domingo, 31 de dezembro de 2017

Biografia - Avril, Jean-Jacques

n: 11 de Novembro de 1752 em Loudun (França)
m: 19 de Junho de 1839 em Le Bouscat (França)

Alferes das Milícias das Ilhas Maurícias (Ilha de França) em 1775, regressa a França em 1790. Serve no Exército do Oeste que combate os monárquicos franceses (Chouans) chegando a General de Brigada. Em 1800 é enviado para o Exército de Itália. De 1801 a 1807 ocupa postos administrativos no sul de França, sendo nomeado general de brigada no Corpo de Observação da Gironda que invade Portugal. Enviado em Março de 1808 para Estremoz, sob o comando do general Kellermann, é encarregue da repressão do levantamento de Vila Viçosa que ataca no dia 19 de Junho, permitindo que a vila seja posta a saque. Participa na batalha do Vimeiro, regressando a França após a Convenção de Sintra.
Enviado para Espanha, comanda a província de Bilbao até 1810. Em 1813 participa na campanha da Alemanha, distinguindo-se na batalha de Lutzen. Enviado para Hamburgo, regressa a França depois da queda do Império. Recusou-se a servir Napoleão Bonaparte durante os Cem-Dias. 


Jean Tulard e outros,
Histoire et Dictionnaire du Consulat et de l'Empire, 
Paris, Laffont, 1995. 

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Biografia - André Rebouças

André Rebouças (1838-1898) foi engenheiro e militar brasileiro. Planejou e construiu as docas da alfândega e da Gamboa no Rio de Janeiro. Serviu na Guerra do Paraguai, no acampamento do General Osório, em São Francisco de Assis, no Rio Grande do Sul. Projetou as docas do Maranhão, de Cabedelo na Paraíba, do Recife e da Bahia. Construiu uma rede de abastecimento de água para o Rio de Janeiro.

André Rebouças (1838-1898) nasceu em Cachoeira, província da Bahia, no dia 13 de janeiro de 1838. Filho do advogado Antônio Pereira Rebouças, eleito deputado pela Bahia, ao Parlamento Imperial. Franzino e raquítico, passou os primeiros anos de vida quase sempre doente. André e seu irmão Antônio, iniciaram os estudos no Colégio Valdetaro. Eram amigos inseparáveis.

Em 1849, estudam no Colégio Kopke, em Petrópolis e depois no Colégio Marinho, onde concluem os estudos de geografia, latim e inglês. Em casa estudavam para a Escola Militar. Em 1854, ingressam no curso de Engenharia Militar. Em 1855, os dois irmãos entram como voluntários no Batalhão de Artilharia. Em 1858, concluem o curso de Engenharia Militar e recebe os galões de primeiro tenente. Em 1861, recebem uma bolsa de estudos e seguem para Europa, para cursos de especialização. De volta ao Brasil, André escreve "Memórias sobre os Caminhos de Ferro da França" e junto com o irmão escreve "Estudos sobre Portos de Mar".

Com dificuldades para conseguir emprego, só em 1863, o Ministro de Guerra, Polidoro Quintanilha contrata André para inspecionar as fortificações do Litoral Sul. Segue depois para o Maranhão, para reforma do porto. Tinha planos de construir diques no Rio de Janeiro e instalar uma linha telegráfica entre Parnaíba e Cabedelo, mas seus projetos não tiveram o apoio desejado.

Com o início da Guerra do Paraguai, André volta ao Rio de Janeiro em 1865. Sugeriu ao Ministro de Obras, a construção de uma estrada desde o Paraná até a zona de Combate, mas não foi ouvido. Nesse mesmo ano parte para a guerra. O seu destino era o acampamento do General Osório, em São Francisco de Assis. Aos poucos vai se tornando um oficial conceituado. É contra o bombardeio de Uruguaiana, tomada pelos paraguaios. O Conde d'Eu é favorável à sua tática. Inicia-se assim uma longa amizade entre o engenheiro e o Conde d'Eu.

André Rebouças adoece com pneumonia em 1866, e ainda em tratamento luta em defesa do acampamento de Tuiuti, bombardeado pelos paraguaios. Em 16 de julho do mesmo ano é atacado pela varíola. Volta ao Rio de janeiro. Nessa época morre sua mãe. Pede baixa do Exército e inscreve-se no concurso para lecionar hidráulica na Escola Central. Quem assume a vaga é Borja Castro. Tenta dar aulas no Pedro II mas não consegue o emprego.

Em outubro de 1866, é nomeado engenheiro da alfândega e dirige a construção das docas do Rio de Janeiro. Em 1871, Rebouças é demitido, recebe 200 contos de réis, e em seu lugar assume Borja Castro. Rebouças é agora gerente de uma companhia particular. Em 1872, vai para a Europa. Visita Portugal, Madri, Paris e em dezembro chega à Itália onde encontra-se com Carlos Gomes, assiste seus ensaios da ópera O Guarani. É convidado para padrinho do filho de Carlos Gomes e Adelina Peri.

Continua sua viagem, volta a seus estudos, vai para Londres e Nova York, onde chega em 1873. Tem dificuldade de conseguir hotel e conclui que é por causa da cor de sua pele. É impedido de assistir o espetáculo no Grand Opera House. Nesse ano morre seu irmão Antônio. Em 1880, morre seu pai. De volta ao Brasil, assume o cargo de professor na Escola Central. Integra a Campanha pela abolição, junta-se a Nabuco, Patrocínio e outros.

Depois da abolição veio a república, Rebouças sentia admiração e respeito por D. Pedro II, junta-se à família real e embarca para Europa. O Imperador elogia os fieis amigos e menciona o ilustre Engenheiro. Em 1891, com a morte do Imperador, embarca para a Africa. Desespera-se com a fome na África. Muda-se para Funchal, na Ilha da Madeira, onde começa a dar aulas. Em 1896, recusa um convite de Taunay para voltar e reassumir o cargo de professor, havia muitas recordações desagradáveis.

André Pinto Rebouças morre em Funchal, na ilha da Madeira, no dia 9 de maio de 1898.

Notícia retirada daqui

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Biografia - Beresford, William Carr


n: 2 de Outubro de 1768 (Irlanda)
m: 8 de Janeiro de 1854 em Bedgebury (Inglaterra)


Filho ilegítimo do Conde de Tyrone, futuro Marquês de Waterford, frequentou a academia militar de Estrasburgo e em Agosto de 1785 foi aceite como cadete no 6º Regimento de Infantaria. Em 1793 era capitão, servindo com a Frota britânica do Mediterrâneo, tendo-se notabilizado na ocupação da Córsega. Em 1794 era tenente-coronel, servindo na Índia a partir de 1799. Em 1801 participou na campanha do Egipto, comandando o seu regimento que pertencia ao contigente enviado da Índia.
Em 1806, participou, com o posto de Brigadeiro, na captura do Cabo da Boa Esperança, colónia holandesa, e mais tarde, em 27 de Julho, ocupou a cidade de Buenos Aires. O levantamento da população da colónia espanhola em Agosto obrigou-o à capitulação, tendo sido feito prisioneiro. Conseguiu fugir seis meses mais tarde, regressando a Inglaterra. Em finais de 1807, devido à invasão de Portugal pelo exército de Junot, ocupou a ilha da Madeira, sendo promovido a Major-General em Abril de 1808. Foi transferido para o exército que desembarcou em Portugal em Agosto desse ano, chegando a Lisboa, já liberta da ocupação francesa, em Setembro. Mais tarde, comandou uma Brigada do Exército britânico que, sob o comando de John Moore, foi enviado para Espanha, tendo participado na Batalha da Corunha.

Escolhido pelo governo britânico, de acordo com o parecer do general Wellesley, para comandar o Exército português, é-lhe atribuído o posto de Marechal do Exército, igual aos usados pelos duque de Waldeck, em 1797, e pelo conde de Goltz, em 1801. A sua missão, ao contrário do que se afirma, não foi tanto a de reorganizar o exército - obra de D. Miguel Pereira Forjaz, entre Julho de 1808 e Abril de 1809 -, mas sim a de compatibilizar a organização e a táctica existentes no exército português com a britânica, permitindo uma actuação conjunta no campo de batalha. É mais tarde que os seus poderes serão alargados, por meio da Carta Régia de 18. , que lhe permitirá propor mudanças na estrutura do exército, assim como das Milícias e das Ordenanças, sem que estas tenham de passar pelo Conselho de Regência, e pelo crivo de D. Miguel Pereira Forjaz.

General com poucas qualidades para o comando em campanha, as suas falhas neste aspecto são conhecidas, sobretudo o seu incompetente posicionamento das forças aliadas na preparação da Batalha de Albuera em 1811; batalha que ganhou devido à iniciativa individual dos seus subordinados. Mas já durante a campanha de 1809 contra Soult tinha mostrado dificuldade em tirar partido de uma situação favorável, ao não apoiar convenientemente o general Silveira, na luta que este travava contra o exército de Soult em retirada. Depois de Albuera, nunca mais terá um comando independente, só voltando a dirigir tropas em 1814, durante a invasão do sul de França, mas sempre sob o comando directo e preocupado de Wellington.

Com o fim da guerra em 1814 mantêm-se no comando do Exército português. Devido ao regresso de Napoleão a França em 1815, tenta organizar uma força expedicionária para se reunir ao exército britânico nos Países Baixos, que se preparava para invadir a França, não conseguindo os seus intentos devido à oposição da Regência. Viaja para o Brasil onde consegue do Rei poderes mais alargados, sendo feito Marechal-General, o título usado anteriormente pelo Barão Conde, pelo Conde de Lippe, pelo Duque de Lafões e pelo Duque de Wellington. Devido à Revolução de 1820, é demitido das suas funções, não lhe sendo permitido desembarcar em Portugal, quando chegou a Lisboa em Outubro vindo do Brasil.

