sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Biografia de François Kellermann

Kellermann, François-Étienne
Conde, Marquês e Duque de Valmy
n: 4 de Agosto de 1770 em Metz (França)
m: 2 de Junho de 1835 em Paris (França)

Filho do marechal do império Kellermann, 1.º duque de Valmy, entrou no exército ao quinze anos. Fez parte da embaixada francesa nos Estados-Unidos da América de 1791 a 1793. Regressado a França é nomeado ajudante-de-campo do pai durante o cerco de Lyon, em revolta contra a Convenção, sendo preso com o seu pai, quando este se opõe às ordens dos representantes em missão jacobinos.
Em 1795 é readmitido ao serviço e enviado para o Exército de Itália. Participa nas batalhas de Arcole e Rivoli, e no cerco de Mântua. Ferido na passagem do Tagliamento, é encarregue pelo general Bonaparte, de levar as bandeiras apresadas ao inimigo ao governo, o que era uma prova importante de favor. General de Brigada em 1797 ilustra-se novamente em Itália durante a Guerra da 2.ª Coligação, ocupando Nápoles em Janeiro de 1799. Em 1800 faz parte do Exército de Reserva, que sob o comando do primeiro cônsul Bonaparte reconquista a Itália. Comandante de uma brigada de cavalaria em Marengo a sua carga no final do dia decide a batalha, e dá-lhe os galões de General de Divisão.

Comandante da divisão de cavalaria do 1.º corpo de exército do marechal Bernadotte, participa na campanha da Alemanha de 1805 sendo ferido em Austerlitz.

Nomeado comandante da cavalaria do Corpo de Observação da Gironda, ocupa Lisboa em Novembro. Em Março é enviado para o Alentejo, quando a divisão de Solano se retira para Badajoz, encarregue de restabelecer as comunicações entre Lisboa e Madrid quando começa a revolta em Espanha. Chamado a Lisboa em Maio, participa na Batalha do Vimeiro, sendo o general francês que negoceia a Convenção de Sintra.

Enviado para Espanha permanece no país até 1811, sendo reformado devido a ser considerado culpado de requisições abusivas e banditismo, o que já tinha caracterizado também a sua actuação em Portugal. Chamado ao activo em 1813, distingue-se nas batalhas de Lutzen, Bautzen e Dresde, durante a Campanha da Alemanha, e na batalha de Bar-sur-Aube em 1814 durante a Campanha de França.

Apoia Napoleão durante os Cem Dias, sendo ferido na batalha de Waterloo, ao participar na grande carga de cavalaria. Durante a 2.ª Restauração é autorizado a usar o título de Marquês de Valmy e mais tarde o de Duque, sendo feito Par do Reino. 

Fonte:
Jean Tulard e outros,
Histoire et Dictionnaire du Consulat et de l'Empire, 
Paris, Laffont, 1995. 

Biografia retirada daqui

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Onde estão sepultados cada um dos Reis de Portugal?


Onde estão sepultados os Reis de Portugal? Estamos habituados a pensar que Portugal tem apenas um panteão nacional, na Igreja de Santa Engrácia, em Lisboa. Mas na realidade não é bem assim. Em Portugal existem como também como panteões nacionais os mosteiros de Santa Cruz em Coimbra, o mosteiro de Alcobaça, o mosteiro da Batalha, o mosteiro dos Jerónimos e o mosteiro de São Vicente de Fora. De um modo geral, a eles estão associadas dinastias reais.

Panteão Nacional
A dinastia Afonsina (de Borgonha) é a dinastia cujos Reis têm as suas sepulturas mais dispersas: No mosteiro de Santa Cruz em Coimbra estão D. Afonso Henriques e D. Sancho I; O mosteiro de Alcobaça alberga D. Afonso II, D. Afonso III e D. Pedro I; O rei D. Sancho II estará eventualmente sepultado na catedral de Toledo, tendo resultado infrutíferas as tentativas efectuadas para uma sua comprovação; O rei D. Dinis tem a sua sepultura no convento de Odivelas;  Os restos mortais do rei D. Afonso IV estão na Sé de Lisboa; O corpo do rei D. Fernando I encontra-se no Convento do Carmo, em Lisboa, apesar de inicialmente ter estado na igreja de São Francisco em Santarém.

Mosteiro de Alcobaça
A Dinastia de Avis (rei D. João I ao cardeal-rei D. Henrique) tem as suas sepulturas divididas pelos mosteiros da Batalha: D. João I, D. Duarte, D. Afonso V e D. João II; e dos Jerónimos: D. Manuel I, D. João III, D. Sebastião, D. Henrique.

Mosteiro da Batalha
A dinastia de Bragança (D. João IV a D. Manuel II) tem as sepulturas dos seus Reis no designado Panteão Nacional na igreja de S. Vicente de Fora, com excepção de D. Pedro IV cujo corpo se encontra em São Paulo no Brasil e de D. Maria I com sepultura na basílica da Estrela em Lisboa.

