia do 1º Corpo de Observação da Gironda, regressando assim ao serviço de campanha. Regressado a França, é nomeado Inspector-Geral da Artilharia em 1810, e feito Barão do Império em 1811. Dirige o cerco à praça de Figueras com êxito, o que lhe vale o posto de general de Divisão em Julho desse ano. Transferido para a Alemanha em 1812, participa na campanha de 1813, estando presente nas batalhas de Lutzen, Bautzen e Leipzig. Durante os Cem Dias é governador de Belfort, só entregando a fortaleza após a abdicação de Napoleão Bonaparte. 

A Restauração nomeia-o novamente Inspector-Geral da Artilharia.

Fonte:
Jean Tulard e outros,
Histoire et Dictionnaire du Consulat et de l'Empire, 
Paris, Laffont, 1995. 

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Biografia de Paul Thiébault

Thiébault, Paul-Charles-François
Barão do Império Francês
n: 14 de Dezembro de 1769 em Berlim (Prússia)
m: 14 de Outubro de 1846 em Paris (França)

Empregado na administração da dívida pública em 1792, Thiébault alistou-se no exército em Agosto desse ano e já era sargento em Novembro, mas foi demitido por motivos de saúde. Reapareceu em Fevereiro de 1793 com o posto de Alferes num Regimento de Infantaria de linha, sendo ajudante de campo do general Valence, comandante de um dos Exércitos da República, com o posto de capitão. Preso em Abril de 1793 acusado de cumplicidade com o general Dumouriez, que tinha desertado, foi libertado em fins de Maio. Em 1794 estava colocado no Exército do Interior e participou na repressão da insurreição realista de Vendimiário (Outubro de 1795) dirigida pelo general Bonaparte. Enviado para o Exército de Itália, onde exerceu as funções de chefe de estado-maior, foi nomeado general de Brigada por Masséna durante o cerco de Génova de 1800. Nesse ano publicou o livro Manuel des Adjudants-Généraux, sobre o serviço dos estados-maiores. Em 1805 comandou a brigada de vanguarda da divisão Saint-Hilaire, do 4º Corpo de Exército do marechal Soult, sendo ferido na batalha de Austerlitz.
Nomeado chefe do Estado Maior do Corpo de Observação da Gironda, é promovido a General de Divisão em 1808. Enviado para Espanha, após o abandono de Portugal, como todos os soldados e oficiais do antigo Corpo de Observação, é nomeado Barão do Império em 1811, regressando a França em 1812. Em 1810 publicou o Manuel Général du Service des Etats-Majors. Em 1813 e 1814 serve em Hamburgo, sob as ordens do marechal Davout. Apoia Napoleão Bonaparte durante os Cem-Dias, participando na defesa de Paris.

Fonte:
Jean Tulard e outros,
Histoire et Dictionnaire du Consulat et de l'Empire,
Paris, Laffont, 1995

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Biografia de Jean Thomières

n: 18 de Agosto de 1771, em Sérignan (França)
m: 22 de Julho de 1812, na batalha de Salamanca (Espanha)

Eleito capitão num batalhão de Voluntários, serve no Estado-Maior do Exército dos Pirinéus-Orientais de 1793 a 1795. Transferido para o Exército de Itália como oficial de Estado-Maior, é ajudante-de-campo do futuro marechal Victor em 1797. Participa em todas as batalhas importantes das campanha de Itália, de 1795 a 1797 e de 1799 a 1801. Oficial do Estado-Maior do Grande Exército em 1805 é ajudante-de-campo de Lannes a partir de Janeiro de 1806.
Promovido a general de Brigada em Julho de 1807, é transferido para o 1º Corpo de Observação da Gironda em Outubro, em substituição do general Pierre-Etienne Petitot, que tinha morrido em 7 de Setembro. É ferido na batalha do Vimeiro, regressando a França em 1808. Enviado para Espanha participa na batalha da Corunha em 1809. Em Junho é Barão do Império, continuando a servir em Espanha, sob as ordens do general Kellermann. Transferido para o Exército de Portugal, participa na 3ª Invasão. Em 1812, continua no Exército de Portugal, agora sob as ordens do marechal Marmont, comandando provisoriamente a 7ª divisão, que dirige na batalha de Salamanca.

Fonte:
Jean Tulard e outros,
Histoire et Dictionnaire du Consulat et de l'Empire, 
Paris, Laffont, 1995. 

domingo, 1 de outubro de 2017

Biografia de D.Miguel

Terceiro filho de D. João VI e de D. Carlota Joaquina. Regressou à Metrópole com a corte vindos do Brasil no momento em que se ensaiava no País a primeira experiência liberal à qual a rainha e os seus apoiantes reagiram vivamente por manejos anti-revolucionários.

D. Miguel tomou o partido da mãe e hostilizou o pai assumindo atitudes políticas cada vez mais definidas, tendo encabeçado o Partido tradicionalista. Foi o executor dos movimentos da Vila-Francada e da Abrilada. O primeiro constituiu um espectacular triunfo político que o elevou a comandante-chefe do exército português. Após o segundo o rei demite o filho do alto posto ocupado e ordena o seu exílio.

Vive quatro anos em Viena de Áustria. D. Pedro IV, após a morte de D. João VI, herdeiro do trono e já imperador do Brasil, outorga a Carta Constitucional e abdica em sua filha D. Maria da Glória que casaria, uma vez chegada à maior idade, com D. Miguel seu tio. O país era governado por uma regência da presidência da infanta D. Isabel Maria. D. Miguel aceitou tudo quanto lhe foi proposto: jurou a Carta, celebrou esponsais com a sobrinha, protestou respeito e obediência a D. Pedro e à regente – e esperou. Malogrado o projecto de deslocar D. Miguel para o Brasil D. Pedro IV nomeia-o seu lugar-tenente em Portugal.

Chegado a Lisboa jura de novo a Carta, assume a regência e nomeia novo ministério. Dias depois dissolve as Câmaras. Da reunião das Cortes, para isso especialmente convocadas, resulta a aclamação de D. Miguel como rei absoluto. Após a assinatura da Convenção de Évora-Monte, que pós termo à guerra civil derimida a favor de D. Pedro e dos liberais, D. Miguel terminou o breve e contestado reinado regressando ao exílio donde não mais voltou.

D. Miguel nasceu no Palácio de Queluz, a 26 de Maio de 1802, recebendo o nome de Miguel Maria do Patrocínio João Carlos Francisco de Assis Xavier de Paula Pedro de Alcântara António Rafael Gabriel Joaquim José Gonzaga Evaristo, e faleceu em Carlsruhe, na Alemanha, a 14 de Novembro de 1866. Está sepultado no Convento dos Franciscanos de Engelberg.

