quinta-feira, 22 de junho de 2017

Augustin-Gabriel, comte d'Aboville

Barão do Império francês
n: 20 de Março de 1773, La Fère (França)
m: 15 de Agosto de 1820, em Paris (França)

Filho mais velho do conde François-Marie d'Aboville, inspector-geral da artilharia e senador, entra na escola de artilharia de  Châlons em 1789. Serve na Bélgica e no Reno, sendo tenente coronel e sub-director da artilharia em Moguncia, na Alemanha, no começo do Consulado. Em finais de 1800 é  nomeado director geral dos parques do Exército de Itália, ocupando diversas funções de direcção na  artilharia, em Paris (1800), na Holanda (1804) e de novo em Itália. 
Em 1807 é nomeado director do parque de artilharia do Corpo da Gironda e mais tarde do Exército de Espanha. General de brigada em 1809 e barão do Império em 1812 foi nomeado director dos parques do Exército de Espanha e do de Portugal em Janeiro de 1813, perdendo a quase totalidade dos seus canhões no fim da batalha de Vitória, em Junho. Dirigiu a artilharia do Exército do Norte, durante os Cem Dias.

Apoia o regresso de Luís XVIII substituindo o pai que tinha votado a demissão de Napoleão em 1814, e tinha falecido em finais de 1817, na Câmara dos Pares.

Biografia retirada de Arqnet

terça-feira, 20 de junho de 2017

Biografia de Dom João Carlos de Bragança

2.º Duque de Lafões, 4.º Marquês de Arronches, 8.º Conde de Miranda
n:  6 de Março de 1719 (Portugal)
m: 10 de Novembro de 1806 (Portugal)

Filho de D. Miguel de Bragança, filho legitimado de D. Pedro II e de D. Ana Armanda de Vergé, aristocrata francesa vinda para Portugal com a rainha D. Maria Sofia de Neuburgo, era primo de D. José, sendo cinco anos mais novo do que o rei.

Estudou Humanidades e Filosofia, tendo ingressado na Universidade de Coimbra para cursar Direito Canónico, porque o rei D. João V, seu tio, o destinava à carreira eclesiástica. Devido às dúvidas levantadas pelo reitor sobre o protocolo a seguir para examinar um sobrinho do Rei, D. João mandou-o regressar a Lisboa sem se despedir de ninguém, ao mesmo tempo que escrevia ao reitor a repreendê-lo.

Saiu de Portugal em Maio de 1757, dirigindo-se para Londres e depois, em Janeiro de 1758, para Viena. Por isso, não saiu de Portugal devido à morte do irmão mais velho, o 1.º duque, o que aconteceria só em 1761, e ao facto de não ter sido renovado em si o título do irmão, como afirmou Mendes Leal no seu Elogio Histórico, e sempre repetida, mesmo no Dicionário de História de Portugal publicado nos anos 60 do século XX, afirmação baseada numa erro cronológico que António Ferrão já tinha revisto em 1935. De facto D. João saiu de Portugal com honras de duque, com uma missão desconhecida, mas possivelmente com a intenção de propor o casamento do imperador alemão José, futuro chefe da casa e Áustria, com uma infanta portuguesa. Fixou residência temporariamente em Inglaterra, tendo sido eleito membro da Royal Society. O que é um facto é que a partir de um dado momento o seu regresso deixou de interessar ao rei D. José e ao seu ministro, o futuro marquês de Pombal.

Ao chegar a Viena, já com a Guerra dos Sete Anos a decorrer, alistou-se no exército austríaco, onde o infante D. Manuel, seu tio assim como do rei D. José, tinha sido general. Foi oficial superior do Regimento de infantaria do Príncipe de Ligne, seu parente, tendo participado nas últimas campanhas da Guerra dos Sete Anos. Com o fim da guerra, em 1763, decidiu viajar tendo visitado a Suíça, Itália, França e o Oriente, percorrido a Grécia e o Egipto. Mais tarde, viajou para Norte visitando a Prússia e a Polónia. Em 1766, foi-lhe proposto integrar o exército austríaco, com o posto de major-general, mas a autorização da coroa portuguesa nunca lhe foi dada.

Em 1778, devido à morte de D. José I e à saída do governo do marquês de Pombal, regressou a Portugal, tendo sido agraciado com o título de duque de Lafões. Em 1780 foi nomeado para o Conselho de Guerra, em 1791 foi escolhido para o cargo de governador das Armas da Corte e Província da Estremadura, sendo promovido a marechal general na mesma data. Em 1796 entrava para o Conselho de Estado. Em 1779, com o abade Correia da Serra, fundara a Academia das Ciências de Lisboa, possivelmente em honra de seu irmão que a tinha proposto em 1721, aquando da criação da Academia Real da História Portuguesa.

Devido ao perigo de guerra com a Espanha, foi nomeado em Janeiro de 1801, mordomo-mor da Casa Real, ministro assistente ao despacho, e secretário de Estado da Guerra. Com a declaração formal da guerra em Março assumiu a chefia do Exército, não querendo entregar o comando ao marechal do Exército conde de Goltz,  contratado para dirigir o exército em campanha. Em Maio dirigiu-se para o Alentejo, palco das principais acções militares da curta "Guerra das Laranjas." Estava em Abrantes, com o Exército, quando recebeu a notificação que o destituía de todos os cargos militares e políticos que ocupava.

Até à sua morte, em 1806, nunca mais exerceu cargos públicos.

Casou  em 1788, com D. Henriqueta de Meneses, filha do Marquês de Marialva, ajudante general do exército durante o seu comando do exército. Teve um filho, que morreu criança, e duas filhas.


Bibliografia:
António Ferrão, O segundo Duque de Lafões e o Marquês de Pombal (Subsídios para a biografia do fundador da Academia das Ciências), Separata do Boletim de Segunda Classe da Academia das Ciências de Lisboa, vol. XIX, Lisboa, 1935;

Rómulo de Carvalho, D. João Carlos de Bragança, 2.º Duque de Lafões, Fundador da Academia das Ciências de Lisboa, Lisboa, Academia das Ciências de Lisboa, 1987.