Mosteiro dos Jerónimos
Entre D. Afonso Henriques, que se proclamou rei em 1139, e D. Manuel II, destituído em 1910 após a revolução republicana, Portugal conheceu quatro dinastias em quase 800 anos de história. Curiosamente, nenhum dos Reis portugueses está sepultado no Panteão Nacional localizado na Igreja de Santa Engrácia, em Lisboa.

A razão é simples: 
Salazar visita o monumento em 1964 e terá perguntado ao então responsável pelas obras: “O que é que é preciso para terminar Santa Engrácia?” “É preciso dinheiro e alguém que mande.” Ele disse: “O senhor vai mandar e eu vou-lhe dar o dinheiro.” Assim foi. Em 1966, no 40.º aniversário do regime – fragilizado pela guerra colonial e pela candidatura de Humberto Delgado à presidência -, o Panteão Nacional era inaugurado (tal como a Ponte 25 de Abril, então Ponte Salazar), e terminava o mito das obras de Santa Engrácia, que se transformaram num adágio para tudo o que é moroso na sua finalização. Ou seja… Nenhum Rei está sepultado no Panteão Nacional porque o edifício começou a funcionar como tal há apenas algumas décadas.

Dinastia de Borgonha:
– D. Afonso Henriques – Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra
– D. Sancho I – Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra
– D. Afonso II – Mosteiro de Alcobaça
– D. Sancho II – Toledo?
– D. Afonso III – Mosteiro de Alcobaça
– D. Dinis I – Mosteiro de Odivelas
– D. Afonso IV – Sé Catedral de Lisboa
– D. Pedro I – Mosteiro de Alcobaça
– D. Fernando I – Convento do Carmo em Lisboa, inicialmente o túmulo estava em Santarém.

Dinastia de Avis:
– D. João I – Mosteiro da Batalha
– D. Duarte I – Mosteiro da Batalha
– D. Afonso V – Mosteiro da Batalha
– D. João II – Mosteiro da Batalha
– D. Manuel I – Mosteiro dos Jerónimos
– D. João III – Mosteiro dos Jerónimos
– D. Sebastião I – Mosteiro dos Jerónimos?

Dinastia Filipina (de Habsburgo):
– D. Filipe I – Espanha
– D. Filipe II – Espanha
– D. Filipe III – Espanha

Dinastia de Bragança:
– D. João IV – Mosteiro de São Vicente de Fora em Lisboa
– D. Afonso VI – Mosteiro de São Vicente de Fora em Lisboa
– D. Pedro II – Mosteiro de São Vicente de Fora em Lisboa
– D. João V – Mosteiro de São Vicente de Fora em Lisboa
– D. José I – Mosteiro de São Vicente de Fora em Lisboa
– D. Maria I – Basílica da Estrela em Lisboa
– D. Pedro III – Mosteiro de São Vicente de Fora em Lisboa
– D. Pedro IV, Pedro I do Brasil, esteve no Mosteiro de São Vicente de Fora em Lisboa até a transladação dos seus restos mortais para o monumento do Ipiranga no Brasil, em São Paulo, o coração dele esta na igreja da Lapa no Porto.
– D. Maria II – Mosteiro de São Vicente de Fora em Lisboa
– D. Fernando II – Mosteiro de São Vicente de Fora em Lisboa
– D. Pedro V – Mosteiro de São Vicente de Fora em Lisboa
– D. Luís I – Mosteiro de São Vicente de Fora em Lisboa
– D. Carlos I – Mosteiro de São Vicente de Fora em Lisboa
– D. Manuel II ultimo Rei Português – Mosteiro de São Vicente de Fora em Lisboa

Informação retirada daqui

O estranho acidente que impediu que Portugal e Espanha fossem um único país


Dom Afonso de Portugal  nasceu em Lisboa no dia 18 de Maio de 1475 e faleceu em Santarém a 13 de Julho de 1491. Era o único filho e herdeiro de D. João II e de D. Leonor, Reis de Portugal. O rei tanto adorava este seu filho que, em sua homenagem, baptizou de “Príncipe” a ilha mais pequena do arquipélago de São Tomé e Príncipe.

Ainda em criança, D. Afonso casou com a princesa Isabel de Aragão, filha mais velha dos Reis católicos. Ficara escrito no tratado de anulação das terçarias de Moura, que aos 14 anos, o príncipe herdeiro D. Afonso casaria com a infanta Joana, filha segunda dos Reis Católicos, mas se a sua irmã mais velha, herdeira dos reinos de Castela, Aragão e parte de Navarra, ainda se encontrasse solteira nessa altura, então o matrimónio do príncipe Afonso, efectuar-se-ia de preferência com ela e foi mesmo isso que aconteceu.

Isabel I de Castela e Fernando II de Aragão tinham um herdeiro, Juan, que era um jovem frágil e que viria a falecer com dezanove anos de idade. A princesa Isabel seria, portanto, a herdeira mais provável das coroas de Castela e Aragão e, como estava casada com o Príncipe herdeiro de Portugal, adivinhava-se uma união dos reinos ibéricos sob a alçada de Portugal.