Casou em 1851 com a princesa Adelaide de Loewenstein-Wertheim-Rosenberg, nasceu em Kleinhenbach, a 3 de Abril de 1831; faleceu em Cowes, Inglaterra, a 16 de Dezembro de 1909, filha do príncipe Constantino José e de sua mulher Maria Luísa Henriqueta, princesa de Hohenlohe-Langenburgo.  

Do casamento nasceram:
1. D. Maria das Neves. Nasceu no Castelo de Heubach, a 5 de Agosto de 1852; faleceu em Viena de Áustria, a 15 de Fevereiro de 1941. Casou a 26 de Abril de 1871 com o príncipe D. Afonso Carlos de Bourbon, que nasceu em Londres, a 12 de Setembro de 1849, e faleceu em Viena, a 29 de Setembro de 1936, pretendente carlista à coroa de Espanha;

2. D. Miguel, herdeiro legitimista à coroa de Portugal, com o título de D. Miguel II. Nasceu em Kleinenbach, a 19 de Setembro de 1853; faleceu em Seebenstein, na Áustria, a 11 de Outubro de 1927). Casou em 1877 com a princesa Isabel de Thurn e Taxis (n. em 28 de Maio de 1860; f. a 7 de Fevereiro de 1881), filha do príncipe Maximiliano de Thurn e Taxis e de sua mulher, a princesa Helena, duquesa na Baviera. Casou em segundas núpcias, a 7 de Novembro de 1893, com a princesa Maria Teresa Sofia Pia Ana Melchiora (n. em Roma, a 4 de Janeiro de 1870; f. em Viena, a 16 de Janeiro de 1935), filha do príncipe Carlos de Loewenstein-Wertheim-Roserrberg e da princesa Sofia de Liechstein. Com descendência dos dois casamentos.

3. A infanta D. Maria Teresa. Nasceu em Kleinheubach, a 24 de Agosto de 1855; faleceu em Viena, a 12 de Fevereiro de 1944). Casou a 23 de Julho de 1873 com Carlos Luís de Habsburgo (n. em Schoenbrunn, a 30 de Julho de 1833; f. em Viena, a 19 de Maio de 1896), arquiduque de Áustria e príncipe real da Hungria, irmão do imperador Francisco José. Com descendência.

4.  A infanta D. Maria José. Nasceu em Bronnbach, a 19 de Março de 1857; faleceu em Viena, a 11 de Março de 1943). Casou a 29 de Abril de 1874 com Carlos Teodoro, duque da Baviera (n. em Possenhofen, a 9 de Agosto de 1839; £ em Kreuth, a 30 de Novembro de 1909), filho do duque Maximiliano e da duquesa Luísa, princesa real da Baviera. Com descendência.  

5.  A infanta D. Aldegundes. Nasceu. em Bronnbach, a 10 de Novembro de 1858; faleceu em Gunten, na Suíça, a 15 de Abril de 1946). Casou em 15 de Outubro de 1876 com Henrique de Bourbon-Parma (n. em Parma, a 12 de Fevereiro de 1851; f. em Menthon, a 14 de Abril de 1905 ), conde de Bardi e filho de Carlos III, duque de Parma, e de sua mulher a duquesa Luísa de Bourbon-Artois. Sem descendência.

6. A infanta D. Maria Ana. Nasceu em Bronnbach, a 13 de julho de 1861; faleceu. em Nova Iorque, a 31 de Julho de 1942). Casou em 21 de Abril de 1893 com Guilherme Alexandre (n. Biebrich, a 22 de Abril de 1852; f. em Berg, a 25 de Fevereiro de 1912), filha do grão-duque Adolfo e de sua mulher Adelaide, grã-duquesa do Luxemburgo. Com descendência.

7.  A infanta D. Maria Antónia. Nasceu em Bronnbach, a 28 de Novembro de 1862; faleceu em Berg, no Luxemburgo, a 14 de Maio de 1959). Casou em 15 de Outubro de 1884 com Roberto de Bourbon (n. em Florença, a 9 de Julho de 1848; f. em Pianore, a 16 de Novembro de 1907), filho de Carlos III e de Luísa, duques de Parma. Com descendência.


Fontes: 
Joel Serrão (dir.) 
Pequeno Dicionário de História de Portugal, 
Lisboa, Iniciativas Editoriais, 1976
Joaquim Veríssimo Serrão 
História de Portugal, Volume VII: A Instauração do Liberalismo (1807-1832), 
História de Portugal, Volume VIII: Do Mindelo à Regeneração (1832-1851) e 
História de Portugal, Volume IX: O Terceiro Liberalismo (1851-1890) 
Lisboa, Verbo, 1984, 1986.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Alexandre, o Grande

Alexandre, o Grande (354-323 a.C.) foi rei da Macedónia. Conquistou a Ásia Menor, a Pérsia, e chegou até as margens do rio Indo, na Índia. Fundou a cidade de Alexandria, no Egito.

Alexandre, o Grande (356-323 a.C.) nasceu na Macedônia, norte da Grécia, em 356 a.C. Filho de Filipe II, rei da Macedônia, e Olímpia, descendente de família nobre do reino de Épiro. O herdeiro Alexandre, estudou com os melhores mestres. Aos 13 anos de idade, passou a ter como preceptor o filósofo grego Aristóteles, que transmitiu-lhe o gosto pela mitologia e poesia grega.

A Macedônia era uma nação pobre, cujos domínios estendiam-se desde a parte norte da atual Grécia, até a região que hoje forma o sul da Albânia. Na região viviam camponeses rudes, que falavam um dialeto derivado do grego. O poder dos soberanos era limitado. Havia uma assembléia popular, da qual participavam todos os guerreiros. O papel decisivo era desempenhado pelo conselho dos representantes da aristocracia territorial e militar. Para os gregos, a Macedônia era um país de bárbaros.

Filipe conhecia e admirava a riqueza da cultura grega, e se impressionava com a vastidão territorial e a opulência econômica do império persa. Acreditava na união dos dois povos. Em 336 a.C., quando Filipe II foi assassinado, Alexandre tornou-se rei da Macedônia. Assumiu o posto de chefe da Liga de Corinto (união de várias comunidades gregas), e comandante do mais bem preparado exército da época. Alexandre herdou do pai a arte da guerra, e compreendeu que a expansão da Macedônia seria seu principal objetivo.

Alexandre subiu ao trono com vinte anos e não hesitou em liquidar todos os que tramavam contra sua coroa. Algumas cidades gregas tinham se rebelado e tentavam desfazer a Liga de Corinto. Tebas era o centro da revolta, chegara mesmo a proclamar a independência da Grécia. A guerra foi declarada e Tebas foi arrasada. Só foi poupada a casa do dramaturgo Píndaro, como prova do respeito de Alexandre pelas artes.

A Liga de Corinto, atemorizada, concedeu a Alexandre plenos poderes para comandar a guerra contra os persas. Contribuiu apenas com pequeno contingente para a formação do exército grego-macedônico. Em 334 a.C, Alexandre iniciou uma campanha que propagaria o helenismo por toda a Ásia.