Biografia retirada daqui

domingo, 18 de junho de 2017

Sir Wroth Palmer Acland

Entrou para o exército em 1787, sendo tenente em 1790 e capitão no ano seguinte do 17º regimento de infantaria britânico, quando foi  reformado com meio soldo. Com a declaração de guerra voltou ao serviço no 3º regimento.  Serviu na campanha da Flandres e em 1795 foi promovido a major, tendo logo a seguir adquirido o posto de tenente-coronel do regimento n.º 19. Em 1796 foi para o Ceilão com este regimento e mais tarde, em 1799, trocou o seu posto pelo de tenente-coronel, com exercício de capitão, no 2º regimento de guardas, com qual fez a campanha do Egipto em 1801. Em 1803 foi promovido a coronel, e após ter participado na batalha de Maida, em 1807, onde uma força britânica derrotou no sul de Itália uma divisão francesa, foi promovido a brigadeiro sendo-lhe dado o comando de uma brigada na expedição que foi enviada em 1808 em apoio da revolta em Espanha e Portugal contra o domínio francês.
A brigada sob o seu comando fez-se ao mar com a brigada de Anstruther e quando chegou a Peniche, a 18 de Agosto,  recebeu ordens de se dirigir mais para Sul e desembarcar na foz do Maceira, em Porto Novo. Participou, por isso, na batalha do Vimeiro, ocupando uma posição central à esquerda da povoação do Vimeiro. Atacou o flanco direito da coluna francesa que atacou o Vimeiro, ajudando decididamente na derrota do exército francês.

Pouco depois da batalha do Vimeiro regressou a Inglaterra devido a problemas de saúde, não participando na campanha da Corunha, com Moore. Em 1810 foi promovido a major-general e comandou uma divisão na expedição de Walcheren. Em 1814 foi promovido a tenente-general e feito cavaleiro da ordem do Banho.  Em 1815 foi nomeado cornel do 1º batalhão do 60º regimento, e em 1816 morreu devido ao reaparecimento das febres que tinham posto a sua vida em causa em 1808.

Biografia retirada de Arqnet

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Biografia de D.João Carlos de Bragança de Sousa Ligne Tavares Mascarenhas da Silva, 2.º duque de Lafões

n.5 de março de 1719.
f. 10 de novembro de 1806.

Marechal general, fundador da Academia Real das Ciências, etc. 

Nasceu em Lisboa a 6 de março de 1719, faleceu a 10 de novembro de 1806. 

Era filho segundo do infante D. Miguel, filho legitimado do rei D. Pedro II, o qual casara em 30 de janeiro de 1715 com D. Luísa Casimira de Nassau e Sousa, filha do príncipe Carlos José de Ligne, do sacro império romano, senescal do Arnaut, que foi feito em Portugal conde de Miranda pelo seu casamento com D. Mariana Luísa Francisca de Sousa Tavares da Silva, 5.ª condessa desse título, sendo depois o 2.º marquês de Arronches (V. este título), embaixador de Portugal na corte do imperador Leopoldo de Alemanha. Esta senhora foi sucessora da importante casa de Miranda, de todos os bens da coroa e ordens, morgados, padroados, etc. a ela pertencentes. O infante D. Miguel faleceu desgraçadamente em 13 de janeiro de 1724, afogado no rio Tejo, por se ter voltado o escaler que o conduzia da Outra Banda a Lisboa. Sua mulher sobreviveu-lhe perto de cinco anos, falecendo a 16 de maio de 1729. 

O herdeiro de toda esta importantíssima casa foi o filho primogénito de D. Miguel, o infante D. Pedro Henrique de Bragança, de quem adiante falamos, o qual foi o 1.º duque de Lafões, e por sua morte, ficou herdeiro seu irmão D. João Carlos de Bragança, nos senhorios, alcaidarias-mores, comendas, padroados e outros bens por ele possuídos, o qual teve o titulo de 2.º duque do mesmo titulo. A casa de Sousa, donde descendia pelo lado materno, era muito nobre e antiquíssima, pois a instituição daquele senhorio remonta ao ano 300. D. João Carlos de Bragança foi baptizado a 25 de abril de 1719 pelo patriarca D. Tomás de Almeida, sendo padrinho D. João V, seu tio. Estudou humanidades e filosofia juntamente com o duque seu irmão e com o maior aproveitamento, seguindo depois na Universidade de Coimbra o curso de Direito Canónico, entrando como porcionista no colégio de S. Pedro. D. João V destinava-o à carreira eclesiástica, e ainda na infância havia chegado a tomar o hábito; deu-lhe as honras de marquês por aviso de 31 de junho de 1738, tendo a precedência aos marqueses que depois dele fossem criados, e se lhe passou carta com excessiva vantagem, em razão do parentesco, às dos mais marqueses, para cujo efeito baixou o decreto pelo conselho da fazenda, 1 de setembro de 1740, do assentamento do dito titulo de 500$000 réis anuais, passando-lhe carta em 4 de novembro, e de que fossem, sem exemplo, assentados no almoxarifado da imposição dos vinhos desta cidade, onde em 25 de dezembro de 1753 se pôs apostilha de transferência para os receber pela alfândega, juntamente com uma tença de 300$000 réis, de que lhe fora dado um padrão em 25 de junho deste ultimo ano, principiando a vencer por essa casa desde 1 de janeiro de 1752, em diante. 

Em 31 de agosto de 1740 foi nomeado conselheiro do rei D. João, porém, não se conformava com a vida religiosa, para que não se sentia com vocação, o que muito desgostava o seu real tio e protector. Nascera na corte e para corte, atraíram-no os exercícios corporais, as artes nobres, as línguas e as belas letras. Às naturais fidalguias e à afável jovialidade que o tornava de todos tão procurado, juntava muito notável agudeza de espírito e grande propensão ao epigrama, pelo que poucas vezes perdoava a qualquer vício ou ridículo. Na universidade, tanto o reitor como os lentes não tinham tido nunca um discípulo de tão elevada categoria, e na época dos exames ficaram incertos sem saberem qual o formulário que deveriam empregar no modo de o examinarem. Expuseram as suas dúvidas para a corte, e receberam em resposta a seguinte repreensão: 

«Carta régia para Francisco Carneiro de Figueiroa, reitor da Universidade de Coimbra 

– Reitor e lentes da Universidade de Coimbra: eu el-rei vos envio muito saudar. Vi a consulta que me fizestes sobre o formulário dos actos de meu sobrinho D. João Carlos, e, como seja certo que as regras estabelecidas para se guardarem entre os meus vassalos não compreendam as pessoas reais nem as que lhe são imediatas: ora estranho muito as mesmas dúvidas assim por este respeito que não deveis perder de vista, como porque destes a conhecer a fraqueza dessa universidade na ignorância que tendes para poder tratar com pessoas de alta qualidade. Fazei também estudo político, que é preciso aos homens que desejam ser sábios, se quereis merecer a minha protecção, Lisboa, 4 de abril de 1742. 

Rei.»

«Aviso de Alexandre de Gusmão ao Sr. D. João; 

Ill.mo e Ex.mo Sr. El-rei viu a consulta da Universidade pela qual se certificava das dúvidas que tinham o reitor e lentes dela sobre o formulário dos actos de V. Ex.ª, e dando-se por mal servido, os repreende por carta deste correio. Viu também a carta de V Ex.ª, e ponderando os seus escrúpulos, o quer eximir deles, mandando que V. Ex.ª se recolha à corte, sem despedir-se de pessoa alguma empregada no ministério da Universidade. A pessoa de V Ex.ª guarde Deus muitos anos, Lisboa, 4 de abril de 1742, etc».