Estava implícito neste acordo o plano da união ibérica, pelo que alguns boatos sobre a possível aproximação, para efeitos de casamento com a infanta Isabel a mais velha e herdeira, com as casas de França e de Nápoles, não passavam disso mesmo, pois nada mais poderia agradar à coroa de Castela que o casamento da sua herdeira com o infante de Portugal.

Em Janeiro de 1490, foram convocadas cortes, reunindo-se em Évora no mês de Março, que aprovaram o enlace e estabeleceram uma contribuição de 100.000 cruzados, para cobrir as despesas com as solenidades. Os esponsais celebraram-se em Sevilha, num domingo depois da Páscoa, debaixo de grandes festejos. Desde essa data o príncipe Afonso e a infanta Isabel estavam casados por procuração.

A reunião dos noivos, viria a realizar-se já perto do fim desse ano, depois de grandes preparativos, minuciosamente dirigidos pelo próprio Rei. Tudo preparado com grande fausto, conforme descrito por Garcia de Resende. Isabel I de Castela e Fernando II de Aragão tinham um herdeiro, Juan, que era um jovem frágil e que viria a falecer com 19 anos de idade.

A princesa Isabel seria, portanto, a herdeira mais provável das coroas de Castela e Aragão e, como estava casada com o Príncipe herdeiro de Portugal, adivinhava-se uma união dos reinos ibéricos sob a alçada de Portugal.

Os Reis católicos tentaram manobrar diplomaticamente para dissolver o casamento, sem sucesso, dada a influência portuguesa junto do Papa. A sua causa estava aparentemente perdida, quando um acidente salvou Castela e Aragão de uma anexação.

Afonso morreu em circunstâncias misteriosas, de uma queda de cavalo durante um passeio, em Alfange, Santarém, à beira do Tejo. A hipótese de assassinato nunca foi provada, mas os Reis católicos tinham tudo a ganhar com este desaparecimento. Ainda para mais, o aio castelhano do jovem Afonso desapareceu para Castela no próprio dia, depois de ter sido a única testemunha ocular do incidente. Segundo outra fonte, (Bernardo Rodrigues, em os Anais de Arzila), o seu aio era João de Meneses, conde de Cantanhede. As preces que D. João II mandou rezar por todo o Reino e os esforços dos físicos, não conseguiram as melhoras de D. Afonso, que viria a falecer no dia 13 de Julho de 1491.

As exéquias decorreram no mosteiro da Batalha, com o espectáculo de dor habitual nas épocas medievais, homens que arrancavam as barbas até ficarem com o rosto em sangue, cabeças que batiam contra o cadafalso ou mulheres arranhando desesperadamente a face.

Depois da morte de D. Afonso, D. João II nomeou como sucessor o Duque de Beja, seu primo, que viria a governar como D. Manuel I de Portugal.

Ainda em Évora em 1490, após o casamento do filho, tinha D. João II, sofrido os primeiro sintomas da estranha enfermidade que o havia de matar. Em 1495 já não sofria apenas de mal estar e desmaios, também o seu aspecto outrora belo se havia começado a alterar devido a um inchaço.

Os seus últimos anos de vida foram, de imensa actividade em permanente mudança pelo País, um pouco como procura e qualquer lado, a receita que pudesse minimizar os seus padecimentos.

A rainha D. Leonor também adoecera gravemente, aumentando a aflição do Rei, que se nunca se recompusera do falecimento do infante, julgava agora também vir a perder a mulher.

Acabou a rainha por salvar-se e o rei, que nunca deixara abrandar a sua actividade, encontrava-se com a corte em Évora mo verão de 1495 quando uma inoportuna peste assola a cidade, obrigando a corte a retirar-se para Alcáçovas.

O mal que padecia estava avançando, de tal forma que a s mãos de tanto incharem, já mal lhe permitiam segurar uma pena para escrever de tal forma que mandara fazer uma chancela em ouro para as assinaturas.

Infrutíferas continuavam a ser as tentativas de D. João II, junto de D. Leonor, para que autorizasse a legitimação do filho Jorge, bastardo de D. João.

Tinham tido notícias de algumas maravilhas curativas que com as águas de Monchique se obtinham, que o levaram a decidir partir para o Algarve . Com o franciscano João da Póvoa se confessou e com ele redigiu o seu testamento, optando por não afrontar a Rainha e não nomear seu filho Jorge herdeiro do trono, optando por nomear D. Manuel, duque de Beja e seu cunhado.

Também cuidou em Alcáçovas antes de partir, de deixar nomeado Vasco da Gama, como capitão da frota que deveria ir à Índia.

Em Monchique porém as águas fizeram-lhe ainda pior, retirando para o Alvor, onde viria a morrer, em casa de D. Álvaro de Ataide, mas foi o próprio rei que desenganado pelos médicos, sobre as suas hipóteses de salvação, organizou o próprio cenário da sua morte, ordenou a sua extrema unção, e faleceu no dia 25 de Outubro de 1495, apenas com 40 anos, não sem antes pedir aos que o rodeavam que não o agoniassem com o seus prantos.

