segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Biografia de José Augusto Alves Roçadas

Oficial do exército, foi governador de Angola e o último comandante do Corpo Expedicionário Português a França, durante a Primeira Guerra Mundial

Nasceu em Vila Real, em 6 de Abril de 1865;
morreu em 28 de Junho de 1926.

Entrou para o exército em 1882, tendo concluído em 1889, em primeiro lugar, o curso do Estado-Maior da Escola do Exército. Promovido a alferes para Cavalaria 2, era tenente no ano seguinte, e capitão 4 anos depois, com 29 anos de idade.

Em 1897 foi enviado para Angola, como chefe de estado maior, servido na colónia até 1900. Nesta estadia realizou vários reconhecimentos geográficos, tendo feito alguns levantamentos cartográficos, como os de Luanda, Benguela e Moçamedes. Em 1902 foi enviado para a Índia, de novo como chefe de estado-maior das forças estacionadas naquela colónia do Índico. Voltou a Angola em 1905, nomeado governador do distrito da Huíla, devido ao massacre de Pembe de uma força de 500 homens destacada da coluna que ia submeter os Cuanhamas, tribo sedeada no baixo Cunene.

Alves Roçadas começou por submeter a região dos Mulondo, a leste de Huíla, entre os rios Calculevar e Cunene, tendo morto o soba Haugalo. Em 1906, atacou a sul em direcção ao baixo Cunene, ao longo do rio Calculevar, ocupando Pocolo, Bela-Bela e Jau. Atravessou o Cunene, fundando o Forte Roçadas, em terras dos Cuamato. O avanço além Cunene, para ocupação da parte portuguesa do Ovampo, foi preparado com expedição de novas tropas. Para comandar esta expedição é nomeado em Maio de 1906 o capitão Alves Roçadas. As forças expedicionários saíram do Forte Roçadas em 27 de Agosto de 1907, sendo atacadas logo de seguida em Mufilo. Roçadas mandou formar um quadrado que conseguiu suster o ataque, sendo a cavalaria a decidir o combate. Seguiram-se vários outros combates, até que a embala de Nalueque foi finalmente ocupada. A campanha acabou em Outubro, com a pacificação das tribos do baixo Cunene, os Cuamatos.

De regresso a Lisboa é promovido a Major e nomeado ajudante-de-campo do rei, grande oficial da Torre e Espada, recebendo as medalhas de ouro de Serviços Distintos e Valor Militar. Em 20 de Maio de 1908, no começo do reinado de D. Manuel II, foi promovido por distinção a tenente coronel.

Nomeado governador de Macau, regressou a Angola como governador-geral, mas por pouco tempo, por se ter demitindo do cargo devido à revolução republicana de Outubro de 1910. De regresso a Portugal, é colocado como chefe de estado-maior de várias grandes unidades. Em 1914, quando se organizou a primeira expedição a Angola, para defender o sul da colónia, que fazia fronteira com a colónia alemã do Sudoeste Africano, Roçadas foi escolhido para a comandar. O incidente de Naulila,  nas margens do Cunene, perto da fronteira entre as duas colónias, incidente entre forças militares portuguesas e alemãs, acontecido em 18 de Outubro, fez com os alemães atacassem o posto isolado de Cuangar, nas margens do Cubango. Alves Roçadas decidiu então, com as poucas forças de que dispunha, atravessar o Cunene e procurar as forças alemãs que tinham entrado no território português. Mas foi derrotado em Naulila, em 18 de Dezembro, e obrigado a atravessar o Cunene e o Caculevar, concentrando-se à volta do Forte Gambos. Devido a esta retirada os povos do Humbe revoltaram-se. Alves Roçadas foi, por isso, chamado a Portugal, embarcando em princípios de Maio de 1915.  

Em Setembro de 1918 foi enviado para França, com o posto de general graduado, tomando interinamente o comando da 2.ª divisão do C.E.P. em Dezembro, já depois do Armistício. Em 16 de Abril de 1919 foi nomeado comandante do Corpo português, sendo responsável pelo seu regresso a Portugal. Em Setembro de 1918 foi nomeado governador dos territórios da Companhia de Moçambique, tendo regressado em 1923 a Portugal. Confirmado no posto de general em Novembro de 1924, depois de ter prestado provas, foi nomeado comandante da 1.ª Divisão militar.

Desde o seu regresso, fez parte do grupo que em torno de Sinel de Cordes, preparou a conspiração que levou ao golpe de 28 de Maio de 1926, sendo o chefe indicado para tomar o poder, o que não se realizou devido a ter adoecido pouco tempo antes do golpe, acabando por morrer pouco tempo depois. 

Fonte:
Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol. 25, págs. 828-829

sábado, 13 de janeiro de 2018

Biografia de José António da Rosa

n: 14 de Fevereiro de 1745, Mourão (Portugal)
m: 28 de Novembro de 1830, Lisboa (Portugal)

Filho de pequenos lavradores de Mourão, assentou praça em 1761 no Regimento de Artilharia do Alentejo, sendo cabo de esquadra em 1770 e furriel em 1772. Tendo frequentado a aula regimental, e passado no exame, foi promovido a segundo-tenente em 1774. Entre 1780 e 1783 foi aluno da Academia Real de Marinha e Engenharia, tendo sido promovido a primeiro-tenente em 1784, na companhia de Artífices e Pontoneiros do Regimento de Artilharia do Algarve. Em Janeiro de 1787 foi graduado em capitão, tendo casado no mês seguinte, em Lisboa. Em 1781 tinha-lhe sido concedido o hábito de Cristo com cinquenta mil reis de tença.
Em 1789 foi nomeado Lente da terceira cadeira de Artilharia, do terceiro ano da Academia Real de Fortificação, Artilharia e Desenho, que acabava de ser instituída, ficando agregado ao Regimento de Artilharia da Corte, com o posto de capitão efectivo. A cadeira dizia respeito ao estudo das minas e contra-minas e a sua aplicação ao ataque e defesa das praças, tendo dado origem à publicação em 1791 do livro Compêndio das Minas. Em Setembro de 1793 foi promovido a Major, continuando agregado ao Regimento de Artilharia da Corte, mas recebendo o soldo de oficial efectivo. Em 1793 era cavaleiro da Ordem de Avis, com doze mil reis de tença, devido aos seus 20 anos de serviço como oficial, e mais de 40 anos de idade.