Quando Alexandre chegou na Ásia Menor, encontrou um enorme e desorganizado exército persa. Contando com menos soldados, os nove mil lanceiros, estavam distribuídos em seis batalhões, formando as falanges, que eram a espinha dorsal do exército macedônico. Unidades de cavalaria, arqueiros, artilheiros e especialistas em escaramuças, completavam o poderio de conquistador.

A batalha de Granico foi a primeira grande vitória do seu exército, que prosseguiu sua marcha rumando em direção à costa do Mediterrâneo. Por toda parte o Imperador ganhava confiança e o respeito dos povos vencidos. Avançou pela Cilícia, para confronto com o exército de Dário III, que logo foi vencido. Alexandre já tinha sob seu controle considerável parte do Mediterrâneo. Chipre, Tiro, Damasco e Jerusalém também ampliaram o império Macedônico.

O Egito foi ocupado pelo incrível exército. Alexandre visitou o Oásis de Amon, onde se fez tratar pelos sacerdotes como filho de deus. Fundou a cidade de Alexandria, que tornou-se o centro administrativo do império macedônico. Seguindo para o Oriente, foi aclamado "soberano da Ásia". O Gigantesco trabalho de integração realizado por Alexandre resultou, no intercâmbio comercial com os povos conquistados.

Rumores sobre insatisfação das tropas, que cruzou o deserto de Gedrósia, enfrentado escassez de suprimentos, tempestades e hostilidade das tribos conquistadas, chegaram ao conhecimento de Alexandre. Culpados e inocentes foram punidos. Dispunha de grande poder mas quase não tinha amigos. Só confiava em sua mulher e no amigo Eféstio.

Alexandre chega ao vale do rio Indo em 327 a.C., onde funda as colônias de Nicéia e Bucéfala. No caminho de volta, em 324 a. C., chega a Susa, onde toma duas novas esposas, Statira, filha de Dario III e Parisatis, uma jovem persa de nobreza local. Em 323 a.C., chega à Babilônia, onde contrai uma febre que, em dez dias lhe tira a vida.

Alexandre, o Grande morreu na Babilônia, no ano de 323 a.C.

Biografia retirada de e-biografias

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Abdul al-Aziz Ibn Saud

Descendente de uma família integrada no rigoroso movimento islâmico dos vaabitas, anteriormente expulsa do Kuwait, Ibn Saud conseguiu retomar o poder em Riad (1902) e restaurar o Estado vaabita. Logo após o desmoronamento do império turco, durante a Primeira Guerra Mundial, conquistou, em 1922, o norte da Arábia, então submetido à dinastia Rashid, e, após ter combatido contra o rei haxemita Hussain I Ibn Ali, anexou as cidades santas do Islão (Meca, 1924, Medina, 1925, e Gidá, 1926). Sendo rei de Nayd e de Hedjaz, em 1932, rebatizou o seu reino como Arábia Saudita. A exploração das riquezas petrolíferas do país, iniciada por algumas companhias norte-americanas em 1933, transformou-o no governante mais rico do Oriente Médio, convertendo-o ainda no mediador dos interesses dos EUA no âmbito dos países árabes. Manteve-se neutro durante a Segunda Guerra Mundial, bem como no decurso da primeira guerra árabe-israelense, de 1948. Durante o tempo em que modernizou a infra-estrutura do país, manteve um sistema político feudal, que mais tarde seria parcialmente reformado por seus filhos e sucessores, Saud Ibn Saud (rei entre 1953 e 1964) e Faiçal.

Biografia retirada de NetSaber

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

D. Catarina de Bragança


É vulgar, em textos portugueses sobre a história de Portugal haver referências à rainha de Inglaterra, D. Catarina de Bragança, como alguém infeliz e desprezada pelo marido, o rei Carlos II. Repete-se constantemente que a filha de D. João IV e de D. Luísa de Gusmão foi uma rainha que sofreu as maiores desconsiderações do marido, por este ter mantido diversas favoritas. Se é facto que isso aconteceu, também é importante frisar que eram os usos da época. Convém divulgar que Catarina introduziu, além do chá, diversas inovações na corte britânica. Conheça melhor esta rainha no ano em que passam 300 anos sobre a sua morte.