Isabel a Católica, quando recebeu a notícia, terá exclamado “morreu o Homem”, D. João II passou na História de Portugal a ser conhecido pelo Príncipe Perfeito.

Informação retirada daqui

Biografia de Guilherme Schaumbourg Lippe

n.     24 de janeiro de 1724.
f.      [ 10 de setembro de 1777 ].

Conde soberano de Schaumbourg, marechal general do exercito português.

Nasceu em Londres a 24 de janeiro de 1724. 

Depois de ter estudado em Leyde na Holanda, e em Montpellier na França, entrou no serviço das guardas inglesas, sendo em breve despachado alferes, e tendo apenas dezanove anos assistiu à batalha de Dettiragen, com seu pai, então general ao serviço da Holanda. Alistando-se na marinha inglesa em 1744, deixou pouco depois essa carreira por falta de saúde, e mais tarde entrou em nova campanha ás ordens do general austríaco conde de Schulembourg, largando em seguida a vida militar. Viajou durante dois anos, e tendo vinte e um anos de idade foi chamado ao governo dos seus estados. Em 1757 uniu-se com a sua tropa ao exército hanoveriano de cuja artilharia foi nomeado grão-mestre pelo rei de Inglaterra, e nesta qualidade tomou parte em algumas batalhas.

Em 1762 o marquês de Pombal, vendo iminente a guerra entre a nossa corte, e as de Espanha e França, ao mesmo tempo que pedia socorro à Inglaterra, cuidou de contratar um general estrangeiro para comandante em chefe do nosso exercito, e por indicação do rei de Inglaterra foi escolhido para essa elevada comissão o conde Schaumbourg Lippe. A 3 de julho do referido ano se expediu o decreto nomeando-o marechal general dos exércitos, e encarregando-o do governo das armas de todas as tropas de infantaria, cavalaria, dragões e artilharia, e director geral de todas elas. Chegando a Lisboa, o conde de Lippe tratou logo de ver quais as tropas sólidas com que podia dispor, e reconheceu que apurando-as bem não tinha para compor o exercito de operações mais de sete ou oito mil ingleses e outros tantos portugueses, porque  o resto das tropas nacionais era preciso para guarnecer as praças ou formado de recrutas mais prejudiciais do que úteis nas marchas que deviam constituir as manobras principais da defensiva. Tendo apenas essa diminuta força para se opor ao exercito franco espanhol, que constava de 42.000 homens e 93 canhões, o marechal decidiu-se a limitar as suas manobras a conservar-se na defensiva, procurando apenas inquietar a marcha dos invasores, e tendo as suas tropas concentradas lança-las num momento imprevisto sobro algum ponto fraco do inimigo, imitando assim o sistema de guerra do grande Frederico. Entretanto o marquês de Sarria atravessava o rio Côa, tomava Castelo Rodrigo, e marchava sobre Almeida, e o conde de Lippe logo que teve conhecimento dessas operações concentrou as suas tropas em Abrantes, esperando ensejo para uma empresa qualquer. Em breve se apresentou esse ensejo, e o marechal, notando que os espanhóis, parecendo prepararem se para invadir o Alentejo, depois da tomada de Almeida, começaram para isso a dispor armazéns de viveres pela fronteira de Badajoz e mantinham aí em observação uns três ou quatro mil homens, concebeu o audacioso projecto de lançar no Alentejo um corpo de tropas que fosse surpreender esses armazéns a esses destacamentos inimigos e cortar ao mesmo tempo da sua base de operações o exercito que sitiava Almeida. 