«No sobrescrito deste Aviso lia-se: «Ao Sr. D. João Carlos de Bragança, príncipe do sangue da real família de Portugal, Coimbra.» Em vista deste aviso, o príncipe D. João Carlos recolheu-se a Lisboa, e aqui se demorou até à morte do monarca. Começando o novo reinado, com a subida ao trono do rei D. José, mudou-se o aspecto da corte. Os foros da nobreza, sucessivas vezes exorbitantes e nem sempre pacíficos, eram forçados a abaixar-se ante o poder ilimitado do ministro Sebastião José de Carvalho e Melo. A nobreza não abandonou nunca de bom grado os seus privilégios, e à impressão de espanto sucedeu o instinto da resistência. Com a sua atitude mostrou a nobreza que as inovações do ministro não seriam aceites sem luta. D. João Carlos de Bragança, que pelas primazias do engenho e dotes do coração se fizera já bem quisto dos jovens fidalgos e do povo, pela hierarquia, pelo sangue e nome que o traziam perto do trono, e por isso o faziam menos acessível às repressões, parecia talhado, depois dos Marialvas, satisfeitos ou indiferentes, para chefe e centro temível das oposições áulicas. O conde de Oeiras, porém, não esmorecia na sua reconhecida energia, e não tardou, apesar de ser quem era, que D. João Carlos de Bragança recebesse as mais visíveis provas de desagrado do soberano. Morrera-lhe o seu irmão mais velho em 1761, sem deixar sucessor, e pertencia-lhe de direito a casa e o título de duque, e o rei negou-lhe a sucessão no ducado. 

O príncipe D. João percebeu o golpe, e não quis reagir, apesar de o poder fazer; considerando a sua falsa posição na corte, resignou-se e pediu licença para sair do reino, que logo lhe foi concedida. Foi então residir para Inglaterra, e ali se relacionou com os mais conhecidos eruditos, fortalecendo com o estudo e aquela convivência o amor à ciência, e tanto se salientou e tanta estima adquiriu, que mereceu a grande honra de ser nomeado membro da Sociedade Real de Londres, distinção que acima de todas apreciava, dizendo que só a devia a si próprio. Contudo, o culto pelas armas também o animava. Declarara-se a guerra entre a Áustria e a Prússia, e alistou-se como voluntário, defendendo a bandeira austríaca, militando na guerra dos Sete Anos, distinguindo-se na batalha de Maxen, em que a sorte das armas se decidiu contra Maria Teresa, de Áustria, terminando aquela guerra com a paz de Hubertsburgo, e a perda da Silésia, que passou às mãos do vencedor. D. João Carlos de Bragança ficara entre os vencidos, mas foi saudado pelos camaradas e pelos próprios inimigos pelo seu denodo e galhardia. Despreocupado, e impossibilitado ainda de voltar à pátria, empreendeu uma série de viagens, com as quais o seu esclarecido espírito muito se enriqueceu. Por duas vezes percorreu a Suíça, a Itália e a França. Visitou depois sucessivamente a Grécia europeia, o Egipto, a Trácia, a Frigia, a Lídia, a Tessália e a Mesopotâmia. Mais tarde esteve na Prússia, Polónia, Suécia, Dinamarca e Lapónia. Em todas as cortes estrangeiras era admirada a sua ilustração, sendo bem acolhido pelos soberanos e homens notáveis, mantendo com o imperador José II da Alemanha tão cordiais e afectuosas relações que, ainda depois de viver em Portugal, não deixou o imperador de se corresponder com o seu dilecto amigo. 

Falecendo o rei D. José em 1777 e terminando com a sua morte o governo do marquês de Pombal, voltou à pátria em 1779 D. João Carlos de Bragança, depois duma ausência de dezassete anos, já no reinado da rainha D. Maria I. Esperavam-no os mais altos favores do trono como para lhe compensar o longo, ainda que espontâneo, desterro. Recebeu o título de duque de Lafões, que lhe fora negado, sendo-lhe então restituídas as comendas de que fora, privado, com os seus atrasados rendimentos, por alvarás de mercê; nos anos de 1777 e 1778 e as custas no de 1781. Por carta de 11 de Abril de 1780 se lhe fez assentamento de mais 250$000 réis para, com os 500$000 réis que percebia como marquês, completar 750$000 réis do título de duque e vencendo este assentamento anualmente desde o dia em que o fora feito. Por decreto de 15 de setembro do mesmo ano teve a nomeação de conselheiro de guerra, e mais tarde, a de conselheiro de Estado, em 9 de julho de 1796. Sucedeu no governo das armas da corte ao tenente general conde de Azambuja, e comandou as tropas no seu funeral. Por decreto de 13 de maio de 1791 foi nomeado marechal general encarregado do governo das armas de todas as tropas de infantaria, cavalaria, artilharia e corpo de engenheiros, e director de todas elas. A carta régia do príncipe regente de 26 de janeiro de 1801 o nomeou mordomo-mor, mas já tinha esse cargo no dia 6 do referido mês, data do decreto porque o mesmo senhor o nomeara ministro assistente ao despacho do gabinete, para todos os negócios e incumbências de que o regente fosse servido encarregá-lo, em todos os ramos da administração publica, que se achavam divididos pelas secretarias do Estado, encarregando-o particularmente do expediente dos negócios da guerra, que o regente havia separado da secretaria de Estado a que pertencia. A sua ilustração e persistência durante largos anos nas cortes estrangeiras lhe adquiriram a maior influência na corte. O seu parecer era frequentemente consultado e as suas opiniões escutadas com o máximo interesse. 

No seu regresso a Portugal ouvira o duque de Lafões, em Nápoles, falar muito vantajosamente do erudito abade José Correia da Serra, que então vivia em Roma. O duque não se descuidou de relacionar-se com o seu ilustrado compatriota, e teve a fortuna de o trazer consigo para Lisboa, hospedando-o no seu próprio palácio. José Correia da Serra veio a ser o mentor e o guia do duque nas suas lucubrações literárias e científicas. O ilustre fidalgo e Correia da Serra lembraram-se então de fundar uma sociedade cientifica e literária, que estivesse à, altura das outras sociedades congéneres existentes na Europa, e substituísse a decadente e quase moribunda Academia Real de Historia Portuguesa, fundada por D. João V em 1720. Obtido o beneplácito régio instituiu-se a Academia Real das Ciências de Lisboa, cujos estatutos foram aprovados em 24 de dezembro de 1779. Esta academia ficou constituída com os homens mais eminentes em ciências e em letras que nessa época viviam em Portugal. A primeira sessão realizou-se em 16 de janeiro de 1780, em que o duque de Lafões foi eleito sócio efectivo na classe de literatura portuguesa, e na seguinte sessão nomeado presidente perpétuo, e o abade José Correia da Serra primeiro secretario (V. Academia Real das Ciências). Na sessão de 2 de outubro, foi o duque nomeado membro da comissão de Industria Nacional. Como estadista, o duque de Lafões, que perfeitamente conhecia o estado da Europa, não cessava de aconselhar que se mantivesse uma prudente , neutralidade nas guerras que rebentaram, quando começou em França a grande revolução, mas o seu voto não foi atendido, prevalecendo nos conselhos do príncipe regente D. João o fanatismo monárquico de alguns ministros, de que resultaram os graves acontecimentos já bem conhecidos. 