Regressou a Portugal em 1826, mas a sua pretensão de regressar ao comando do Exército não foi aceite. Foi membro do primeiro governo de Wellington, de 1828 a 1830, com o título de Master General of Ordnance, equivalente em Portugal ao posto militar de Director do Arsenal. Em 1834 publicou A Refutation of Napier’s Justification of his third volume onde tentou defender as suas acções de 1811, muito criticadas pelo tenente-coronel Napier na sua obra History of the War in the Peninsula. 

Noticia retirada daqui


segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Biografia - André Vidal de Negreiros

André Vidal de Negreiros (1620-1680) foi militar, líder na expulsão dos holandeses da Capitania de Pernambuco. Foi Governador das Capitanias de Pernambuco, Maranhão e do Grão-Pará. Foi também Capitão-Geral de Angola.

André Vidal de Negreiros (1620-1680) nasceu no Engenho São João, na província de Filipéia de Nossa Senhora das Neves, atual cidade de João Pessoa, Paraíba, no ano de 1620. Era filho de nobres proprietários de terra e de engenhos de açúcar. Foi orientado para a carreira das armas e para a administração das terras.

Andre Vidal de Negreiros era criança por ocasião da invasão holandesa. Logo cedo participou das guerrilhas contra os invasores. Incendiou canaviais e engenhos. Com a permanência dos holandeses na Capitania de Pernambuco, Vidal de Negreiros, segue para a Bahia, mas sempre lutando para a reconquista da Capitania.

Em 1642, com a autorização de Maurício de Nassau, e o compromisso de não conspirar, veio a Pernambuco visitar amigos e parentes, e embarcar para Portugal onde lutaria na guerra contra a Espanha. Em Pernambuco, ele não foi fiel ao compromisso e organizou uma conspiração, com o apoio de Antonio Dias Cardoso e João Fernandes Vieira, ricos comerciantes e senhores de engenho.

Enfrentou os holandeses na batalha de Casa Forte, onde derrotou os invasores na propriedade de D. Ana Paes, grande colaboradora dos holandeses, que foi casada duas vezes com holandeses e era amiga do Conde Maurício de Nassau. Participou do cerco ao Recife, onde foi ferido ao entrar com suas tropas no Forte das cinco pontas, no extremo sul da ilha de Antonio de Vaz, onde se encontra hoje o bairro de Santo Antônio. Lutou nas duas batalhas nos Montes Guararapes, ao sul do Recife. A primeira em 19 de abril de 1648 e a segunda em 19 de fevereiro de 1649, sendo os holandeses derrotados nas duas batalhas.

Com a expulsão dos Holandeses, Vidal de Negreiros foi incumbido de levar a notícia ao Rei Dom João IV, que o designou Alcaide de Marialva e concedeu-lhe o hábito da Ordem de Cristo. De volta ao Brasil, procurou ocupar importantes cargos públicos e adquirir novas propriedades. Foi governador das Capitanias do Maranhão, e do Grão-Pará.

No dia 26 de março de 1657 assume o governo da Capitania de Pernambuco, onde permaneceu até 1660. Após deixar o governo de Pernambuco, foi nomeado para atuar em Angola, que nessa época mantinha estreitas relações comerciais e políticas com Pernambuco, momento em que a produção açucareira dependia da mão de obra escrava. De volta a Pernambuco, recolhe-se ao Engenho Novo, propriedade sua, em Goiana, na então Capitania de Itamaracá.

André Vidal de Negreiros morreu no Engenho Novo, em Goiana, na Capitania de Itamaracá, no dia 3 de fevereiro de 1680

Notícia retirada daqui

sábado, 23 de dezembro de 2017

Biografia - Antoine Brenier

Brenier de Montmorand, Antoine-François
Barão do Império francês e Conde
n: 12 de Novembro de 1767, Saint-Marcellin (França)
m: 8 de Outubro de 1832, idem (França)

Entrou no Exército como Cadete, em 1781, sendo transferido para a cavalaria da Guarda Real. Em 1792, com o início da guerra é nomeado ajudante de campo, e em 1793, é comandante de regimento (chef de brigade) no Exército dos Pirinéus-Orientais. Devido à assinatura da paz com a Espanha em 1795, é transferido para o Exército de Itália e mais tarde para o da Holanda, sendo promovido a general de Brigada em 1799. De 1801 a 1807 ocupa postos administrativos.
Em finais de 1807 é transferido para o 1º Corpo de Observação da Gironda, sendo ferido na batalha do Vimeiro e feito prisioneiro. Trocado em 1809, serve com Massena em 1810, sendo nomeado Governador de Almeida. Em 1811, cercado pelo Exército britânico, devido à retirada de Portugal do exército francês, conseguiu evacuar a guarnição da fortaleza e juntar-se às forças de Massena, sendo promovido a general de divisão em 26 de Maio, e nomeado Barão do Império em Fevereiro de 1812.

Em 1813, é gravemente ferido na batalha de Lutzen na Saxónia, não servindo mais até ao fim do Império. Apoia a Restauração, sendo nomeado inspector de Infantaria e feito Conde.

Fonte:
Jean Tulard e outros,
Histoire et Dictionnaire du Consulat et de l'Empire, 
Paris, Laffont, 1995. 

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Biografia - Harry Burrard

Burrard, Sir Harry
n: 1 de Junho de 1755 em Walhampton
m: 18 de Outubro de 1830 no castelo de Calshot

Entrou para o exército em 1772, como Porta Bandeira num dos Regimentos de Guardas. Promovido a tenente e logo a capitão no ano seguinte, pediu para ser transferido para o 60º regimento, para poder servir na Guerra na América.  Serviu na América até 1780, regressando à Grã-Bretanha para ocupar o lugar de deputado por Lymington, obtido devido à influencia de um tio, deputado pelo mesmo círculo de 1741 a 1778. Regressou a América em 1781 e 1782 sob as ordens de Cornwallis, regressando ao seu regimento de guardas com o fim da guerra de Independência americana, sendo promovido a tenente-coronel em 1789. Dois anos antes fora nomeado governador do Castelo  de Calshot.
Serviu na Flandres de 1793 a 1795, sendo promovido ao posto de coronel em 1795 e ao de major-general três anos mais tarde. Em 1804 assumiu o comando do 1º regimento de Guardas com o posto de tenente-coronel, e em 1805 foi promovido a tenente-general. Em 1807 comandou a 1ª divisão da força enviada contra a Dinamarca, sendo, devido à sua antiguidade o 2º comandante da força dirigida por Lorde Cathcart. No regresso foi-lhe dado o título de barão.

Em 1807 foi-lhe dado o comando em segundo da expedição enviada para a Península, e comandada originalmente pelo general Wellesley. Chegou a Portugal a 19 de Agosto, mas não comandou o exército na Batalha do Vimeiro do dia 21. Tomou o comando no fim da Batalha impedindo a perseguição ao exército francês em debandada. No dia seguinte entregou o comando a Sir Hew Dalrymple, acabado de chegar, apoiando este general na assinatura da Convenção de Sintra. Tendo regressado à Grã-Bretanha para ser ouvido pela comissão de inquérito militar, foi absolvido.

Nunca mais obteve ou requereu um posto de campanha. Em 1810 devido a ser o tenente -coronel mais antigo dos regimentos de guardas tornou-se o comandante da Brigada. Dois dos seus filhos morreram na Península, o primeiro na batalha de Corunha, o segundo no cerco de San Sebastian.


Fonte:
The Dictionary of National Biography,
founded in 1882 by George Smith
Oxford, Oxford University Press, 1998

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Biografia - Henry Clinton

Oficial em 1787, serviu em 1788 e 1789 como voluntário no exército prussiano estacionado na Holanda, tendo-se tornado Ajudante-de-Campo do Duque de York em 1793. Promovido a Tenente-Coronel em 1795, foi feito prisioneiro pelos franceses em 1796, quando regressava a Inglaterra vindo das Antilhas. Em 1799 acompanhou o exército do general russo Suvorov nas campanhas de Itália e da Suiça, como oficial de ligação. De 1802 a 1805 foi ajudante-general do Exército britânico na Índia. Regressou a Inglaterra a tempo de ser enviado novamente como oficial de ligação para o Exército russo, na campanha que terminou com a batalha de Austerlitz, a que assistiu. Foi governador de Siracusa, na Sicília, nos anos de 1806 e 1807, sendo escolhido para o Parlamento em 1808. Ajudante-general do Exército britânico em Portugal após a batalha do Vimeiro, acompanhou Moore na campanha de Espanha, que culminou com a batalha da Corunha. Enviado para a Irlanda, quando em 1810 foi promovido a major-general pediu para regressar ao serviço activo, sendo enviado para Portugal para comandar a 6ª divisão do Exército britânico, tendo participado na batalha de Salamanca. Em 1813 foi graduado em tenente-general, tendo sido nobilitado no ano seguinte devido à sua participação na batalha de Vitória. Com o regresso de Napoleão a França, foi chamado por Wellington para comandar a 3ª divisão do 2º corpo, que dirigiu durante a batalha de Waterloo.

Fontes:
David Chandler,
Dictionary of the Napoleonic Wars,
Londres, Arms & Armour Press, 1979.
The Dictionary of National Biography,
founded in 1882 by George Smith,
Oxford, Oxford University Press, 1998

domingo, 17 de dezembro de 2017

Biografia - Jean Roch Coignet


Capitão na reforma. Nascido a 16 agosto de 1776 em Druyes (Yvonne) morreu em Auxerre a 10 de dezembro de 1865. 