Para levar a cabo este plano dividiu o marechal o seu exército em cinco fracções ou corpos, estabelecendo-se o 1.º sob o comando do conde de Loudon em Viseu, tendo por missão especial defender as províncias do norte; o 2.° ás ordens do conde de Santiago foi enviado para Castelo Branco e depois para a Guarda afim de cobrir a Beira Baixa e a Estremadura; o 3.º ficou em Abrantes para acudir onde fosse preciso; o 4.º comandado pelo coronel Burgoyne devia marchar secretamente pelo Alentejo, lançar o terror pela Extrema dura espanhola, tomar ou incendiar os depósitos de viveres e cortar quanto pudesse as comunicações de Badajoz com o exército que sitiava Almeida, o 5.º finalmente, que constituía o grosso do exército, devia, protegido pelas operações de Burgoyne, penetrar em Espanha e cortar o exército do marquês de Sarria da sua base de operações. Uma condição essencial para o êxito deste plano era que Almeida se não rendesse tão depressa, e para prevenir esse desastre ordenou o conde de Lippe ao governador que defendesse a praça até à última extremidade. Dispostas assim as coisas, no dia 21 de agosto pela manhã Burgoyne passou o Tejo em Abrantes, e dirigindo-se secretamente a Castelo de Vide, entrou em Espanha, tomou de surpresa Valência de Alcântara, aprisionou ou dispersou cinco ou seis companhias do regimento de Sevilha e quarenta dragões que vinham servindo de escolta ao marechal de campo Balanza, que também ficou prisioneiro. No mesmo dia 24 pôs-se também a caminho, atravessando o Tejo o grosso do exército, mas a pasmosa imprevidência da administração dos víveres por tal forma demorou a marcha, que ainda as nossas tropas estavam a duas jornadas de Espanha, quando veio de súbito a noticia da capitulação de Almeida. Deste modo estavam perdidas todas as combinações do conde de Lippe, e o nosso exército corria risco muito sério de ser cortado pelos espanhóis, que avançando rapidamente podiam separar as forças que estavam no Alentejo das que ocupavam a Beira Alta e a Beira Baixa. Felizmente o conde andava com prudência, e valendo-se dos regimentos que conservara em Abrantes para proteger a junção das tropas de Loudon com o grosso do exército, deu ordem ao conde de Santiago para incomodar as comunicações do inimigo enquanto pudesse, e para se internar nos desfiladeiros entre o Tejo e o Zezere logo que isso se tornasse necessário, reforçou as tropas de Burgoyne deixando –as em observação entre Portalegre e Vila Velha e ao mesmo tempo trouxe rapidamente para Abrantes os regimentos que estavam em Nisa prontos a invadir a Espanha. Apesar de tudo, se os generais espanhóis manobrassem  com rapidez, podiam nessa ocasião ter alcançado grandes resultados; mas, felizmente para nós, as operações dos invasores foram dirigidas com tal demora que o conde de Lippe pode concentrar as suas tropas e tomar as disposições convenientes para se opor ao exército franco espanhol que de Castelo Branco, onde se reunira, parecia querer passar o Tejo em Vila Velha. O marechal chamou então Burgoyne a Vila Velha e encarregou-o de defender a margem do Tejo, construindo baterias em todos os escarpados das montanhas que por ali orlam o rio e aproveitando enfim o próprio castelo da Vila que apesar de ser um mau recinto, tinha a vantagem de ser de muito difícil acesso. Colocados sérios obstáculos que impediriam o inimigo de marchar para o Alentejo, tratou o conde de Lippe de defender também os desfiladeiros das montanhas que entre o Zezere e  o Tejo vão ter a Abrantes, mas ao mesmo tempo com certo desejo de que os inimigos desistindo de atravessarem o rio seguissem o caminho desses desfiladeiros, cuja defesa foi confiada às tropas do conde de Santiago, chamadas à pressa da Beira Baixa. Depois de ter perdido muito tempo o conde de Aranda que substituíra o marquês de Sarria no comando do exército espanhol, o que obrigou o conde de Lippe a retrogradar em pouco das posições que ocupava indo então postar-se em frente de Abrantes. Os inimigos, porém, quase nada aproveitaram com aquela vantagem, porque tendo na sua frente o marechal com as tropas  em posição fortíssima, eram fatigados por combinadas excursões, e tinham de viver e marchar nesse país devastado e sem estradas, e onde todas as operações de guerra eram dificílimas. O conde de Santiago recebera ordem para fazer retirar da Beira tudo o que pudesse servir à subsistência e marchas do invasor, e o conde de Lippe para aumentar os embaraços do inimigo, mandou contramarchar o conde de Loudon e reforçando-se com mais algumas tropas deu-lhe ordem de marchar para Penamacor afim de cortar as comunicações aos invasores. Entretanto o conde de Lippe não cessava de fortificar a sua magnifica posição, de a guarnecer e fornecer com artilharia e de estabelecer comunicações com a margem sul do Tejo, afim de se ligar com o corpo de Burgoyne. Ao mesmo tempo o Outono auxiliava-o, as tempestades haviam começado, o exército espanhol exposto às intempéries da estação com falta de víveres e de comodidades, atacado incessantemente pelos destacamentos portugueses, começou a achar-se em posição muito crítica. Ao saber que o conde de Loudon aparecia no Fundão, o conde de Aranda, vendo que não podia  tomar Abrantes, recuou e foi novamente ocupar Castelo Branco com  a intenção de emendar o erro que cometera, e de passar ao Alentejo em vez de prosseguir à invasão pela Beira Baixa. O conde de Lippe pôs-se logo em movimento para estorvar o plano do adversário, mas o mau tempo dificultou a operação, e o conde de Aranda voltou para Espanha. A guerra, porém, estava a findar. A Espanha fora infeliz nas suas tentativas contra Portugal, infelicíssima no mar e nas colónias, a França também suportara graves perdas marítimas, no continente. Frederico II obtivera a neutralidade dos russos, e depois de muitas alternativas dessa guerra dos Sete Anos, conseguira ganhar sobre os austríacos nova vitória decisiva. Em Fontainebleau reuniram-se os plenipotenciários discutindo o tratado de paz, e em vista disto o conde de Aranda e o conde de Lippe concordaram entre si um armistício que foi assinado no dia 1 de Dezembro de 1762, e que terminou no dia 11 com a chegada do próprio conde de Oeiras, que vinha trazer a notícia que no dia 3 de outubro se assinara em Fontainebleau a paz entre a França, Inglaterra, Espanha e Portugal. A 7 de março seguinte foi proclamada a paz definitiva, e no dia 20 de abril o conde de Lippe partiu para Lisboa. 