Quando, em 1793, se organizou a Divisão Auxiliar para serviço em Espanha, José António da Rosa foi nomeado comandante da Brigada de Artilharia, tendo sido promovido ao posto de Tenente-Coronel em 1795, "em atenção aos distintos serviços que [tinha] efectuado nas campanhas do Rossilhão e Catalunha." Em 1797 era graduado em coronel.

Por motivo da Guerra de 1801 com a Espanha, foi nomeado comandante dos Parques de Artilharia do exército. Em 1803 foi mandado rearmar algumas praças do Alentejo, assim como reorganizar os trens de Artilharia da província., enquanto Inspector dos municiamentos da província do Alentejo. Em Junho foi promovido a Brigadeiro. Mais tarde, de acordo com o Plano de Reorganização do Exército de 1806, foi nomeado Inspector da Artilharia e munições de guerra das Praças do Reino em 13 de Julho de 1807, sendo nomeado comandante das baterias a sul do Tejo.

Beresford fê-lo Comandante-Geral da Artilharia em Maio de 1809, o que não foi mais do que o confirmar no antigo cargo de Inspector. No ano seguinte foi promovido a marechal de campo.

Em 1815 foi nomeado para o Conselho de Guerra, e no ano seguinte foi promovido a tenente-general, o que o levou a ser feito Cavaleiro Fidalgo da Casa Real em 1819.

Em 1821 foi eleito deputado às Cortes Constituintes pelo Alentejo, sendo conhecido pela assiduidade nas votações e silêncio nos debates.

Fonte:
Henrique de Campos Ferreira Lima,
O tenente-general José António da Rosa, no 1.º centenário da sua morte (28-XI-1830 - 28-XI-1930,
Separata da Revista de Artilharia, n.º 65, Novembro de 1930,

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Biografia de Frederico Armando, conde de Schomberg

n.     [ 16 de dezembro de 1615 ].
f.      [1 de julho de 1690 ].

Conde de Mértola e mestre de campo general em Portugal, marechal de França, generalíssimo das tropas da Prússia, etc..

Nasceu na Alemanha em 1618, sendo filho de Hans Meynard (ou Armando), conde de Schomberg, marechal do Alto e Baixo Palatinado, etc.. 

Estreou-se na carreira das armas , militando nas fileiras do exército sueco, então ao serviço de Richelieu, e assistiu a diversas batalhas e a quase todas as acções e recontros do período, chamado francês, da guerra dos Trinta Anos. Em 1636 passou ao serviço da França como capitão de uma companhia de cavalos ligeiros, tomou parte na campanha do Franco Condado, acompanhou o marechal de Qantzan à Alemanha, e foi chamado para junto de Henrique de Nassau, que o nomeou seu lugar-tenente. Voltando depois à França, em 1650, comprou o lugar de capitão da companhia dos guardas escoceses, e daí a dois anos foi feito marechal de campo. Entrou em diversos combates na guerra da Fronda; serviu às ordens de Turenne com o posto de tenente general, foi governador da praça de Saint-Julien, que defendeu em 1657; assistiu à batalha das Dunas e ao cerco de Dunquerque, e em 1660 veio para Portugal com uns 600 companheiros, a maior parte oficiais de cavalaria, artilharia e engenharia, para tomar parte na guerra da Restauração. 

Como é sabido, o cardeal Mazarin, ajustando a paz dos Pirinéus, abandonou vergonhosamente a causa da nossa independência, e por isso o conde de Soure, embaixador português na corte de França, recebeu ordem de voltar apressadamente à pátria, afim de evitar a afronta de o mandarem sair. Segundo as instruções que recebeu do governo, devia tratar apenas de aliciar particularmente o maior número de bons oficiais e um general hábil, embarcando para Lisboa logo que tivesse cumprido esta missão. Para o conseguir foi o nosso diplomata muito auxiliado pelo marechal de Turenne, que lhe indicou oficiais que tinham servido debaixo das suas ordens, entre outros o coronel Jeremias, Jovet, e o general conde de Schomberg, que mais facilmente podia tomar o serviço de Portugal, porque apesar de ter militado nos exércitos franceses era alemão de nascimento. Esta negociação foi conduzida secretamente em casa do duque de Albrect, rapaz de dezanove anos e sobrinho de Turenne, em cuja casa este escondido o conde de Soure. A 29 de outubro de 1660 embarcou finalmente no Havre o nosso diplomata acompanhado do conde de Schomberg e dos oficiais que vinham servir nos exércitos portugueses, e a 11 de novembro seguinte chegavam ao porto de Lisboa. Não foi isto muito bem visto pelos generais portugueses, e principalmente pelo marquês de Marialva, que se ufanava da sua vitória das Linhas de Elvas. 

A 17 de dezembro foi o conde de Schomberg nomeado para o posto de mestre de campo general da província do Alentejo, com o soldo de mil cruzados por mês, na forma que tinha sido contratado em França pelo conde de Soure, partiu pouco depois para essa província, cujo governo supremo havia sido dado ao conde de Atouguia. No ano imediato as operações militares nessa fronteira foram de pouca importância, mas o conde de Schomberg deixou ali assinalada a sua presença pelos esforços que fez para o nosso exército adoptar o hábito de marchas de costado, que já se usava na Europa, mas era cá desconhecido, para acabar com os privilégios que certos terços gozavam de formarem na vanguarda ou em determinados postos e para introduzir na formatura e disciplina das nossas tropas melhoramentos e princípios que lhe facilitassem a vitória. Essas novidades foram mal aceites, custaram muito a ser seguidas, e os chefes superiores levados de ciúme eram os primeiros a fazerem oposição às ideias do conde de Schomberg. Daí resultaram ao oficial estrangeiro vários desgostos que ele suportou sem quebra de zelo, e continuou a servir sempre com igual valor e actividade, ainda depois de ver o marquês de Marialva substituir o conde de Atouguia, faltando assim o  governo à promessa que fizera de lhe dar o mando superior do Alentejo. 

Na campanha de 1662 também o conde de Schomberg teve ocasião de se assinalar, porque foram de pouca monta as operações realizadas pelo nosso exército no Alentejo, e alguns sucessos infelizes, que ali sofremos, podem até certo ponto atribuir-se à turbação produzida no ânimo do marquês de Marialva pela ideia de que um general estrangeiro podia murchar-lhe os louros da sua vitória das Linhas Elvas. Durante todo esse ano, apesar da má vontade do chefe, prosseguiu o conde de Schomberg no intento de melhorar a disciplina do exército e na marcha de Elvas para Estremoz, em que o marquês de Marialva desprezou as indicações do conde, se não estivesse cego pelo ciúme, poderia reconhecer a vantagem de seguir à risca o que propunha para as marchas do homem que militara largos anos nas fileiras dos exércitos bem organizados e adestrados. 