            Relendo obras portuguesas e estrangeiras sobre a sua vida, pode-se afirmar que D. Catarina de Bragança foi, como tantas infantas portuguesas, casadas com reis e imperadores estrangeiros, tão feliz como as outras, tendo em conta que os casamentos reais eram contratos, onde interesses políticos e económicos pesavam mais que os aspectos românticos. Amor no casamento era um «luxo» que muito raramente acontecia na vida dos monarcas e imperadores, e consequentemente das rainhas e imperatrizes e isso quer a Oriente quer a Ocidente. 
            Mesmo no séc. XX fomos testemunhas de como isso foi verdade, com o xá do Irão ou com o herdeiro do trono da Grã Bretanha (Eduardo VIII) e mesmo com Nerhu, que não sendo monarca foi obrigado a casar com quem os pais decidiram, já para não falar do actual príncipe de Gales que teve de casar com Diana por imposição familiar.
            Carlos II de Inglaterra dedicou grande parte da sua vida às favoritas, que se contam pela vintena, e muitas não foram nada simpáticas para com a rainha, mas D. Catarina, mas esta com o tempo ganhou uma sabedoria muito especial para lidar com elas. No cômputo geral, os 23 anos de casamento de D. Catarina de Bragança, não foi menos conseguido que o da maioria das princesas do seu tempo e a prova é que Carlos II, foi por diversas vezes instado a divorciar-se e não o fez. Não tinha motivos, afirmava, aos que o aconselhavam a dar esse passo. Disse-o mesmo em declarações públicas. À sua maneira, respeitou e amou a sua rainha. 
            Quando já viúva, Catarina de Bragança, regressou a Portugal foi alvo de grandes manifestações de júbilo tanto da parte dos portugueses como da comunidade inglesa. Em Inglaterra teve, à despedida, todas as honras prestadas a uma rainha, a que o povo da rua se solidarizou e trouxe no seu séquito ingleses e inglesas que permaneceram vários anos no nosso país e de quem D. Catarina era amiga. Afinal era já, nos costumes e hábitos adquiridos, mais inglesa, que portuguesa. Podemos perguntar, e se Catarina de Bragança tivesse casado com Luís XIV como esteve para acontecer, em 1659? Teria sido mais feliz? Teria a casta e ingénua Catarina, educada num convento, alheia à vida mundana sido mais feliz movimentando-se numa corte cheia de intrigas, futilidades e invejas, num perfeito vespeiro que foi a corte de Luís XIV, com o constante rodopio de favoritas onde as irmãs Mancini se movimentavam, e depois entre a perfídia da Montespan e a duvidosamente virtuosa madame de Maintenon? Temos quase a certeza, que Catarina de Bragança acabou por ter mais sorte ao casar com Carlos II de Inglaterra. Pelo menos ele tinha consideração por ela e jamais pensou em a repudiar apesar de lhe não ter dado um herdeiro, o que era, na época, igual ou pior que ter má conduta moral!
            Catarina de Bragança foi a quarta filha de D. Luísa de Gusmão (espanhola de nascimento) e do futuro rei D. João IV (1604-1656), o rei da Restauração. Tiveram sete filhos. Dois faleceram à nascença e dois já adultos, entre eles o herdeiro, D. Jaime. Dois filhos de D. João IV foram reis de Portugal, Afonso VI, afastado do trono por ser parcialmente paraplégico e por haver uma forte facção da corte que o não apoiou e seu irmão D. Pedro II, que viria a casar com a cunhada quando o casamento de D. Afonso foi declarado nulo, por se suspeitar que não tinha sido consumado, por incapacidade física do rei. Este rei deu origem a uma peça literário El Rei Pasmado, passado ao cinema com êxito. 
            Como por vezes acontece, numa irmandade de sete, a coroa acabaria na cabeça do mais novo. Das infantas, apenas sobreviveu D. Catarina, que nasceu no dia de Santa Catarina, a 25 de Novembro de 1638, em Vila Viçosa. Foi muito mimada em pequenina pela mãe e damas da corte e quando deixou de ser pequenina foi mandada educar num convento em Alcântara. D. João IV partiu de Vila Viçosa para Lisboa depois do triunfo de 1 de Dezembro de 1640, e o resto da corte, a rainha e filhos só chegaram à capital, no Natal. Tinha a princezinha apenas dois anos. D. Catarina terá aprendido no convento a rezar, a bordar, a ouvir e aprender os rudimentos de música e algumas generalidades sobre História. Não aprendeu francês, nem inglês e terá saído do convento, até casar, apenas meia dúzia de vezes. Os únicos homens com quem falou eram da família. Não estava de modo algum preparada para um casamento com um estrangeiro e menos ainda com um inglês. Se fosse com um espanhol como eram a maior parte dos casamentos entre os dois países, seria certamente mais fácil, dada a afinidade de cultura e religião.
            Apetecia dizer como na história da Carochinha: «Quem quer casar com a princezinha que é que é bonita e formozinha! Depois de ponderadas várias hipóteses de casamento, nomeadamente com D. João de Áustria, bastardo de Filipe IV, o Duque de Beaufort, neto de Henrique IV, a mãe, D. Luísa de Gusmão já viúva e regente, procurou o melhor casamento para a filha. A diplomacia ditava-lhe uma aliança com Inglaterra para cimentar a nova dinastia de Bragança, que substituía o período filipino e que ainda nem todos os países tinham reconhecido, bem como a Santa Sé. E assim se fez. Foi escolhido Carlos II de Inglaterra. O contrato de casamento levou o seu tempo, pois foi tratado ao pormenor. Neste caso, havia ainda um problema que era forçoso ultrapassar, o da diferença de religião, mas os conselheiros da rainha D. Luísa de Gusmão adoptaram o estratagema de realizarem o casamento em território inglês, de modo que o papa não pudesse interferir. Desde o tempo de Henrique VIII, que a Igreja Anglicana não obedecia a Roma. 
            Carlos II de Inglaterra, viu os retratos da noiva e gostou da cara e cabelos dela. D. Catarina tinha deslumbrantes cabelos pretos, olhos muito escuros e um ar doce. É certo que os retratos pintados naquelas épocas e com fins de casamentos nunca mostravam as imperfeições. Neste caso o noivo ficou sem saber a estatura da noiva, que era pequenina, roliça e com os dentes ligeiramente salientes, mas, mesmo assim, não seria por falta de beleza que Catarina não seria rainha de Inglaterra. 
            Tudo ficou preparado para receber a católica princesa portuguesa em Portsmouth. Havia ainda algo que raras princesas da época podiam oferecer a Carlos II – um dote irrecusável de dois milhões de cruzados, a praça de Tânger em África, e a pequena feitoria na ilha de Bombaim, na Índia – que no séc. XVII era um território pobre e pouco previsível vir a ter o imenso desenvolvimento que os ingleses lhe deram. Estas possessões portuguesas significavam muito para a Inglaterra, que sempre privilegiou os pontos estratégicos, em termos de comércio e de guerra, e que mereceram do conde de Clarendon, conselheiro de Carlos II, mais tarde Lord Chanceller, o seguinte comentário: «podiam razoavelmente avaliar-se em mais do que o dote em dinheiro». A quantia do dote foi difícil de conseguir, dado o país atravessar um período de quase penúria. A rainha foi a primeira a vender as suas jóias pessoais, que eram muito valiosas, pois D. Luísa de Gusmão foi provavelmente a rainha portuguesa que mais rico dote trouxe, quando casou. Pertencia à casa Medina Sidónia e era quase um reino dentro do reino de Espanha. Para completar o dote de D. Catarina foi necessário empenhar pratas, jóias e outros tesouros de conventos e igrejas. O Brasil também contribuiu, porque ainda era colónia. 