Soldado da República e do Império, de 23 de agosto de 1799 a 16 de Junho de 1815. Participou sob as ordens de Napoleão Bonaparte, nas Campanhas de Itália, de Áustria, Prússia, Espanha, Rússia e Bélgica, em trinta e quatro batalhas, sendo as principais Montebello, Marengo, Ulm, Austerlitz, Iena, Eylau, Friedland, Somosierra, Eckmühl , Essling, Wagram, Smolensk, Borodino, Lützen, Dresden, Brienne, Montmirail, Montereau, Craonne, Charleroi, Ligny (Waterloo) e em quinze combates. 

Foi um dos primeiros a ser condecorado com a cruz de cavaleiro da Legião de Honra em 14 de junho de 1804, sendo promovido a oficial em 3 de julho de 1812. Capitão do Estado-Maior General em 4 de setembro de 1813 regressou a casa em 1 de novembro 1815 após 16 anos de serviço e 16 campanhas. 

Foi elevado ao posto de oficial da Legião de Honra em 28 de novembro de 1832.

Biografia retirada daqui

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Biografia - Dalrymple, Sir Hew Whitefoord


n: 3 de Dezembro de 1750 
m: 9 de Abril de 1830

Filho único de um capitão de cavalaria, entrou para o exército em 1763 como Porta Bandeira, sendo tenente em 1766, capitão em 1768 e major em 1777. Em 1779 foi feito cavaleiro, devido à influência do seu padrasto, o embaixador Sir James Adolphus Oughton. sendo foi promovido a tenente coronel do 68º regimento de infantaria em 1781 e coronel em 1790.
Nesse mesmo ano transferiu-se para o 1º Regimento das Guardas. Em 1793 foi enviado para a Flandres, com o exército britânico comandado pelo Duque de York, participando na batalha de Famars, no cerco de Valenciennes e nas batalhas em frente de Dunquerque, tendo regressado a Inglaterra no verão de 1794. Em Outubro desse mesmo ano foi promovido a Major-general, e em 1796 foi nomeado Vice Governador da Ilha de Guernsey, uma das ilhas britânicas no Canal da Mancha, onde permaneceu até ser promovido a Tenente General em 1 de Janeiro de 1801.

Destinado para o comando militar do Norte da Grã-Bretanha, que incluía a Escócia, foi enviado para Gibraltar para secundar o tenente-general Henry Fox em Maio de 1806.  Em Novembro desse mesmo ano, devido à partida do general Fox para a Sicília, tornou-se comandante da Guarnição do Rochedo. Apoiou como pôde a revolta espanhola na Andaluzia contra o exército francês, e em 7 de Agosto de 1808 foi nomeado comandante da expedição britânica a Portugal, devido a que as forças que tinham reforçado o comando do general Wellesley, não podiam ser comandadas por este, por ser o mais novo tenente general britânico.

Chegou a Portugal em 22 de Agosto de 1808, substituindo o segundo comandante, Sir Harry Burrard, que tinha acabado de substituir Arthur Wellesley no comando da expedição. Não sendo responsável pela decisão de não perseguir o exército francês após a batalha do Vimeiro, assinou com Kellermann um armistício que viria a transformar-se na convenção para a evacuação de Portugal conhecida por Convenção de Sintra, e que permitiu aos franceses abandonarem Portugal em navios britânicos. Chamado a Inglaterra para explicar, juntamente com os outros dois generais, o seu comportamento a uma comissão de inquérito formada por sete generais, foi ilibado assim como os seus colegas de quaisquer erros. Na verdade, a comissão de inquérito aprovou a assinatura do armistício por seis votos contra um, e da convenção por quatro votos contra três.

De qualquer maneira, Dalrymple foi censurado por não ter continuado os sucessos de Wellesley, e o estigma da convenção perseguiu-o no resto da sua carreira, o que o impediu de conseguir um comando de campanha. Mas a sua carreira militar continuou, sendo nomeado coronel do 57º regimento em 1811 e promovido a General em 1812. Em 1815 foi feito Barão, tendo sido nomeado Governador do Castelo de Blackness em 1818.

Fonte:
The Dictionary of National Biography,
founded in 1882 by George Smith
Oxford, Oxford University Press, 1998

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Biografia - Delaborde, Henri-François




n: 21 de Dezembro de 1764 em Dijon (França)
m: 3 de Fevereiro de 1833 em Paris (França)

Educado para padre, alistou-se como soldado em 1783 no Regimento de Condé, por um motivo desconhecido, sendo ainda cabo em 1791, quando foi licenciado. Eleito tenente em 1791 no Regimento de Voluntários de que também fazia parte Junot, alcançou o posto de general de Divisão dois anos mais tarde, tendo-se distinguido no cerco de Toulon de 1793. Após a conquista desta cidade, foi enviado para os Pirinéus-Ocidentais onde comandou a célebre "Coluna Infernal." Seguiu-se um período de serviço nos exércitos da Alemanha até 1801, época em que foi atacado por crises agudas de reumatismo. Possivelmente por esse motivo, não participou nas campanhas de 1805 a 1807 com o "Grande Exército," sendo comandante do campo de instrução de Pontivy a partir de Fevereiro de 1807.
Em fins de 1807 foi nomeado comandante da 1ª divisão do Corpo de Observação da Gironda, sendo Governador Militar de Lisboa durante o período da 1.ª Invasão Francesa. Derrotado na Roliça pelo general britânico Wellesley, futuro duque de Wellington, abandonou Portugal com o exército francês após a Convenção de Sintra. Enviado novamente para a Península em 1809, como comandante da 1.ª divisão do 8.º corpo do Exército de Espanha, sob a direcção de Junot, participou na batalha da Corunha sob o comando de Soult, ocupando o Porto durante a 2.ª Invasão Francesa. Foi o principal responsável pela salvação do Exército de Soult, quando o Exército britânico comandado pelo também regressado general Wellesley conseguiu atravessar o rio Douro de surpresa.

De regresso a França, voltou a ocupar postos administrativos até 1812. Comandante da 1.ª Divisão de Infantaria da Guarda Imperial, durante a campanha da Rússia - divisão formada por regimentos da "Jovem Guarda" - foi gravemente ferido na batalha de Pirna, em Agosto de 1813, durante a Campanha da Alemanha, não tendo participado por isso na Campanha de França de 1814. Apoiou Napoleão no seu regresso a França, sendo Par de França durante os "Cem Dias." Foi proscrito por Luís XVIII em 1815.


Fonte:
Jean Tulard e outros,
Histoire et Dictionnaire du Consulat et de l'Empire,
Paris, Laffont, 1995


segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Biografia - Dumouriez, Charles-François du Périer


General francês que conquistou vitórias assinaláveis  para a Revolução Francesa, em 1792-93, e de seguida, traiçoeiramente, desertou para os austríacos.

Nasceu em 25 de Janeiro de 1739, em Cambrai, França, morreu em 14 de Março de 1823, em Turville Park, no Buckinghamshire, Inglaterra.

Filho de um comissário de guerra, Dumouriez entrou para o Exército Francês em 1758 e serviu com distinção contra os prussianos na Guerra dos Sete Anos (1756-63). Luís XV enviou-o em missões diplomáticas , no âmbito do Gabinete Secreto, a Madrid (1767), Polónia (1770-72) e Suécia (1773), acabando por ser chamado a França e preso (1773-75) por se ter metido em intrigas. Ao sair da prisão escreveu o seu célebre livro État présent du Royaume de Portugal en l’année 1766. Possivelmente, não mais do que um panegírico do marquês de Pombal em final de carreira. Em 1778 foi nomeado comandante de Cherbourg, onde nos onze anos seguintes supervisionou o desenvolvimento do porto.

A Revolução de 1789 abriu novas oportunidades às ambições de Dumouriez. Aderiu ao Clube dos Jacobinos em 1790 sendo nomeado, em Março de 1792, ministro das Relações Exteriores num gabinete dirigido pelos Girondinos. Em 20 de Abril de 1792, quando a guerra foi declarada à Áustria, Dumouriez tentou ganhar rapidamente o conflito, com a intenção provável de, após a vitória, usar o exército para derrubar a Assembleia Legislativa (sucessora da Assembleia Nacional) e governar em nome do rei, mas as forças francesas sofreram uma série de reveses nas campanhas iniciais e o plano inicial não teve possibilidade de se concretizar. Dumouriez foi nomeado ministro da Guerra em 12 de Junho de 1792, mas renunciou três dias mais tarde, para assumir o comando do Exército no Norte, no momento em que a Prússia entrou no conflito ao lado da Áustria. Com François-Christophe Kellermann, Dumouriez foi capaz de parar a invasão do Exército da Prússia na Batalha de Valmy, em 20 de Setembro, e obrigá-lo a retirar de França. De seguida, Dumouriez conquistou a Bélgica esmagando um exército austríaco na batalha de Jemappes, em 6 de Novembro de 1792.

Em 26 de Fevereiro de 1793, Dumouriez invadiu a Holanda, mas foi forçado a retirar para a Bélgica, onde acabou por ser derrotado pelos austríacos em Neerwinden, em 18 de Março, e em Lovaina, em 21 de Março. Concluiu um armistício com o inimigo, e planeou marchar para Paris com intenção de derrubar a Convenção Nacional, que tinha sucedido à Assembleia Legislativa em Setembro de 1792. Quando a Convenção enviou ao ministro da guerra, Pierre Riel, conde de Beurnonville, e quatro comissários para o substituírem no comando, Dumouriez prendeu-os e entregou-os aos austríacos em 2 de Abril. Os soldados desertaram em massa e, em 5 de Abril, Dumouriez entregou-se aos austríacos. A sua deserção desacreditou o Partido Girondino, o seu grupo político e, em 2 de Junho, os jacobinos conseguiram expulsar os dirigentes Girondinos da Convenção.