Em 1663 foi o conde de Vila Flor, D. Sancho Manuel, encarregado do governo das armas do Alentejo, e com esse parece terem subido de ponto as desinteligências com Schomberg, porque, segundo consta, mais de uma vez esteve este último para se retirar para França, sendo preciso todo o zelo do general D. Luís de Menezes para que os dois generais se reconciliassem, e quando o exército saiu de Estremoz para Évora, o plano de campanha foi estabelecido com perfeito acordo dos dois. Ao chegarem a Évora Monte e serem informados da queda de Évora, tiveram os nossos de modificar o projecto traçado, e o exército português marchou rapidamente contra D. João de Áustria para ver se conseguia surpreendê-lo. Quando as nossas tropas chegaram quase perto dos castelhanos, ainda uma pequena pendência se levantou entre Vila Flor e Schomberg, porque estando já próxima a noite, queria este último que o exército a passasse a noite em ordem de batalha e aquele que a passasse à vontade cobrindo-se com os carros. Schomberg, que conhecia por experiência os inconvenientes de ter de formar as tropas na presença do inimigo, insistiu e como todos os oficiais o apoiassem, Vila Flor cedeu, e desde então foi o mestre de campo general sempre o encarregado de escolher as posições que o exército devia ocupar desempenhando-se admiravelmente dessa incumbência. Não tardou a dar-se a batalha do Ameixial, em que as nossas  tropas ficaram vencedoras (V. Ameixial). Ainda durante a campanha, o mestre de campo general conde de Schomberg, no cerco de Évora, teve ensejo de revelar os seus conhecimentos militares nos entrincheiramentos militares que levantou para cobrir o exército sitiador, e depois quando o marquês de Marialva e o conde de Vila Flor regressaram a Lisboa, ficou à testa do governo militar do Alentejo até ser no ano seguinte nomeado para esse importante posto o marquês de Marialva. Todos os generais portugueses se mostravam ciosos do conde, mas principalmente o marquês de Marialva. Além disso, Schomberg irritou-se deveras por lhe não darem o comando dizendo que no contrato que fizera, vindo para Portugal, se lhe assegurara que servia unicamente debaixo das ordens do conde de Atouguia para se não demitir o general que estava comandando quando ele veio, e que  tendo cedido já duas vezes do seu direito para não suscitar embaraços ao governo, considerava ofensiva a persistência em não lhe darem o comando. Ninguém se atrevia a dizer-lhe a verdade, que era não haver general português que se prestasse a servir debaixo das suas ordens. Aceitavam-no como mestre de campo general, exercendo muitas vezes na sombra o verdadeiro comando, mas queriam que pertencesse a um compatriota o título de general em chefe. 

Em 1664 o marquês de Marialva foi o mais exigente, o que ainda mais desesperou Schomberg, não o aceitando nem para mestre de campo general, sendo preciso que se criasse para ele um novo posto, comandante das tropas estrangeiras ao serviço da coroa portuguesa, mas felizmente aplanaram-se no princípio do ano imediato, e em Junho de 1665 o marquês de Marialva e o conde de Schomberg podiam repartir equitativamente a glória da batalha de Montes Claros, porque se o primeiro sustentou inabalável à frente da segunda linha o ímpeto do inimigo, e se reconhecendo com segurança e rapidez o enfraquecimento da esquerda correu a suportá-la, ao conde de Schomberg se deve a boa formatura com que as nossas tropas marchavam e a presteza com que fazendo passar a cavalaria quase toda da esquerda à direita, pôde oferecer uma importante massa às cargas dos esquadrões castelhanos ( V. Montes Claros). Em 1666 obteve afinal o conde de Schomberg o governo das armas do Alentejo. A Guerra da Restauração ainda se alongou até 1668, mas sem grande calor nem feitos dignos de menção, e concluída a paz voltou o conde de Schomberg para a França, onde recebeu em 1674 o comando do exército da Catalunha, sendo elevado a marechal de França no ano seguinte.

Informação retirada daqui



terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Biografia de D.Rodrigo de Sousa Coutinho, 1.º conde de Linhares

n.      4 de agosto de 1745.
f.       26 de janeiro de 1812.

Senhor de Paialvo, grã-cruz das ordens de Avis e da Torre e Espada, conselheiro de Estado, notável diplomata, etc. 

Nasceu em Chaves a 4 de agosto de 1745, faleceu no Rio de Janeiro a 26 de janeiro de 1812, sendo filho de D. Francisco Inocêncio de Sousa Coutinho e de D. Ana Luísa Joaquina Teixeira. Era irmão de D. Domingos António de Sousa Coutinho, conde e marquês do Funchal (V. este titulo). 

Seguindo a carreira diplomática, foi ministro plenipotenciário e enviado extraordinário em Turim, sendo depois chamado a Portugal em 1795, quando faleceu Martinho de Melo e Castro, para o substituir na pasta do ministério da marinha, em que prestou relevantes serviços, continuando a obra de reorganização encetada por aquele ministro criando o corpo de engenheiros construtores e a junta da fazenda de marinha. 

Depois, por morte do marquês de Ponte de Lima, foi nomeado presidente do Real Erário. O seu ministério ficou celebre pelo grande impulso que deu ás ciências desenvolvendo os trabalhos geodésicos, mandado Alexandre Rodrigues Ferreira fazer viagens botânicas no Brasil; mandou tentar a travessia da África de leste a oeste por Lacerda de Almeida, etc. 

Sendo demitido como partidário da aliança inglesa, quando o ministro francês, o general Lannes, aqui exerceu grande influência, emigrou para o Brasil com a família real, e apenas chegou ao Rio de Janeiro foi nomeado ministro dos negócios estrangeiros e da guerra. Também exerceu os cargos de inspector-geral do Gabinete de História Natural e do Jardim Botânico da Ajuda; da Biblioteca Pública de Lisboa; presidente do conselho de Fazenda e da Junta económica, administrativa e literária da Impressão Regia; da Junta da direcção geral dos provimentos de boca para o exército, da Junta do pagamento do novo empréstimo ao Erário Régio; presidente honorário da Sociedade Real Marítima; sócio honorário da Academia Real das Ciências de Lisboa. O título foi concedido por decreto de 17 de dezembro de 1808. O conde de Linhares era muito erudito, muito versado nas ciências naturais e políticas. 