            Nas cláusulas do contrato de casamento o dote seria pago em mais do que uma vez, pois era difícil conseguir o montante combinado. Aqui, mais uma vez a diplomacia portuguesa prestou um bom serviço. Foi Francisco de Melo Furtado, mais tarde conde da Ponte e marquês de Sande, quem tratou do contrato de casamento, assinado em 23 de Junho de 1661 e que se revestiu de grandes dificuldades, dada a influência do embaixador da Espanha em Inglaterra, que não podia dizer pior do nosso país e do aspecto físico da princesa Catarina. Valia-nos o interesse de Luís XIV que apoiou o enlace, tendo oferecido a Carlos II, seu primo, 30.000 pistolas e durante todo o reinado apoiou-o monetariamente, por diversas vezes.
            Carlos II foi também rei de uma Restauração, a chamada Restauração de Monck. Nasceu em 29 de Maio de 1630. O pai, Carlos I, subiu ao trono, em 1628 e depois de um reinado conturbado foi executado, em 1649. À decapitação de Carlos I seguiu-se uma república ditatorial liderada por Oliver Cromwell, entre 1649 e 1659. (Cromwell faleceu em 1658). Carlos II viveu no exílio, na Holanda, de 1651 a 1660. Quando o Parlamento restaurou a monarquia e o proclamou rei, ainda ele se encontrava em Haia. No dia da coroação, ainda na Holanda, tinha na sala um amigo português, o ministro Francisco de Sousa Coutinho, e nesse dia o novo rei disse que a coroa inglesa estava grata a Portugal pelo apoio que lhe fora dado no período de incerteza e solidão. 
            Carlos II é triunfalmente recebido em Londres em 29 de Agosto de 1660 e coroado no dia de São Jorge, em 23 de Abril de 1661. Durante os anos de exílio, o jovem príncipe da casa dos Stuarts esteve em diversos países, viu cometer muitas injustiças por questões religiosas e provavelmente passou ater uma visão aberta quanto à liberdade de culto, que facilitou durante o seu reinado, começando por casar com uma princesa católica, se bem que o povo e a maioria do Parlamento a isso se opusesse. E relembramos que a mãe de Carlos II era católica - Henriqueta Maria de França, filha de Henrique IV e de sua segunda mulher, Maria de Médicis. 
            D. Catarina de Bragança já rainha, teve, por diversas vezes, que passar por intrigas e perigosas conspirações pelo facto de ser católica. Vivia-se na Europa um período tenebroso de lutas e intolerância religiosa. 
            Carlos II tinha uma cultura acima da média para a época (era versado em História e aprendera Matemáticas com o filósofo Thomas Hobbes). Carlos II, Rei de InglaterraO seu rol de amantes variavam desde as aristocratas de boa linhagem a comediantes de duvidoso estatuto social. Teve quinze bastardos. Um rei Ter amantes era vulgaríssimo, para não dizer generalizado, desde sempre, e as futuras consortes dos reis já sabiam, a priori, que assim era. E se muitos reis tinham favoritas apenas pelo prazer físico e o jogo da sedução, não pudemos esquecer a elevadíssima taxa de mortalidade infantil, que grassou praticamente em toda a Europa até finais do séc. XIX. Daí que filhos, bastardos ou não, eram bem-vindos. E quantos não foram reis? Carlos II, apesar de Catarina de Bragança não ter nunca conseguido levar avante nenhuma gravidez foi um marido atencioso e meigo, passem algumas humilhações que lhe terá feito passar. Mas isso foi apenas nos primeiros tempos. 
            Ser rainha pressupõe também uma preparação específica que a infanta portuguesa não tivera. Foi à sua custa que aprendeu. A jovem rainha D. Catarina também não teve sorte com as damas de companhia que lhe tinham escolhido. Eram senhoras aristocratas, é certo, mas algumas já viúvas eivadas de preconceitos, extremamente religiosas, ou quase beatas, que não serviam como conselheiras da jovem princesa naquela corte tão diferente da portuguesa. Catarina levou poucas damas de companhia jovens e com espírito alegre e arejado. Entre as damas que foram no seu séquito, por sugestão da França, que apoiou, sem reservas o enlace, encontrava-se Frances Teresa Stewart, educada em França, e que caiu nos braços de Carlos II, em 1663. Era considerada extremamente bela e viria mais tarde a ser duquesa de Richmond e Lennox, quando casou com o duque do mesmo nome. Mas a amante oficial de Carlos II era a condessa de Castlemaine, mais tarde duquesa de Cleveland (Barbara Villiers, depois, por casamento, Palmer, conhecida apenas por Lady Palmer.) Também se contavam entre as favoritas uma Lady Byron. 
            Carlos II tivera filhos ainda solteiro. O primeiro bastardo nasceu quando vivia na Holanda e contava apenas 16 anos. Seguiu-se outro filho de uma ligação com Lucy Walter, filho legitimado mais tarde e a quem foi dado o título de duque de Monmouth que viria a dar ao casal real, bastantes amarguras e sobressaltos. O rei terá escapado de atentados perpetrados por este filho que o quis tirar do trono, com o apoio de uma parte da Câmara dos Comuns que também não queria como rei o irmão Jaime, duque de Iorque. Enfim, eram as habituais intrigas da corte, muitas vezes sangrentas.
            Uma armada de vinte navios, comandada pelo conde de Sandwich, saiu de Lisboa, no meio de grandes festejos de despedida no rio Tejo. A infanta D. Catarina de Bragança embarcou no Royal Charles, que rumou a Portsmouth e onde chegou a 25 de Maio. O rei não a foi esperar, devido a qualquer assunto urgente de Estado ou para satisfazer o capricho da favorita, ciumenta com a proximidade do casamento. Receberam Catarina de Bragança o conde de Manchester e vários outros representantes do monarca. A infanta portuguesa ficou hospedada em King’s House, residência do governador da cidade. Porém, uma infecção na garganta vai retê-la no leito. Nessa altura alguém da corte, talvez o médico, sugeriu dar-lhe a beber um copo de cerveja, bebida já vulgar em Inglaterra. D. Catarina de Bragança, com a garganta a arder e com muita febre pediu em espanhol, uma chávena de chá, o que deve ter provocado uma enorme perturbação entre os presentes, pois o chá não era bebida conhecida na corte. O chá, hoje a bebida oficial do Reino Unido, foi, como sabemos, introduzida por esta nossa rainha na corte inglesa, já vamos saber como e quando. 
            O atencioso marido foi visitá-la, ainda convalescente, tendo o casamento tido lugar em 31 de Maio de 1662. O enlace foi uma cerimónia privada pelo rito católico e depois, para os convidados, pelo rito da Igreja Anglicana, como estava estipulado no contrato de casamento. Embora alguns escritores e cronistas ingleses, da época, se referissem à fealdade de Catarina, isso não passou de intriga e pura maledicência, pois Carlos II, que sabia apreciar o belo sexo e que recusara outras princesas europeias, nomeadamente duas de Parma, uma por ser como disse «demasiado feia e a irmã por ser demasiado gorda», também dizia: «detesto as alemãs e as princesas de países frios». D. Catarina, estava precisamente no meio. Era oriunda de um país temperado, morena, jovem e relativamente bonita de cara. Em carta a Clarendon, Carlos II, refere-se à sua esposa, nestes termos: «se não pode ser considerada uma grande beleza tem os olhos excelentes. A sua cara não repele e, se eu sei ser fisionomista, deve ter muita bondade. A sua conversa é agradável e tem boa voz. Já nos entendemos muito bem e julgo-me feliz». Carlos II, como vemos, desde logo, mostrou-se satisfeito com a sua mulher, embora a achasse muito pequenina. 