Depois de viajar por toda a Europa durante vários anos, Dumouriez assentou em Inglaterra, onde lhe foi concedida uma pensão no início de 1800. Correspondeu-se com várias personalidades portuguesas e escreveu, possivelmente para se fazer notado num país que era conhecido por receber bem oficiais estrangeiros, Campagnes du Maréchal de Schomberg,depuis l'année 1662 jusqu'en 1668, publicado em 1807 em Londres.

Após a restauração da monarquia francesa em 1814, o rei Luís XVIII recusou-se a permitir o seu regresso a França.


Fontes: 
Enciclopédia Britânica;


sábado, 9 de dezembro de 2017

Biografia - Elphinstone, Sir Howard

n: 4 de Março de 1773    m: 28 de Abril de 1846

Sexto filho de  John Elphinstone, vice-almirante  e tenente-general ao serviço da Rússia, entrou para o exército britânico em 1793 como segundo-tenente do Corpo de Engenheiros, tendo participado na conquista da colónia holandesa do cabo da Boa Esperança. Promovido a primeiro tenente em 1796, foi enviado para a Índia, tendo chegado ao posto de capitão tenente em 1800. Fez a campanha do Egipto de 1801, acompanhando as tropas idas da Índia, como comandante da engenharia.
Em 1806, participou na missão de Lord Rosslyn a Portugal, sendo já capitão, e no fim desse mesmo ano participou na expedição do general Whitelocke à América do Sul, novamente como comandante da engenharia.  Em 1808, acompanhou Wellington à Península na mesma capacidade, tendo sido gravemente ferido no combate da Roliça.

Com a promoção a Major em 1812, a sua convalescença em Inglaterra acabou, tendo sido enviado novamente para a Península. Não acompanhou o exército na campanha de 1813 em Espanha, devido à presença de Richard Fletcher, no quartel-general de Wellington, enquanto comandante da Engenharia. Com a morte deste último no cerco de San Sebastien, Elphinstone, tenente-coronel desde Julho de 1813, foi chamado ao exército, tendo dirigido a passagem do rio Adour pelo exército aliado, e estando presente nas batalhas do Nive e do Nivelle. Dirigiu mais tarde o cerco de Bayonne, sob as ordens do general sir John Hope. Com o fim da guerra recebeu o título de barão.

Foi promovido a coronel em 1824, major-general em 1837 e coronel comandante do Corpo dos Engenheiros em 1834.


Fonte:
The Dictionary of National Biography,
founded in 1882 by George Smith, 
Oxford, Oxford University Press, 1998

Biografia retirada daqui

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Biografia - Henry Fane

Fane, Sir Henry
n: 26 de Novembro de 1778
m: 24 de Março de 1840

Entrou para o exército em 1792 num regimento de cavalaria, tendo sido promovido a tenente num regimento de infantaria nesse mesmo ano. Capitão em 1793, transferiu-se de novo para a cavalaria. Em 1793 e 1794 foi ajudante-de-campo do seu tio,  o conde de Westmorland, governador da Irlanda. Regressado ao seu regimento, o 4º regimento de "Dragoon Guards", foi promovido a major em 1795 e tenente-coronel em 1797.

Em 1802, sucedeu ao seu Pai, enquanto Membro do Parlamento por uma circunscrição pertencente à família Westmorland. Em 25 de Dezembro de 1804 transferiu-se para o 1º regimento de "Dragoon Guards," pertença do Rei de Inglaterra, sendo nomeado no primeiro dia do ano seguinte ajudante-de-campo do Rei, com a patente de coronel. Em Junho de 1808 foi enviado para o Estado-Maior da força expedicionária reunida em Cork, sob as ordens do futuro duque de Wellington, com o posto de Brigadeiro, sendo pela primeira vez nomeado para servir em campanha. Por ser o mais jovem dos generais britânicos, que participaram na expedição que desembarcou em Portugal em Agosto de 1808, foi nomeado comandante da Brigada Ligeira.  Na Roliça, comandou a guarda-avançada, tendo conseguido flanquear a direita francesa o que fez com a força francesa retirasse. Na batalha do Vimeiro a sua brigada defendeu, juntamente com a de Anstruther, a igreja e o cemitério dos ataques dos franceses comandados por Junot. Após a Convenção de Sintra, foi nomeado pelo general Moore general de uma brigada da divisão de Mackenzie Fraser. Participou em toda a campanha espanhola do exército britânico, tendo estado presente na batalha da Corunha.

Enviado novamente para a Península, na primavera de 1809, comandou uma das brigadas de cavalaria do exército britânico que expulsou Soult de Portugal, estando também presente na batalha de Talavera. Em 1810 promovido a major-general, e por ser o segundo oficial de cavalaria mais graduado, foi-lhe dado o comando da cavalaria do corpo independente de Hill, que estava estacionado no Alentejo. 

Fonte:
The Dictionary of National Biography, 
founded in 1882 by George Smith 
Oxford, Oxford University Press, 1998

Biografia retirada daqui

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Biografia - Richard Fletcher

n: 1768
m: 31 de Agosto de 1813

Filho do reverendo Fletcher, passou pela Academia Militar britânica, em Woolwich, sendo nomeado segundo-tenente de Artilharia em 1788, tendo-se transferido para a arma de Engenharia em 1790. No ano seguinte foi enviado para as Antilhas, e participou na conquista das ilhas de Martinica, Guadalupe e Santa Lúcia. No ataque ao forte Morne Fortuné na última ilha foi ferido na cabeça. Foi comandante da Engenharia na ilha de Dominica, durante o pequeno período de tempo, tendo regressado a Inglaterra em finais de 1796, tendo sido nomeado ajudante no corpo de Artífices sedeado em Portsmouth. Em 1798 foi enviado para Constantinopla, e serviu no exército do Grão-Vizir que se dirigiu para a Síria a combater o exército francês comandado por Napoleão Bonaparte.

Fonte:
The Dictionary of National Biography,
founded in 1882 by George Smith, 
Oxford, Oxford University Press, 1998

Biografia retirada daqui

domingo, 3 de dezembro de 2017

Biografia - Maximilien Foy

n: 3 de Fevereiro de 1775 em Ham (França)
m: 28 de Novembro de 1825 em Paris (França)

Filho de um velho soldado que tinha combatido em Fontenoy, em 1745, e que era correio-mor da localidade onde vivia, foi educado pela mãe, de origem inglesa, devido à morte do pai ocorrida quando contava somente 5 anos de idade. Tendo continuado os estudos num colégio de Soissons entrou para a escola de artilharia de La Fère aos 15 anos, tendo-se transferido mais tarde para a escola de Châlons. Admitido no exército a tempo de participar na campanha de Flandres, Foy assistiu à batalha de Jemmapes, em Novembro de 1792, com o posto de 2.º tenente.
Promovido rapidamente ao posto de capitão (Abril de 1793), combateu sob as ordens dos generais Dampierre, Jourdan, Pichegru e Houchard, mas em 1794, mostrando as suas simpatias girondinas,  insurgiu-se contra a política dos jacobinos sendo preso por ordem do comissário da República, devendo a sua salvação à queda dos jacobinos e ao assassinato de Robespierre.

Nas campanhas de 1796 e 1797 serviu nos exércitos comandados pelo general Moreau, onde se tornará amigo do general Desaix. Distinguindo-se várias vezes, é ferido gravemente na batalha de Diersheim. A paz de Campo-Formio permitiu-lhe continuar os estudos, tendo seguido os cursos de direito público e história moderna do professor de Estrasburgo Christoph Wilhelm von Koch (1737-1813). Recomendado pelo general Desaix a Napoleão Bonaparte, recusou ser ajudante de campo deste general e participar na campanha do Egipto. No ano seguinte, durante a campanha da Suiça, em 1798, distinguiu-se novamente mostrando o seu descontentamento por combater contra um povo com instituições republicanas. Na campanha de Masséna de 1799 Foy foi promovido a Coronel no campo de batalha de Limmat, ao ter parado as forças russas com 9 peças de artilharia. No ano seguinte combateu sob as ordens de Moncey na campanha de Marengo, tendo posteriormente combatido no Tirol.

Os princípios republicanos moderados de Foy fizeram com que se opusesse à ascensão gradual de Napoleão Bonaparte ao poder supremo, tendo votado contra o consulado vitalício, em 1802,  e contra a proclamação do Império, em 1804, foi penalizado ao ver a sua promoção ao generalato adiada. Mais grave, do ponto de vista de Napoleão Bonaparte, foi a sua defesa pública do general Moreau quando este foi preso e julgado por oposição ao primeiro cônsul, no seguimento da conspiração monárquica de Cadoudal, de 1804. Só conseguiu evitar a prisão porque tinha acabado de entrar ao serviço no exército de ocupação da Holanda.  Em 1806 casou com a filha do general Baraguay d'Hilliers, coronel-general dos Dragões, um dos grandes dignitários criados no início do regime imperial, sendo nomeado comandante da artilharia do corpo francês no Friul. No ano seguinte foi enviado para Constantinopla, indo ter com o general Sebastiani, general de cavalaria da arma de Dragões, embaixador de França no Império Otomano desde Maio de 1806. Sob a sua direcção a artilharia otomana conseguiu impedir a passagem dos Dardanelos a uma frota britânica.

Enviado para Portugal, como oficial agregado ao comando da artilharia do corpo da Gironda, comanda a artilharia de reserva na batalha do Vimeiro em Agosto de 1808. De regresso a França é nomeado general de Brigada por Napoleão em Novembro desse mesmo ano, quando é enviado para Bordéus para comandar a 1.ª brigada da divisão comandada pelo general Delaborde, do 8.º corpo do Exército de Espanha, comandado por Junot.