Publicou somente, segundo consta, uma Memória sobre a verdadeira influencia das minas dos metais preciosos na industria das nações, especialmente na portuguesa; foi inserta no tomo I das Memórias Económicas da Academia Real das Ciências. 

O brasão de armas consta do seguinte: um escudo esquartelado; no primeiro quartel as armas dos Sousas Chichorros ou de Arronches; as armas do reino com um filete preto em contrabanda, que não chegue à orla, e passe por baixo do escudinho do meio; no segundo as armas dos Coutinhos; em campo de ouro cinco estrelas de vermelho com cinco pontas cada uma.

Informação retirada daqui




domingo, 7 de janeiro de 2018

Biografia de Francisco Borja de Garção Stockler, barão da Vila da Praia

n.      25 de setembro de 1759.
f.       6 de março de 1829.

Fidalgo cavaleiro da Casa Real; do conselho do rei D. João VI, comendador da Ordem de Cristo, tenente-general do exército, secretário e conselheiro do Conselho Ultramarino, governador do Algarve, governador e capitão general dos Açores; secretario das imediatas resoluções do rei relativas ao exército; membro da Junta do Código Criminal Militar, e da Junta convocada para a formação do projecto da Carta Constitucional em 1823; lente de matemática na Academia Real de Marinha de Lisboa; deputado da Junta de Direcção da Academia Militar do Rio de Janeiro, secretário da Academia Real das Ciências de Lisboa, sócio da Sociedade Real de Londres, etc. Nasceu em Lisboa a 25 de setembro de 1759, faleceu no Algarve a 6 de março de 1829. Era filho de Cristiano Stockler, natural de Lisboa, cavaleiro da Ordem de Cristo, e de sua mulher, D. Margarida Josefa Rita de Orgiens Garção de Carvalho. 

Seu avô, Cristiano Stockler era natural de Hamburgo, homem de negócios estabelecido em Lisboa nos princípios do século 18. Tendo escolhido a carreira militar, foi depois matricular-se na faculdade de matemática na Universidade de Coimbra em 1784, quando já contava vinte e cinco anos de idade. Tomando o grau de bacharel nessa faculdade, foi nomeado lente da Academia Real de Marinha. Nomeado sócio da Academia Real das Ciências pouco depois, foi a academia que em 1791 mandou publicar a sua primeira obra, que era um Compendio da teoria dos limites, ou introdução ao método das fluxões. Dedicou-se com grande ardor a trabalhos académicos; e nos tomos I e II das Memórias da Academia publicou as seguintes obras: Memórias sobre os verdadeiros princípios do método das fluxões; a Demonstração do teorema de Newton sobre a soma das potências das raízes das equações; a Memória sobre as equações de condição das funções fluxionaes; a Memória sobre algumas propriedades das coeficientes dos termos do binómio de Newton. Nomeado secretário da Academia proferiu sucessivamente os elogios históricos de Pascoal José de Melo Freire dos Reis, de José Joaquim Soares de Barros e Vasconcelos, de Roberto Nunes da Costa, de Martinho de Melo e Castro, de Bento Sanches de Orta, e de Guilherme Luís António de ValIeré. De todos. estes discursos só foi publicado em separado, o elogio de Pascoal José de Mello, que saiu em 1799, sendo mais tarde reimpresso no tomo II das obras do autor os outros, juntamente com o elogio de Alembert, que pode dizer-se que apenas se limita a ser a tradução do elogio escrito por Condorcet, com uma Memória destinada a provar a originalidade dos descobrimentos portugueses no século 15, com uma, carta a Mr. Felkel acerca do seu método para determinar os factores dos números naturais, constituíram o 1.º volume das obras completas de Stockler publicado em 1805. No ano de 1800 publicara ele em francês: Lettre a Mr. le Redacteur du "Monthly Review"; ou réponse aux objections qu'on a faites dans ce journal à la methode des limites des fluxions hypothétiques. 

Em 1801 foi Stockler chamado a servir em campanha debaixo das ordens nominais do duque de Lafões, mas deu nessa infeliz campanha, como é notório, os mais tristes documentos da sua ciência militar: Apesar disso não deixou de ser nomeado membro do Conselho Ultramarino e membro da Junta do Código Criminal Militar. Em 1807 era ainda secretário da Academia, quando Junot invadiu o reino. Não se mostrou Stockler muito avesso ao novo domínio, desejou sobretudo de conservar os seus postos e rendimentos, e tendo a Academia eleito para seu sócio honorário o general Junot, recusando-se contudo a nomeá-lo seu presidente, como parece que Stockler desejava, apesar de se ter associado à manifestação contraria que se fez no seio da Academia, foi nomeado para ir apresentar o diploma ao conquistador, fazendo lhe nessa ocasião um discurso laudatório. Encarregara-o o mesmo Junot do comando da bateria de Areia, cujo fogo impediu vários navios portugueses de se irem juntar à esquadra que levava para o Brasil a família real. Estas provas de confiança do general francês, o valimento de que gozava junto dele, e a desgraçada missão académica, de que foi incumbido, não contribuíram pouco para a animadversão que o governo português lhe mostrou, logo que os franceses evacuaram Portugal. A regência privou o de todos os seus cargos, e o conde de Linhares, ministro do príncipe regente no Brasil, em resposta a um requerimento de Stockler, que já então era brigadeiro, fulminou-o com o seguinte oficio dirigido ao patriarca presidente da regência, a pedir-lhe que informasse acerca do requerimento: 

"Ex.mo e rev.mo sr. Tendo levado à augusta presença de S. A. R. o príncipe regente nosso senhor a carta inclusa e mais papeis do brigadeiro Francisco de Borja Garção Stockler, cujos talentos militares verificados na campanha de 1801, são assaz constantes ao mesmo senhor, em cuja real presença é além disto mui pouco acreditado pela missão em que foi mandado a Junot, e depois pelo comando da bateria da Areia junto à torre de Balem, donde barbaramente fez atirar sobre navios portugueses, que se faziam à vela para saírem do Tejo; contudo S. A. R. ouvindo os sentimentos da sua incomparável justiça e piedade, é servido que os governadores do Reino informem, interpondo o seu parecer e depois de ouvir o marechal general ou o marechal do exército se haverá algum lugar activo em face do inimigo, onde o suplicante possa ser empregado, e neste caso o proponham para esse posto, afim de que se verifique se ele tem realmente grandes talentos militares, ou se nesta matéria como nas outras se avalia muito além do que vale; o que é assaz conhecido quando, como matemático, quis associar-se ao tão justamente célebre Lagrange. Palácio de Santa Cruz em 25 de Novembro de 1809. Conde de Linhares."