Esta campanha de 1762 teve uma grande importância para Portugal, porque ela datou a reorganização do nosso exército, e porque o conde de Lippe desenvolveu nessa guerra um grande tacto militar. Terminada a luta, o marquês de Pombal ocupou-se de reorganizar o exército, e nesse empenho o ajudou poderosamente o conde de Lippe. A disciplina e a instrução das tropas mereceram a principal atenção do marechal, que publicou os conhecidos Regulamentos de infantaria, cavalaria, e os artigos de guerra que se conservaram em vigor por muitos anos, sendo depois substituídos por um novo código de justiça militar. Da defesa do país e do melhoramento das fortificações, também se não esqueceu o conde de Lippe, e a ele se deve a construção do forte junto a Elvas, chamado hoje forte da Graça, mas que por muito tempo conservou o nome de Forte de Lippe. O conde voltou então À sua pátria,  elevado por D. José à dignidade de príncipe de sangue com tratamento de alteza, e recebendo nessa ocasião valiosos presentes, que consistiram em 6 canhões de ouro pesando cada um trinta e duas libras montados em reparos de ébano chapeados de prata, e um botão e uma presilha de brilhantes.

Publicações Alemãs Sobre o Conde de Lippe Uma Orientação Bibliográfica por Pedro Brito
Revista Militar

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Biografia de Paul von Lettow-Vorbeck

Oficial comandante das forças alemãs que invadiram Moçambique durante a Primeira Guerra Mundial.
Nasceu em Saarlouis, Província do Reno, Prússia [Alemanha] em 20 de Março de 1870; 
morreu em Hamburgo, em 9 de Março de 1964.

Oficial colonial alemão por excelência, Lettow-Vorbeck foi enviado para a China durante a Revolta dos Boxers, tendo sido destinado a seguir para a colónia alemã do Sudoeste Africano, actual Namíbia, servindo nas forças  expedicionárias que combateram a rebelião de Herero e de Hottentot entre  1904 e 1908, durante a qual ganhou uma valiosa experiência da guerra no mato. Ferido, foi enviado para a África do Sul para recuperar.

Promovido a tenente-coronel foi nomeado comandante das forças militares da colónia alemã da África Oriental, a actual Tanzânia. Com o começo da Primeira Guerra Mundial, dirigiu vários bem sucedidos ataques surpresa contra o caminho-de-ferro britânico do Quénia, tentou a conquista de Mombaça e repeliu uma tentativa de desembarque britânico em Tanga, no Norte da colónia, em Novembro desse ano. 

Durante quatro anos, dirigindo uma força que nunca excedeu 14.000 homens, sendo 3.000 alemães e 11.000 askaris - soldados nativos da colónia -, obrigou ao envio de forças aliadas para a região que acabaram por ter um efectivo conjunto que se estima entre 130.000 a mais de 300.000 homens, compostas por tropas britânicas, belgas, e portuguesas, tendo entretanto invadido Moçambique e a Rodésia. O armistício apanhou-o na Zâmbia, quando provavelmente se dirigia para a colónia portuguesa de Angola.

Quando regressou à Alemanha em Janeiro 1919, Lettow-Vorbeck foi acolhido como um herói. Em Julho 1919, com o fim da guerra, comandou um corpo dos voluntários que ocuparam Hamburgo para impedir a tomada do poder na cidade dos comunistas do partido espartaquista de Rosa Luxemburgo. 

Foi deputado ao Reichstag, o parlamento alemão, de Maio de 1929 a Julho de 1930. Sendo membro da ala direita, nunca apoiou os Nazis, tendo tentado organizar em vão uma oposição conservadora a Hitler.



Fontes: 
Enciclopédia Britânica

domingo, 29 de outubro de 2017

Biografia de Leclerc, Victor-Emmanuel

n: 17 de Março de 1772, Pontoise (França)
m: 2 de Novembro de 1802 em Cap-Français (Haiti)

Tendo-se alistado no exército em 1791, é eleito tenente pelos voluntários do departamento de Seine-et-Oise, e nomeado chefe do Estado-maior do Exército enviado contra Toulon, ocupada pelos espanhóis e britânicos.
Enviado para Marselha em 1795 para restabelecer a ordem, participa na Campanha de Itália sob o comando de Napoleão Bonaparte, a partir de 1796, tendo-se distinguido nas batalhas  de Lonato, Roveredo e Rivoli. Regressa a França para anunciar ao governo os preliminares da paz de Leoben. Tendo-se tornado amigo de Bonaparte, casou com a irmã mais nova deste - Pauline - em 14 de Junho de 1797.

Fez parte da expedição ao Egipto, comandando a brigada de cavalaria ligeira do exército, sendo promovido a general de divisão em Agosto de 1799. Regressa com o comandante-em-chefe do Exército a França tomando parte activa no Golpe de Estado de 18 de Brumário que coloca o cunhado no poder.