Participa na Batalha da Corunha, integrando a 3.ª divisão do 2.º corpo de Soult, comandada pelo general Delaborde, após a extinção do corpo de Junot e a sua transferência para o comando de Soult. De novo em Portugal, é ferido em Braga, e ao entrar no Porto para exigir a rendição da cidade, é quase linchado pela população que o toma pelo general Loison, o célebre Maneta. Salva-se ao mostrar os dois braços à multidão. É preso, mas libertado em 29 de Março com a conquista da cidade pelos franceses.

Em Março de 1810 ataca as forças anglo-espanholas em Arroyo del Puerco, perto de Cáceres, na preparação da invasão de Portugal, sendo ferido novamente na batalha do Buçaco em Setembro, no comando de uma brigada da divisão Heudelet do 2.º corpo, comandado pelo general Reynier. Enviado por Massena a Napoleão Bonaparte, para explicar a situação do «Exército de Portugal», da novidade que eram as Linhas de Torres Vedras e da necessidade de reforços, é feito general de Divisão pelo Imperador.

Comandante da 1.ª Divisão do «Exército de Portugal», comandado pelo marechal Marmont, que tinha substituído Masséna em 1811, cobre a retirada do exército francês após a derrota em Salamanca. Com a retirada de Wellington para Portugal, devido ao fracasso na tentativa de conquistar o castelo de Burgos, ocupa Palencia, Simancas e força a passagem do Douro em Tordesilhas. Após a derrota de Vitória, dirige o reagrupamento do exército francês, ganha o combate de Cubiry em finais de Julho de 1813, e faz recuar Wellington em Saint-Pierre-d'Irube, em Dezembro, numa das mais sangrentas batalhas da guerra peninsular. Gravemente ferido na batalha de Orthez, em 27 de Fevereiro de 1814, não servirá mais até ao fim do Império. 

A Restauração fá-lo Grã-Cruz da Legião de Honra e dá-lhe um comando. Com o regresso de Napoleão Bonaparte, durante os Cem Dias, aceita servir o regime imperial restabelecido, mas só após a saída de Luís XVIII do território francês. Combate em Quatre-Bras, e em Waterloo faz parte do flanco esquerdo francês que atacará, sem sucesso, o castelo e a quinta de Hougomont, no comando da 9.ª divisão de Infantaria, parte do 2.º corpo de Reille.

Com a Segunda Restauração, demitiu-se do serviço militar, começando a escrever a sua «História da Guerra da Península». Em 1819 foi eleito deputado pelo departamento do Aisne. Na câmara, os dons de oratória do general Foy, demonstrados desde o seu primeiro discurso, as suas posições em defesa dos princípios liberais da revolução de 1789 - girondinos - fizeram-no naturalmente chefe dos liberais na assembleia. Em 1823 declarou-se violentamente contra a intervenção francesa em Espanha, e após a dissolução de 1824 foi eleito por três círculos ao mesmo tempo. O seu funeral foi seguido, segundo as crónicas da época, por mais de 100.000 pessoas.

Em 1826, saiu uma primeira edição dos seus Discursos, em 2 volumes, e em 1827 a sua mulher publicou, de acordo com as notas do general, a Histoire de la guerre de la Péninsule sous Napoléon

Fonte:
Jean Tulard e outros,
Histoire et Dictionnaire du Consulat et de l'Empire,
Paris, Laffont, 1995.

Biografia retirada daqui





sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Biografia - João Forbes-Skelater

n:  1733 (Escócia)
m: 8 de Abril de 1808 (Brasil)

Filho único de Patrick Forbes, de Skelater no condado de Aberdeen, na Escócia, entrou para o exército aos 15 anos de idade, como voluntário, durante o cerco à cidade holandesa de Maestricht, no final da Guerra de Sucessão da Áustria, tendo conseguido tornar-se oficial.

Devido à declaração de guerra da Espanha e da França a Portugal nos princípios de 1762, foi um dos primeiros oficiais a apresentar-se como voluntário, respondendo ao apelo do conde reinante de Lippe-Buckenbourg, para o acompanharem na sua missão de comandante em chefe do exército luso-britânico. 

Forbes ficou em Portugal após o fim da «Guerra Fantástica», ou «Guerra do Pacto de Família», mantendo-se ao serviço no exército. Sendo católico e tendo casado com uma portuguesa, passou automaticamente a ser português, passando por isso a ter acesso ás honras de cavaleiro das ordens militares.

Durante o reinado de D. José, foi subindo os postos chegando a Brigadeiro em 1775, mantendo-se, como era natural naquela época, no comando de um regimento. Em 1769 tinha conseguido ser transferido para o comando Regimento de Cavalaria de Almeida, vindo do comando de um regimento de infantaria, o que parece provar a sua aceitação pelo governo do marquês de Pombal.

No começo do reinado de D. Maria I, a sua carreira estagna, sendo transferido para Trás-os-Montes. Só 14 anos depois de ter acedido ao posto de Brigadeiro é promovido ao posto seguinte de marechal de campo.

De facto, só em 1789 a sua carreira retoma o seu curso normal, possivelmente devido à chegada à secretaria de estado dos negócios estrangeiros e da guerra, em 1788, de um oficial general formado na escola militar do conde de Lippe e na escola de governo do marquês de Pombal - Luís Pinto de Sousa. Assim, depois da promoção de 1789, é nomeado Ajudante General do Exército em 1791.

Mais tarde, quando se prepara a força expedicionária de apoio ao exército espanhol, é nomeado comandante do Exército Auxiliar à Coroa de Espanha - de facto uma Divisão reforçada. Esse comando, que implica mais conhecimentos de diplomacia do que militares, é um sucesso pelo qual será devidamente recompensado. Mas incompatibiliza-o com o que se pode chamar de «partido aristocrático» no exército, dirigido pelo futuro marquês de Alorna, Gomes Freire de Andrade e Pamplona Corte-Real, todos eles gente do duque de Lafões, e que serão os comandantes do exército português reorganizado por Junot em 1808

João Forbes, que passa a ser conhecido no exército como Forbes-Skellater a partir dos anos 80,  promovido em 1794 ao posto de Tenente general, é nomeado Inspector-geral da Infantaria em 1796, após o regresso do Rossilhão e Catalunha, mantendo por uns tempos o cargo de Ajudante General. Com a declaração de guerra da Espanha e França em Fevereiro de 1801, é nomeado para o comando do Exército de Entre Douro e Guadiana, que defende todas as fronteiras que dão acesso directo a Lisboa. Se com o apoio do duque de Lafões, ou devido à sua perícia, a verdade é que consegue retirar o exército do Alentejo para a margem Norte do Tejo sem perdas significativas, impedindo o progresso rápido dos espanhóis, permitindo por isso a rápida conclusão da Paz.

Em 1803 será nomeado General de Cavalaria, que se tinha tornado em 1797 um posto militar e já não uma função administrativa, tendo tido uma parte importante na proposta de reforma do exército, apresentada em 1803, e começada a aplicar em 1806.

Em 1807, embarcou com o príncipe regente quando a coroa portuguesa se transferiu para o Brasil, devido à invasão de Junot, tendo morrido logo que chegou ao Brasil, no qual tinha sido nomeado Governador das Armas do Rio de Janeiro.

Fonte:
The Dictionary of National Biography,
founded in 1882 by George Smith
Oxford, Oxford University Press, 1998

James Neil,
Ian Roy of Skellater, A Scotish Soldier of Fortune 
being the Life of General John Forbes, of the Portuguese Army,
Aberdeen, D. Wyllie and Son, 1902

Biografia retirada daqui

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

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Educação
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Biografia - Conde de Goltz

Karl-Alexander von der Goltz,
Conde de Goltz
n: em 20 de Agosto de 1739, em Altona (Alemanha), 
m: em  15 de Novembro de 1818 em Altona (Alemanha).

Filho do general  prussiano Karl Cristoph Friedrich, barão von der Goltz, entrou para o serviço militar do rei da Prússia no regimento de Meyerink, tornando-se ajudante de campo do pai. Quando em 1761 o pai morreu. passou a integrar o estado-maior de Frederico II. O rei enviou-o em missão ao cã dos Tártaros para o tentar convencer a atacar os Russos e os Austríacos a Leste. A missão acabou por se não realizar, mas o epíteto de "Tártaro" ficou-lhe para sempre. Oficial irrequieto e insubordinado, não foi promovido a major senão em 1785, com a ascensão ao trono de Frederico Guilherme II. Membro do estado-maior do novo rei, a proximidade do trono fez com que em 1789 já fosse coronel
Enquanto membro do estado-maior, terá contribuído para as reformas militares introduzidas no início do reinado de Frederico Guilherme. Estas reformas, no domínio da organização da infantaria, e do desenvolvimento das tropas ligeiras no exército prussiano, punham em causa de certa forma o legado de Frederico II, o que provocou mau estar no exército, e levaram-no a sair da Prússia. Aceitou servir no exército dinamarquês, como tenente-general de cavalaria, possivelmente por sugestão do general Carlos de Hessen, cunhado do futuro rei da Dinamarca, governador do Schleswig-Holstein e inspector-geral das tropas da região. Nomeado inspector dos corpos de Caçadores do Schleswig preparou os Regulamentos, mas a crise política e social no ducado impediu qualquer desenvolvimento das propostas.

Com a morte do príncipe de Waldeck, em 1797, o governo português tentou encontrar um novo general estrangeiro para comandar o exército em campanha, com que se contou desde logo com o apoio do duque de Brunswick, general ao serviço da Prússia, e antigo comandante do exército britânico durante a Guerra dos Sete Anos. A escolha recaiu sobre um general prussiano, escolha essa que desde Fevereiro de 1799 se concentrou na figura do conde de Goltz. As negociações não se desenvolveram e só em Novembro de 1799, o assunto veio de novo à baila, mais uma vez por intermédio do visconde de Anadia, embaixador de Portugal em Berlim. A proposta de contratação foi realizada em finais de Abril, tendo sido aceite pelo conde em 28 de Abril de 1800. O contrato realizado por 6 anos, foi assinado em Berlim em 17 de Maio de 1801, e a carta régia de nomeação de Goltz como marechal foi expedida em 1 de Julho. 