Este ofício irónico mostra os ódios profundos com que Stockler tinha de lutar. Entretanto, contudo era promovido a marechal de campo, provavelmente porque lhe competia por antiguidade. 

José Acúrcio das Neves publicava então a sua Historia geral da invasão dos franceses, e como ali se referia dum modo desagradável à campanha de 1801, Stockler respondeu-lhe numa obra intitulada Cartas ao autor da Historia Geral da invasão dos franceses em Portugal. Eram 9, e Stockler apresentou-as em 1811 à Academia, mas esta não as quis mandar imprimir: Como José Acúrcio também tratava na sua História do caso da escolha de Junot para sócio honorário da Academia, Stockler trocou com ele várias cartas particulares, protestando contra o papel que José Acúrcio lhe atribuía. A correspondência a que este. caso deu lugar foi publicada por Stockler no Investigador Português. Em 1812 partiu Stockler para, o Rio de Janeiro, e por tal modo se insinuou nas boas graças do príncipe regente, que não só conseguiu que lhe fossem restituídos todos os cargos de que a regência o esbulhara, mas foi nomeado ainda governador e capitão-general dos Açores. Durante a sua estada no Rio de Janeiro imprimiu ali, em 1813, as referidas cartas que a academia em 1811 se recusara a publicar. Achava-se no Brasil, quando por morte da rainha D. Maria I, o príncipe regente foi aclamado rei; e em nome da Academia escreveu um Discurso dirigido em nome da Academia Real das Ciências a S.M. o Senhor D. João VI, por ocasião da sua exaltação ao trono; foi publicado no tomo VI, parte I das Memórias da Academia. Regressando à Europa para ir tomar posse do governo dos Açores, imprimiu em Paris no ano de 1819, o seu Ensaio histórico sobre a origem e progressos das matemáticas em Portugal, obra de que os críticos falaram com muito louvor, entre eles José Silvestre Ribeiro na Resenha de Literatura Portuguesa, tomo I, pág. 16 e seguintes. Nos Anais das Ciências, das Artes e das Letras, no tomo V, pág. 138 a 156, também vem um extenso e elogioso artigo. 

Em 1821 mandou imprimir em Londres as suas Poesias líricas, constando o volume de dezoito odes horacianas, doze salmos traduzidos, duas epístolas, etc., e um canto dum poema filosófico, as Aves, que fora principiado pelo grande poeta brasileiro Sousa Caldas, mas que Stockler refundiu e aumentou muito. Além disso, há também no volume uma larga dissertação sobre o ritmo e a poesia hebraica. Este volume fora por Stockler submetido à censura da academia para ser por ela mandado publicar. Encarregou-se de dar parecer a esse respeito o dr. frei Patrício da Silva, que depois foi cardeal patriarca, e este veio com uma censura em que mostrou, que na dissertação acima indicada se aventavam ideias paradoxais, e princípios menos ortodoxos, e que careciam de correcção. O parecer era datado do convento da Graça, de 28 de maio de 1819. Stockler não quis conformar-se com este parecer, que a Academia aprovara, e retirando o seu manuscrito, mandou o depois imprimir em Inglaterra, sem lhe fazer a menor alteração. As Poesias líricas foram efectivamente condenadas, mais tarde, em Roma, por decreto da Sagrada Congregação do Index de 23 de junho de 1836, como pode ver se no Index librorum prohibitorum, da edição de 1854. Havia rebentado em Portugal a revolução de 1820, e chegava aos Açores a noticia. Sotckler aproveitou a ocasião para dar penhores da sua fidelidade ao regime absoluto, já que fora acoimado de jacobino por causa da sua subserviência a Junot. Efectivamente não quis proclamar o regime da revolução. Garrett, moço ainda e estudante de Coimbra, apareceu em Angra nesse tempo, e começou a agitar os espíritos para os sublevar contra Stockler. Este mandou avisar a família de que, se Garrett fizesse a mais leve demonstração política, iria logo para a cadeia. Contudo, chegou a esse tempo a fragata Pérola comandada por Marçal José da Cunha, e este intimou Stockler para que reconhecesse o governo liberal. Stockler insurgiu-se contra a intimação e resistiu, mas não encontrou o apoio que esperava na população, e foi mandado preso para Portugal, organizando-se na Terceira um governo provisório. Mandou-lhe o governo instaurar processo, e deu isso lugar a longos debates pela imprensa, escrevendo Stockler um Memorial dirigido ao Ill.mo sr. Luís Manuel de Moura Cabral, desembargador da Casa da Suplicação, etc., ilustrado com algumas notas, Lisboa, 1822; e além disso, muitas obras que assinava com pseudónimos ou a que punha o nome do filho, António Nicolau de Moura Stockler, que então contava apenas dezassete anos de idade. Essas obras são Cartas, (1.ª, 2.ª e 3.ª) sobre os acontecimentos da ilha Terceira, por um Cidadão imparcial; a Nota ao n.º 75 do Campeão Lisbonense por um Amigo do general; Observações ou notas ilustrativas do folheto intitulado «Voz da Verdade provada por documentos»; Carta sobre o n.º 2 do folheto intitulado a «Voz da Verdade», etc ; Analise critica ao libelo famoso intitulado «Noticia resumida dos acontecimentos da ilha Terceira na instalação do seu governo constitucional», tudo isto com o nome de seu filho. Finalmente o próprio, general respondeu com o seu nome num folheto a umas Notas escritas por Vicente José Ferreira da Costa, a um ofício que ele dirigira ao conde dos Arcos, ofício que os seus inimigos publicaram em 1823. Estas questões e o processo terminaram com a queda do governo constitucional em 1823, ficando o comportamento de Stockler ilibado à face da lei, pois se tornava em acção meritória o que até então lhe imputavam como delito. Foi novamente nomeado governador dos Açores, como capitão-general, sendo também agraciado com o título de barão da Vila da Praia, por decreto de 29 de setembro de 1823. Pouco tempo se demorou nos Açores. Em 1825 voltou para Portugal, e ofereceu à academia a sua obra Método inverso dos limites ou desenvolvimento das funções algorítmicas. Ainda desta vez o parecer académico foi muito desfavorável à publicação da obra. Era a terceira vez que o desfeiteavam assim. Stockler então irritou-se, mandou à academia a demissão de sócio, e imprimiu a obra por sua conta. Em 1826 publicou o 2.° volume das suas obras completas, que já principiara a imprimir-se na tipografia académica, saindo o 1.º tomo em 1805, mas fora interrompida a impressão por causa da invasão francesa. Encerra os elogios de D. Tomás Caetano do Bem e de Pascoal José de Melo, o apêndice ás cartas ao autor da Historia da invasão francesa, uma Carta sobre a liberdade de imprensa um Esboço dum plano de Código Criminal Militar, uma demonstração do seu proceder de 1807 a 1812, um projecto sobre o estabelecimento da instrução pública no Brasil, e uma carta a Jacome Ratton. Quase tudo havia já sido publicado Em 1827, finalmente, quando se debatiam em Portugal as questões constitucionais, escreveu Stockler, uns Elementos de Direito Social, ou princípios de Direito natural, que devem servir de base á constituição das sociedades civis. Stockler, como se depreende, foi um dedicado partidário de D. Miguel, que o nomeou governador das Armas na província do Algarve, e no exercício desse cargo faleceu. Além das obras mencionadas, ainda escreveu uma Analise da Memória publicada pelo dr. José Martins da Cunha Pessoa em o n.º LII do Investigador português em Inglaterra, saiu também em nome do filho, sendo publicada em 1816 no Rio de Janeiro; Lição duodécima dos elementos de Geometria, a qual tem por titulo das correlações que existem entre as operações elementares da tecnica geométrica e da tecnica algébrica. Lisboa,: 1819; Breve noticia da vida e obras de Francisco Dias Gomes; saiu no principio das Obras poéticas do mesmo Gomes, mandadas publicar pela Academia; Anotações e aditamentos ás obras do padre António Pereira de Sousa Caldas, impressas em Londres. 