Entrámos com a Espanha e a Inglaterra na luta contra a França, fizeram-se terríveis sacrifícios, tendo-se em paga o abandono da Espanha que negociou sozinha com a França, deixando-nos nos maiores embaraços, e o abandono da Inglaterra que levara a nossa esquadra a sitiar Toulon, deixando a descoberto as nossas colónias e o nosso comércio. Finalmente, em 1801 a Espanha aliada com a França veio declarar guerra a Portugal, e a Inglaterra deixou-nos completamente sós. O exército espanhol do Príncipe da Paz transpôs as fronteiras do Alentejo. Todos se confiavam na experiência militar do antigo voluntário de Maria Teresa de Áustria, e o duque de Lafões, apesar de já ter oitenta e dois anos de idade, foi no seu posto de marechal general tomar conta do comando do exército português. Desenvolveu a maior actividade, procurando organizar energicamente a defesa, mostrando haver cursado boa escola. O rápido e deplorável desfecho da campanha com a capitulação das nossas praças de guerra, e o malogro de justíssimas esperanças, tudo devido a rivalidades, egoísmos, intrigas e vindictas, tornaram mal visto aquele período fatal do ano de 1801, ficando na sombra os verdadeiros autores e responsáveis das suas catástrofes. O general Francisco de Borja Garção Stockler justificou brilhantemente o duque marechal, conservando e publicando nas Cartas ao autor da Historia Geral das invasões francesas, as ideias que em tão breve prazo ele chegara a formular para o restabelecimento do sistema militar do país. Teoricamente, eram tais ideias e planos de um capitão consumado nas coisas da guerra. Praticamente, foi dirigida pelo duque em pessoa a única operação importante que teve lugar no Alentejo, operação por meio da qual salvou o exército, efectuando habilmente a junção das suas forças com a divisão inglesa do general Fraser e os regimentos de Lippe e Lisboa, que iam, com alguns esquadrões de cavalaria, em marcha pelo Crato sobre Portalegre. O duque de Lafões, nesse mesmo ano de 1801, retirou-se à vida privada, no seu palácio situado no sítio do Grilo, entregando-se nos últimos anos aos seus trabalhos literários e científicos. Ali reunia os homens mais eruditos, com quem sustentava conversações, e discussões científicas; inspeccionava as muitas obras que trazia nas suas quintas, e coligiu uma copiosa livraria rica de edições e manuscritos raros, e a galeria de pintura existente no referido palácio do Grilo. 

O duque de Lafões casou com D. Henriqueta Júlia Lorena e Meneses, filha dos marqueses de Marialva; deste consórcio houve um filho, que faleceu com seis anos de idade, e foi duque de Miranda do Corvo; e duas filhas: uma que herdou o titulo de duquesa de Lafões, e casou com D. Segismundo, irmão do duque de Cadaval; a seu pai fora feita mercê, por alvará de 19 de dezembro de 1805, dos bens da coroa e ordens, e dos títulos de juro e herdade, para esta sua filha sucessora da sua casa. A outra filha casou com o duque de Cadaval. O duque de Lafões era grã-cruz, alferes da ordem de Cristo, por decreto de 9 de novembro de 1789 tendo começado já a usar desta insígnia em 15 de setembro antecedente. Também possuía a grã-cruz da Legião de Honra, de França. A Academia Real das Ciências, em gratidão para com o seu fundador, resolveu em 1817 mandar fazer o busto do duque de Lafões para ser colocado na sala das sessões. O encarregado do trabalho da escultura foi o professor Joaquim Machado de Castro, que era sócio correspondente da mesma academia. A Academia tinha deliberado que as despesas da feitura do busto corressem por conta dos sócios, e não pela do cofre; sucedeu, porém, que a quota de contribuição se tornasse muito módica, porquanto Joaquim Machado de Castro se prestou generoso a executar de graça a parte mais essencial da obra, isto é tudo o que pertencia ao trabalho pessoal do artista. O vice-presidente disse que as diferentes transacções correriam pela sua mão, e se anunciara com prazer ao corpo académico o desinteresse do artista insigne, tivera também a satisfação de ver o bem merecido apreço que se fez daquela oferta, e o voto unânime de ela ser de alguma forma compensada por este testemunho publico de gratidão, e pelo dom de uma medalha de ouro, o maior prémio com que entre nós se costuma gratificar o saber e os talentos É honra para a Academia poder apresentar a nacionais e a estrangeiros este belo monumento de gratidão à memória do seu fundador. O busto fez se, e colocou-se efectivamente na referida Sala, sobre um pedestal feito de madeira. Em 1866, porém, sendo presidente o rei D. Fernando, resolveu a Academia substituir este pedestal, que se considerava impróprio, por um outro de mármore, que neste ano foi colocado na referida sala, onde ainda hoje existe. O pedestal de madeira está na sala que antecede a das sessões sobre o qual se vê o modelo da estátua equestre de D. Pedro IV, que está na praça de D. Pedro, no Porto. No pedestal gravou-se a seguinte inscrição:

JOANNIS CAROLI A BRAGANTIA
ALAFONENSIS DUCIS
AVIS EDITI REGIBUS
ANNO SALUTIS MDCCXIX NATI
MDCCCVI DEMORTUI
BELLICA VIRTUTE
MILITARIBUS DISCIPLINIS
OMNIBUS ARTIBUS INGENUIS
DOMI ET APUD EXTERAS GENTES
CLARISSIMI
INGENIORUM FAUTORIS MUNIFICI
HANC EFFIGIEM
OLIM A JOACHIMO MACHADO DE CASTRO SCULPTAM
REGNANTE LUDOVICO I
REGE FERDINANDO II PRESIDE
REGIA SCIENTIARUM OLYSSIPONENSIS ACADEMIA
TANTI VIRI FUNDATORIS SUI
NON IMMEMOR
HEIC PONENDAM CURAVIT
ANNO MDCCCLXVI

Acerca do duque de Latões, pôde ver-se o Arquivo Pitoresco, vol. IX, pág. 147; A Historia dos estabelecimentos científicos, literários e artísticos de Portugal, de José Silvestre Ribeiro; vol. II, pág. 37 a 61, e 267 a 369; Ilustração, vol. II, pág. 22; Universo Pitoresco, vol. III, pág. 328; Elogio histórico, por José da Silva Mendes Leal, recitado na Academia Real das Ciências em 1860.