Homem de confiança do Primeiro Consul françês exerce comandos cada vez mais importantes.  Em 1800, é colocado no Exército da Alemanha para vigiar o seu comandante-chefe, o general Moreau, tomando a fortaleza de Landshut. Mais tarde é-lhe dado o comando do corpo expedicionário que deve apoiar o Exército espanhol na sua campanha contra Portugal, mas a conclusão rápida da campanha impede-o de intervir.

Em 24 de Outubro de 1801, após a assinatura da paz de Amiens, é colocado à frente da expedição enviada a São Domingos, com o título de Capitão General, para restabelecer a soberania francesa na ilha. Tendo chegado ao Haiti em Fevereiro de 1802, consegue pacificar a ilha, vencendo as forças militares compostas por negros rebeldes, e prendendo Toussaint-Louverture o seu comandante. O anúncio do restabelecimento da escravatura na Ilha de Guadalupe reaviva a rebelião, que as tropas francesas vindas da Europa, dizimadas pela febre amarela, têm dificuldade em por cobro. 

O general Leclerc atacado pela febre amarela acaba por morrer em finais de 1802.



Fonte:
Jean Tulard e outros,
Histoire et Dictionnaire du Consulat et de l'Empire, 
Paris, Laffont, 1995.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Biografia de Pierre Margaron

Margaron, Pierre - Barão do Império Francês
n: 1 de Maio de 1765, Lyon (França)
m: 16 de Dezembro de 1824 em Paris (França)

Eleito capitão de uma companhia franca da Legião das Ardenas em Agosto de 1792, serviu no Exército do Norte até 1796. Em 1798 foi enviado para Itália servindo na cavalaria ligeira. Nomeado general de brigada em 1803, foi comandante da cavalaria do 4.º corpo de Exército de Soult durante as campanhas de 1805 na Alemanha, sendo ferido em Austerlitz. Em 1806, continua no 4.º Corpo e participa na guerra contra a Prússia, tendo estado presente na batalha de Iena. Participou na campanha de 1807 na Polónia estando presente em Mohrungen, sob o comando do marechal Bernadotte.
Em 1807 é colocado no 1.º Corpo de Observação da Gironda, participando na invasão de Portugal. Acompanha o general Loison ao Alentejo, combatendo em Évora e depois no Vimeiro, tendo sido nomeado Barão do Império em princípios de 1809.

Em 1813 é promovido a general de divisão e participa na campanha da Alemanha, sendo nomeado governador de Leipzig. Durante a Restauração foi Inspector-Geral da "Gendarmerie."

Fonte:
Jean Tulard e outros,
Histoire et Dictionnaire du Consulat et de l'Empire, 
Paris, Laffont, 1995. 

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Biografia de Antoine Maurin

Maurin, Antoine
Barão do Império Francês
n: 19 de Dezembro de 1771, em Montpellier (França)
m: 4 de Outubro de 1830, em Paris (França)

Soldado de cavalaria ligeira em 1792, distingue-se no sítio de Maastricht e na batalha de Roer, em 1794, sendo promovido ao posto de 2º Tenente (Alferes). O seu heroísmo em Limbourg, em 1796, faz com que seja promovido a Tenente no campo de batalha. Ajudante-de-campo de Bernadotte é transferido com este para o Exército de Itália sendo promovido a Capitão em 1797. Em 1800 está no Exército do Oeste que combate os monárquicos franceses e em 1805, continuando a acompanhar Bernadotte, está no 1º Corpo de Exército, com o qual faz as campanhas de 1805 a 1807, sendo promovido a General de Brigada.
Em finais de 1807, é colocado no 1º Corpo de Observação da Gironda, sendo barão do império em Março de 1808. É enviado no início de 1808 para Cádiz, quando o exército espanhol abandona Portugal. Fica-se pelo Algarve donde é expulso pela revolta de 1808, atacando e saqueando Beja, no regresso das tropas a Lisboa. Capturado em Junho de 1808 pelos ingleses só será libertado em Setembro de 1812.

Doente, servirá a partir dessa data somente em postos administrativos, sendo promovido a general de divisão em 1814. Apoia Napoleão Bonaparte durante os Cem Dias, sendo ferido na batalha de Ligny em 16 de Junho de 1815.

Fonte:
Jean Tulard e outros,
Histoire et Dictionnaire du Consulat et de l'Empire, 
Paris, Laffont, 1995. 