O barão da Vila da Praia casou duas vezes: a primeira, a 3 de janeiro de 1796 com D. Inês Gertrudes de Mendonça e Moura, filha de D. João Francisco de Moura, cavaleiro da Ordem de Cristo e escrivão da Mesa Grande da Alfândega de Lisboa, e de sua mulher, D. Ana Catarina da Silva e Távora; a segunda vez com D. Maria Margarida Stockler, sua sobrinha, filha de António Xavier Sotckler, e de sua mulher D. Rita Inácia de Brito Lambert.

Informação retirada daqui

   


sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Biografia de Tomás de Sousa Rosa

Comandante da 4.ª Expedição a Moçambique 
durante a Primeira Guerra Mundial

Nasceu em Lisboa, em 1 de Março de 1867;
morreu em 4 de Junho de 1929.

Entrou para o exército em 1884, como voluntário, tendo chegado ao posto de capitão em 1905. Com a instauração do regime republicano a sua carreira progrediu rapidamente. Major em 1911 era coronel em 1916. Com esse posto, sendo deputado pelo Partido Democrático, em cujas listas tinha sido eleito em 1915, foi encarregue em meados de 1917 do comando da 4.º expedição a Moçambique para onde partiu em Julho. 

Em Moçambique, na sua única campanha colonial, teve que combater a invasão alemã da província, que aconteceu em Dezembro de 1917. Avançando para Sul, em Junho de 1918 os alemães encontram-se a quarenta quilómetros de Quelimane, depois de terem vencido mais uma vez as forças portugueses no combate de Namacurra, agora reforçadas por forças britânicos. Após este combate Quelimane encontrava-se indefesa, mas os alemães decidiram voltar para Norte. Sousa Rosa aproveitou para pedir a exoneração. O pedido foi aceite e o coronel regressou a Portugal em Julho desse ano. 

Em Portugal foi promovido a general, por escolha, em 2 de Agosto de 1919, quando ocupava o cargo de comandante interino da 6.ª Divisão do Exército, e era deputado pelo Partido Democrático (1919-1925). Com a promoção a general foi transferido para o comando efectivo da 3.ª divisão, que dirigiu até 1923. De 1926 a 1928 foi Inspector superior da Administração do Exército, presidindo ao Conselho de Recursos.

Fontes:
Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Biografia de António Teixeira Rebelo

n.       1748.
f.        5 de outubro de 1825.

Fidalgo da Casa Real, conselheiro, comendador da ordem de S. Bento de Avis, marechal de campo, ministro e secretário de Estado, fundador e primeiro director do Colégio Militar, etc. N. na freguesia da Cumeeira, concelho de Santa Marta de Penaguião, em 1748, fal. em Lisboa a 5 de Outubro de 1825.

Depois de estudar gramática latina e filosofia, alistou se a 27 de Setembro de 1761 como voluntário no regimento de artilharia de Valença, que então se organizara. Em 1780 matriculou-se na Academia de Marinha. onde obteve plena aprovação em todos os anos, ambos os partidos e os mais distintos elogios de todos mestres. Foi promovido a 2º tenente em 1784 para o regimento de artilharia de Faro, do qual passou para o regimento da corte, e nessa época traduziu do inglês o Tratado de artilharia de João Muller, que se imprimiu em 1793, 2 tomos com estampas, sendo adoptado na academia militar, podendo essa versão considerar-se uma obra original pelas correcções e aditamentos que lhe fez Teixeira Rebelo. 

Tendo no último dos regimentos indicados ganho por oposição todos os postos até ao de major, em 1792, foi nomeado comandante da artilharia das forças que em auxílio do exército espanhol partiram para o Rossilhão, e nessa campanha se distinguiu muito em varias ocasiões, e especialmente na acção de 29 de Maio de 1794, concorrendo eficazmente para a vitória alcançada, pelas posições difíceis que tez ocupar à artilharia. Sendo já tenente-coronel graduado, passara em 1793 à efectividade desse posto. Foram relevantíssimos os serviços prestados por este oficial na guerra contra os soldados da república francesa, já estabelecendo e regularizando a administração dos hospitais, já cuidando no provimento dos transportes para os parques e, quase no fim da luta, a seu pedido, obteve autorização do governo de Madrid para, nos estabelecimentos de Barcelona, fundir peças e construir reparos e palamentas para substituir o material da nossa artilharia, que fora perdido pelo exercito espanhol. 