            D. Catarina amou o marido, desde o primeiro momento e até ao dia da sua morte, em 1685. Sobre o amor que Catarina dedicou ao marido fala-nos a inglesa, Margaret Campbell Barnes, na obra With All My Heart: the love story of Catherine of Braganza, Londres, 1951, e ali dá-nos uma visão positiva de um casamento real do séc. XVII europeu. 
            Os primeiros dias de casados foram passados em Hampton Court que estava luxuosamente mobilado e decorado. D. Catarina também levou móveis, entre eles preciosos contadores indo-portugueses que nunca tinham sido vistos em Inglaterra.
            Quando D. Catarina iniciou a sua vida de rainha, o rei, que tinha como favorita Barbara Palmer, de quem teve seis filhos pressionou-a para escolher Barbara como dama da corte. A rainha começou por recusar, e foi com muita relutância que aceitou. Ficou famosa a sua frase: «O rei pode fazer o que lhe aprouver, mas não com o meu consentimento», o que prova que a sua bondade não era ilimitada. 
            As damas de companhia que a infanta portuguesa levou de Portugal eram motivo de troça na corte inglesa. Usavam trajes antiquados eram extremamente sisudas. Foi a camareira-mor, a inglesa condessa de Suffolk e o mordomo-mor, também inglês quem aconselharam a rainha Catarina a «desculpar» o comportamento do rei. Foi uma adaptação difícil, mas com o tempo a rainha a tudo se habituou e chegou a proteger os bastardos do marido e a suportar a presença das favoritas. 
            D. Catarina aderiu à moda de vestir inglesa o que a beneficiava e que era copiada da corte francesa, que, com Luís XIV, marcava a Europa inteira. Muitas rendas, tecidos de sedas que vinham de longe, sapatos sempre a condizer com o a cor do vestido, cabeleiras, jóias e colares de pérolas enormes. Os homens usavam caprichosas cabeleiras cuidadosamente tratadas (em Inglaterra, as cabeleiras não eram de cabelo natural como em França, devido ao perigo de doenças de pessoas mortas, eram artificiais).
            D. Catarina, infanta de Portugal, o tal país que os detractores diziam ser paupérrimo e com uma corte sem maneiras, introduziu inovações na corte inglesa, e não apenas o hábito de se tomar chá. Uma das primeiras inovações tem a ver com a estranheza que a rainha demonstrou ao ser servida, às refeições em pratos de ouro ou prata. Os alimentos estavam sempre frios e a rainha terá perguntado porque se não usavam pratos de porcelana, algo que na corte portuguesa já se usava há muitos anos. Não sabemos se demorou muito tempo a efectuar-se essa importante mudança na baixela, mas acreditamos, que Carlos II terá mandado substituí-los. A primeira fábrica de porcelana inglesa só foi fundada, em 1743, em Chelsea, e a de Worcester em 1751. 
            A infanta portuguesa também se deslocou para Inglaterra com uma orquestra composta de músicos portugueses, o que era um sintoma de civilidade e cultura. Se não formos nós portugueses a fazer referência a estes pormenores, eles ficam esquecidos na História Universal, normalmente feita por homens e que pouco valor dão aos pormenores que marcam a diferença. 
            As cartas entre mãe e filha eram constantes. A rainha D. Luísa de Gusmão ainda a filha estava no alto mar já lhe enviava palavras repassadas de saudades, assim: « My Catalina de mis ojos yo se sentir las saudades q declararlas no se sy esto effecto dellas sy medio para no deslicirlas mas espero deverte el conocimiento do q te amo y q me es mayor verdugo que la soledad cõ q me dexas (...) ». Como vemos é uma carta repassada de ternura onde se misturam as saudades lusitanas e «la soledad» espanhola. Era também em espanhol que D. Catarina comunicava com o seu marido, antes de dominar a nova língua, que começou a aprender em Portugal logo após o contrato de casamento. Mas sabe-se que teve alguma dificuldade com o inglês.
            O reinado de Carlos II não foi fácil. O Parlamento tinha um poder imenso que lhe vinha do facto de ser ele a acordar ou negar apoio financeiro a todas as propostas do rei. Mais tarde, como o herdeiro tardava a chegar a Câmara dos Comuns pressionou o rei para se divorciar de Catarina de Bragança podendo invocar dois motivos de peso - a esterilidade e o facto de ser católica, num país protestante. Todos os métodos foram usados para a afastar. Houve mesmo quem falasse com o confessor da rainha para este a convencer a entrar para um convento e assim o rei poder divorciar-se para casar com outra princesa que lhe pudesse dar um filho., porém D. Catarina respondeu «nunca me separarei do homem que amo». A própria cunhada, Henriqueta Ana, de quem Catarina muito gostava (era casada com Filipe de Orleães, irmão de Luís XIV) foi induzida a convencer Catarina a divorciar-se, mas Henriqueta de Orleães recusou fazê-lo. O Parlamento chegou a oferecer ao rei uma importância de 500 000 libras caso aceitasse divorciar-se, mas Carlos II, mesmo com pouca disponibilidade de fundos não se deixou convencer. Sempre firme argumentava que não tinha qualquer censura a fazer à sua rainha, que era muito bondosa. 
            E pudemos perguntar: Se Catarina de Bragança fosse assim tão infeliz como afirmaram alguns autores, teria pura e simplesmente aceitado o divórcio e regressado a Portugal. Ela não quis. 
            Porém, a rainha ainda teve de passar por mais provações, estas não da parte do rei. Em 1678, surgiu a chamada Conspiração Papista, em que a rainha foi formalmente acusada no Parlamento, por um ex-jesuíta depois padre protestante, ligado a grupos muito dissolutos, Titus Oates, de estar por detrás de uma conspiração para matar o rei. Foram perseguidos e mortos muitos católicos. O rei tudo ouviu e nunca duvidou da lealdade de D. Catarina, que, nestas ocasiões se refugiava na capela a rezar a Nossa Senhora da Conceição (escolhida para padroeira de Portugal por seu pai em 25 de Março de 1646). O próprio azeite que iluminava a lamparina da imagem era-lhe enviado de Portugal. 
            Segundo os biógrafos de Carlos II, passadas as tormentas políticas e desfeitos os equívocos, o casal real passeava de mãos dadas pelos palácios. Residiam de Verão em Windsor e passavam o Inverno em Whitehall, com atitudes de dois apaixonados. Iam ver os barcos e o mar em Richmond, de que ambos tanto gostavam. Um dos primeiros navios saídos dos estaleiros ingleses, logo após o casamento, teve o nome da rainha, por escolha do rei. Mais tarde, durante as lutas entre a Holanda e a Inglaterra, Catarina fez questão de oferecer à esquadra de Carlos II, uma fragata, paga por si, com o significativo nome de Saudades. Como vemos isto é uma atitude de uma rainha perfeitamente respeitada e integrada na sociedade inglesa. 