Biografia retirada daqui

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Alfred Rosenberg

Alfred Rosenberg (1893-1946) foi um político e escritor alemão.

Responsabilizado pela morte de milhões de judeus durante a segunda guerra mundial, Alfred Rosenberg -- o mais importante ideólogo do nazismo -- foi racista empedernido e combateu semitas, latinos e cristãos. Alfred Rosenberg nasceu em Reval, posterior Tallinn, Estônia, em 12 de janeiro de 1893.

Filho de um sapateiro, estudou arquitetura em Moscou -- a futura Estônia era então parte da Rússia -- até a revolução de 1917. Dois anos depois, foi para Munique, onde se juntou a Adolf Hitler, Ernest Röhm e Rudolf Hess no nascente Partido Nacional-Socialista. Como editor do jornal do partido nazista, o Völkischer Beobachter, entrou em contato com as idéias racistas do inglês Houston Stewart Chamberlain e os textos apócrifos dos Protocolos dos Sábios de Sion, do século XIX, sobre um suposto golpe judeu para dominar o mundo.

Em 1923, Hitler foi aprisionado após o golpe na cervejaria de Munique e colocou Rosenberg à frente do partido, embora o soubesse incompetente como organizador e para estabelecer posição de poder. O teórico nazista exigiu a conquista da Polônia e da Rússia no livro Der Zukunftsweg einer deutschen Aussenpolitik (1927; Futuras diretivas de uma política externa alemã).

Expôs a "pureza racial" dos alemães -- que por isso teriam o direito de dominar a Europa e o mundo -- em Der Mythus des 20 Jahrhunderts (1934; O mito do século XX). No início da segunda guerra mundial, como ministro dos territórios orientais ocupados, Rosenberg apresentou a Hitler o fascista norueguês Vidkun Quisling, para discutir um golpe de estado na Noruega. Discursos e escritos seus foram publicados em Blut und Ehre (1934-1941; Sangue e honra). Rosenberg, condenado pelo Tribunal de Nuremberg, foi enforcado em 16 de outubro de 1946.

Biografia retirada de e-biografias

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Biografia de D. Maria I

Filha primogénita de D. José I. Foi aclamada rainha em Maio de 1777. Por sofrer de doença mental foi afastada dos negócios públicos em princípios de 1792, tendo o príncipe D. João tomado conta do governo em nome de sua mãe até 1799, ano em que passou a governar em seu próprio nome, com o título de Regente.

Nascida em 1734, recebeu logo o título de "Princesa da Beira", passando com a ascensão ao trono do pai, em 1750, a ser chamada "Princesa do Brasil". Casou em 1760 com o seu tio D. Pedro de quem enviuvou.

A animosidade que sempre existiu entre os príncipes do Brasil e o marquês de Pombal e o desejo deste de ver D. Maria renunciar ao trono em favor de seu filho D. José, não permitiram à futura rainha que se familiarizasse com os assuntos políticos. No entanto sente-se que três preocupações absorveram o seu espírito desde os primeiros tempos do seu reinado: reparar as "ofensas" a Deus,  moralizar a vida pública e governar em certos campos de uma forma mais progressiva.

Perdoou aos criminosos do Estado que lhe pareceram dignos desse acto. Aceitou o pedido de escusa do marquês de Pombal de todos os seus cargos mas manteve-lhe os seus honorários de secretário de Estado.

Quando D. Maria subiu ao trono era delicada a nossa posição em política internacional: guerra com a Espanha no Brasil; situação difícil perante o conflito entre a Inglaterra e as colónias americanas.  Em relação ao primeiro problema, procurou desde logo a rainha um entendimento com a Espanha, o que deu origem aos Tratados de Santo Ildefonso, de Outubro de 1777, tratado preliminar de delimitação das zonas portuguesa e espanhola na América do Sul, e do Prado assinado em Março de 1778.  A solução do segundo tornou-se mais difícil quando a França e a Espanha apoiaram as colónias revoltadas. Na impossibilidade de tomar partido aberto por qualquer dos beligerantes procurou obter a neutralidade, o que aconteceu em Julho de 1782, com a assinatura da convenção marítima com a Rússia, e a aceitação da Neutralidade Armada, não sem dificuldades que o governo português conseguiu vencer com certa diplomacia.

A actividade legislativa é notável, sobretudo no que diz respeito à gestão económica. Puseram-se restrições ao monopólio da Companhia do Vinho do Porto. Foi suprimida a Companhia do Grão-Pará e Maranhão; criada a Junta da Administração de todas as fábricas deste Reino e Águas Livres. Impulsionou novas manufacturas.  Assinou um tratado de amizade, navegação e comércio com a Rússia. A exportação do vinho do Porto desenvolveu-se largamente.

Também no seu tempo se deu um impulso à cultura tendo-se procedido à criação de numerosas instituições, como: a Real Academia das Ciências de Lisboa, Aula Pública de Debucho e Desenho, no Porto, e a Aula Régia de Desenho de Lisboa. Fundou a Academia Real de Marinha e a Real Biblioteca Pública de Lisboa. Criou Hospitais no Brasil e na metrópole. Criou a lotaria para alargar os serviços da Misericórdia de Lisboa.

Uma das suas medidas mais importantes é a fundação da Real Casa Pia de Lisboa, obra de Pina Manique.

D. Maria I nasceu em Lisboa, a 17 de Dezembro de 1734, recebendo o nome de baptismo de Maria Francisca Isabel Josefa Antónia Gertrudes Rita Joana, e faleceu no Rio de Janeiro, a 20 de Março de 1816, estando sepultada na Basílica da Estrela.

Casou em 6 de Junho de 1760 com o seu tio, o infante D. Pedro, que era príncipe do Brasil e veio a ser, pelo casamento, o rei consorte D. Pedro III.

Do casamento nasceram:
1. D. José, príncipe da Beira e duque de Bragança. Nasceu no Paço da Ajuda, em 20 de Agosto de 1761, e faleceu no mesmo Paço a 11 de Setembro de 1788; está sepultado no Panteão de S. Vicente de Fora. Casou com a tia D. Maria Francisca Benedita;
2. D. João, infante de Portugal. Nasceu e faleceu em 1763, sendo sepultado no mesmo panteão);
3. D. João VI, que sucedeu no trono;
4. D. Maria Clementina. Nasceu em Lisboa, em 1774 e faleceu na mesma cidade em 1776, estando sepultada em São Vicente de Fora;
5. D. Maria Isabel. Nasceu em Queluz, em 23 de Dezembro de 1766, faleceu em Lisboa, em 1777, e jaz no mesmo panteão;
6. D. Mariana Vitória Josefa. Nasceu em Queluz, a 15 de Dezembro de 1768; faleceu em Madrid, a 2 de Novembro de 1788). Casou com Gabriel António Francisco Xavier de Bourbon, infante de Espanha, tendo havido descendência.