Aproveitando essa ocasião. que se oferecia, tirou dos arquivos desses estabelecimentos fabris os planos que julgou convenientes para o progresso da artilharia entre nós, e regressando à pátria, depois de finda a campanha, foi em 1796, já em coronel graduado, nomeado comandante do parque de artilharia que nesse ano devia acompanhar o exército de observação do Alentejo. No fim de 18 meses desse importante comando, foi encarregado de melhorar a fortificação de Abrantes, e logo em seguida de dirigir a reedificação da praça de Cascais e de todos os fortes marítimos desde o de Santo António da Barra até ao do Cabo da Roca, e nesse serviço se empenhou com toda a sua costumada actividade e inteligência despendendo até de seu bolso algumas somas para mais depressa realizar as obras que julgava necessárias. No meio desses trabalhos que só por si seriam bastantes para ocupar deveras qualquer outro homem, encontrou ainda Teixeira Rebelo tempo para fazer um reconhecimento de terreno e costas adjacentes à praça de Cascais, propondo em vista dele um plano de defesa contra o ataque dum inimigo que desembarcasse naquelas proximidades. 

Quando em 1801 se tratou de preparar o nosso exercito para resistir à agressão da Espanha, foi Teixeira Rebelo incumbido do estabelecimento de parques volantes e de reserva, da construção e organização dum depósito geral, e da criação, organização e instrução das companhias de artilharia montada, arma até então desconhecida no nosso país. Em 1802 foi promovido a coronel efectivo, e fazendo parte da Sociedade Real Marítima, foi em 1803 encarregado de organizar a instrução para a manobra das peças de todas as qualidades e calibre, nomeado membro da comissão do Código Penal Militar; em 1804 foi escolhido para dar parecer sobre a nossa pólvora e sobre o alcance das peças e resistência dos reparos de nova construção; em 1807 teve a promoção de brigadeiro, e depois, em 1808, desempenhou varias comissões importantes, mas o principal título de glória de Teixeira Rebelo foi a criação do Colégio Militar, em 1803, que teve princípio com o título de Colégio da Feitoria, ou Colégio Regimental da Artilharia da Corte, que depois tornou a denominação de Colégio Militar, sendo Teixeira Rebelo nomeado em 1818 seu director. Desde então o seu constante pensamento, até falecer, foi o progresso e o desenvolvimento daquele  estabelecimento de tão grande utilidade. (V. Real Colégio Militar, no Portugal, vol. VI, pag. 105 e seguintes). 

Em 1821 foi Teixeira Rebelo promovido a marechal de campo, e sendo chamado a exercer o cargo de ministro e secretário de estado dos negócios da guerra, esteve na gerência dessa pasta desde 1 de Fevereiro de 1821 até 8 de Setembro do mesmo moer. Deixando o ministério voltou ao exercício do cargo de director do Colégio Militar, até que faleceu. Aquele estabelecimento no ano seguinte à morte. em homenagem à sua memoria, colocou o seu retrato numa das suas salas, pronunciando-se naquela cerimónia solene um Artigo necrologico, que foi impresso, e no qual se lêem estas palavras: “A memória do Sr. António Teixeira Rebelo justamente será duradoura no Real Colégio Militar como a memória do homem a quem ele deve os princípios da sua existência; e o monumento simples que ali hoje se lhe erige, é um tributo devido ao seu reconhecimento e não um estímulo necessário à sua lembrança.» 

Teixeira Rebelo era sócio da Sociedade Real Marítima Militar e Geográfica, onde apresentou os seguintes trabalhos: Memoria sobre a necessidade de levantar cartas topographicas e formar memorias em que se dê conta em detalhados terrenos relativamente aos movimentos militares; Memoria em que se dá uma ligeira ideia das serras, cordilheiras e terrenos irregulares e se arbitra a sua classificação e nomes. À mesma sociedade além destes trabalhos, apresentou ainda o Tratado de artilharia, de Muller, já citado, e elaborou a Instrução geral, ou escola de serviço braçal da arma de artilharia, mandada organisar por ordem de Sua Majestade, em 1819.

Informação retirada daqui 

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Biografia de António Teixeira Rebelo

n: 1748, na freguesia da Cumieira, Concelho de Santa Marta de Penaguião (Portugal)
m: 5 de Outubro de 1825 em Lisboa (Portugal)

Alistou-se em 1764 no Regimento de Artilharia de Valença, como era conhecido na altura o regimento de Artilharia do Porto, após ter realizado estudos de Gramática Latina e Filosofia. Em 1784 foi promovido a 2.º Tenente do Regimento de Artilharia de Faro, ou do Algarve, após ter concluído o curso da Academia de Marinha, sendo transferido em 1786 para o Regimento de São Julião, ou da Corte.

Em 1793 publicou a tradução do Tratado de Artilharia, de John Muller, obra que foi adoptada pela recém fundada Academia de Fortificação, sendo já Major do Regimento, posto a que chegou, como os anteriores, por meio de exames entre os candidatos, ou como se dizia naquele tempo por oposição. Em 1795 foi nomeado comandante da 2ª divisão de Artilharia da Divisão Auxiliar que foi enviada para o Rossilhão. Distinguiu-se em campanha, sobretudo na acção de 29 de Maio de 1794, ..., mas também na resolução de problemas logísticos. Durante a expedição sofreu bastante às mãos do grupo aristocrático dirigido pelo marquês de Alorna, mas sobretudo às mãos de Gomes Freire de Andrade e Sepúlveda, que o desprezavam por ser de condição social baixa. Graduado em tenente coronel, foi promovido a efectivo em 1793.

Regressado a Portugal com a divisão, foi nomeado comandante do parque da artilharia do Exército de Observação concentrado no Alentejo em 1796 e 1797. Mais tarde foi encarregue de dirigir as obras de melhoramento das fortificações de Abrantes, e a seguir as de Cascais e de todos os fortes marítimos de defesa da barra de Lisboa e da costa, desde o de Santo António da Barra até ao Cabo da Roca, realizando nessa época também o reconhecimento dos territórios adjacentes à fortaleza de Cascais.

Em 1801 foi nomeado novamente comandante dos parques do Exército do Sul, «de Entre Douro e Guadiana», que defenderá o país da invasão espanhola dirigida por Godoy, sendo encarregue da organização das duas companhias de artilharia a cavalo levantadas durante essa campanha. Em 1802 foi promovido a coronel efectivo e a comandante do Regimento de Artilharia da Corte, um caso praticamente único no exército português da altura, para um oficial que não pertencia à aristocracia, nem da corte nem da província. Membro da Sociedade Real Marítima, foi encarregado em 1803 da instrução de manobra das peças de todos as qualidades e calibres, sendo também escolhido para a Comissão de revisão do Código Penal Militar, e em 1806 foi nomeado Inspector dos Corpos de Artilharia e promovido a brigadeiro.