            D. Catarina teve, nos momentos de crise, da parte do conde de Castelo-Melhor um grande aliado. O conde tinha sido banido de Portugal por ter conspirado contra a rainha viúva Luísa de Gusmão por causa dos filhos Afonso e Pedro e as facções da corte, mas, em Inglaterra, Castelo-Melhor foi um fiel servidor da infanta portuguesa. Mais tarde também o marquês de Arronches iria proteger Catarina, durante a ofensiva de Oates na Conspiração Papista. Em 1661 o casal real muda de Whitehall para Windsor. Em 1665 houve uma terrível peste em Londres, tendo a corte mudado para Hampton Court e depois para Oxford. Na corte inglesa, apesar de algumas convulsões políticas, internas e duas guerras com a Holanda, havia tempo para a alegria de viver. Havia jogos em que toda a corte participava, bailes constantes e muito teatro. D. Catarina tímida, de início refugiava-se na capela. Depois, triste por ver o seu marido rodopiar nos salões com outras damas, também aprendeu a dançar, o que passou a fazer muito bem. O aniversário do seu nascimento era festejado com um grande baile, um banquete requintado e muito fogo de artifício lançado das margens sobre o Tamisa. 
            Segundo o embaixador francês na corte inglesa, de 1661 a 1665 havia bailes e teatro com grande frequência e durante o dia. O rei ocupava o seu tempo «junto da rainha ou de Lady Castlemaine». Nos bailes do palácio a corte intriguista interrogava-se: «Será que o rei hoje vem com a portuguesa?» 
            Carlos II, além de grande caçador, gostava de corridas de cavalos, jogava bem ténis e tinha uma perfeita loucura por cães, que levava para a cama. Era vulgar rodear-se de mais de quinze caninos e era visto regularmente a passear-se com a sua matilha entre Knightsbridge e St. James. 
            D. Catarina de Bragança tentou impor na corte as saias mais curtas, onde se pudessem ver os seus pés delicados, mas as damas da velha Albion, de pés grandes, não a seguiram. Outra inovação introduzida por Catarina foi a substituição da máscara de passeio em seda negra pelos leques, numa perfeita herança espanhola de sua mãe, D. Luísa de Gusmão.
            O duque de Iorque, segundo irmão de Carlos II casou, em primeiras núpcias com Ana, filha de Lorde Chanceler. Tendo enviuvado casou com a muito jovem e católica princesa italiana, Maria Beatriz de Modena e passou também ele a professar a religião católica. A corte mostrou-se extremamente fria com a nova princesa, e foi a rainha Catarina quem a recebeu com muito afecto e mandou vir uma companhia de ópera expressamente de Itália, para comemorar o facto e para lhe agradar. Foi esta a primeira vez que uma ópera italiana foi ouvida em Inglaterra. A rainha discreta sabia, com muita diplomacia, mostrar que também tinha poder na corte. 
            D. Catarina de Bragança é uma das infantas portuguesas de quem há mais iconografia. Foi pintada por inúmeros pintores, desde o miniaturista Samuel Cooper, que nos deixou aguarelas, passando por Peter Lely, o pintor oficial da corte de Carlos II, que nos legou mais de meio milhar de obras, mas, quem melhor imprimiu na tela a «verdadeira» infanta portuguesa Catarina de Bragança, rainha de Inglaterra, foi Huyssman, pintor que além de admirar a rainha, era católico e a imortalizou em dois retratos muito ao gosto dela. Um, onde Catarina está com o cordeiro pascal e um Cupido, numa alegoria misto de religiosa e profana onde se faz a apologia do amor. Foi assim representada a rainha num quadro como pastora e noutro onde Catarina está representada como Santa Catarina. Também o pintor francês Henry Gascar a retratou em belas composições.
            Sem dúvida que o primeiro chá bebido na corte inglesa por D. Catarina de Bragança lhe terá sido enviado de Lisboa vindo da China via Macau, primeiro entreposto comercial entre o Ocidente e o Oriente (desde 1557). Ela não o levou na sua bagagem como aparece escrito em todo o lado, erradamente. 
            Sobre a história do chá uma das primeiras referências encontra-se na obra de Giani Battista Ramusio em Delle Navigationi et Viaggi, 1559 e segundo as enciclopédias britânicas, o chá terá sido introduzido em Inglaterra em 1579 por Christopher Borough depois de uma expedição à Pérsia, mas só se generalizou por volta de 1660. 
            Porque é importante saber a história verdadeira da introdução do chá na corte britânica, procurámos textos que nos provaram que o chá começou a ser bebido, naquela ilha, nas camadas baixas da sociedade, não na camada mais pobre, mas sim por homens e mulheres vendedores de produtos alimentares e outros que se levantavam de madrugada para abastecer a grande cidade. Na ausência de alimentos, bebiam chá, que não passava de água quente, preparada, sem grande cuidado com umas folhas de má qualidade de chá, ou moído, para enganar a fome. 
            A palavra chá entrou na língua portuguesa através «da forma fonética da língua mandarínica e do dialecto de Cantão e passou a várias línguas como o espanhol (arcaico), o grego e línguas eslavas. A palavra «tê» do dialecto Amoy e de Fun-Kien foi adoptado pelas línguas espanhola, francesa, inglesa, alemã e grego moderno (tem as duas formas)». É curioso notar, que ainda hoje, nas camadas populares de certas regiões da Grã Bretanha se diz «tchá», como em Liverpool. 
            A rainha Catarina terá ensinado a preparar o chá e a bebê-lo acompanhado de bolos. E passou a ser preparado em bules de porcelana. Pensa-se que a princesa portuguesa, ou alguma dama da sua comitiva, terá levado para a corte inglesa a receita do doce de laranja, preparado na zona de Vila Viçosa, onde este fruto abunda. A verdade é que o termo «marmalade» é a palavra portuguesa «marmelada», que é confeccionada com marmelo, fruto que não era conhecido em Inglaterra. A «marmalade» inglesa é doce de laranja. A «marmelada» portuguesa entrou em Inglaterra em 1495 «In fact, marmalade did first arrive thus in England from Portugal and before long also from Spain and Italy, where the Portuguese term for the confection was like wise (sic.) adopted». Quanto ao chá eram principalmente os ingleses e holandeses que o comerciavam na Europa. 
            Uma das amantes do rei que mais humilhações causou a D. Catarina de Bragança foi Luísa de Kéroualle, que era também a ponte de informações políticas entre a Inglaterra e a França. Teve um filho e uma filha do rei e mais tarde foi-lhe dado o título de duquesa de Portsmouth. «Mulher de grande beleza, mas enormemente viciosa e voraz», segundo um autor da época. 
            Quando a rainha, embora dócil e serena, «perdia a paciência» com as favoritas do marido, ia para o palácio de Somerset-House, onde passeava muito a pé e fazia por esquecer os desgostos. Estava perto do rio e da capela e essa solidão acalmava-a. Uma das actividades a que D. Catarina de Bragança deu particular atenção foi exercitar-se no tiro ao alvo e viria a ser nomeada protectora da Corporação dos Archeiros de Londres. 