Fontes: 
Joel Serrão (dir.) 
Pequeno Dicionário de História de Portugal, 
Lisboa, Iniciativas Editoriais, 1976
Joaquim Veríssimo Serrão 
História de Portugal, Volume VI: O Despotismo Iluminado (1750-1807), 
Lisboa, Verbo, 1982

Caetano Beirão
D. Maria I, 1777-1792. Subsídios para a revisão da História do seu Reinado,
2.ª ed., Lisboa, Empresa Nacional de Publicidade, 1934

sábado, 10 de junho de 2017

D. João de Almeida Portugal, 2.º marquês de Alorna

n.      7 de novembro de 1726.
f.       9 de junho de 1802.

Oficial-mor da Casa Real (vedor honorário da fazenda); comendador da comenda de Moreira na Ordem de Cristo; capitão de cavalaria do exército, sócio da Academia da História Portuguesa.

Nasceu a 7 de novembro de 1726; faleceu a 9 de junho de 1802. Era filho do 3º. conde de Assumar e 1º. marquês de Alorna, D. Pedro Miguel de Almeida Portugal, e de sua esposa, D. Maria de Lencastre, filha dos 4.os condes de Vila Nova de Portimão.

Desejando seu pai proporcionar-lhe uma educação esmerada, obteve licença de D. João V, para que D. João fosse estudar a Paris. Em 2 de dezembro de 1747 casou com D. Leonor de Lorena e Távora, filha do 3.º marquês de Távora, D. Francisco de Assis e Távora, herdeiro da casa de Alvor e 6.º conde de S. João, casado com D. Leonor Tomásia de Távora, senhora e herdeira desta casa, e 6.ª condessa de S. João.

O marquês de Alorna estava nomeado embaixador na corte de Luís XV, de França, mas o atentado de 3 de setembro de 1758 o obrigou a ficar em Lisboa, por ter sido preso e encerrado na torre de Belém, sendo a marquesa enviada para o convento de Chelas com as suas duas filhas menores, D. Leonor, que foi a grande poetisa marquesa de Alorna (V. este nome), e D. Maria, mais tarde condessa da Ribeira Grande. Seu filho D. Pedro, que contava apenas quatro anos de idade, ficou abandonado, entregue à compaixão dos familiares de sua casa. O marquês de Pombal ordenara aquela prisão, pelo facto do marquês se tornar suspeito, em consequência dos laços de parentesco que o ligavam família dos Távoras. Apesar do seu carácter severo, o ministro de D. José sempre teve consideração com aqueles fidalgos, porque nenhum dos Alornas figurou na triste e horrorosa tragédia de Belém.

O prisioneiro foi depois transferido para o forte da Junqueira. Dezoito anos esteve preso. Dos incómodos e trabalhos que então sofreu, juntamente com os seus companheiros do infortúnio, o marquês escreveu uma breve relação, que se veio a publicar-se muitos anos depois da sua morte, em 1857. Morrendo D. José, em 24 de fevereiro de 1777, D. Maria I subiu ao trono, e os prisioneiros do Estado foram logo postos em liberdade. Alguns, porém, e entre eles o marquês de Alorna, não quiseram gozar dessa liberdade sem que a sua inocência fosse bem reconhecida e proclamada. A rainha acedeu àquele desejo, e numa portaria, com a data de 7 de março do referido ano de 1777, determinou que os presos saíssem dos cárceres e fossem residir a vinte léguas da corte até alcançarem a reabilitação desejada. O marquês retirou-se para a sua quinta de Vale de Nabais, próximo de Almeirim, com sua mulher e filhas, levando também consigo o filho do duque de Aveiro. Dois meses depois, seu filho D. Pedro, conde de Assumar, foi apresentar-lhe por ordem da soberana, o decreto em que se declarava que, em vista do parecer conforme de uma junta para esse fim congregada, fora considerado inocente e sem prova alguma por onde pudesse dizer-se criminoso; por isso ficava restabelecido em todas as honras e liberdades, que por diante lhe competiam. Animado com este decreto de reabilitação, o marquês retirou-se para Lisboa, recebendo no seu palácio as pessoas da mais elevada aristocracia, que todas as noites ali se juntavam, e onde brilhava o peregrino talento de sua filha, D. Leonor de Almeida, futura marquesa de Alorna, já consagrada como poetisa no convento de Chelas.

O marquês, porém, preocupava-se muito com o horroroso fim dos marqueses de Távora e seus cúmplices, e empregou todos os seus cuidados e solicitude para obter a revisão da sentença que os condenara, tão sumariamente, em julgamento especial, criado pelo marquês de Pombal. Só no fim de dois anos de incansáveis lutas que conseguiu que saísse um decreto, com a data de 10 de outubro de 1780, nomeando uma comissão para se encarregar dessa delicada e árdua empresa. O marquês não descansava, nem o procurador que em Lisboa trabalhava por sua ordem. O procurador, porém, irritado com os contínuos transtornos que sobrevinham, teve a imprudência de redigir um memorial muito inconveniente e com propostas arrojadas. Este excesso de zelo pela causa por que trabalhava, indignou os juízes, e a própria rainha manifestou o seu despeito. O velho fidalgo, que então estava em Almeirim, teve de vir a Lisboa declarar que não autorizara nem tivera conhecimento de semelhante memorial. Os trabalhos da junta ficaram então paralisados por algum tempo, continuando depois morosamente, até que a rainha deu ordem positiva para que os juízes se reunissem em sessão, em a noite de 3 de abril de 1781 com a obrigação de naquela mesma noite lavrarem a sentença. Os juízes assim o fizeram, a sessão durou até alta madrugada, e no fim de grandes debates ficou decidido que os únicos culpados daquele atentado, haviam sido o duque de Aveiro e três dos seus criados, declarando os Távoras inocentes, a quem por isso levantaram a nota de infâmia que lhes fora imposta, reabilitando a sua memória. Se o processo feito debaixo da pressão do marquês de Pombal fora irregular, o da revisão do processo não o era menos, e apresentando o procurador-geral da coroa certos embaraços à nova sentença, esta ficou sem efeito. O marquês ainda não desistiu do seu intento; as suas diligências e pedidos eram incessantes; vendo que nada conseguia, chegou a tratar com arrogância e desabridamente o ministro marquês de Ponte de Lima, na própria Secretaria do Estado. A rainha mostrou-se ofendida, e o marquês retirou-se para a sua quinta em Almeirim, onde faleceu; a marquesa, sua esposa, já havia falecido, a 30 de outubro de 1790. O marquês tinha herdado de seu pai a casa e o título, em 10 de novembro de 1756.