Em 1803 criou o Colégio Regimental da Artilharia da Corte, conhecido por Colégio da Feitoria, e que deu origem ao actual Colégio Militar, de que foi nomeado Director em 1813. Em 1821, de Fevereiro a Setembro, ocupou a secretaria de Estado dos Negócios da Guerra, separada desde finais de 1820, da secretaria dos Negócios Estrangeiros.

Informação retirada daqui

domingo, 31 de dezembro de 2017

Avril, Jean-Jacques

n: 11 de Novembro de 1752 em Loudun (França)
m: 19 de Junho de 1839 em Le Bouscat (França)

Alferes das Milícias das Ilhas Maurícias (Ilha de França) em 1775, regressa a França em 1790. Serve no Exército do Oeste que combate os monárquicos franceses (Chouans) chegando a General de Brigada. Em 1800 é enviado para o Exército de Itália. De 1801 a 1807 ocupa postos administrativos no sul de França, sendo nomeado general de brigada no Corpo de Observação da Gironda que invade Portugal. Enviado em Março de 1808 para Estremoz, sob o comando do general Kellermann, é encarregue da repressão do levantamento de Vila Viçosa que ataca no dia 19 de Junho, permitindo que a vila seja posta a saque. Participa na batalha do Vimeiro, regressando a França após a Convenção de Sintra.
Enviado para Espanha, comanda a província de Bilbao até 1810. Em 1813 participa na campanha da Alemanha, distinguindo-se na batalha de Lutzen. Enviado para Hamburgo, regressa a França depois da queda do Império. Recusou-se a servir Napoleão Bonaparte durante os Cem-Dias. 


Jean Tulard e outros,
Histoire et Dictionnaire du Consulat et de l'Empire, 
Paris, Laffont, 1995. 

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

André Rebouças

André Rebouças (1838-1898) foi engenheiro e militar brasileiro. Planejou e construiu as docas da alfândega e da Gamboa no Rio de Janeiro. Serviu na Guerra do Paraguai, no acampamento do General Osório, em São Francisco de Assis, no Rio Grande do Sul. Projetou as docas do Maranhão, de Cabedelo na Paraíba, do Recife e da Bahia. Construiu uma rede de abastecimento de água para o Rio de Janeiro.

André Rebouças (1838-1898) nasceu em Cachoeira, província da Bahia, no dia 13 de janeiro de 1838. Filho do advogado Antônio Pereira Rebouças, eleito deputado pela Bahia, ao Parlamento Imperial. Franzino e raquítico, passou os primeiros anos de vida quase sempre doente. André e seu irmão Antônio, iniciaram os estudos no Colégio Valdetaro. Eram amigos inseparáveis.

Em 1849, estudam no Colégio Kopke, em Petrópolis e depois no Colégio Marinho, onde concluem os estudos de geografia, latim e inglês. Em casa estudavam para a Escola Militar. Em 1854, ingressam no curso de Engenharia Militar. Em 1855, os dois irmãos entram como voluntários no Batalhão de Artilharia. Em 1858, concluem o curso de Engenharia Militar e recebe os galões de primeiro tenente. Em 1861, recebem uma bolsa de estudos e seguem para Europa, para cursos de especialização. De volta ao Brasil, André escreve "Memórias sobre os Caminhos de Ferro da França" e junto com o irmão escreve "Estudos sobre Portos de Mar".

Com dificuldades para conseguir emprego, só em 1863, o Ministro de Guerra, Polidoro Quintanilha contrata André para inspecionar as fortificações do Litoral Sul. Segue depois para o Maranhão, para reforma do porto. Tinha planos de construir diques no Rio de Janeiro e instalar uma linha telegráfica entre Parnaíba e Cabedelo, mas seus projetos não tiveram o apoio desejado.

Com o início da Guerra do Paraguai, André volta ao Rio de Janeiro em 1865. Sugeriu ao Ministro de Obras, a construção de uma estrada desde o Paraná até a zona de Combate, mas não foi ouvido. Nesse mesmo ano parte para a guerra. O seu destino era o acampamento do General Osório, em São Francisco de Assis. Aos poucos vai se tornando um oficial conceituado. É contra o bombardeio de Uruguaiana, tomada pelos paraguaios. O Conde d'Eu é favorável à sua tática. Inicia-se assim uma longa amizade entre o engenheiro e o Conde d'Eu.

André Rebouças adoece com pneumonia em 1866, e ainda em tratamento luta em defesa do acampamento de Tuiuti, bombardeado pelos paraguaios. Em 16 de julho do mesmo ano é atacado pela varíola. Volta ao Rio de janeiro. Nessa época morre sua mãe. Pede baixa do Exército e inscreve-se no concurso para lecionar hidráulica na Escola Central. Quem assume a vaga é Borja Castro. Tenta dar aulas no Pedro II mas não consegue o emprego.

Em outubro de 1866, é nomeado engenheiro da alfândega e dirige a construção das docas do Rio de Janeiro. Em 1871, Rebouças é demitido, recebe 200 contos de réis, e em seu lugar assume Borja Castro. Rebouças é agora gerente de uma companhia particular. Em 1872, vai para a Europa. Visita Portugal, Madri, Paris e em dezembro chega à Itália onde encontra-se com Carlos Gomes, assiste seus ensaios da ópera O Guarani. É convidado para padrinho do filho de Carlos Gomes e Adelina Peri.

Continua sua viagem, volta a seus estudos, vai para Londres e Nova York, onde chega em 1873. Tem dificuldade de conseguir hotel e conclui que é por causa da cor de sua pele. É impedido de assistir o espetáculo no Grand Opera House. Nesse ano morre seu irmão Antônio. Em 1880, morre seu pai. De volta ao Brasil, assume o cargo de professor na Escola Central. Integra a Campanha pela abolição, junta-se a Nabuco, Patrocínio e outros.

Depois da abolição veio a república, Rebouças sentia admiração e respeito por D. Pedro II, junta-se à família real e embarca para Europa. O Imperador elogia os fieis amigos e menciona o ilustre Engenheiro. Em 1891, com a morte do Imperador, embarca para a Africa. Desespera-se com a fome na África. Muda-se para Funchal, na Ilha da Madeira, onde começa a dar aulas. Em 1896, recusa um convite de Taunay para voltar e reassumir o cargo de professor, havia muitas recordações desagradáveis.

André Pinto Rebouças morre em Funchal, na ilha da Madeira, no dia 9 de maio de 1898.

Notícia retirada daqui
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