Já estava em Portugal em Setembro desse ano, mas a sua chegada deve-se ter realizado algum tempo antes, já que desde meados de Julho estava preparado para sair de Copenhaga. De Setembro de 1800 a Julho de 1801, estudará o exército, fará algumas propostas de reforma, mas não assumirá nunca o mesmo tipo de funções d o príncipe de Waldeck, que realizou várias viagens de inspecção.

Quando a França e a Espanha nos declararam a guerra, pensou-se em Goltz para comandar o exército do Sul, mas o duque de Lafões opôs-se, e o conde ficou em Lisboa sem funções definidas.

Com a destituição do duque de Lafões de comandante do exército, o conde de Goltz foi nomeado comandante em chefe do exército português em 23 de Julho de 1801, tendo chegado a Abrantes, quartel general do exército do Sul, em princípio de Agosto, com ordens claras do príncipe regente para se preocupar fundamentalmente em defender Lisboa.

A sua decisão de concentrar o exército português entre Coimbra e Tomar, desguarnecendo de tropas de linha as províncias do Norte, fizeram com que o marquês de La Rosière, comandante do exército do Norte, pedisse a demissão, defendendo que era um erro grave desguarnecer as províncias do Norte de tropas, já que elas eram o objectivo declarado das forças militares francesas concentradas em Ciudad Rodrigo. O conde de Goltz voltou atrás com a sua decisão tendo mesmo enviado para Viseu uma divisão de infantaria em reforço de La Rosière. Mas as suas decisões de Agosto nunca mais foram esquecidas, tendo D. Rodrigo de Sousa Coutinho proposto a contratação do general francês Vioménil, para substituir Goltz se necessário, o que foi aceite pelo príncipe D. João.

Goltz criticado por D. João de Melo e Castro, o novo secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra, por ser incapaz de reorganizar o exército, mesmo tendo o apoio expresso do príncipe regente para  realizar todas as reformas que achasse necessário, tinha perdido toda a confiança da corte portuguesa em Outubro desse ano, mês em que a ratificação do tratado de paz de Madrid entre Portugal e a França, punha um termo à guerra com a França. Terá sido por isso que nunca participou nas reuniões do Conselho Militar nomeado em 1 de Dezembro de 1801 para propor as reformas necessárias do exército, que o tornassem capaz de defender convenientemente o país em caso de guerra. 

Tendo realizado uma viagem de inspecção, em Março de 1802 expediu circulares aos Governadores das Armas com ordens para fazerem cumprir os regulamentos militares e as disposições do conde de Lippe. Esta última determinação não deve ter agradado, já que vinha contra todo o movimento reformador começado em Portugal em 1788 e de que possivelmente ele era considerado um dos personagens mais importantes para a sua concretização, só assim sendo compreensível a sua contratação já que o seu currículo o mostrava protagonista das reformas do exército prussiano.

De facto, em 5 de Maio de 1802 pedirá licença para sair de Portugal, licença concedida em 30 de Maio. Embarcou rapidamente, em 5 de Julho, nunca mais tendo regressado a Portugal. O seu contrato foi mantido até se perfazer os 6 anos estipulados em 1800.


Biografia retirada daqui

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Biografia - Manuel Godoy

Godoy y Alvarez de Faria Rios Sanchez Zarzosa, Manuel de Príncipe da Paz e de Basano, Duque de Alcudia e de Sueca,  Conde de Évora-Monte em Portugal
n: 12 de Maio de 1767 em Castuera, Badajoz (Espanha)
m: 4 de Outubro de 1851 em Paris (França)

Godoy, filho de um coronel do exército, pertencia a uma pobre mas antiga família da Extremadura espanhola, tendo em 1784, aos 17 anos, ido para Madrid e ingressado nas Guardas do Corpo do Rei. Apresentado no ano seguinte aos futuros reis de Espanha, os príncipes das Astúrias, ganhou a amizade de ambos, tornando-se ao que parece amante da princesa Maria Luísa.
Com a subida ao trono em 1788 dos príncipes, a carreira de Godoy, que nessa época ainda era Cadete, progrediu rapidamente. Em 1789 era coronel de cavalaria, em Fevereiro de 1791 marechal-de-campo, sendo já comendador da ordem de Santiago. Em Março desse mesmo ano era gentil-homem da Câmara, e em Julho foi promovido a tenente-general, recebendo entretanto o título de duque de Alcudia. Em 15 de Novembro de 1792, aos 25 anos, era nomeado primeiro-ministro, em substituição de Aranda.

Godoy começou por seguir uma política de neutralidade em relação à Revolução Francesa, tentando salvar a vida de Luís XVI, mas a condenação à morte deste, e a reacção de Carlos IV à execução do rei de França, provocaram a declaração de guerra à Espanha pela Convenção Francesa em Março de 1793.

Se a guerra começou bem para as armas espanholas, com a invasão dos Pirinéus Orientais em Abril de 1793, a verdade é que em finais de 1794 a França invadiu a Catalunha, tomando a fortaleza de Figueras em 25 de Novembro e Rosas em Fevereiro de 1795, e conquistando, a ocidente, em Julho, as províncias bascas com a tomada de Bilbao e Vitória. Perante tal descalabro Godoy assinou a paz de Basileia, em Julho de 1795, cedendo a ilha de São Domingos em troca das conquistas francesas em Espanha. O tratado valeu ao primeiro-ministro espanhol o título de Príncipe da Paz.

Em 18 de Agosto de 1796 por meio do Tratado de Santo Ildefonso, Godoy aliou-se à França e declarou a guerra à Inglaterra. A resposta britânica não se faz esperar e a frota espanhola foi destruída, em Fevereiro de 1797, na batalha do Cabo de São Vicente, com a ajuda de uma fragata portuguesa que avisou o almirante Jervis, futuro Lord St. Vincent, da localização da frota espanhola.

Em 2 de Outubro de 1797, não se tendo verificado a tão esperada a invasão franco-espanhola, D. João concedeu-lhe o título de conde de Évora Monte.

Em Março de 1798 foi obrigado a demitir-se de todos os cargos, segundo parece devido à sua política em relação a Portugal, mas não perdeu influência junto do Rei. Regressou em Março de 1801, com o apoio do novo primeiro Cônsul francês, Napoleão Bonaparte, com quem assinou o 2.º Tratado de Santo Ildefonso, no dia 1 de Outubro. Por este tratado, a Espanha obrigava-se a utilizar a sua frota para desbloquear Malta e repatriar o exército francês do Egipto. Entretanto, foi nomeado comandante-chefe do Exército que atacou Portugal em Maio, após a declaração de guerra de 27 de Fevereiro anterior.

O ataque parece ainda hoje ter sido um sucesso, devido à fácil conquista de algumas fortalezas insignificantes na fronteira alentejana. O exército espanhol tendo-se dirigindo-se posteriormente para a linha do Tejo, por Portalegre, que ocupou, mas não tendo conseguindo conquistar Elvas e tendo muita dificuldade em conquistar Campo Maior, não podia continuar a invasão de Portugal sem a ajuda do Exército francês, estacionado em frente da Beira, em Ciudad Rodrigo. Tal situação levou Godoy, que não desejava um exército francês estacionado em Espanha durante muito tempo, a assinar rapidamente a paz, por meio do Tratado de Badajoz. Conseguiu ficar com Olivença, mas não realizou o que tinha contratado com a França bonapartista - a ocupação das três províncias do Norte de Portugal - Minho, Trás-os-Montes e Beira -, para poder negociar com a Grã-Bretanha a devolução das ilhas Minorca (Mahon), uma das Canárias, e da Trindade, nas Antilhas, ambas espanholas, e de Malta, no Mediterrâneo.

Na verdade, a vitória de Godoy foi uma vitória dura de consequências, já que esta pequena vila alentejana não compensou a Espanha da perda da ilha da Trindade, facto que foi obrigada a  aceitar por Napoleão Bonaparte quando este  assinou o Tratado de Amiens com a Grã-Bretanha, em Março de1802. Godoy foi responsabilizado por este desenlace, tendo-se começado a criar em torno do sucessor ao trono, o futuro Fernando VII, um partido que se opunha ao primeiro ministro espanhol. É que à ilha da Trindade juntava-se à perda, em 1795, da parte espanhola da ilha de São Domingos (a actual República Dominicana), cedida à França, e à entrega, a este mesmo país em 21 de Março de 1802, da Luisiana americana, para além dos barcos de guerra que teve que entregar, pelas mais variadas razões - tratados e transferências de territórios insignificantes para a família italiana. As perdas espanholas durante as guerras da revolução, de 1793 a 1802, tinham sido de facto enormes.

Com o reacender da guerra entre a França e  Grã-Bretanha, em 1803, a Espanha, que se tentou manter neutral, foi empurrada para a guerra pelas duas potências em conflito, o que acabou por acontecer em Dezembro de 1804. Mas, mais uma vez, a guerra não correu bem, e em Outubro de 1805, a já enfraquecida frota espanhola, foi destruída na batalha naval ao largo do cabo Trafalgar, perto de Cádiz. Sem frota, a Espanha perdia completamente o controlo das suas colónias americanas, que se tornaram de facto independentes. A sobrevivência política de Godoy estava, cada vez mais, dependente da vontade de Napoleão Bonaparte. Mesmo assim tentará manter a Espanha fora dos conflitos da França, o que o levará a manter conversações secretas com as cortes britânica e russa, e a divulgar a estranha  proclamação de Outubro de 1806, de apoio à Prússia, em guerra com a França, mas em que se fala sobretudo das qualidades do cavalo andaluz! 