Escreveu: As prisões da Junqueira, durante o ministério do marquês de Pombal, escritas ali mesmo pelo marquês de Alorna, uma das suas vítimas. Publicada conforme o original, por José de Sousa Amado, presbítero secular, Lisboa, 1857. Esta obra esteve inédita durante setenta anos, e apareceram várias cópias com o titulo de: Relação dos presos do forte da Junqueira, etc. É um documento curioso pelas particularidades que encerra, acerca das pessoas e sofrimentos dos presos do Estado, que jazeram no referido forte, donde só foram postos em liberdade, em 1777, depois da morte do rei D. José.

Biografia retirada de Arqnet

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Biografia de D.Maria II

Contava apenas 7 anos, quando seu pai, D. Pedro IV, abdicou do trono de Portugal em seu favor, em Abril de 1826. 

Devia casar, logo que tivesse idade, com o tio, D. Miguel, nomeado regente e lugar-tenente do reino, o que foi aceite pelo Infante, em Julho de 1826, assumindo a regência, ao chegar a Lisboa, em Janeiro de 1828, após ter jurado fidelidade à rainha e à Carta Constitucional. 

D. Maria foi enviada para a Europa em Julho de 1828, para defender os seus direitos ao trono, tendo ficado a residir em Londres, e a partir de  1831 em França.

Só em 24 de Setembro de 1834, com o fim da Guerra Civil, tendo quinze anos de idade, assumiu o governo do País.

Casou em 1835 com Augusto de Leuchtenberg, filho de Eugénio de Beauharnais, e neto da Imperatriz Josefina, primeira mulher de Napoleão Bonaparte, irmão mais velho da segunda mulher de D. Pedro IV, mas que morreu logo em Março desse ano.

Neste ano pôs-se à venda todos os bens de raiz nacionais, pertencentes à Igreja Patriarcal, às Casas das Rainhas e do Infantado, das corporações religiosas já extintas e das capelas reais.

D. Maria casou segunda vez com Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha, irmão do rei dos Belgas, Leopoldo I, e primo do marido da rainha Vitória da Inglaterra, o príncipe Alberto. O casamento realizou-se em 9 de Abril de 1836.

Durante o seu curto reinado, passado num dos mais conturbados períodos da nossa história, o das lutas entre liberais e absolutistas, vários acontecimentos históricos se passaram: a Guerra Civil,  a revolução de Setembro, a Belenzada, Revolta dos Marechais, a Maria da Fonte, a Patuleia.

Sucedeu-lhe o seu filho mais velho, D. Pedro V.

D. Maria II nasceu no Rio de Janeiro, no Palácio de S. Cristóvão, a 4 de Abril de 1819, recebendo o nome de Maria da Glória Joana Carlota Leopoldina da Cruz Francisca Xavier de Paula Isidora Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga. Morreu no Palácio das Necessidades, a 15 de Novembro de 1853, em consequência de parto.

Casou em primeiras núpcias com D. Augusto de Leuchtenberg, nascido em Munique a 9 de Dezembro de 1810, tendo morrido em Lisboa a 28 de Março de 1835, duque e príncipe de Leuchtenberg e de Santa Cruz, filho de Eugénio de Beauharnais, então vice-rei de Itália,  e da princesa Augusta Amélia, filha de Maximiliano José I da Baviera. Não tendo havido descendência.

Voltou a casar em Lisboa, a 9 de Abril de 1836, com D. Fernando Augusto, nascido em Coburgo a 29 de Outubro de 1816, e falecido em Lisboa, a 15 de Dezembro de 1885, filho de Fernando Augusto, príncipe e duque de Saxe Coburgo Gotha e de sua mulher Maria Antonieta Gabriela, princesa de Koari.

Do casamento nasceram:
1. D. Pedro V , que sucedeu no trono;
2. D. Luís, duque do Porto, que em 1861 sucedeu a seu irmão;
3. D. Maria. Nasceu em Lisboa, no Palácio das Necessidades, a 4 de Outubro de 1840, tendo falecido no mesmo dia;
4. D. João. Nasceu em Lisboa, no Palácio das Necessidades, a 16 de Março de 1842, e faleceu no Palácio de Belém em 27 de Dezembro de 1861. Era Duque de Beja e de Saxe Coburgo Gotha;
5. D. Maria Ana. Nasceu no Palácio das Necessidades, a 21 de Agosto de 1843, e faleceu em Dresda, a 5 de Fevereiro de 1884. Casou em Lisboa, a 11 de Maio de 1859, com Frederico Augusto (1832-1904) que foi rei da Saxónia, com o nome de Jorge III. Com descendência;
6. D. Antónia. Nasceu em Lisboa, no Palácio das Necessidades, a 17 de Fevereiro de 1845, e morreu em Sigmarinen, a 27 de Dezembro de 1913. Casou em Lisboa, a 12 de Setembro de 1861, com Leopoldo Estevão Carlos (1835-1905), príincipe de Hohenzollern. Com descendência;
7. D. Fernando. Nasceu em Lisboa, no Palácio de Belém, em 23 de Julho de 1846, e faleceu no Palácio das Necessidades, a 6 de Novembro de 1861, estando sepultado no Panteão Real de S. Vicente de Fora.
8. D. Augusto. Nasceu em Lisboa, no Palácio das Necessidades, a 4 de Novembro de 1847, e faleceu no mesmo local a 26 de Setembro de 1889.Está sepultado no Panteão Real de S. Vicente de Fora. Foi duque de Caminha e de Saxe Coburgo Gotha;
9. D. Leopoldo. Nasceu em Lisboa, no Palácio das Necessidades, a 7 de Maio de 1849, tendo falecido no mesmo dia;
10. D. Maria. Nasceu no Palácio das Necessidades, em 3 de Fevereiro de 1851, e morreu no mesmo dia.
11. D. Eugénio. Nasceu no palácio das Necessidades, a 15 de Novembro de 1853, e faleceu no mesmo dia.

Fontes: 
Joel Serrão (dir.) 
Pequeno Dicionário de História de Portugal, 
Lisboa, Iniciativas Editoriais, 1976
Joaquim Veríssimo Serrão 
História de Portugal, Volume VII: A Instauração do Liberalismo (1807-1832), e 
História de Portugal, Volume VIII: Do Mindelo à Regeneração (1832-1851) 
Lisboa, Verbo, 1984 e 1986

sábado, 3 de junho de 2017

Abraham Lincoln

Abraham Lincoln (1809-1865) foi presidente dos Estados Unidos da América. Decretou a emancipação dos escravos. Foi considerado um dos inspiradores da moderna democracia tornou-se uma das maiores figuras da história americana. Elegeu-se Deputado por Illinois. Defendia a causa dos pobres e humildes. Formou-se em Direito. Elegeu-se Deputado Federal e incentivou a criação de novas industrias no Norte do país. Foi eleito o primeiro presidente pelo Partido Republicano, que ajudou a fundar. Foi o 16º presidente dos Estados Unidos. Enfrentou a Guerra da Secessão, por longo período de seu governo. Com a vitória do Norte, foi reeleito para presidente.