            No Novo Mundo, a cidade de Nova Amsterdão, fundada por holandeses, em 1626, foi conquistada pelo duque de Iorque, irmão de Carlos II e passou, em 1664, a denominar-se Nova Iorque. As áreas próximas da cidade passaram a King’s Country e Queens Country. (Nova Iorque só passou definitivamente para a posse de Inglaterra, em 1674). 
            Em 1998 esteve programada a inauguração, em Queens de uma estátua monumental à rainha Catarina. A iniciativa da construção da uma estátua partiu da associação Friends of Queen Catherina e contou com o apoio de várias entidades portuguesas, públicas e privadas. Previa-se uma festa com pompa e circunstância, o que não aconteceu, porque houve movimentos cívicos norte-americanos que se opuseram, alegando que a rainha D. Catarina de Bragança fora «a responsável» pela introdução de mão-de-obra negra, ida de África, nas então colónias inglesas. Enfim, nada como pôr as culpas aos mais fracos. Que puder tinha D. Catarina para tal? Essa decisão coube ao rei e aos seus conselheiros. 
            Normalmente o cidadão comum não sabe exactamente o que é um anacronismo, isto é não sabe que se não pode ver uma época com a mentalidade que se tem no presente. A escravatura era algo, que era aceite na época, passe tudo o que isso hoje nos possa repugnar. Daí que D. Catarina ficou com a estátua arrumada num armazém. E não se fala de nada porque não é politicamente correcto. 
            Pessoalmente espero que um dia a tragam para Portugal. Fica cá muito bem e há tão poucas mulheres na estatuária urbana! Talvez em Vila Viçosa, onde a infanta portuguesa nasceu. 
            A autora da estátua, Audrey Flack talvez gostasse de ver a sua obra exposta, até porque é uma escultura extremamente bela. D. Catarina é mostrada como uma rainha jovem de cabelos encaracolados, bonita e com uma bola de vidro ( o mundo) na mão esquerda.
            À corte de Carlos II e Catarina de Bragança chegavam grandes pintores como Rafael e Ticiano entre outros e Luís XIV enviou para a corte inglesa arquitectos, paisagistas e grandes gravadores. O reinado de Carlos II saldou-se por um período de grande incremento cultural e protecção das artes e ciências. O rei tinha o seu laboratório onde gostava de fazer experiências químicas. Vários palácios foram recuperados. O palácio de Windsor sofreu grandes beneficiações, e Winchester dizia-se ser parecido com Versalhes. Foi reorganizada a Marinha, fundou-se, em 1662 a Royal Society, foi criado o Royal Observatory of Greenwich e a Mathematical School at Christ’s Hospital e, em termos de legislação, foi promulgada a lei do Habeas Corpus, em 1679. 
            Quando D. Catarina e D. Carlos II viviam já uma vida de mais tranquilidade e harmonioza, e o rei reduzira a sua constante mudança de favoritas, começou a ter problemas de saúde. Nunca se soube exactamente o que o vitimou a 6 de Fevereiro de 1685, com cinquenta e cinco anos. Várias teorias foram avançadas, uma, que não foi excluída, foi o perigo a que o rei se expusera ao fazer experiências químicas e ao manipular matérias como o mercúrio, no seu laboratório. Como sempre, levantaram-se suspeitas de envenenamento e o rei foi autopsiado, mas nada ficou provado. Teve numa primeira fase uma paralisia facial, piorou, mas esteve lúcido até ao fim, tendo mesmo recomendado que se não esquecessem de dar corda a um determinado relógio. Curioso, que se verificou que só com os reis de quem o povo gosta é que se levantam suspeitas de envenenamento. É sempre difícil aceitar a morte de quem se ama. 
            Carlos II despediu-se dos filhos bastardos, tendo pedido ao irmão e sucessor no trono que os protegesse, bem como às ex-amantes. A rainha D. Catarina passou os piores dias da sua vida, ao ver o homem que amava piorar de dia para dia. Chorou muito a ponto de não conseguir entrar no quarto do marido. Pediu a alguém que transmitisse ao rei que ela lhe pedia perdão se involuntariamente o tinha feito sofrer e Carlos II terá dito: «Ai de mim. Pobre mulher. Pedir-me perdão. Eu é que lhe peço perdão de todo o coração». D. Catarina tudo perdoou e chorou amargamente a perda do homem que amara com respeito durante 23 anos. 
            O funeral foi de noite, apenas para os mais íntimos, no dia 14 do mesmo mês, por causa das eternas guerras das religiões. O caixão de Carlos II ficou na Abadia de Westminster onde depois se procedeu às cerimónias fúnebres. O rei no seu leito de morte, como era desejo da mulher e do duque de Iorque converteu-se ao catolicismo e comungou. Alguém disse deste rei que foi «Príncipe de muitas virtudes e muitas imperfeições».
            D. Catarina ainda ficou no seu país de adopção mais nove anos. Viveu oito anos em Whitehall e depois foi residir para Somerset House. Viu subir ao trono o cunhado, Jaime II, com quem se dava muito bem, mas que foi deposto, em 1688, pelo genro Guilherme de Orange, que subiu ao trono com o título de Guilherme III. Este rei como era protestante, embora tratasse a rainha viúva com respeito, mandou reduzir a sua criadagem e D. Catarina passou a ser olhada com desconfiança, pois era, agora, a única católica da corte. E assim a rainha viúva passou a viver recolhida escrevendo cartas constantes ao irmão e rei de Portugal, D. Pedro II, pedindo-lhe para regressar. 
            Chegou finalmente o dia do regresso à pátria. A rainha D. Catarina de Bragança, saiu, em finais de 1692, de Somerset-House acompanhada por uma comitiva de cento e vinte pessoas e chegou a Portugal no início de 1693. A viagem foi longa e demorada e Luís XIV convidou-a para descansar da viagem e fazer uma estada em França. A rainha viúva declinou o convite que a sensibilizou muito. À passagem por Espanha (país da mãe) teve manifestações de simpatia. A sua chegada a Portugal foi festejada com verdadeiro júbilo, em todo o percurso até Lisboa. Aqui as festas da sua chegada duraram três dias. D. Catarina residiu em diversos palácios, hábito que trouxe de Inglaterra. Teve como primeira morada o palácio de Alcântara, passou para o dos condes de Redondo, depois residiu na Penha de França, no palácio dos condes de Soure e ainda no palácio de Belém, dos condes de Aveiras, até que acabou os seus dias no palácio que mandou construir - Palácio da Bemposta - no último dia do ano de 1705. Até morrer recebeu uma pensão que lhe era enviada por paquetes ingleses, datando dessa data uma carreira regular entre os dois países. 
            Por impedimento do rei de Portugal D. Pedro II, Catarina de Bragança foi por duas vezes regente. Antes de morrer quis voltar a Vila Viçosa, o que aconteceu, em Fevereiro de 1699. 
            Dela disse a escritora Lillias Campbell Davidson, «She was one of the best and purest women who ever shared the throne of England». E Hamilton diria desta rainha portuguesa «It was a sensible woman and devoted all her energies to pleasing the King by those services which were least painful to her tender feeling (...) » . 
            Em 1914 os seus restos mortais foram transladados do Mosteiro dos Jerónimos para S. Vicente de Fora. 

Notícia retirada daqui

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Mensagens populares

Recomendamos ...