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Biografia de Moore, Sir John

n: 13 de Novembro de 1761 em Glasgow (Escócia)
m: 19 de Janeiro de 1809 na Corunha (Espanha)

Filho de um cirurgião do Exército britânico que também era médico pessoal do Duque de Albermarle, alistou-se no Exército com 15 anos. Em 1786, conseguiu um lugar no Parlamento de Londres, tendo sido nomeado Coronel do 51º Regimento de Infantaria em 1790. Comandou o seu regimento, na Irlanda, Gibraltar e Córsega até 1796 data em que foi promovido a Brigadeiro. No ano seguinte era Major-General. Em 1798 pôs fim a uma revolta em Wexford, na Irlanda, tendo sido considerado pelo próprios revoltosos como um oficial muito humano.
Em 1802, comandando um campo de instrução no Kent, no sul da Grã-Bretanha, instruiu alguns regimentos em tácticas de infantaria ligeira, dando especial enfâse à inciativa pessoal dos soldados, tendo para isso de pôr de lado os regulamentos britânicos vigentes na altura, de inspiração prussiana, que impunham uma disciplina brutal. Os corpos instruídos no campo de Shorncliffe deram origem à Brigada Ligeira, que agrupados, em 1810, aos 1º e 3º Batalhões de Caçadores portugueses, formaram a célebre Divisão Ligeira, durante a Guerra Peninsular.

Em 1808, após ter estado no Báltico, para apoio à Suécia, foi enviado para Portugal, sendo nomeado 3º comandante do Exército britânico. Após a Convenção de Sintra e a saída do Exército francês de Portugal, tomou o comando do exército, levando a maior parte para Espanha, em apoio das forças espanholas que combatiam o exército comandado por Napoleão Bonaparte, que tentava restabelecer o domínio francês na Península.

Estando em Salamanca, tentou destruir o corpo isolado de Soult que estava em ..., mas tendo ficado por seu vez isolado, teve que se dirigir para o porto da Corunha para embarcar e salvar o Exército britânico. O corpo de Soult tendo chegado à Corunha, antes dos britânicos embarcarem, Moore foi obrigado a travar uma batalha defensiva de que saiu vitorioso, mas em que perdeu a vida. 

Fonte:
David Chandler,
Dictionary of the Napoleonic Wars, 
Londres, Arms & Armour Press, 1979.

sábado, 21 de outubro de 2017

Biografia de Hugh Owen

Nasceu em 27 de Maio de 1784, no País de Gales; 
morreu em Dezembro de 1860

Começou a carreira militar como capitão de voluntários em Thropshire, em 1803, quando do grande movimento patriótico para a defesa da Grã-Bretanha da prevista tentativa de invasão pelos exércitos franceses de Napoleão Bonaparte, com o fim da Paz trazida à Europa pelo Tratado de Amiens.

É em 1809 que ingressa no exército no regimento n.º 16 de dragões ligeiros, embarcando imediatamente para Portugal, com os reforços que seguem com Wellington, para defesa do país contra Soult.  Serve com os atiradores do regimento nos combates de Albergaria, Grijó e na perseguição do exército francês do Porto até Salamonde.

Na batalha de Talavera comanda o corpo de atiradores da brigada de cavalaria ligeira, composta dos regimentos de dragões ligeiros nos. 14, 16 e 23 e do regimento de hussardos da King's German Legion.

No ano seguinte o marechal Beresford promove-o a capitão, servindo de ajudante-de-campo do general Fane, comandante da retaguarda da divisão Hill, quando da retirada para as Linhas de Torres Vedras. Mais tarde passa para a brigada de cavalaria de sir Loftus Otway, que comandava a brigada de cavalaria portuguea formada pelos regimentos 1, 4, 7 e 10. Continuando a servir nos estados-maiores passa, como major de brigada e ajudante-de-campo, para a brigada de cavalaria portuguesa do general d'Urban, formado pelos regimentos n.º 1, n.º 11 e n.º 12.

Na batalha de Vitória foi ele quem comandou a brigada na célebre carga de cavalaria que acabou com a resistência francesa, sendo promovido no campo de batalha por Wellington.

No exército português, após o fim da guerra, foi promovido a tenente coronel do regimento de cavalaria n.º 6 de Chaves. Em 1820 é coronel e acompanha na viagem de Beresford ao Brasil, regressando mais cedo que o comandante-chefe, trazendo despachos para a Regência, sendo transferido para o comando do regimento de cavalaria n.º 4. 

Chega a Portugal já com a revolução de 1820 em pleno curso. Tendo sido despedido, como Beresford e todos os outros oficiais britânicos, retira-se do exército e casa com Maria Rita da Rocha Pinto Velho da Silva, viúva, filha de um grande negociante de vinhos do Porto, em 20 de Dezembro de 1820. Teve quatro filhos, entre eles a célebre Fanny Owen, celebrisada por Camilo Castelo Branco e Agustina Bessa Luís.

Vivia no Porto quando, em 1832, o exército liberal  vindo dos Açores, e desembarcado na praia do Mindelo, ocupou a cidade. D. Pedro chamou-o para comandante da cavalaria, mas Owen, por ser cidadão britânico recusou, de acordo com as ordens dadas pelo seu governo, mas colaborou com o regente durante o cerco da cidade.

Em 1856 regressou à Grã-Bretanha, abandonando mulher e filhos.

Fonte:
Hugh Owen,
O Cerco do Porto contado por uma Testemunha - O Coronel Owen,
Porto, Renascença Portuguesa («Biblioteca Histórica, I»), 1915
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Mensagens populares

Recomendamos ...