Napoleão resolveu rapidamente o problema com  a Prússia, e bastante mais dificilmente com a Rússia, e, após a assinatura dos Tratdos de paz em Tilsit, tendo decidido obrigar Portugal a fechar os portos ao comércio britânico, obrigou a Espanha a participar na invasão do país, sendo Godoy  aliciado com o futuro Principado dos Algarves, território a criar com a províncias portuguesas do Alentejo e do Algarve. Carlos IV, o rei de Espanha, pai de Carlota Joaquina, futura rainha de Portugal, foi aliciado com a criação do reino da Lusitânia-Setentrional, a formar com a província do Minho, e tendo por capital o Porto, para a rainha viúva da Etrúria, a infanta de Espanha Maria Luísa, sua filha.

A política internacional da Espanha, centrada em Itália, era uma balbúrdia. Ou como Luís Pinto de Sousa, o ministro dos negócios estrangeiros português da época  lhe chamou - um «turbilhão».Para que o duque de Parma D. Fernando, irmão da rainha de Espanha Maria Luísa, não perdesse a sua coroa, Carlos IV e Godoy conseguiram que a França desse ao duque o grão-ducado da Toscânia. Este território tinha sido retirado em 1797 por Napoleão a um príncipe Habsburgo, irmão de Maria Carolina de Nápoles, casada com Fernando IV, rei de Nápoles, irmão mais novo de Carlos IV. Para que, no meio destas confusas relações familiares, todas as transferências se realizassem os governantes espanhóis deram a Napoleão a Luisiana. Fernando, o último duque de Parma da dinastia Bourbon, morreu em Agosto de 1801 sem ter tomado posse da Toscânia, sendo o filho quem abdicou do ducado de Parma e tomou posse do Reino da Etrúria, em que tinha sido transformado entretanto o Grão-Ducado da Toscânia. Luís, que era casado com a sua prima direita, a infanta Maria Luísa de Espanha, filha de Carlos IV, morreu em 27 de Maio de 1803, deixando como sucessor um filho com menos de 2 anos de idade, Carlos, que foi desapossado da Etrúria em 10 de Dezembro de 1807. Foi para que a filha não deixasse de ser rainha, que Carlos IV lhe conseguiu o reino da Lusitânia-Setentrional, com territórios retirado à sua filha primogénita a princesa Carlota Joaquina, casada com o Príncipe Regente, o futuro rei de Portugal, D. João VI. A política de Espanha não agradava a ninguém. Dava territórios, navios, soldados a Napoleão Bonaparte e em troca não conseguia ficar com nada. Em Maio de 1808 só os Bourbons de Nápoles (o nome correcto era das Duas-Sicílias) se mantinham como casa reinante, governando a Sicília, devido unicamente e simplesmente ao apoio da Grã-Bretanha.

Em Novembro de 1807, de acordo com o Tratado de Fontainebleau, de 27 de Outubro, que regulou a conquista e a divisão de Portugal, assim como as obrigações mútuas da França e da Espanha, três divisões espanholas apoiaram o exército de Junot, na invasão de Portugal. Uma divisão, vinda da Galiza, ocupou o Minho e o Porto; uma segunda entrou em Portugal pela Beira Baixa e dirigiu-se, atrás do exército francês para Lisboa, e a terceira, comandada pelo general Solana, marquês do Socorro, amigo de Godoy, invadiu o Alentejo, ocupou Elvas e Évora, entre outras localidades, e dirigiu-se para Setúbal.

Mas a vida na corte espanhola estava longe de estar segura. O príncipe Fernando tinha enviuvado em Maio de 1806, e era preciso arranjar-lhe uma nova mulher. Godoy desejava que o casamento se realizasse no interior da família real espanhola. Fernando e o seu preceptor desejavam casar com uma princesa da família Bonaparte, que se pensou poder vir a ser uma das filhas de Luciano, embaixador em Madrid na época do Consulado, porque o príncipe queria substituir Godoy como o aliado preferido de Napoleão na corte de Madrid. Os primeiros contactos do preceptor de Fernando com o embaixador Francês deram-se em Junho de 1807. Mas o primeiro ministro espanhol, em finais de Outubro de 1807, no meio da confusão provocada pela entrada do exército francês comandado por Junot em Espanha, e dos preparativos de entrada em campanha do exército espanhol, conseguiu novamente o apoio de Carlos IV, provando-lhe que havia um plano para o derrubar e obrigar o rei a abdicar. O rei mandou prender o filho, que ficou retido nos seus aposentos, e deu estas notícias e informou das suas decisões à corte reunida no Escorial. A resolução da Conspiração do Escorial fez com que o rei perde-se o pouco de credibilidade que lhe restava, e acabou por reforçar o partido fernandino.

De facto, em Março de 1808, por motivo de um motim popular contra Godoy, organizado em Aranjuez pelos amigos de Fernando, o príncipe conseguiu que o pai demitisse o favorito, o que aconteceu em 18 de Março, e mais tarde, conseguiu mesmo a abdicação do próprio rei. Mas Napoleão Bonaparte tinha que aprovar este golpe de estado já que, desde a entrada de Junot em Espanha em Outubro de 1807, não deixava de fazer entrar tropas na Península. Tropas que entraram em Madrid em 23 de Março, sob o comando de Murat.

Napoleão Bonaparte decidiu-se pela substituição da dinastia Bourbon pela sua própria família, colocando no trono espanhol o irmão mais velho, José, rei de Nápoles desde Março de 1806, o que aconteceu em 6 de Junho de 1808. Convocou a família real espanhola, assim como algumas personalidades importantes, em que se incluía Godoy, para Baiona, cidade francesa na fronteira franco espanhola, e após algumas entrevistas entre o imperador e a família real espanhola, conseguiu a abdicação de Fernando, confirmando a de Carlos IV.

A família real espanhola foi enviada para um exílio degradante. Depois de Valençay, palácio do antigo ministro de Napoleão, Talleyrand, com a abdicação de Napoleão em 1814, foram para Roma tendo  Godoy acompanhou os reis, tendo vivido no Palácio Barberini com o Carlos VI até à morte deste, o que aconteceu em 1819. Foi então viver para Paris, onde sobreviveu obscuramente com uma pequena pensão do governo francês. Fernando VII tinha sido libertado em 1814, tendo ido ocupar o trono vago pela abdicação do pai e o abandono de José Bonaparte. 

Em 1849 Isabel II, filha de Fernando VII, restituiu-lhe os títulos e algumas propriedades, confortando-lhe assim os últimos anos vida.

Tinha casado em 1797 com Maria Teresa de Borbon y Vallariga (1780-1828), condessa de Chichón, filha do casamento morganático mas reconhecido do infante Filipe de Espanha, de quem teve uma filha, Carlota. Parece que se casou segunda vez com a sua amante desde 1796 , Pepita Tudó (1779-1869), feita condessa de Castillofiel.

Biografia retirada daqui


sábado, 25 de novembro de 2017

Biografia - Jean Graindorge

Graindorge, Jean-François
Barão do Império francês
n: 1 de Julho de 1770 em Saint-Pois (França)
m: 1 de Outubro de 1810 em Carquejo (Portugal)

De origem nobre, foi eleito tenente de um batalhão de Voluntários em 1791, tendo servido desde o princípio da guerra no Exército do Norte. Ferido quatro vezes, chega ao posto de capitão em 1793. Em 1797 é promovido a Major pelo general Hoche, devido à sua actuação na travessia do Reno, distingindo-se novamente no Exército da Helvécia, em 1799, o que lhe vale ser nomeado Coronel por Massena. Serve no 5º corpo de Exército, comandado por Lannes, durante as campanhas de 1805 a 1807, estando presente na batalha de Iena.
Em Outubro de 1807 é transferido para o 1.º Corpo de Observação da Gironda, abandonando Portugal com o Exército de Junot. Barão do Império em Outubro de 1809, regressa a Portugal com o exército comandado por Massena, sendo ferido mortalmente na batalha do Buçaco, em 27 de Setembro de 1810. 

Fonte:
Jean Tulard e outros,
Histoire et Dictionnaire du Consulat et de l'Empire, 
Paris, Laffont, 1995.

Biografia retirada daqui

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Biografia - Rowland Hill

1º Visconde Hill de Hawkestone e Harwicke, Barão Hill de Almaraz e de Hawkestone e Barão Hill de Harwicke

n: 11 de Agosto de 1772 em Hawkstone (Inglaterra)
m: 10 de Dezembro de 1842 em Hardwicke Grange (Inglaterra)

Alistou-se no exército em 1790, tendo estudado durante dois anos na Academia Militar de Estrasburgo. Participou na ocupação de Toulon em 1793, sendo promovido a Major, e na campanha do Egipto em 1801 como tenente coronel do 90º regimento, onde foi ferido. Promovido a Brigadeiro em 1803 e a Major General em 1805, participou na ocupação do Hanover durante a campanha no norte da Alemanha desse ano. Comandante de uma Brigada estacionada na Irlanda, dirigido-a na campanha de Portugal de 1808, participando na batalha do Vimeiro. Fez a campanha da Corunha, sob as ordens de Moore, tendo regressado a Portugal com Wellington. Participou nas campanhas de 1809, tendo estado presente na passagem do Douro e libertação do Porto, assim como na Batalha de Talavera. A partir de 1810 comandou um corpo formado pela 2ª Divisão e pela Divisão portuguesa, cobrindo o flanco direito do exército, no Alto Alentejo, mostrando ser o mais capaz dos generais de Wellington.
Tendo regressado a Inglaterra devido a um ataque de malária, entregou o comando do seu corpo a Beresford, que quase o destruiu na batalha de Albuera. Retomou o comando em Maio de 1811, dirigindo as forças aliadas na Extremadura espanhola. Em 28 de Outubro de 1811 destruíu a divisão Gerard do corpo de Soult em Arroyo dos Molinos, enquanto o exército principal sitiava a praça de Cidade Rodrigo.