Abraham Lincoln (1809-1865) nasceu na cidade de Hardim no Kentucky, Estados Unidos. Filho dos camponeses Thomas Lincoln e Nancy Lincoln, quando pequeno viveu numa casa de madeira, a beira da floresta. Frequentou a escola durante um ano, quando em 1816 sua família mudou-se para Indiana. Com sete anos já trabalhava no campo. Ficou órfão aos nove anos de idade. Seu pai casa com Sarah Bush Johnston, que ficou responsável por sua instrução.

Abraham Lincoln teve vários empregos, foi lenhador, trabalhou numa serraria, foi barqueiro, balconista e Chefe dos Correios da Aldeia de Salem em Illinois. Como barqueiro, em 1831, navegava pelos rios Missisípi e Ohio, transportando mercadorias. Nas horas vagas se dedicava à leitura. Participou como Capitão voluntário, na luta contra os índios no sul do Estado. Foi chefe dos correios e trabalhou na demarcação de terras para o governo.

Em 1834 elegeu-se Deputado pela Assembleia de Illinois. Estudou Direito, formando-se em 1837. Trabalhou defendendo as causas dos pobres e humildes. Em 1842 casa-se com Mary Todd. Em 1846 elegeu-se Deputado Federal. Entre 1847 e 1849, foi represnetante de Illinois no Congresso, onde propos a emancipação gradativa para os escravos, o que desagradou tanto aos abolicionistas quanto aos defensores da escravidão. Fez oposição a invasão de terras no México, mas no fim do conflito novas terras foram anexados aos Estados Unidos. Sua posição o fez perder muitos votos. Lincoln fazia campanha para que essas novas terras ficassem livres da escravidão.

Concorreu para o senado, foi derrotado, afastou-se da política durante cinco anos. Seus discursos e debates em torno da escravidão os tornou conhecido e popular. Em 1854 participou da fundação do Partido Republicano.

Grandes transformações sociais ocorriam no país. Ao norte desenvolvia-se uma rica e poderosa burguesia industrial e uma classe operaria organizada e numerosa, apoiada pelo Partido Republicano. Ao sul consolidou-se a supremacia aristocrata rural, com grandes propriedades agrárias, apoiadas na monocultura e no trabalho escravo. A rivalidade política entre o Partido Democrata, dos aristocratas do sul e o Partido Republicano da burguesia industrial do norte, gerava vários conflitos.

A guerra contra o México ampliara o território da União e não era possível prever se a população das novas terras se declararia a favor da escravidão. Instalou-se uma grande polêmica nacional. Lincoln assumiu atitude antiescravagista e transformou-se no paladino dessa tendência após o debate que travou com o senador democrata Stephen Douglas.

Em 1858, candidato ao Senado pelo novo Partido Republicano, perdeu as eleições para Douglas, mas tornou-se líder dos republicanos. Em 1860, disputou o pleito para a presidência da república e elegeu-se o 16º presidente dos Estados Unidos.

Ao iniciar seu governo, em 4 de março de 1861, Lincoln teve de enfrentar o separatismo de sete estados escravistas do sul, que formaram os Estados Confederados da América. O presidente foi firme e prudente: não reconheceu a secessão, ratificou a soberania nacional sobre os estados rebeldes e convidou-os à conciliação, assegurando-lhes que nunca partiria dele a iniciativa da guerra. Os confederados, porém, tomaram o forte Sumter, na Virgínia Ocidental.

Lincoln encontrou o governo sem recursos, sem exército e com uma opinião pública que lhe era favorável somente em reduzida escala. Com vontade férrea, profunda fé religiosa e confiança no povo, iniciou uma luta que primeiramente lhe foi adversa. Só conseguiu armar sete mil soldados, com os quais começou a guerra. Em apenas um ano, duplicou o Exército, organizou a Marinha e obteve recursos. Os confederados haviam consolidado sua situação, com a adesão de mais quatro estados aos sete sublevados. Em meados de 1863 chegaram à Pensilvânia e ameaçaram Washington. Foi nesse grave momento que se travou, em 3 de julho de 1863, a batalha de Gettysburg, vencida pelas forças do norte.

Lincoln, que decretara a emancipação dos escravos e tomara outras providências liberais, pronunciou, meses depois, ao inaugurar o cemitério nacional de Gettysburg, o célebre discurso em que definiu o significado democrático do governo do povo, pelo povo e para o povo, e que alcançou repercussão mundial.

A guerra continuou ainda por dois anos, favorável à União. Lincoln foi reeleito presidente em 1864. Em 9 de abril de 1865, os confederados renderam-se em Appomattox.

Embora considerado conservador ou reformista moderado no início da presidência, as últimas proposições de Lincoln foram avançadas. Preparava um programa de educação dos escravos libertados e chegou a sugerir que fosse concedido, de imediato, o direito de voto a uma parcela de ex-escravos. Inclinou-se também à exigência dos radicais por uma ocupação militar provisória de alguns estados sulistas, para implantar uma política de reestruturação agrária.

Em 14 de abril de 1865, Lincoln assistia a um espetáculo no Teatro Ford, em Washington, quando foi atingido na nuca por um tiro de pistola desferido por um escravista intransigente, o ex-ator John Wilkes Booth. Lincoln morreu na manhã do dia seguinte.

Biografia retirada de e-biografias

Aécio Neves

Aécio Neves (1960) é um político e economista brasileiro filiado ao PSDB-Partido da Social Democracia Brasileira. Foi deputado Federal pelo estado de Minas Gerais e presidente da Câmara dos Deputados do Brasil nos anos 2001 e 2002. Aécio Neves da Cunha nasceu em Minas Gerais. 

Filho do ex-deputado Aécio Ferreira da Cunha e de Inês Maria Neves Faria. Estudou economia na Universidade Católica de Minas Gerais, curso que terminou em 1979. Aécio Neves conquistou excelentes votações. A Primeira eleição foi para deputado Federal na Assembleia Constituinte, em 1986, com 236.019 votos. Em 1998, foi eleito com a maior votação do Brasil. Foi eleito para o governo de Minas Gerais em 2002 com a maior votação da história do estado. Além disso, foi o primeiro governador do estado a vencer no primeiro turno. 

Em 2006 foi reeleito, venceu com votação recorde, com mais de 77% dos votos. Também foi eleito senador da república em 2010 com 7.565.377 votos, ocupando cadeira no senado desde de 2011. Aécio Neves é um dos prováveis candidatos à presidência da república do Brasil em 2014 pelo PSDB.
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