Em 1812 foi promovido a Tenente General, sendo-lhe dada a Ordem do Banho, entrando também no Parlamento britânico. Nas campanhas desse ano continuou a comandar a principal força de cobertura do exército aliado, contra qualquer tentativa de ataque pelo sul das forças do marechal Soult.

Fonte:
David Chandler,
Dictionary of the Napoleonic Wars, 
Londres, Arms & Armour Press, 1979. 

Biografia retirada daqui

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Biografia - Duque do Infantado

Pedro Alcántara de Toledo y Salm-Salm
13.º Duque do Infantado, 10.º Duque de Lerma, 9.º Duque de Pastrana
n: 20 de Julho de 1768 em Madrid (Espanha)
m: 27 de Novembro de 1841 em Madrid (Espanha)

Chefe de uma das principais casas aristocráticas de Castela, e dono de uma fortuna apreciável, teve uma educação enciclopédica e ilustrada, como era costume na época, tendo tido como preceptor o naturalista espanhol Antonio Cavanilles. 

Em 1793, quando a Espanha entrou na guerra contra a república francesa, levantou à sua custa um regime de infantaria. Lutou na Catalunha contra os franceses, ao lado da divisão auxiliar portuguesa., assim como na Guerra de 1801, em que comandou uma das brigadas da 2.ª divisão do exército da Extremadura, que invadiu o Alentejo em Maio. 

Abandonou, provisoriamente, a carreira militar com a assinatura da paz de Amiens em 1802, tratado que terminou as guerras da revolução francesa. Favorito do princípe das Astúrias, futuro Fernando VII de Espanha, esteve implicado na «Conspiração do Escurial», tendo acompanhado o príncipe na sua viagem até Baiona, para a entrevista com Napoleão, reunião que teve como resultado a prisão tanto do rei Carlos IV como da do príncipe das Astúrias.

Aceitou servir José Bonaparte, rei de Espanha nomeado pelo irmão Napoleão, o imperador dos franceses, enquanto coronel da Guarda, mas abraçou a causa da independência espanhola logo que a população espanhola se revoltou contra a ocupação francesa, sendo presidente da Junta que tentou defender Madrid da conquista dirigida por Napoleão Bonaparte. Tendo-lhe sido entregue mais tarde o comando de um corpo do exército, foi derrotado na batalha de Uclés, em 1809, combate que terminou, de vez, a sua vida militar. Foi então nomeado embaixador em Londres, lugar que ocupou até ao fim da guerra, fazendo parte da regência de Junho de 1812 a Março de 1813.

Participou no governo nomeado por Fernando VII quando o rei, em 1814, regressou a Espanha, libertado por Napoleão Bonaparte. Até 1820 foi presidente do Conselho de Castela. Em 1823 foi nomeado presidente do Conselho de Regência, tendo substituído Zea Bermúdez na presidência do Ministério em 1824, tendo pedido a demissão do cargo, dois anos mais tarde, por não ter conseguido realizar as reformas que se tinha proposto.

Morreu solteiro, mas teve um filho que legitimou em 1825, e que acabou por herdar o título de duque de Lerma, após um longo processo judicial, e duas filhas, tendo os seus títulos e bens passado para a casa de Osuna.

Fonte:
Enciclopedia Universal Ilustrada Europeo-Americana 

Biografia retirada daqui

domingo, 19 de novembro de 2017

Biografia - Andoche Junot

Duque de Abrantes
n: 23 de Outubro de 1771 em Bussy-le-Grand (França)
m: 29 de Julho de 1813(França)

Filho de um próspero lavrador da Borgonha, tendo realizado alguns estudos de direito, alistou-se em 1791 num regimento de voluntários, onde se tornou conhecido por " Junot La Tempête" (A Tempestade) devido à sua temeridade. Sargento desde 1792 foi enviado com a sua unidade para o cerco de Toulon, tendo sido escolhido pelo jovem Napoleão Bonaparte para seu secretário. Impressionado pela sua coragem este promoveu-o a capitão e fê-lo seu ajudante-de-campo em 1794, tendo participado ao lado de Bonaparte em toda a campanha de Itália. Em 1798 foi promovido a general de brigada, durante a expedição ao Egipto, tendo-se distinguido na campanha da Síria, quando em Abril de 1799 perto de Nazaré, derrotou uma força turca de 10.000 homens muito superior ao seu pequeno destacamento de 500 soldados de cavalaria.
Em 1800 é nomeado Governador de Paris e em 1801 é general de divisão, quando Bonaparte já é Primeiro Cônsul de França. Em 1804, sendo primeiro ajudante-de-campo de Napoleão, é nomeado Coronel-General dos Hussardos, uma das dignidades militares criadas por Napoleão quando foi nomeado Imperador da República Francesa. Em 1805 foi embaixador em Lisboa, abandonando Portugal para acompanhar o Imperador na campanha de 1805 na Alemanha, tendo estado presente na batalha de Austerlitz. Em 1806, após um pequeno período em Parma, como Governador-Geral, onde reprimiu selváticamente uma revolta popular, é de novo nomeado Governador Militar de Paris.

Em 1807 foi escolhido para Comandante-em-chefe do Corpo de Observação da Gironda, e à frente deste exército ocupou a parte central de Portugal. Em Março de 1808 é feito duque de Abrantes, e não de Nazaré porque, segundo parece, Napoleão Bonaparte não gostou de poder vir a ter um "Junot de Nazaré". Obrigado a restringir a sua ocupação à região à volta de Lisboa, devido à revolta popular de Maio desse ano, foi derrotado em Agosto no Vimeiro por um exército britânico comandado pelo futuro duque de Wellington.

Voltou à Península, ainda em 1808, como comandante do 8º Corpo do Exército de Espanha, que sob o comando de Napoleão reconquistou Madrid e o norte da Península. Em 1809 é comandante do Exército de Reserva da Alemanha na guerra contra a Áustria. Em 1810 comanda de novo o 8º Corpo no Exército de Portugal de Massena, sendo ferido gravemente em Rio Maior. Em 1812 é comandante do 2º Corpo do Grande Exército que invade a Rússia. Tendo mostrado falta de decisão na Batalha de Valoutina, em Agosto desse ano, é publicamente repreendido e destituído do comando. Em 1813 é nomeado Governador de Veneza e interinamente das Províncias Ilíricas, dando mostras públicas de loucura, quando aparece num baile completamente nu. De regresso a França, na casa do pai, atira-se de uma janela e morre dos ferimentos provocados pela queda. 

Biografia retirada daqui

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Biografia - François Kellermann

Kellermann, François-Étienne
Conde, Marquês e Duque de Valmy
n: 4 de Agosto de 1770 em Metz (França)
m: 2 de Junho de 1835 em Paris (França)

Filho do marechal do império Kellermann, 1.º duque de Valmy, entrou no exército ao quinze anos. Fez parte da embaixada francesa nos Estados-Unidos da América de 1791 a 1793. Regressado a França é nomeado ajudante-de-campo do pai durante o cerco de Lyon, em revolta contra a Convenção, sendo preso com o seu pai, quando este se opõe às ordens dos representantes em missão jacobinos.
Em 1795 é readmitido ao serviço e enviado para o Exército de Itália. Participa nas batalhas de Arcole e Rivoli, e no cerco de Mântua. Ferido na passagem do Tagliamento, é encarregue pelo general Bonaparte, de levar as bandeiras apresadas ao inimigo ao governo, o que era uma prova importante de favor. General de Brigada em 1797 ilustra-se novamente em Itália durante a Guerra da 2.ª Coligação, ocupando Nápoles em Janeiro de 1799. Em 1800 faz parte do Exército de Reserva, que sob o comando do primeiro cônsul Bonaparte reconquista a Itália. Comandante de uma brigada de cavalaria em Marengo a sua carga no final do dia decide a batalha, e dá-lhe os galões de General de Divisão.

Comandante da divisão de cavalaria do 1.º corpo de exército do marechal Bernadotte, participa na campanha da Alemanha de 1805 sendo ferido em Austerlitz.

Nomeado comandante da cavalaria do Corpo de Observação da Gironda, ocupa Lisboa em Novembro. Em Março é enviado para o Alentejo, quando a divisão de Solano se retira para Badajoz, encarregue de restabelecer as comunicações entre Lisboa e Madrid quando começa a revolta em Espanha. Chamado a Lisboa em Maio, participa na Batalha do Vimeiro, sendo o general francês que negoceia a Convenção de Sintra.

Enviado para Espanha permanece no país até 1811, sendo reformado devido a ser considerado culpado de requisições abusivas e banditismo, o que já tinha caracterizado também a sua actuação em Portugal. Chamado ao activo em 1813, distingue-se nas batalhas de Lutzen, Bautzen e Dresde, durante a Campanha da Alemanha, e na batalha de Bar-sur-Aube em 1814 durante a Campanha de França.

Apoia Napoleão durante os Cem Dias, sendo ferido na batalha de Waterloo, ao participar na grande carga de cavalaria. Durante a 2.ª Restauração é autorizado a usar o título de Marquês de Valmy e mais tarde o de Duque, sendo feito Par do Reino. 

Fonte:
Jean Tulard e outros,
Histoire et Dictionnaire du Consulat et de l'Empire, 
Paris, Laffont, 1995. 

Biografia retirada daqui

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